INCOMPLETAS E IMPERFEITAS

A gente tá convencida de que autoestima bem exercitada é chave pra se conquistar mais na vida, pra se descomplicar no guarda-roupa, pra crescer e brilhar. E autoestima tá 100% relacionada com AUTOACEITAÇÃO: é essencial entender que a gente é incompleta e imperfeita, que nunca vamos estar “prontas”, que paralisar vida e escolhas pra que “um dia” o momento certo aconteça… é furada.

Tamos nessa vida pra fazer o melhor que a gente pode com os recursos disponíveis NO AGORA. Somos todas humanas – e haja energia pra investir na idéia de ter tudo perfeito ao mesmo tempo agora. Querer alcançar o inalcançável é já perder a corrida desde a largada: expectativas inatingíveis nunca serão atingidas mesmo!


(foto de adelaide ivánova)

Corpo perfeito é o que se alimenta bem, se exercita e descansa direitinho; família perfeita é a que vive as dificuldades do dia-a-dia com resiliência (e com uma dose de bom-humor na medida do possível!), trabalho satisfatório é o que permite a gente servir a algo maior que a gente mesma, que dá sensação de produzir/entregar algo de bom pro mundo. Tudo tem dia bom e dia ruim, tudo tem um lado-luz e outro mais sombra… e compreender, desculpar e tolerar levam a gente pro (auto)amor. E quando a gente (se) desculpa, (se) compreende e (se) tolera, a gente tem mais facilidade pra entregar essas sensações também pra quem tá em volta da gente. E que ambiente bom se cria assim, com conexão, compreensão, empatia!

Todo mundo sente frustração, raiva, tédio, inveja. Toda vida tem essas sensações ou partes não tão legais — somos TODAS incompletas e imperfeitas, umas horas a gente erra e fica brava mas em tantos outras a gente acerta! Não existe humanidade em condição diferente dessa. A gente administra melhor tempo e recursos quando deixa de querer criar a ‘família Doriana’ e quando se desprende de idéias vazias de status/riqueza ou corpo “perfeito”. E assim, aceitando quem a gente É e a vida que a gente tem (com parte boa e parte ruim, tudo lindo, tudo funcionando!), lida melhor com essas frustrações e raivas. E tudo passa, uma hora querendo ou não passa!

Desse jeito a gente passa a lidar melhor com vontades, e não precisa comprar tanto, e tem mais força emocional interna pra sustentar os ‘nãos’  que precisa ou quer dizer pro sistema de consumo. E descarta menos, e passa mais tempo com as nossas coisas, e desenvolve relação de amor com o que tem, e vai ganhando serenidade na vida toda. E irradia, ó: “Quem consegue se aproximar da condição de aceitar ser como é irradia uma emoção tão positiva que sua aparência física vai para segundo plano.” (Flavio Gikovate)

11.05.2015 - 09:03 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 14 Comentários

TEM QUE SERVIR PRIMEIRO NO QUADRIL!

Super simples mas essencial: calça tem que servir no quadril antes de fechar na cintura! Assim ó: quando a gente veste calça, short ou bermuda, faz um esforção pra peça passar pelo quadril, prende a respiração, põe a barriga pra dentro e UFA!, fecha na cintura. É ou não é assim? :)

Acontece que se a calça fecha numa cintura 40 mesmo com todo o esforço feito pra caber num quadril 42 ou 44, rola todo um desconforto (físico e visual), menos elegância, prováveis problemas de circulação no futuro e sensação de tamanho maior do que o real. De verdade: tudo que é justo demais dá impressão de que o que está por dentro é tão grande que cria essa necessidade de ‘tecido esticado ao máximo’ pra caber. O contrário vale também, pensa só: se o que a gente veste cai sem grudar na pele, soltinho, então o que tá lá dentro parece ser menor, não?

Então, brasileiras que somos – orgulhosas das nossas cinturinhas e dos nossos quadrilzões, violões-lindeza – let’s experimentar calças que vistam bem o quadril e pedir ajustes na cintura: geralmente as costuras laterais da peça dão chance de se tirar tecido somente até a altura em que o quadril começa de verdade, só aa cinturinha; às vezes também é possível entrar um pouquinho pela costura central da parte de trás da peça (atenção pra não juntar demais os bolsos, que se aproximam quando a gente pede esse ajuste!); em algumas raras ocasiões as costureiras criam pences na parte da frente da roupa pra conseguir cinturinha afunilada e caimento certinho. Independente do número escritinho na etiqueta, vale ir provando tamanhos que garantam que a peça caia retinha sem enrrugar na lateral do quadril, que a voltinha do bumbum esteja livre de tecido super agarrad0 — alô sobrinha da elegância e do conforto — e então, pedir à costureira da loja pra tirar esse pouquinho de tecido que sobra na cintura.

Pode até rolar uma necessidade de ajustar também as pernas da calça — dá pra afunilar ou diminuir amplitude de tecido (que naturalmente acompanha a numeração maior) sem intereferir no design da peçå, sem fazer com que o ajuste se transforme numa reforma! ((Alô colegas de profissão, tem que estudar perguntar observar pra saber orientar clientes e profissionais da costura em todo tipo de ajuste, hein!))

Tamanho bom de roupa não é número, é o que acompanha a sihueta sem grudar, o que envolve as nossas formas pra que a gente se enxergue com mais amor em frente ao espelho – e viva a melhor vida que a gente pode viver. Garantir esse ‘colchãozinho de ar’ entre a pele do quadril/bumbum e o tecido tem retorno, pode acreditar. Em conforto e em estilo!

Mais:
Diferença entre ajuste e reforma
Como ajustar a cintura dos jeans
É só número, não é tamanho real!
Tudo no tamanho “certinho”
Ninguém precisa ter medo de experimentar nada!

11.05.2015 - 09:02 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 8 Comentários

TER MENOS, MELHOR – E DE PERTO!

Sem querer ser chatonas mas não é normal um vestido INTEIRO custar 15 dólares (preço justo é diferente de preço improvável!). Alguém tá recebendo muito pouco pra alguém ganhar muito mais, né não? Roupa barata-baratíssima pode parecer uma boa na hora em que se compra, mas é ruim pro mundo… e se é ruim pro mundo, é ruim pra gente.

Quanto mais a gente compra de grandes magazines, mais dinheiro põe na carteira de 3 acionistas e menos nas de milhares de funcionários — ao passo que quando a gente compra de pequenas confecções ou direto de quem faz o dinheiro fica ali mesmo – e não na China ou em Bangladesh. E todo desperdício gera desigualdade — no mesmo mundo em que A GENTE VIVE AGORA, não numa outra dimensão ou muito longe da gente mesma! Comprar com consciência é diferente de ‘não comprar’ –> mas não dá pra incentivar geral a comprar 300 blusinhas de R$ 12,99 cada só porque tão oferecendo em todo lugar.

A gente aprende que acumular é sinal de sucesso — quando inteligente mesmo não é ter ‘mais’ (ninguém precisa de TANTO) e sim ter ‘melhor’, pagar por durabilidade e não por influência ou status. Comprar sem excesso, de perto da gente, pagando o melhor que a gente puder dentro da nossa própria demanda, do nosso próprio orçamento (consciência é individual!).

Sem querer criar um climão nem nada, mas né, querendo que nossas crianças cresçam sabendo que comprar não é a mesma coisa que existir — e que comprar — bem ou mal, com ou sem consciência — tem consequências equivalentes.

“A gente é pessoalmente responsável por ser mais ética que a sociedade em que cresceu”. (via)

11.05.2015 - 09:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 12 Comentários

LOOK DO DIA NÃO É PRA PERSONAL STYLISTS!

A idéia do ‘look do dia’ como ele acontece hoje é incompatível com metodologia de consultoria de estilo que foca em diversidade, singularidade, autoconhecimento e humanização (pra ter resultados relacionados a autoestima). Look do dia se baseia em comparação, que é o oposto de cooperação. Se baseia em peça de roupa — e na consultoria a gente se baseia em PESSOAS que vestem roupas (não é a roupa que faz a pessoa!). Look do dia apresenta marcas, querendo identificar grupos e por consequência padronizar. Se a gente (como consultoras de estilo) pudesse, construiria roupas 100% personalizadamente pra cada uma das nossas clientes.

look do dia

O trabalho de consultora, tão íntimo e próximo de cada cliente, nessa nossa metodologia não pode (de jeito nenhum) envolver comparação ou criar uma idéia/expectativa na cliente colocando nosso gosto pessoal como parâmetro. Não tem como a gente valorizar singularidades dizendo “olhe pra mim”. E mesmo que  haja super boa intenção no compartilhamento do próprio look, o mundo todo a mídia toda tá treinando as nossas mentes fortemente há tempos — e fica mais fácil deslizar pro comparativo do que abstrair e entender que look do dia é só referência.

Usar nossa própria aparência pra comunicar nossas habilidades técnicas — estar sempre linda não pra que a cliente pense “quero ser como ela” mas sim “uau como ela é capacitada pra manipular esses códigos do vestir tão direitinho”  dá respaldo profissional pra gente e rende segurança pra quem contrata nosso serviço. Então consultoria de estilo não é uma profissão pra quem quer ser o foco de admiração de alguém: na consultoria o foco é A CLIENTE, e o nosso trabalho é quase o de um mordomo, que serve e atua em bastidores. “Tem mais a ver com o pé do que com o sapato”, como uma mestra ensinou.

E o próprio trabalho é MUITO mais maravilhoso do que quem executa o trabalho! Não tem a ver com a gente mesma, não é sobre a gente mas sim sobre o trabalho — todas as nossas colegas de profissão com a mesma formação alcançam os mesmos resultados, e suas clientes se sentem exatamente como as nossas se sentem. A gente pode até ser legal (todo mundo é!) mas a metodologia é muito mais legal.

E um complemento:

“(…) porque eu não sou, nem nunca vou ser, nem devo ser, a medida das coisas. Utilizar a mim mesmo, minhas vontades e necessidades, o jeito que quero ser tratado, como se eu fosse o parâmetro para todas as outras pessoas é a essência do narcisismo e do egocentrismo. É o exato oposto de empatia. A outra pessoa deve ser tratada não como eu gostaria de ser tratado, mas como ela merece e precisa ser tratada.

E como vamos saber como essa tal outra pessoa merece e precisa ser tratada?

O primeiro passo é sair de mim mesmo e deixar de me usar como parâmetro normativo do comportamento humano. Essa é a parte fácil. Depois, preciso abrir os olhos e os ouvidos e o corpo inteiro, e reconhecer que existem outras pessoas no mundo, e que elas são todas bem diferentes de mim. E que o único jeito de perceber o quão diferentes elas são é enxergando-as, escutando-as, conhecendo-as.

Com atenção plena e empatia verdadeira.”

((trecho de um texto valioso sobre O OUTRO e não sobre a gente mesma que tá na íntegra aqui, ó))

20.04.2015 - 08:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 19 Comentários

PANTACOURT: CALÇA CURTA OU BERMUDÃO?

Vejam só a pantacourt: essa peça de roupa tão “abrasileirada” com esse nome tão falsamente-glamouroso. Meio pantalona curta, meio bermudão longo, essa calça é fresquíssima, pode ter cintura alta ou baixa (o que facilita pra muitas silhuetas diferentes) e pode ser muito muito útil/versátil pra gente que vive num país tropical, informal-casual-que-quer-ser-arrumadinho, abençoado por Deus e bonito por natureza.

pantalonas curtas bermudão

O princípio da modelagem é ter caimento soltinho e barras em altura abaixo dos joelhos, meio na altura do começo da panturrilha: tipo as saias mídi, né? Já pode começar a desmistificar a proibição vazia sugerida pelas revistas de moda porque né, se tá todo mundo experimentando o comprimento intermediário das saias, então é muito possível também fazer acontecer com esses bermudões. Peça de roupa não tem efeito (na suilhueta) quando usada sozinha, e ninguém sai sem blusa sem sapato sem complementos de casa. A calça sozinha não encurta, não aumenta quadril, não faz nada. Mas coordenações de peças (e cores e caimentos e linhas e formas) podem sim minimizar quaisquer efeitos que a gente não queira criar ao vestir.

_Marcar cintura é sempre legal (especialmente se a cintura fica mais alta na modelagem escolhida) por que ajuda a manter sensação de tronco mais curtinho que pernas, que é a proporção que a gente tá acostumada a ver no corpo humano.

_Quem tem peitão/ombrão, barriguinha ou zero-cintura pode experimentar as pantcourts com cintura mais baixa (pra alongar/suavizar tronco pesado visualmente) e coordenar cores mais claras e vivas na parte de baixo do look. E decote em V sempre ajuda o grupo do peso visual na parte de cima da silhueta, viu, com quaisquer partes de baixo e não só com pantacourt!

_Gatas brasileiríssimas do quadril maior podem usufruir de pantacourts em tom mais escuro e mais opaco na coordenação que fizer, em comparação com a cor da parte de cima escolhida. Raciocina com a gente que isso é relativo, ó: pantacourt cinza pode ser mais clara e viva que preto, mas também pode ser mais escura e opaca que branco, sacou?

(Nessas comparações coordenando cores, vale lembrar que os tons mais escuros e mais opacos retraem visualmente a parte da silhueta que cobrem; ao passo que tons mais claros e mais vivos podem expandir visualmente. E dá pra fazer com tooodas as cores do mundo, comparando umas com as outras: a mais clara/viva pode cobrir o que a gente quer valorizar na própria silhueta, a mais escura/opaca pode disfarçar lindamente o que a gente não curte tanto.)

_Coordenar tonalidades semelhantes é sempre alongador de silhueta: experimenta compor parte de cima, parte de baixo e sapatos, tudo em tom claro, tudo em tom médio ou tudo mais escuro (mesmo em cores diferentes, tipo roxão, marinho, vinho sabe como? ou creme, branco, cinza claro!).

_Se a gente vive mais ocasião formal do que informal na vida, vale escolher pantacourt em tecido/material mais arrumadinho, tipo couro, seda, tafetá, crepes pesados — e quando quiser versatilizar, coordenar com sapatos mais despojados, camisetas em malha, jaqueta jeans.Se a gente vive mais no informal do que no formal, pantacourt em algodão, brim ou linho pode render looks arrumadinhos (pela modelagem!) mas ainda casuais — e aí a gente faz o upgrade coordenando com sapatos mais arrumados/de saltinho e partes de cima em tecidos sofisticados, com brilho, com acessórios festivos.

pantacourt
pantacourts com cara de hoje, desfiladas pela Maria Bonita em 2010 no SPFW (tá!)

E mais:

quem curte se vestir e experimentar coisas novas PRECISA manter em mente que todo mundo pode tudo, na medida em que quiser. Se tem restrição ou qualquer receio, o que vale é usar o raciocínio -e a criatividade!- pra manipular efeitos e vontades e então ser feliz em frente ao espelho. #revistasdemodanãonosrepresentam e as escolhas que a gente faz só dependem da gente, tão nas nossas mãos. Tem mais info aqui pra quem quiser estudar ainda mais, ó:

_Como usar calças largonas
_Comoo usar calças curtinhas
_Como usar calças de cintura alta
_Bermudas pra usar no frio e no calor
_Como usar bermuda e meia-calça
_Direções certeiras pra saia longuete/mídi funcionar

16.04.2015 - 08:00 | Postado por Cristina Categorias: moda e consultoria 7 Comentários

NINGUÉM TEM QUE TER MEDO DE EXPERIMENTAR

A gente sabe que na prática a estória é bem outra: todo mundo quer ser amada e admirada e aceita (até a gente, claro!)… mas aqui ainda rola um inconformismo com a quantidade de gente que pergunta coisas tipo “mas e se eu usar a legging de outra cor e minha perna parecer mais curta?” ou “mas e se esse casaco for arrumado demais pra esse evento?”, “e se isso…?”, “e se aquilo..?”. Gente, qual o problema em experimentar? É só roupa! E mais: qual o problema em “não acertar” de vez em quando? –> Levando em consideração que “não acertar” ~em moda~ é das coisas mais relativas que existem!

Todo mundo já passou por isso, com mais ou menos intensidade: se arruma, acredita no look, sai de casa e o universo de algum jeito “desaprova” o visual. Ou porque te olham atravessado, ou porque não rola usar aquilo inserido num contexto específico, ou porque não deixou a gente à vontade e tudo em volta reflete desconforto (tem como disfarçar?). Mas gente, E DAÍ? Errou no look, mas perdeu o emprego por conta disso? O namorado terminou tudo? As amigas deixaram de falar com você? Foi atropelada? O cachorro morreu? Ce pegou lepra? Bateu o carro? Não acontece na-da com a gente quando o look é um equívoco, então porque a gente tem tanto medo de experimentar? Medo de errar? Não é transplante, não é água potável, não é cura do câncer… é só roupa — e experiência não-legal ainda é experiência, ainda ensina!

Vale também pensar um tantinho mais antes de fazer cara feia pro look eventualmente esquisito da colega, re-avaliar o julgamento e lembrar que tá todo mundo tentando, se jogando, experimentando. Se tiver menos circunstância de comparação e mais compaixão aceitação colaboração, o universo vai se tornando um lugar mais receptivo à experiências novas de todo tipo, pra todo mundo — inclusive pra gente mesma!

A gente sabe (de verdade-verdadeira) que na prática é bem diferente, mas a gente podia parar de se achar tão importante, parar de pensar que todo mundo se importa com o que a gente usa, experimentar horrores e bancar (mesmo!) as coisas que a gente tem vontade de usar – e ainda se divertir com a coisa toda, re-inventar o próprio armário, fazer valer as compras feitas, honrar as escolhas que faz. E pronto! Devia ser simples assim, não?

mais:
look do dia é veneno anti-espontaneidade
por que a gente se compara tanto?

((esse post foi pro ar originalmente em julho de 2009 — a gente releu antes de re-postar e não precisou mudar uma vírgula de lugar pra atualizar, tá tudo valendo muito!))

10.04.2015 - 08:13 | Postado por Fernanda Categorias: diário 50 Comentários
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