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Todos os Posts de janeiro de 2009
sobre jaquetas e blazers no próximo inverno
A gente viu mil tipo diferentes de blazers nessa 26ª edição do SPFW, e todo mundo tá dizendo que esse vai ser o casaco da próxima temporada. Que é leve, que é fácil, que acintura (quase sempre) então dá aquela emagrecidinha, e que tem a ver com o Brasil. A gente pensou aqui que blazer é uma ótema alternativa pra variar as jaquetinhas que também vão infestar to-das as araras e vitrines das lojas que a gente curte e frequenta. E a gente tá de olho em paletós sequinhos desde que Kate Moss usou seguidas vezes tempos atrás (lembra?!??).

E os paletós de agora são bem pequeños, com ombrinhos estreitos, lapelas finas e próximos do corpo. Por conta disse eles não lembra, nem de longe, os que algumas moças usam “na firma”. Carol Vasone, editora de moda do UOL, passou por aqui (pelo nosso lugarzinho cativo na sala de imprensa) e aproveitou pra dizer que vai ser fácil usar os blazers da estação por cima de shortinhos, bermudinhas e sainhas – tudo “inha mesmo, que blazer é bacana pra levantar os looks mais informais, com bases de jeans e malhas finas (que não tem inverno congelante por aqui, né, Brasil?). Jorge Wakabara, vizinho de computador (eeee!) completou dizendo que paletó (leve, desestruturado, fresco) tem bem mais a ver com tudo que a gente tem em volta do que jaquetinhas de couro (faz sentido, não faz?!??).

E as jaquetinhas, por sua vez, vão fazer a gente descer um degrau em formalidade se combinadas com vestidinhos de seda, com calças e saias em alfaiataria, com brilhos e mais. E a gente tá mais acostumada com jaquetas do que com paletós, então a prioridade é experimentar esses últimos, néam? Levando à sério a premissa do Dudu Bertholini de que “pra ter estilo é preciso ousar”. Vamo que vamo, meninas.
spfw inverno 2009: maria garcia, yeah!!!
Quando a gente pensa em Maria Garcia lembra dos vestidos fofos, das blusas com caimento desestruturado, das calças largas (que a gente já encontrava por lá muito antes disso virar a tendência do momento), das sapatilhas confortáveis, certo!?!
No desfile de inverno da marca ficaram os vestidinhos – que continuam muito fofos – mas as calças largas foram substituidas por skinnys (quem disse que elas não tinham mais lugar nas vitrines da próxima estação?), as blusas desestruturadas foram substituidas por camisetinhas em algodão bem fininho e as sapatilhas por botinhas de cano curto. Ou seja, esse desfile rendeu muita reflexão pras essas duas personal stylists (que provavelmente vão render bons posts pós-SPFW), viu!?!

O que já dá pra adiantar é que a mistura de leve e pesado – que a gente anda AMANDO ultimamente – apareceu forte. A inspiração do desfile partiu de uma música do The Smiths e do vocalista da banda Morrisey, que como bem explicou a estilista Camila Cutolo em uma carta-release (fofa!!!) é “algo entre Oscar Wilde e James Dean”. Rendas delicadíssimas compensavam o perfume rocker dos looks. Tecidos levíssimos, transparentes e delicados dividiam a cena com tecidos pesados e espessos, muitas vezes numa mesma peça. Colares-cachecóis (ou cachecóis-colares) esquentavam e enfeitavam os pescoços das modelas que usavam vestidos ou blusinhas de seda.

Os tons neutros e claros predominaram, é óbvio: cinza, gelo, branco. E não podia faltar o onipresente preto!!! As cores-coloridas que apareceram foram tons fortes de amarelo e azul, a coisa mais linda. Aliás a gente há tempos ama amarelo com cinza. Um desfile cheio de ideias boas, né!?!
ainda (e já) pro inverno: calças largas na vida real
Ontem o GNT Fashion perguntou pra gente o que são as “calças cenoura” e quem pode/não pode usar. A gente fez esqueminha jogral que eles a-ma-ram! (rá!) e explicou o que acabou de aprender: calça cenoura – que também é chamada de “calça cocoon” por alguns fashionistas aqui na Bienal e de “slouch” pela Erika Palomino – é essa nova calça, com modelagem ampla no quadril, muitas vezes inflada por preguinhas, que vai afunilando na medida em que chega perto da canela. As calças cenoura/cocoon, inclusive, podem ser mais curtinhas, deixando os tornozelos de fora (ou dandao chance da moça mostrar sua meia-calça opaca, recorrente em mil passarelas.

Na hora de pensar em quem pode e em quem não pode usar, a gente olhou uma pra outra e achou essa estória demodé (rááá!), que de um tempo pra cá to-dos os nossos conceitos-teoria têm caído por terra, e a gente tá aprendendo que tudo nessa vida vale uma ida ao provador (com otimismo!). Então, na teoria, quem tem quadril maior, ou bumbum grande, ou barriguinha saliente, não deveria usar. Mas na prática a gente tá achando que esse volume pode trabalhar a favor dessas coisas todas, já que o volume da calça é claramente formado pelo tecido – e, na teoria! não tanto pela silhueta que veste a calça. Então, Brasil, a gente vai sim provar essas calças, na gente e nas clientas, porque o próximo inverno vai ser bem menos de calças skinny e bem mais de calças largas. Especialmente pra quem quer atualizar o look com pouco esforço. ;-)
spfw inverno 2009: a caminho das índias
A Casa da Narcisa e o Jorge do ano estão em constante busca pela “magia cigana”. A Oficina de Estilo resolveu pegar carona e correr atrás da magia indiana, afinal a produção da novela aqui no Brasil equivale a Hollywood e a gente tem que prestigiar. Sem contar que, durante os próximos oito meses (no mínimo), uma enxurrada de coisas da Índia vai estar nas prateleiras, nos restaurantes, nas livrarias, etc etc etc. E se a “magia indiana” vai ser tendência, vamos ver o que os estilistas da temporada de inverno 2009 do SPFW têm pra dizer a respeito. Claro, os looks provavelmente não serão total indian, mas um detalhe aqui, um caimento lá e outro shape acolá sempre aparecem – ficando o resto por conta da nossa imaginação.

A tendência ‘um ombro só’ só aconteceu nas passarelas e nos red carpets lá de fora e chega agora aqui no Brasil reforçada pelo melhor indian style de ser. Vale em blusas, em mantôs, drapeaso, liso… Agora é arrasar no saião e na maquilage trabalhada no delineador. Quem sabe não tem um Márcio Garcia à espera de sua Maya da vida real, néam?!??
spfw inverno 2009: amapô experience (com fernanda lima)
Quem não está habituado a frequentar um ambiente de moda acha que tudo neste mundinho é glamour e ferveção. Não, não é. É, na verdade, muita ralação, muito trabalho e muita pepino pra resolver no dia-a-dia (ainda mais quando se é pequeno, como a Amapô). Mas seja na moda ou em qualquer outra profissão, quando se tem amigos a coisa fica, de fato, muito mais divertida. E assim foi o desfile de hoje da Amapô.
“Preparem-se, a festa vai começar”, anunciou o DJ. E ao som de “Pump up the Volume” Fernanda Lima entrou vestida de top geométrico super colorido, legging de tacha (tendência absoluta gente, pra ficar ligado mesmo – fora que tachas são uma alternativa super bacana pra brilhar à luz do dia) e bota, também tachada e com franjas.

Ok, assim como o desfile estava lotado de amigos (que gritaram, dançaram sentadinhos e aplaudiram a dupla de estilistas, Carô Gold e Pitty Taliani, de pé), o total look da marca também é pra uma turma específica, ou seja, pros amigos que se identificam com o estilo. Mas isso não significa, em absoluto, que as ótimas peças da dupla não possam entrar no guarda-roupa de qualquer brasileira que deseje dar um toque mudérrrno no visual. Ainda mais neste inverno, em que uma alfaiataria desconstruída foi belíssimamente trabalhada: lapelas foram sobrepostas, camisas viraram vestidos, blazeres se transformaram em divertidas jardineiras, a malha foi costurada à alfaiataria – e tudo coordenado com sobreposições, estampas e chapéus, num mix de elegância alinhada com “euforia trance” anos 90.
De longe o desfile mais animado da temporada, além de boas energias a Amapô trouxe para esta São Paulo Fashion Week uma moda que, por acreditar em si, faz com que todos acreditemos em sua vibe também. Eu tô pronta pra festa. Você vem?
spfw inverno 2009: as cartelas mais legais da temporada
No meio de moooointo preto-e-cinza, as cartelas de cores de Wilson Ranieri, Erika Ikezili e Animale animaram a gente aqui – e podem virar exercício pra frente do espelho, na vida real. A sacada do Wilson Ranieri foi usar o cáqui como base, pra então misturar lilás, amarelão e (rá!) florais em rosa e roxo. Ficou chique e discreto como se fosse tudo cinza (super neutro), mas bem mais original. E a gente a-mou.

Na Animale as cores funcionaram tipo como um “sossega-leão” pra imagem de mulher pra frentex (zuper-zéxy) da marca. As roupas podiam até querer ser agressivas, mas os lilases (de novo!), os beges-pele, os rasos claros e outros tons calminhos tiveram esse efeito mesmo na imagem final do desfile: acalmaram as moças (sempre) fogosas, fãs da Animale. Vale experimentar, em frente ao espelho, coordenações de claros-com-claros, fugindo dos conjuntinhos óbvios pra criar grupos de cores interessantes (e novos!) pra essa próxima temporada.

Na Erika Ikezilli o que encantou a gente foi a coordenação de cores clarinhas, fofuchas até, mas com resultado final feminino (não bobo!) e adulto. Os rosas e laranjas e vermelhos e hortências – tudo super em tom claro, tudo bem pastel – ficaram incríveis juntos. E olha, pouca gente pensaria em combinar essas cores, desse jeito. Mas essa estilista combinou e deu essa inspiração de bandeja pra gente. Vamos todas então renegar “o velório das cores” e experimentar mil combinações novas pro inverno?!?? ;-)

spfw inverno 2009: balanço do 5º dia
E esse foi o nosso segundo vídeo do dia – o primeiro rendeu toda uma conversa com o Vitor Ângelo, e já já vira post (tipo logo mesmo!). No balanço desse quinto dia a gente conversou sobre as diferenças entre as roupas de festa de André Lima e de Samuel Cirnansck, a Cris contou do desfile da Maria Bonita (que eu não assisti!) e mais. Sabe que a gente tá adorando fazer esses vídeos no fim do dia?!?? Tá sendo legal pra organizar nossas opiniões e pra já pensar no dia seguinte… que amanhã é o úúúltimo! ;-)
spfw inverno 2009: origamis incríveis no andré lima
Aqui na Oficina o desfile do André Lima nesse penúltimo dia de SPFW foi eleito como o mais bonito da temporada, até agora. A coleção do estilista paraense (ô terra de comidas boas!) segue o caminho da geometria, bem no clima da temporada passada (clica pra lembrar que aquele desfile foi ma-ra-vi-lho-so), dessa vez mais leve e surpreendente. Tinha toda uma coisa “japonista” oriental no clima das roupas, super por conta da inspiração no filme Amor à Flor da Pele (clica pra ver o trailer!), e as duas idéias juntas, na mão do André Lima, viraram um monte de origamis e dobraduras… moles! As pregas, os drapeados, as junções de tecidos e os laços (construídos também como dobraduras!) foram feitos em tecidos fluidos e transparentes, que pareciam flutuar sobre a roupa! (O álbum do Flickr tem todas as fotos do desfile em tamanho grandão, já já vai pro ar! E já tem vídeo da fila final, bem lindo!)

clica pra ver grandão que super vale a pena!
Durante o desfile a Cris comentou que essa é a roupa de festa mais inteligente do mundo: não tem necessidade de bordar, de aplicar, de brilhar nem de “se esforçar” demais. As roupas de festa do André Lima acontecem na forma, na cor, nos tecidos – com mointa cara de ricos, de qualidade – e na coordenação dos materiais: um monte desses vestidos era confeccionado com lã super 120, tipo dos ternos dos meninos. E essa lã apareceu misturada com organza e com tule (plissado!), em tom sobre tom ou sobre estampa – sabe que essa estampa em preto e branco é de pandas?!?? Alguns vestidos tinham pregas-dobraduras na parte de trás, e essas pregas ajustavam o torso ao mesmo tempo em que liberavam o movimento do quadril: gênio! E além de funcionais elas eram mointo lindas, lembravam roupas tradicionais das orientais de antigamente e o resultado da imagem é feminino, moderno, inteligente e impactante – e não é assim mesmo que a gente quer ser reconhecida, quando escolhe um modelón pra usar em festa?!??
Trivia: Amor à Flor da Pele também já inspirou uma coleção da Antes de Paris e um clipe da Bruna Caram, nossa clienta cantora. E, super por coincidência, a Bruna usou um vestido dessa coleção no seu clipe – com figurino que a gente produziu, quer ver?!?? ;-)
o inverno de 2009, a crise e o efeito trompe l’oeil
No meio da crise do mundo tamos todos aqui, amigos, brincando de casinha na Bienal, assistindo modelas de um lado pro outro de 11h às 22h (quase isso). Essas modelas carregam roupinhas que criam desejo (muitas vezes!) instantâneo – desejo de fazer compras com um dinheirinho que ninguém sabe se vai ter ou não, quando essas coleções chegarem às lojas. Justamente nesse contexto a gente tá presenciando o “efeito tromp l’oeil” quase-quase como tendência da temporada.

olhar de perto pode ser legal – e pode abrir espaço pra ser criativo, pra sonhar, pra fazer acontecer. a modelagem do fause haten é toda feita de tachinhas!
Esse é um efeito que faz a gente acreditar numa coisa, quando a vida real mostra (de pertinho e com atenção) outra. Vale acreditar nos riscos de giz sobre as roupas do Ronaldo Fraga, em uma dimensão apenas, fazendo a gente pensar que a modelagem tá ali em três dimensões; também vale achar que o Alexandre Herchcovitch realmente sobrepôs duas, três partes de baixo num mesmo look, quando o que o estilista fez foi criar uma peça única que ilude nesse sentido. Também a Maria Bonita desfilou uma calça preta com suspensórios sobre uma blusa bege – ooops, não é calça e blusa, gente!, e sim um macacão com o suspensário “desenhado” sobre a parte de cima da roupa. De repente tá todo mundo aqui brincando de faz de conta, de fazer acreditar. A parte boa é que, quase sempre, descobrir o truque também faz brilhar o olho – e quem é esperto mesmo acha jeito de ficar alegre (também!!!) com a vida real.
spfw inverno 2009: os vestidons de samuel cirnansck
Se a gente “limpar” toda a dramaticidade do desfile e os exageros de styling, o que a gente vai ver na coleção de Samuel Cirnansck são vestidos de festa bem bem bem luxuosos. Imagina que se quase todas as marcas apresentaram brilhos, fendas, decotes, volumes e rendas, Samuel usou e abusou de tudo isso e ainda acrescentou pele. Tá!?!

O mais importante em um desfile como esse é toda a capacidade de um estilista em criar o que suas clientes (reais ou potenciais) querem ver: vestidons. E quando eu falo vestidon não quero dizer vestido longo quero dizer vestidoooooooooon, mesmo. Tinha modelos curtos, longos, com cauda, mais curtos, tomara-que-caia, um-ombro-só, transparente, com volume, com renda, com canutilho… Mas todos imponentes!!!
Não tem como uma noiva, madrinha, mãe de noiva, formanda ou até uma simples convidada – que sonha com um momento red-carpet, é claro – não se inspirar com todos os efeitos princesa dos looks apresentados. Se um gosta e outro não, se uma acha de bom gosto e a outra horroroso tanto faz – o que importa é que ele sabe fazer o que ele se propoem a fazer. E muito bem, né!?!










