COMO VERSATILIZAR O PRETO (E UM VÍDEO PRECIOSO)

Mesmo com tooooda a variedade de cores no arco-íris, na vida e nas araras de loja, geral continua escolhendo preto e enchendo o guarda-roupa com essa cor tida como “fácil”. Acontece que esse fácil pode fazer com que a gente pareça ter a mesma cara sempre, todo dia — uma cara elegante/moderna sim, mas também fechada, sisuda, distante e pouco expansiva. E se a gente mora nesse país tropical, abençoado por Deus e bonito POR CAUSA da natureza, por que não acompanhar essa festividade toda no que a gente usa? Nem precisa fazer fogueira com todos os pretos e começar do zero (alô), a gente tem aqui três movimentos fáceis de fazer já hoje, agora (!!!) pra versatilizar os pretos na intenção de incluir mais animação, mais interessância e — quem sabe até! — um pouquinho mais de cor no look de todo dia. Vambora?


((tira 15 minutos da vida pra assistir a esse vídeo em que uma executivona maravilhosa — inteira de preto, mas cheia de interessância! — conversa sobre como existem poucas mulheres hoje em posições de liderança e sobre como a gente pode incluir os conselhos do mundo executivo na vida de todo dia pra BRILHAR! vale muito!))

PRETO COM PRETO — E COM INTERESSÂNCIA
Tudo bem, look todo preto é um jeito fácil-fácil de estar alinhada, elegante, nessa idéia de “sem erro”. Mas né a gente quer mais da vida e, se o monocromático-não-cor toma conta das peças que a gente escolhe, não custa entregar também uns elementos extra, que saltem desse preto e façam com que o look ganhe uma outra dimensão. Tipo transparência, textura bem aparente, recortes e pregas, modelagem bacanuda, coordenação de proporções diferentonas, superfícies diferentes e mais. Vale a pena, a gente garante.

PRETO COM OUTROS NEUTROS
E aí, quem quer dar um passinho além pra fazer o preto render com outras cores, pode bem começar a coordenar com outros neutros. Tipo: preto com marinho (super pode e é LINDO!), preto com marrom, preto com cinza, com vinho, com verdão — e também com neutros claros, tipo preto com bege, com cinza-gelo, com verdes-acinzentados, com branco e pérola. Especial pra quem tem mania de só comprar roupa preta é essa direção: variar as compras de preto ao escolher roupas em tons neutros e escuros, que funcionam do mesmo jeitinho com tudo que o preto funciona. E aí já dá pra pensar em, a médio/longo prazo, começar a construir um pequeno guarda-roupa de neutros interessantes pra coordenar com o pretówisky de sempre.

((Sem querer queimar etapas a gente já pode adiantar que, com o tempo, passa a ser uma delícia exercitar coordenações desses novos neutros entre si e, na sequência, com cores coloridas — tipo cinza com bege, marinho com marrom, branco com cinza… e depois bege com pink, cinza com amarelo, marinho com laranja SABE COMO? É assim, experimentando aos pouquinhos, que a gente se permite evoluir! E que diversão é exercitar interessância no vestir!))

PRETO COM PONTOS DE COR-COLORIDA
A gente acha essa idéia ainda mais legal do que só coordenar peças de roupa preta com outras coloridas: experimenta fazer look pretão-total e salpicar tudo com pontos de cor-colorida nos acessórios! Mas ó: só vale se tiver COORDENAÇÃO de pontos coloridos, o que implica em ter mais de um acessório colorido no mesmo look — pelo menos dois pra gente não cair na teoria do sapato vermelho (quem lembra?). Dá pra coordenar esses pequenos pontos coloridos entre si pra animar o preto, tipo sapato rosa, bolsa, amarela, colar turquesa e braceletes dourados e verdes (UAU!). Ou bolsa e sapatos em tons diferentes de azul e colar, tiara e cinto em tons de prata e laranja… o céu é o limite. E em pequenas doses ninguém corre risco de se sentir enfeitada demais (nem quem não tem muito costume de usar cor-colorida) — mas também não tem desculpa pra se sentir sem-gracinha demais. Né?

28.05.2015 - 08:10 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 9 Comentários

5 IDÉIAS PRA CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA ÉTICO

Antes mesmo de começar a gente já adianta que, aqui no BR, não é nada fácil colocar em prática essas idéias aqui — o algodão das nossas roupas vem de plantações abarrotadas de agrotóxicos, nossas peças coloridas e estampadas devolvem quantidades absurdas de química pra água que é usada no processo, o couro dos nossos spapatos e das nossas bolsas é curtido com substâncias que infertilizam o solo pra sempre (PRA SEMPRE!), as grandes confecções em que a gente faz compras terceirizam tanto a produção que é quase impossível saber das condições de quem trabalha pra gente ter essas roupas nos nossos armários. Hoje é quase certo que todas nós estejamos vestindo sofrimento humano e destruição do mundo (em forma de roupas lindas).

Mas se a gente passar a perguntar nas lojas como é, perguntar por que não tem algodão orgânico, perguntar que oficinas e confecções produzem as peças que tão na arara da loja, onde e como essas pessoas trabalham, como as roupas chegam até à loja — pode ser que ninguém tenha respostas de imediato, mas essas respostas vão começar a ser buscadas pra entregar pra gente (na medida do nosso interesse). E se a gente passar a só comprar de quem tiver respostas legais, ajustadas aos nossos valores humanos pessoais — aíííí sim alguma coisa maior começa a acontecer: só quando as lojas deixarem de ganhar nosso dinheiro é que elas vão fazer algum movimento de ajuste, pra então voltar a ganhar o nosso dinheiro. Entende?

É trabalho de formiga e pode parecer não ter eficácia mas ó: toda revolução parte de um movimento individual pra crescer e ganhar o coletivo — a gente pode/deve fazer a nossa parte como consumidoras.

como construir um guarda-roupa ético

1. COMPRAR SOMENTE O QUE A GENTE SE COMPROMETE A USAR PELO MENOS 30 VEZES
O sistema fast-fashion embutiu nas nossas mentes a idéia de roupas descartáveis. Isso e os preços super baixos fazem com que a cadeia de produção esteja extremamente pressionada a produzir produzir produzir (cada vez a custos menores) — e é exatamente isso que acarreta desastres como o que matou mais de 1000 pessoas num desabamento de prédio/fábrica de roupas em Bangladesh.

2. GASTAR MAIS EM ROUPAS ATEMPORAIS
Esse esquema de roupa primavera/verão ou roupa de inverno ou coleção “resort” e tudo mais… serve somente pra indústria mostrar os produtos que disponibiliza, é vitrine apenas — e hoje o sistema conta com quase 100 micro-temporadas de moda ao longo do ano. Esperto da nossa parte é desacelerar esse ritmo e funcionar na velocidade humana das coisas, da vida.

Lembrando que roupa de qualidade, que dura muito, custa mais dinheiro mesmo — não tem milagre: se é barato demais, alguém fora do nosso campo de visão tá pagando essa conta. Mais ó:
Roupa fabricada sem exploração de trabalhador é mais cara
Não adianta mudar de marca: você precisa mudar sua lógica de consumo

3. DISTRIBUIR NOSSOS GASTOS COM ROUPAS E ACESSÓRIOS
Diz que a indústria global da moda vale hoje 2.5 trilhões de dinheiros (!!!). Esse dinheiro não devia ser distribuído de maneira menos desigual/desequilibrada? Vale mais colocar nosso dindin no caixa de quem produz as peças que vende (sem tantos custos pra repassar) e no que quem cuida da própria cadeia de produção, cuidando de costureiras, motoristas, vendedoras, modelistas, faxineiras, secretárias etc etc etc com remuneração justa e com dignidade.

A gente pode conhecer os princípios do “comércio justo” (chamados de FairTrade em inglês) e começar a observar e perguntar nas lojas em que a gente mais compra como as coisas tão funcionando em relação a isso. Mais aqui ó:
O que é comércio justo, como surgiu e quais são os princípios

4. ESCOLHER COMPRAR ROUPAS COM MENOS PROCESSOS QUÍMICOS/TÓXICOS
A indústria da moda é a 2ª mais poluente do planeta, na sequência do petróleo. E mesmo que os processos sintéticos de tingir tecidos sejam super tóxicos, eles são amplamente usados (sem pudor algum). Tem um programa do Greenpeace que pede que marcas de moda se comprometam a trabalhar numa transição desses processos (dos super tóxicos pra outros alternativos e menos poluentes) — só 10% das maiores marcas do mundo toparam até hoje. O resto não topou por que não deixou de ganhar dinheiro, entende?

A gente não deixa de comprar porque nem passa pelas nossas cabeças que tem algum problema sustentar o uso de alguma coisa que estraga o único planeta em que a gente pode viver (e que eventualmente vai inviabilizar a vida pra gerações futuras), ou que tem problema sustentar com a nossa compra circunstâncias de sofrimento pra outros seres humanos, continuamente.

Mas né, agora quem quiser saber mais desse assunto e conhecer/apoiar que marcas tem feito algum esforço no sentido de fazer um detox na própria produção pode clicar aqui:
Campanha do Greenpeace por uma indústria livre de processos tóxicos

5. CONVERSAR SOBRE CMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA ÉTICO :)
Seja na internet, participando ativamente nos comentários de quem trabalha por essa causa; seja compartilhando notícias com o nosso círculo; seja perguntando dessas coisas aqui pras vendedoras que atendem a gente nas lojas (e pedindo que elas perguntem a alguém “superior” se elas mesmas não tiverem respostas); seja consultando o app ModaLivre no iphone (aqui o link pra android) pra deixar de fazer compras em lojas que ainda usufruem de trabalho escravo pra lucrar; seja debatendo com as amigas sobre como é difícil abrir mão daqueles vestidinhos irresistíveis de R$39,00 em favor de um mundo mais humano.

Quanto mais gente tiver ligada nisso daí, quanto mais movimento de consumo a gente fizer (realocando o nosso dinheiro pra fazer a indústria se mexer), melhor: é através das compras que a gente escolhe fazer (e principalmente das que a gente escolhe NÃO fazer!) que a gente individualmente trabalha por uma realidade com menos desigualdade social e escassez de recursos. Mais assunto pra essa conversa aqui, ó:
5 atitudes sustentáveis (em moda)

——————–

Esse texto foi livremente traduzido/adaptado dessa matéria do jornal inglês The Guardian, que puxou essa conversa por conta do lançamento do documentário True Cost. O documentário tá sendo lançado essa semana e quer chamar atenção pras questões morais e pouquíssimo sustentáveis criadas pela indústria da moda.

25.05.2015 - 13:04 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 4 Comentários

INCOMPLETAS E IMPERFEITAS

A gente tá convencida de que autoestima bem exercitada é chave pra se conquistar mais na vida, pra se descomplicar no guarda-roupa, pra crescer e brilhar. E autoestima tá 100% relacionada com AUTOACEITAÇÃO: é essencial entender que a gente é incompleta e imperfeita, que nunca vamos estar “prontas”, que paralisar vida e escolhas pra que “um dia” o momento certo aconteça… é furada.

Tamos nessa vida pra fazer o melhor que a gente pode com os recursos disponíveis NO AGORA. Somos todas humanas – e haja energia pra investir na idéia de ter tudo perfeito ao mesmo tempo agora. Querer alcançar o inalcançável é já perder a corrida desde a largada: expectativas inatingíveis nunca serão atingidas mesmo!


(foto de adelaide ivánova)

Corpo perfeito é o que se alimenta bem, se exercita e descansa direitinho; família perfeita é a que vive as dificuldades do dia-a-dia com resiliência (e com uma dose de bom-humor na medida do possível!), trabalho satisfatório é o que permite a gente servir a algo maior que a gente mesma, que dá sensação de produzir/entregar algo de bom pro mundo. Tudo tem dia bom e dia ruim, tudo tem um lado-luz e outro mais sombra… e compreender, desculpar e tolerar levam a gente pro (auto)amor. E quando a gente (se) desculpa, (se) compreende e (se) tolera, a gente tem mais facilidade pra entregar essas sensações também pra quem tá em volta da gente. E que ambiente bom se cria assim, com conexão, compreensão, empatia!

Todo mundo sente frustração, raiva, tédio, inveja. Toda vida tem essas sensações ou partes não tão legais — somos TODAS incompletas e imperfeitas, umas horas a gente erra e fica brava mas em tantos outras a gente acerta! Não existe humanidade em condição diferente dessa. A gente administra melhor tempo e recursos quando deixa de querer criar a ‘família Doriana’ e quando se desprende de idéias vazias de status/riqueza ou corpo “perfeito”. E assim, aceitando quem a gente É e a vida que a gente tem (com parte boa e parte ruim, tudo lindo, tudo funcionando!), lida melhor com essas frustrações e raivas. E tudo passa, uma hora querendo ou não passa!

Desse jeito a gente passa a lidar melhor com vontades, e não precisa comprar tanto, e tem mais força emocional interna pra sustentar os ‘nãos’  que precisa ou quer dizer pro sistema de consumo. E descarta menos, e passa mais tempo com as nossas coisas, e desenvolve relação de amor com o que tem, e vai ganhando serenidade na vida toda. E irradia, ó: “Quem consegue se aproximar da condição de aceitar ser como é irradia uma emoção tão positiva que sua aparência física vai para segundo plano.” (Flavio Gikovate)

11.05.2015 - 09:03 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 15 Comentários

TEM QUE SERVIR PRIMEIRO NO QUADRIL!

Super simples mas essencial: calça tem que servir no quadril antes de fechar na cintura! Assim ó: quando a gente veste calça, short ou bermuda, faz um esforção pra peça passar pelo quadril, prende a respiração, põe a barriga pra dentro e UFA!, fecha na cintura. É ou não é assim? :)

Acontece que se a calça fecha numa cintura 40 mesmo com todo o esforço feito pra caber num quadril 42 ou 44, rola todo um desconforto (físico e visual), menos elegância, prováveis problemas de circulação no futuro e sensação de tamanho maior do que o real. De verdade: tudo que é justo demais dá impressão de que o que está por dentro é tão grande que cria essa necessidade de ‘tecido esticado ao máximo’ pra caber. O contrário vale também, pensa só: se o que a gente veste cai sem grudar na pele, soltinho, então o que tá lá dentro parece ser menor, não?

Então, brasileiras que somos – orgulhosas das nossas cinturinhas e dos nossos quadrilzões, violões-lindeza – let’s experimentar calças que vistam bem o quadril e pedir ajustes na cintura: geralmente as costuras laterais da peça dão chance de se tirar tecido somente até a altura em que o quadril começa de verdade, só aa cinturinha; às vezes também é possível entrar um pouquinho pela costura central da parte de trás da peça (atenção pra não juntar demais os bolsos, que se aproximam quando a gente pede esse ajuste!); em algumas raras ocasiões as costureiras criam pences na parte da frente da roupa pra conseguir cinturinha afunilada e caimento certinho. Independente do número escritinho na etiqueta, vale ir provando tamanhos que garantam que a peça caia retinha sem enrrugar na lateral do quadril, que a voltinha do bumbum esteja livre de tecido super agarrad0 — alô sobrinha da elegância e do conforto — e então, pedir à costureira da loja pra tirar esse pouquinho de tecido que sobra na cintura.

Pode até rolar uma necessidade de ajustar também as pernas da calça — dá pra afunilar ou diminuir amplitude de tecido (que naturalmente acompanha a numeração maior) sem intereferir no design da peçå, sem fazer com que o ajuste se transforme numa reforma! ((Alô colegas de profissão, tem que estudar perguntar observar pra saber orientar clientes e profissionais da costura em todo tipo de ajuste, hein!))

Tamanho bom de roupa não é número, é o que acompanha a sihueta sem grudar, o que envolve as nossas formas pra que a gente se enxergue com mais amor em frente ao espelho – e viva a melhor vida que a gente pode viver. Garantir esse ‘colchãozinho de ar’ entre a pele do quadril/bumbum e o tecido tem retorno, pode acreditar. Em conforto e em estilo!

Mais:
Diferença entre ajuste e reforma
Como ajustar a cintura dos jeans
É só número, não é tamanho real!
Tudo no tamanho “certinho”
Ninguém precisa ter medo de experimentar nada!

11.05.2015 - 09:02 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 8 Comentários

TER MENOS, MELHOR – E DE PERTO!

Sem querer ser chatonas mas não é normal um vestido INTEIRO custar 15 dólares (preço justo é diferente de preço improvável!). Alguém tá recebendo muito pouco pra alguém ganhar muito mais, né não? Roupa barata-baratíssima pode parecer uma boa na hora em que se compra, mas é ruim pro mundo… e se é ruim pro mundo, é ruim pra gente.

Quanto mais a gente compra de grandes magazines, mais dinheiro põe na carteira de 3 acionistas e menos nas de milhares de funcionários — ao passo que quando a gente compra de pequenas confecções ou direto de quem faz o dinheiro fica ali mesmo – e não na China ou em Bangladesh. E todo desperdício gera desigualdade — no mesmo mundo em que A GENTE VIVE AGORA, não numa outra dimensão ou muito longe da gente mesma! Comprar com consciência é diferente de ‘não comprar’ –> mas não dá pra incentivar geral a comprar 300 blusinhas de R$ 12,99 cada só porque tão oferecendo em todo lugar.

A gente aprende que acumular é sinal de sucesso — quando inteligente mesmo não é ter ‘mais’ (ninguém precisa de TANTO) e sim ter ‘melhor’, pagar por durabilidade e não por influência ou status. Comprar sem excesso, de perto da gente, pagando o melhor que a gente puder dentro da nossa própria demanda, do nosso próprio orçamento (consciência é individual!).

Sem querer criar um climão nem nada, mas né, querendo que nossas crianças cresçam sabendo que comprar não é a mesma coisa que existir — e que comprar — bem ou mal, com ou sem consciência — tem consequências equivalentes.

“A gente é pessoalmente responsável por ser mais ética que a sociedade em que cresceu”. (via)

11.05.2015 - 09:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 13 Comentários

LOOK DO DIA NÃO É PRA PERSONAL STYLISTS!

A idéia do ‘look do dia’ como ele acontece hoje é incompatível com metodologia de consultoria de estilo que foca em diversidade, singularidade, autoconhecimento e humanização (pra ter resultados relacionados a autoestima). Look do dia se baseia em comparação, que é o oposto de cooperação. Se baseia em peça de roupa — e na consultoria a gente se baseia em PESSOAS que vestem roupas (não é a roupa que faz a pessoa!). Look do dia apresenta marcas, querendo identificar grupos e por consequência padronizar. Se a gente (como consultoras de estilo) pudesse, construiria roupas 100% personalizadamente pra cada uma das nossas clientes.

look do dia

O trabalho de consultora, tão íntimo e próximo de cada cliente, nessa nossa metodologia não pode (de jeito nenhum) envolver comparação ou criar uma idéia/expectativa na cliente colocando nosso gosto pessoal como parâmetro. Não tem como a gente valorizar singularidades dizendo “olhe pra mim”. E mesmo que  haja super boa intenção no compartilhamento do próprio look, o mundo todo a mídia toda tá treinando as nossas mentes fortemente há tempos — e fica mais fácil deslizar pro comparativo do que abstrair e entender que look do dia é só referência.

Usar nossa própria aparência pra comunicar nossas habilidades técnicas — estar sempre linda não pra que a cliente pense “quero ser como ela” mas sim “uau como ela é capacitada pra manipular esses códigos do vestir tão direitinho”  dá respaldo profissional pra gente e rende segurança pra quem contrata nosso serviço. Então consultoria de estilo não é uma profissão pra quem quer ser o foco de admiração de alguém: na consultoria o foco é A CLIENTE, e o nosso trabalho é quase o de um mordomo, que serve e atua em bastidores. “Tem mais a ver com o pé do que com o sapato”, como uma mestra ensinou.

E o próprio trabalho é MUITO mais maravilhoso do que quem executa o trabalho! Não tem a ver com a gente mesma, não é sobre a gente mas sim sobre o trabalho — todas as nossas colegas de profissão com a mesma formação alcançam os mesmos resultados, e suas clientes se sentem exatamente como as nossas se sentem. A gente pode até ser legal (todo mundo é!) mas a metodologia é muito mais legal.

E um complemento:

“(…) porque eu não sou, nem nunca vou ser, nem devo ser, a medida das coisas. Utilizar a mim mesmo, minhas vontades e necessidades, o jeito que quero ser tratado, como se eu fosse o parâmetro para todas as outras pessoas é a essência do narcisismo e do egocentrismo. É o exato oposto de empatia. A outra pessoa deve ser tratada não como eu gostaria de ser tratado, mas como ela merece e precisa ser tratada.

E como vamos saber como essa tal outra pessoa merece e precisa ser tratada?

O primeiro passo é sair de mim mesmo e deixar de me usar como parâmetro normativo do comportamento humano. Essa é a parte fácil. Depois, preciso abrir os olhos e os ouvidos e o corpo inteiro, e reconhecer que existem outras pessoas no mundo, e que elas são todas bem diferentes de mim. E que o único jeito de perceber o quão diferentes elas são é enxergando-as, escutando-as, conhecendo-as.

Com atenção plena e empatia verdadeira.”

((trecho de um texto valioso sobre O OUTRO e não sobre a gente mesma que tá na íntegra aqui, ó))

20.04.2015 - 08:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 19 Comentários
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