NINGUÉM É SÓ PEDAÇOS DE CORPO

Ou: “abandonando essa visão-açougueira da silhueta feminina”.

Quando a gente se olha no espelho, vê um conjunto de coisas, todas parte de uma mesma aparência. Ninguém é só quadril, ou só peitinho, ou só barriga (seja ela positiva ou negativa), ou só coxa grossa. A idéia de conjunto pode ser libertadora, porque dá possibilidade da gente encontrar pontos fortes pra valorizar na aparência — de mais de um jeito, sob mais perspectivas.

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Ao mesmo tempo, esse conjunto de lindezas dá chance de harmonização, de compensação: se fosse tudo uma coisa só e se a gente não curtisse essa coisa, tava tudo perdido… mas não! Não tá tudo perdido — pelo contrário: se a gente não curte uma coisinha que seja, essa coisinha pode ser “neutralizada com amor”quando a gente valoriza outras coisas, e então desvia a atenção de um ‘desgosto’ para um ‘gosto’. Bom, né?

Corpo faz parte da aparência que a gente tem, mas todo mundo é muito mais que só aparência. Diz um ditado indiano que “não somos corpos que têm uma alma, mas almas que têm corpos” — ó que lindeza de pensamento pra vida!

14.08.2015 - 08:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 2 Comentários

POR QUE A GENTE PREFERE COMPRAR EM LOJAS PEQUENAS (em especial nas não-estrangeiras)

“You cannot get through a single day without having an impact on the world around you.
What you do makes a difference, and you have to decide what kind of difference you want to make.” (Jane Goodall)

Aqui na Oficina a gente tem preferido comprar de marcas independentes, menores, de perto da gente (brasileiríssimas) e com donos que cuidam de tudo ou quase tudo da marca: da criação, da origem dos materiais, do transporte, dos funcionários, etc. A gente tem exercitado essa preferência tanto no nosso trabalho como consultoras de estilo quanto na hora de abastecer os nossos próprios guarda-roupas.

A gente entende que quando uma marca pertence a um grande grupo de investidores, fica quase impossível rastrear todos os processos comuns a uma operação comercial. E aí 2, 3 ou 4 pessoas (os investidores) ganham muuuito dinheiro contratando centenas/milhares de outras pessoas pra cuidar da operação toda, e toda essa gente ganha bem menos. Assim a gente acaba entregando nosso dindin pra quem já tem dinheiro demais da conta, e não pra quem trabalha diretamente com o que produz.

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A idéia, pra gente, tem sido considerar várias hipóteses para chegar em uma opção melhor no final. Isso quer dizer, distribuir melhor o dinheiro que a gente entrega nas compras, tentar impactar menos no ambiente (escolhendo materiais naturais e orgânicos/menos tratados com produtos químicos, que sejam mais duráveis, que não demandem transporte de longe, que venham com menos embalagem). Junto com isso a gente tem procurado fazer escolhas éticas — procurando conhecer produções próprias, feitas por gente trabalhando com assistência e dignidade, usando fornecedores/produtores que sejam remunerados direitinho, comunidades que sejam beneficiadas pela venda, etc.

Essa prática depende de informação e a gente tem colocado mais e mais energia na busca desse conhecimento: a gente faz perguntas nas lojas, manda e-mail pras marcas, conversa com quem sabe mais que a gente, troca demais com quem tá exercitando isso há mais tempo. Até nisso empresas/lojas/marcas pequenas funcionam melhor: quanto menos gente envolvida, quanto menos grandiosidade de operação, mais acesso a respostas a gente tem.

Mas isso é escolha pessoal nossa — e na medida em que a gente aprende (e procura aprender mais), a gente vai também aperfeiçoando nossas escolhas. Ninguém é 100% correto e “não impactante”. Mas a trajetória tem sido legal demais: já que essa é a nossa área (de atuação profissional) a gente acaba tendo mais chances de impactar um tanto mais pro bem do que pro mal. A gente sente que essas pequenas mudanças são possíveis – e que muitas vezes não envolvem tirar mais dinheiro do bolso, e sim repensar nossas necessidades e desejos.

Mais desse nosso aprendizado aqui:

_um filme para entender os impactos da cadeia da moda como a gente conhece hoje
_sobre ter menos, melhor e mais de perto
_por que essa moça não vai mais comprar fast-fashion
_5 atitudes sustentáveis em moda
_idéias pra construir um guarda-roupa mais ético

((colaborou com a gente nesse texto a Fê Canna — fundadora da Canna, colaboradora do Belezinha e do Modefica))

11.08.2015 - 11:09 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 15 Comentários

CONJUNTO BOM DE CORES NO ARMÁRIO

Um fundamento da nossa consultoria de estilo é trabalhar grupos coesos de cores nos armários das clientes. Tipo, primeiro a gente identifica um grupão de cores que faz com que a cliente fique mais bonita (alô análise de coloração pessoal) e depois pensa em que cores ficam mais legais junto com essas primeiras. E assim, escolhendo ao longo da vida peças nessas cores todas, a gente vai construindo um armário coerente, em que tudo combina com tudo. E acontece de verdade, é mágico mas a gente presencia na vida real!

quantidades de partes de cima e de baixo no guarda-roupa, coordenação de cores, consultoria de estilo

E aí que durante um trabalho, quase-sem-querer, a gente arrumou um exercício bom pra uma cliente — que pode servir pra todo mundo organizar cores e planejar futuras aquisições-coloridas pro armário. Pra começar já: pega um bloquinho e uma caneta, vai pra frente do armário e começa a listar as partes de baixo e as partes de cima que tão lá (ou as campeãs de uso). Daí abre uma outra lista paralela, a das cores dessas partes de baixo e das partes de cima. Quando tiver duas listonas de cores, separa tudo em cores neutras e cores coloridas. Tipo:

_12 partes de baixo :: 8 em cores neutras e 4 em cores coloridas
_20 partes de cima :: 18 em cores neutras e 2 em cores coloridas

Nesse exemplo, esse guarda-roupa estaria muito carente de partes de cima coloridas, sacou? E a dona dele poderia se programar pras próximas compras saírem melhor que a encomenda. :) Ou, num outro exemplo, tipo esse:

_15 partes de baixo :: 1o coloridas e 5 neutras
_12 partes de cima :: todas coloridas

Aqui a gente poderia demais planejar futuras compras de mais partes de cima do que partes de baixo, e as partes de cima novas poderiam ser bem mais neutras — pra fazer render esse monte de parte de baixo colorida. Entendeu?

Essa “catalogação” de guarda-roupa ainda pode ser dividida em peças de frio ou calor, em cores claras e escuras, em peças com texturas ou peças lisas, em formal e informal, mil variações. Todas dão direção pra construção funcional de guarda-roupa — e ainda rendem muitas idéias novas de coordenação. Quem fizer o exercício pode dividir o resultado aqui com a gente nos comentários, viu? Pra cliente em questão deu suuuuper certo! ;-)

MAIS:
_como versatilizar peças ao máximo
_como “calcular” quantidades de partes de cima e de baixo num guarda-roupa
_guarda-roupa que combina com a vida que a gente leva

10.08.2015 - 07:55 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 55 Comentários

FELICIDADE NO PRÓPRIO ARMÁRIO

“É preciso muito pouco pra construir uma vida feliz, tá tudo na gente mesma — na nossa maneira de pensar.” (Marcus Aurelius Antoninus)

Felicidade não tem que ser esperada apenas em grandes eventos ou ocasiões espetaculares. É bem possível – e muito proveitoso! – encontrar felicidade em pequenos hábitos do nosso dia-a-dia. (daqui)

Assim também a gente pode exercitar relacionamento com o próprio vestir: não se satisfazendo somente com compras, peças novas, presentes ou festas pra se maquiar; mas na demanda de criatividade que o guarda-roupa coloca diante da gente todo dia de manhã, a cada escolha de coordenação e acessório.

Pode ser muito muito gerador de felicidade — e exercitador de orgulho, de força criativa e de satisfação pessoal:

_montar look de dia frio com uma peça de calor (alô sobreposições!)
_fazer render no fim de semana alguma coisa só usada no trabalho (e vice-versa)
_descolar inspiração pra coordenar cores em imagens de decoração e arquitetura :)
_coordenar peças homenageando personagens favoritos de filmes
_montar um look inteiro em cores neutras e pontuar com acessórios coloridões
_juntar tantas texturas diferentes na mesma coordenação quanto possível (cada peça numa textura específica: lisa, fofinha, vazada, tramada, espessa, durinha, molenga…)
_se propor a usar uma peça favoritona de um jeito 100% novo e diferente

Alguma idéia extra de como se divertir com o próprio guarda-roupa? De como fazer valer o gasto — de dinheiro, de emoção e expectativa – colocado ali em cada aquisição? De como exercitar o foco da energia no que a gente já tem (e não no que a gente gostaria ainda de ter)?

06.08.2015 - 08:34 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 11 Comentários

ROUPA PRA “UM DIA”

“when you aren’t trying to be somebody,
who are you?
when you aren’t trying to be somewhere,
where are you?
when you aren’t  trying to be,
are you?
(gangaji via @daniellazylbersztajn)

A gente se acostuma (não devia) a carregar com a gente umas condições tipo: “quando eu emagrecer esses 8 quilos vai tudo ser mais fácil”, ou “quando eu descolar um namorado aí sim tudo vai funcionar”, ou ainda “quando eu terminar de pagar o financiamento da minha casa aí sim vou cuidar de mim”.

No trabalho como consultoras de estilo a gente aprende, ano após ano, que é quase fantasiosa essa coisa de ter um “antes” e um “depois”. Não tem um ‘antes ruim’ e um ‘depois bom’ — especialmente em relação à nossa própria aparência. A gente faz o melhor que pode com os recursos que tem NO AGORA, pra ter um antes bacana e um depois muuuito mais bacana: mesma pessoa, mesma vida, mas aperfeiçoadas, melhores a cada nova experiência.

autoestima estilo pessoal confiança aceitação

O próprio trabalho mostra pra gente como faz sentido se desprender de condicionamentos pra criar, a partir do momento presente, o futuro que se quer. Com atenção, intenção e energia — e ó, temos visto tanta gente brilhar assim, indo atrás do que quer sentir (ao escolher roupas) e fazendo acontecer, vivendo bem com imperfeições e baixando expectativas pro nível humano. Ninguém tá pronto nunca, então que o processo seja divertido, oras!

Assim fica fácil encontrar sentido na idéia de só ter/comprar roupas muito legais — e usar todas elas, todos os dias da vida. O que a gente tem de mais incrível é o que tem que acompanhar a gente todo dia: não tem essa de “isso é pra uma ocasião especial” ou “vou usar pouco pra não estragar” — A VIDA TÁ ACONTECENDO, gente, e não tem rascunho pra depois passar a limpo. É agora e pronto: todo dia é especial e a gente merece, não merece? O melhor que a gente pode usar, todos os dias, não é “gastar” ou “usar errado”… é fazer valer o gasto.

E a gente acha poucas resoluções na vida podem ter impacto tão profundo quanto essa de aproveitar ao máximo o que se tem — e se mimar, se curtir, se aceitar e se permitir. <3

MAIS!
_essas idéias vieram desse nosso vídeo antiguinho
_“vale comprar hoje pra ser magra amanhã?”
_comprar deveria ser consequência de ser
_se conhecer é o caminho pra ser feliz (com moda)

03.08.2015 - 08:48 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 2 Comentários

POR UM ‘ARQUIVO INSPIRACIONAL’ PRÓPRIO

A stylist americana Rachel Zoe ensina no livro dela como a gente pode “pegar emprestadas” dicas de estilo pessoal das celebridades que a gente mais admira. O que ela sugere é que a gente colecione imagens que façam o olho brilhar, e daí comece a observar elementos que aparecem com frequência nessas imagens. Depois de identificar o que a gente gosta mais nessas referências (sensações, valores, detalhes, idéias), a sacada é procurar sentido pra apropriar aquilo ao nosso look e, aí sim, traduzir cada elemento pro nosso próprio estilo, do nosos jeitinho.

mural de referências consultoria de estilo inspiração

Tipo: vale pensar no que você mais curte e nos porquês de tanto gosto. No livro a gente tem exemplos das clientes dela: a Mischa Barton tem fascinação pela Twiggy; então a Rachel Zoe ensinou a atriz a usar sapatilhas e calças justinhas como a inspiração. Lindsay Lohan ama Brigitte Bardot e Marilyn Monroe — dá super pra identificar o estilão, não dá? Não é pra copiar — é pra inspirar, pra exercitar as nossas interpretações e a nossa capacidade de afinar escolhas. Se a gente ama tanto, se se identifica… certamente tem a ver com quem a gente é! Pro exercício vale colecionar imagem de pessoas, de acessórios, de coordenações de cores, de tudo — a gente aqui na Oficina acha até que vale também ter imagens de arquitetura, de comida, de paisagens, de design, etc etc etc.

Daí, com nossas coleções crescendo em referências variadas, a gente vai identificando elementos visuais e sensações que se quer procurar nas próprias escolhas, pra interpretar assim: isso é confortável pra mim? é possível acontecer no meu guarda-roupa, rende coordenações com o que eu já tenho? faz sentido pra rotina que se tem, pros horários, programas, ocasiões? E na medida em que a gente se aplica nesse exercício, nossas escolhas vão sendo aperfeiçoadas. E vai ficando até divertido (a gente garante!): a gente sempre pode querer comunicar alguma coisa com o look, né?

((post original de abril de 2008, agora revisado/atualizado!))

31.07.2015 - 08:10 | Postado por Fernanda Categorias: diário 28 Comentários
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