COMPRAR NÃO É A SOLUÇÃO

Sabe o que seria bom? Fazer o exercício de re-conceituar o que é felicidade e riqueza. Certamente felicidade e riqueza não são contadas em forma de roupa, de bolsa, de carro, de nada material, já sabemos. Mas como é possível se desprender dos impulsos de comprar pra se sentir mais feliz ou mais rica?

A gente acredita que autoconhecimento pode ser um caminho, e que esse caminho pode render transformações individuais — que por sua vez podem transformar coletivamente. E autoconhecimento a gente exercita de vários jeitos: ao se observar, ao pensar a respeito das coisas (alô opinião), ao estar disponível e exposta a todo tipo de arte e acontecimento pra então perceber, reagir, fazer acontecer cada uma do seu jeito, ao identificar felicidades e infelicidades, ao enumerar o que é importante pra gente.

Quem tem uma base de valores clara e bem definida, exercitada, e quem adquire o hábito de formar opinião (porque né, demanda reflexão, tempo, conversas, etc etc etc) tende a se descolar do consumo por impulso por saber que o buraco é mais embaixo — ou, na verdade, por saber de que buracos tem que cuidar! Compra não gera conforto, cuidar de cada buraco que se tem é o que conforta de verdade. Tentar tapar o buraco com compra certamente gera desperdício, e na sociedade em que a gente tá inserida todo desperdício gera (ainda mais) desigualdade. Quem se conhece não compra por estímulo externo ou por influência vazia, mas sim compra por vontade autêntica e consciente, por necessidade, pra si mesma (e não pros outros!).

Vale pensar que a gente não precisa de 6 camisetas baratinhas, mas que com 2 outras boas (pelo valor dessas 6) a gente se viraria super bem — e ainda exercitaria criatividade, capacidade de versatilização. Quantidade não ajuda ninguém: nem a gente mesma, nem o mundo em que a gente vive… e inteligente, hoje, é a gente escolher o que é durável, o que tem qualidade suficiente pra acompanhar a gente por mais tempo que duas ou três lavadas apenas. Gastar mais comprando menos — e valor justo a ser pago em roupas e acessórios é de avaliação pessoal, cada uma de nós tem uma demanda, um orçamento.

Consumir com consciência é diferente de não comprar nada — ao mesmo tempo, consumir coisas não aumenta felicidade de ninguém. Pára um segundo e pensa: o que falta hoje na sua vida? Como você se sentiria plenamente realizada?

Entendeu? É isso!

“A gente é pessoalmente responsável por ser mais ética que a sociedade em que cresceu.” (Eliezer Yudkowsky)

15.04.2014 - 08:30 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria Nenhum Comentário

DRESSCODE DEFINIDO PELO CONFORTO

Tempos atrás, em junho de 2012, o Alexandre Herchcovitch (!!!) convidou a gente pra conversar sobre os ‘códigos de vestir do ambiente formal de trabalho’ com um grupo de profissionais do escritório de advogados com que ele trabalha desde sempre. Foi então que a gente resolveu pensar numa maneira clara e eficaz de transmitir idéias de adequação de acordo com quem a gente é e com a vida que a gente vive. Na real, de verdade.

Já que feio e bonito são definições feitas 100% subjetivamente e que “pode” x “não pode” é super antigo, inteligente pode ser: enxergar o que é importante de verdade e escolher o que vestir pensando em se valorizar e valorizar o trabalho. Direção certeira pra todo dresscode/código de vestir pode ser o CONFORTO, em três versões: conforto pessoal, conforto do outro e conforto da empresa/do trabalho. A gente explica:

CONFORTO PESSOAL
Código de vestir que toma por direção o conforto pessoal aceita todo tipo de roupa que proporciona conforto físico, de sentir mesmo. Roupa que permite sentar e levantar sem que a gente precise se ajeitar o tempo todo, roupa que não restringe movimentos (alô curtos e justos demais), roupa que permita a gente dobrar os braços pra segurar pastas, buscar coisas no alto sem mostrar a barriga, andar uns quarteirões na hora do almoço ou pegar o transporte com tranquilidade. Se trabalhar é o que a gente mais faz na vida toda, então roupa de trabalho não pode machucar, pinicar, tirar atenção do que a gente tem que fazer. Tecidos naturais e caimentos soltinhos, que acompanham a silhueta sem grudar, podem ser boas pedidas. Roupa de trabalho tem que deixar a gente à vontade pra viver a melhor vida que a gente pode viver enquanto ganha dindin.

CONFORTO DO OUTRO
Falando em não tirar atenção, o ‘conforto do outro’ é direção certeira pra definir o que cabe e o que não cabe em códigos de vestir — especialmente nos mais formais. Se o que a gente usa interefere de algum jeito na zona de conforto de quem tá junto com a gente no trabalho, então não rola usar. Mesmo! Pensa no que constrange ou faz com que o outro se desligue do que tá fazendo  - decotes exagerados, cabelo descontrolado, corpo demasiadamente delineado, perfume cheiroso demais da conta, bolsa super estufada ou bagunçada, pulseiras e sapatos que fazem barulho, maquiagem espalhafatosa (qualquer idéia espalhafatosa, de repente até coordenações de cores super extravagantes, dependendo do trabalho!), alça de sutiã que insiste em aparecer e afins. Sabe? Tem aqui uma listoooona de sabotadores de aparência pra garantir esse checklist aí, ó.

CONFORTO DA EMPRESA
É lógico que quem contrata tem expectativa em relação a como cada funcionário/prestador de serviço representa a empresa. Vale estudar valores e missões dos lugares em que a gente trabalha, assim como observar com olhar crítico e estético os clientes que a empresa atende. O que a empresa/o contratante vende? Pra quem? A gente tem aparência pessoal coerente com a imagem que a empresa quer projetar? Tem uma direção geral a ser seguida de acordo com os valores da empresa – conservadora, moderna, sustentável, comprometida – que pode ser personalizada pra se adequar a quem a gente é? Especialmente quando a gente vende serviço, o produto passa a ser a gente mesma. Vale alinhar expectativas, ter em mente o que a empresa quer da aparência de quem trabalha junto e então encontrar como esses valores podem aparecer no guarda-roupa profissional.

A gente entende que o nosso tempo é o de olhar pra dentro pra buscar referências (de tudo!) — e não pra fora. Não tá mais em época de se considerar qualquer bobagem que tenha a ver com “pode” e com “não pode” — especialmente no vestir. Levando em conta conforto pessoal, conforto do outro e deixando também o própria contratante confortável, é possível ser mais e mais a gente mesma. E além desses “limites” confortáveis a gente ainda pode escolher cores, texturas, caimentos, tecidos, sapatos, bolsas e acessórios (benditos personalizadores de aparência profissional!) que garantam coerência e consistência.

MAIS DE CÓDIGOS DE VESTIR
todo um mural no nosso pinterest cheio de referências boas
estilosas também no escritório (super completão!)
dresscode de trabalhar em casa
dresscode de quem trabalha de branco todo dia
o que usar nas festas da empresa
roupa pra sobreviver ao trânsito
caimento é mais importante que etiqueta
look pra dar palestras e aulas
look de recém formadas: profissionais mas não caretas!
driblando regras antigas de dresscode profissional :)

 

14.04.2014 - 18:03 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 18 Comentários

CONSULTORIA DE ESTILO EM VÍDEO <3

Tivemos oportunidade de participar com o nosso trabalho de uma promoção muito linda: as Lojas Marisa comemoraram o dia internacional da mulher com uma consultoria de estilo de presente pra uma de suas clientes, celebrando a amizade e a “irmandade” entre mulheres. Funcionou assim: uma amiga indicava outra pra concorrer, dizendo por que a amiga merecia ganhar esse presentão — que não era só consultoria, mas consultoria e um vale de R$ 8.000,00 pra abastecer o guarda-roupa na Marisa (!!!). Um monte de amigas se amando e reconhecendo valor umas nas outras, uma coisa linda! A amiga da Pat, a deliciosa contemplada no vídeo com a gente aqui embaixo, dizia na promoção que a amiga toma conta de todo mundo em volta – do marido, dos filhos, dos alunos… – mas que precisava retomar o cuidado com ela mesma porque ela é quem mais merece! A gente participou da seleção da Pat como vencedora, marcou encontro, foi até a casa dela, conheceu o guarda-roupa, conversoooooooooouuuuu longamente sobre estilo pessoal e estilo de vida, foi ao cabeleireiro junto, fez análise de coloração pessoal, fez compras… num trabalho que entregou direção e treino pra Pat se apropriar mais e mais de tudo lindo que ela é, e cuidar disso com propriedade. O registro tá aqui embaixo, num vídeo que enche a gente de orgulho e gratidão. Ó!

25.03.2014 - 09:58 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 12 Comentários

DIREÇÕES PRA SAIA LONGUETE FUNCIONAR

Pensa se não funciona assim: marcas desfilam coisas lindas nas passarelas e, na sequência, as revistas publicam matérias dizendo que só quem é alta e magra pode usar essas lindezas porque tudo achata e engorda… é ou não é? MAS NÃO NÉ GENTE! Uma delícia ver em modelos de verdade as saias que a gente acha mais difíceis de usar, por exemplo! Pelo menos pra gente aqui nada dá mais vontade de experimentar do que ver em gente-como-a-gente a coisa dando certo. E se essas saias mais longuinhas – mas não tããão longas, na metade do caminho – podem fazer a gente pensar em pernas encurtadas, em quadril largo, em imagem datada… as referências aqui embaixo dão uma lição (um monte de lições!) de como fazer funcionar esse look fresquinho, feminíssimo e, mesmo antiguinho, super moderno. Ó!

• Cintura marcada faz com que qualquer excesso seja claramente identificável como do tecido e da modelagem da saia – cintura no lugar dá dimensão (real) de silhueta humana e das proporções de quem usa!

• Bracinhos de fora, quando magrinhos, dão sensação de corpo todo alongado: quem tem naturalmente pode agradecer essa bênção todo dia, viu. ;-)

• O maior trunfo da saia longuete é deixar o começo da panturrilha e canelas à mostra, que sempre são partes (mais) finas da perna – pra otimizar esse efeito de finura vale escolher sapatos que enfatizem sem cobrir, com gáspea baixa, com tiras super ultra finas, com cores que acompanhem as cores da saia (saia e sapato claros, ou saia e sapato escuros, ou tudo neutro, ou tudo colorido, etc etc etc) e tals.

• Se a saia ocupa mais espaço no look do que a blusa (que por dentro fica mais “curtinha”), a coordenação de cores pode ter um efeitão na silhueta de quem usa: cores vivas e mais claras sempre expandem e cores opacas e mais escuras sempre retraem visualmente – quem tem peitinho e ombrinho pode querer usar parte de baixo mais chamativa, quem tem quadrilzão pode chamar a atenção pra parte de cima.

• Já que as pernocas tão cobertas, um decotinho – na frente ou nas costas - pode ser super bem-vindo. Vale também pra dedinhos à mostra em sandálias. ;-)

A gente que curte se vestir e experimentar coisas novas PRECISA manter em mente que todo mundo pode tudo! Se há restrição ou qualquer receio, o que vale é usar a inteligência – e a criatividade – pra manipular efeitos e vontades e então ser feliz em frente ao espelho, né? Tá tudo na nossa mão, depende só da gente. #revistasdemodanãonosrepresentam :)

24.03.2014 - 10:09 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 16 Comentários

O BARATO DE UMA NÃO TEM QUE SER O BARATO DA OUTRA

Texto de Juliana Cunha pra Oficina de Estilo :)

Abriram as portas. Quer dizer, abriram a primeira Forever 21 de São Paulo. A loja já chegou com filas de cinco horas e vendendo o dobro do esperando em seu primeiro fim de semana. Achamos que isso era motivo o bastante para pensar um pouco nas consequências dessa chegada tanto no nosso mercado de moda quanto no nosso guarda-roupa.

Para começar, o que emocionou os consumidores não foi exatamente a vinda da loja, mas a vinda com preços similares aos praticados lá fora quando a praxe no Brasil é que lojas gringas baratinhas cheguem aqui com status de grife e qualidade de sacolão. O problema com a importação do conceito de “fast fashion” para a realidade brasileira é que as roupas vendidas aqui como “fast fashion” têm a mesma qualidade reduzida e custo social e ambiental elevados que caracterizam a “fast fashion” dos países mais ricos, só que por um preço alto. Ou seja, pagamos caro por uma roupa que não compensa nem no conceito, nem no material.

A relação que o consumidor brasileiro tinha com as lojas de departamento até poucos anos atrás não era uma relação de comprar modinhas descartáveis, pelo contrário, eram lojas ecléticas e relativamente em conta onde as famílias de classe média podiam se abastecer de roupas para o dia-a-dia. Ninguém ia à Mesbla achando que era ok uma roupa durar menos de dez lavagens: o nosso poder de compra não suportava essa lógica. A parte boa dessa limitação de recursos é que o brasileiro teve que estabelecer uma relação menos consumista com o vestuário e até hoje a gente nota uma disparidade entre o que é ser consumista na visão de um brasileiro de classe média e o que é ser consumista na visão de um americano de classe média. (Eles compram muito mais e, sabe de uma? Azar o deles, não se vestem nem um pouco melhor por conta disso!).

O lado bom da vinda da Forever 21 é que isso pode dar um merecido choque de realidade em lojas como C&A, Renner, Riachuelo e Hering (que antes vendia um algodãozinho honesto, hoje castiga no poliester e nos preços de Zara) e um puxão de orelha em lojas que deviam fornecer um produto melhor, que cobram preço de produto melhor, mas cuja qualidade cai a olhos vistos (Farm, Bô.Bô, M. Officer, MOB, Maria Garcia… estamos olhando para vocês). Não dá para continuar cobrando um absurdo por vestidinhos de tecido artificial e sem forro quando o concorrente está vendendo produtos similares por R$ 25.

A parte ruim é entrarmos em uma lógica gringa de ter um milhão de roupinhas vagabundas, de comprar uma coisinha toda semana, um vestidinho a cada ida ao shopping só porque “está barato”. Há pessoas no Brasil que não têm mais do que R$ 25 para dar em um vestido. Será que são essas as pessoas que aproveitam cada viagem ao exterior para trazer um carregamento industrial de H&M e Primark? Será que são essas as pessoas que já estavam de olho na abertura da Forever 21 e que correram para a fila? Ou será que quem anda comprando nessas lojas não são justamente as pessoas que poderiam sim comprar menos e melhor, dar mais valor ao processo de produção da roupa, ao acabamento, ao material, ao custo social e que teriam um guarda-roupa mais enxuto e significativo se não cedessem ao canto da sereia da Forever 21 e seus similares?

Em resumo, o que a gente pensa é que ter uma “fast fashion” que cobra o que vale é super benéfico em um contexto em que o nosso mercado de moda está desregulado e cobrando demais por moda de menos, mas a gente continua desacreditando no conceito de “fast fashion” e achando que quem ganha um pouco melhor faz um favor a si mesmo e ao mundo quando decide ter menos coisas com mais significado. E, já que chegamos até aqui, vamos combinar que é cafona demais querer ter 21 para sempre!

18.03.2014 - 00:54 | Postado por Juliana Cunha Categorias: moda e consultoria 33 Comentários

TER MENOS, MELHOR – E DE PERTO!

Sem querer ser chatonas mas não é normal um vestido INTEIRO custar 15 dólares (preço justo é diferente de preço improvável!). Alguém tá recebendo muito pouco pra alguém ganhar muito mais, né não? Roupa barata-baratíssima pode parecer uma boa na hora em que se compra, mas é ruim pro mundo… e se é ruim pro mundo, é ruim pra gente.

Quanto mais a gente compra de grandes magazines, mais dinheiro põe na carteira de 3 acionistas e menos nas de milhares de funcionários — ao passo que quando a gente compra de pequenas confecções ou direto de quem faz o dinheiro fica ali mesmo – e não na China ou em Bangladesh. E todo desperdício gera desigualdade — no mesmo mundo em que A GENTE VIVE AGORA, não numa outra dimensão ou muito longe da gente mesma! Comprar com consciência é diferente de ‘não comprar’ –> mas não dá pra incentivar geral a comprar 300 blusinhas de R$ 12,99 cada só porque tão oferecendo em todo lugar.

A gente aprende que acumular é sinal de sucesso — quando inteligente mesmo não é ter ‘mais’ (ninguém precisa de TANTO) e sim ter ‘melhor’, pagar por durabilidade e não por influência ou status. Comprar sem excesso, de perto da gente, pagando o melhor que a gente puder dentro da nossa própria demanda, do nosso próprio orçamento (consciência é individual!).

Sem querer criar um climão nem nada, mas né, querendo que nossas crianças cresçam sabendo que comprar não é a mesma coisa que existir — e que comprar — bem ou mal, com ou sem consciência — tem consequências equivalentes.

“A gente é pessoalmente responsável por ser mais ética que a sociedade em que cresceu”. (via)

10.03.2014 - 11:42 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 11 Comentários
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