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Todos os Posts de janeiro de 2009
spfw inverno 2009: simone nunes em viagem nada insólita
Simone Nunes faz roupa que meninas do bem querem usar. E não só porque seu desfile foi estampado de natureza, mas também porque suas roupas exprimem uma personalidade marcante e doce, muito doce. Além disso, ela apresentou um monte de idéias de styling super simples e super aplicáveis nos guarda-roupas off passarela.

As mulheres (delicadas) de Simone foram ao Hawaà e ao Alasca e voltaram de lá bordadas de referências. Couro, malha, peles, veludo cotelê, paetês – tudo convivendo harmoniosamente bem. Se a base é de malha, araras aplicadas podem surgir em pele ou em couro; se a base é plana, flores em paetê. Aliás os paetês, bastante vistos esta semana, voltaram a aparecer super apropriados ao dia, como a gente já falou aqui. Quer seja utilizado em pequenos detalhes, quer seja em shortinhos e sainhas deliciosas, quer seja em barrados, eles podem ser coordenados com materiais opacos, botinhas e bolsas pequenas (mas sem qualquer tipo de brilho), compondo um visual de garota moderna, urbana e antenada. Outro detalhe sobre o que a gente já tinha falado é este (se não anotou da outra vez anota agora porque vale super a pena): quando a barra da parte de baixo sobe, é bom que a barra da parte de cima desça. E Simone fez isso. Colocou shorts de paetê com tricô compridinho, arrematado por um cinto de couro na cintura (que dá mais de uma volta, por isso tem que ser beeem grande). Não é ótimo ?! A cartela de cores tem cinza (olha lá), off-white, verde musgo, marinho, marrom e o laranja, o azul e o vermelho das araras e das flores aparecidos nos detalhes. Tudo harmonioso e gostoso de ver e usar.
Seja no Hawaà ou no Alasca, Simone conseguiu, nesta viagem, apresentar-nos uma mulher que vai do verão ao inverno sem suar ou passar frio, que vai do natural ao artificial sem ser eco-chata ou politicamente incorreta e que vai da passarela para as ruas sem ser somente conceitual ou comercial. Passaporte carimbado.
tendencinha do inverno pra agora: veludo em tudo
Mais uma recorrência de passarela: todo mundo tá desfilando veludo, gente. Teve na Huis Clos, na Isabela Capeto e até na Cavalera e na Triton – e amigos, se marca jovem tipo Triton desfila veludo, é porque vai alcançar tipo o universo inteiro das vitrines. E os veludos costuram vestidos, blusas (imagina, gente?!??), shortinhos, saias de cintura alta e também – bafo! – as calças-largas-de-todos-os-desfiles. Na Triton teve calça larga com perna que afunila, e a gente entendeu que esse é um indicativo de que o material vai ser usado de toda forma possÃvel no próximo inverno. Esse é outro assunto que a gente vai desenvolver em outros posts (adiante!), e que a gente pode começar a debater nos comentários desde agora. O que vocês acham?!??

A gente acha que faz super sentido usar veludo no inverno, especialmente pra “camuflar” (pelo menos na imagem!) a idéia de crise no mundo: veludo faz a gente ser brilhosa, elegante, (com cara de) rica e ainda por cima quentinha – vejam bem, amigos, que não é veludo cotelê que tá aparecendo por aÃ, é veludo tipo alemão, que a gente usava em festa de 15 anos! Tamos mesmo achando que vai ser o inverno do luxo e da riqueza! ;-)
spfw inverno 2009: maria bonita subvertendo
Quando vai começar a semana de moda a maior expectativa – imagino que de todo mundo, certo!?! – é ver alguma coisa nova, que faça os olhos brilharem, que faça a gente repensar o jeito que a gente se veste.
E com a Maria Bonita hoje foi assim. A inspiração do desfile era geometria (o que, de cara, já é um tema que rende bons resultados, lembra do desfile do Herchcovitch há um ano?). E Danielle Jensen trabalhou formas, linhas e subverteu as peças e seu usos. A calça virou macacão (ela já tinha começado a experimentar isso na coleção passada), o blazer ficou gigante, com a lapela indo até o fim da peça, a camisa virou calça, o suéter virou macacão, a camisa virou vestido. Pensa que as peças eram esquisitas ou difÃceis de usar na vida real? Não eram não!!! Era tudo lindo e super confortável e solto e desestruturado – roupa de quem vive, se mexe, abaixa, dirige, anda.

Ao contrário do que a gente tem visto não é uma coleção sexy, não delineia a silhueta e chega a ser um pouco masculino a primeira vista. Mas o cinza estava super presente pra não dizer que a estilista não segue nenhuma tendência.

E o truque de styling que a gente pode super copiar é a meia opaca em cores neutras (tons de cinza e marrom) com sapatos fechados coloridos que funcionam otimamente-bem nos looks monocromáticos em cores sóbrias.
spfw inverno 2009: a arte de reinaldo lourenço
Quando a gente pensa na década de 20 como inspiração pra uma coleção, várias imagens vêm à nossa cabeça – melindrosas, O Grande Gatsby, franjas, cores nude, Coco Chanel, o fim do espartilho, silhuetas desestruturadas – mas tem que ter uma cabeça muito genial pra pensar os anos 20 como Reinaldo Lourenço fez.
Ele se utilizou das referências do Art Decô pra criar uma coleção de peças mais estruturadas, geométricas, cheia de grafismos. Mais um desfile lindo de morrer!!! Os anos 20 foram anos de muita criatividade e experiências na produção artÃstica. Com a Freud falando sobre o inconsciente e, depois que os impressionistas libertaram os olhares, movimentos como surrealismo, modernismo, dadaÃsmo, expressionismo e muitos outros ismos pareciam naturais de se acontecer (num resumo bem bem bem simplista, hein, gente!!!)

E com Reinaldo parace que também foi assim: experimentações em texturas, brilhos, vazados, formas, golas, metalizados. E dá pra enxergar muito bem que é uma continuidade da coleção de verão. Só que mais pesada, mais invernal.
De concreto, tudo o que a gente tem comentado que vai acontecer no inverno, estava lá – mangas importantes com volume, sofisticação no brilho, silhueta ajustada, looks em preto total, cintura marcada, luxo, transparência sexy. Mas de um jeito bem particular, de um jeito bem Reinaldo Lourenço.
spfw inverno 2009: balanço do 4º dia
Já passou mais da metade, gente! Falta pouco pra acabar a semana de moda, e agora a gente já tem uma listinha de “tendências” meio pronta. No vÃdeo de amanhã a gente já adianta alguma coisa, pra postar tudo tudo tudo (dessas tendencinhas) no fim de semana. Hoje foi um dia calmo, amanhã também tem tudo pra ser… mas né, pra que falar aqui se a gente conta tudo (e mais!) no videozito aqui embaixo, né, Brasil?!??
P.S.1: Falando em tendências, “vamo que vamo” e “Brasil” (no fim de qualquer frase) são as gÃrias do momento. A gente não cansa de usar, todo mundo tá usando – e Brasil no final da frase foi Katylene quem inventou, sabia?!??
P.S.2: Falando em Katylene, diz que a drag tá guardando seu melhor pro final – e que vai aparecer (em forma de post!) por aqui (no blog!) no último dia de SPFW. A gente tá acreditando, de dedinho cruzado e tudo. ;-)
spfw inverno 2009: a Animale vai de Animale
As mulheres da Aninale são sempre fortes e poderosas. A imagem que a marca passa com seus desfiles e seu casting de peso é a de que quase ninguém pode com elas. Um misto de amazonas urbanas com guerreiras do cotidiano, é bem provável que se Xena gostasse de moda e vivesse entre nós, ela seria Animale.
(fotos do super-super-rápido Charles Naseh)
E não, isto não é uma crîtica do mal – é somente um exemplo pra dizer que a marca sabe muito bem quem são suas mulheres e o que elas esperam de uma roupa. Prova disso foi a platéia absolutamente animada e Ãntima que gritou, bateu palmas, ovacionou, se cumprimentou à s pencas… Parecia uma festa em que todos se conheciam.
Bom, as roupas. Procurando contrastar esta imagem forte de sua mulher, a Animale buscou a intimidade, ou, palavras deles, “a beleza que vem de dentro”. Para concretizar isso em pecas, lançaram mão das lingeries e de seus elementos, idéia que resultou num bonito trabalho de formas e volumes conseguidos pelas barbatanas dos corsets. Para quebrar a estrutura reta e enrijecida destes aviamentos, desenhos curvos foram moldados e tanto tecidos pesados quanto mais fluidos modelaram-se organicamente. A própria figura do corset em si foi desnecessária e nem precisava ter entrado na passarela, pois a alusão à peça somente pelo uso de seus elementos foi muito mais bonita. Ao lado das barbatanas, o uso de zÃperes nas junções das costuras funcionou muito bem. Jaquetinhas, calças, saias e shorts devem, novamente, fazer a alegria das clientes, que não abrem mão da sensualidade nem da vontade de parecerem descoladas. As cores são de muito bom gosto: nude (lingerie), lilás, variações de roxo, um toque de limão (hehehe, verdade) e um ouro velho esverdeado anunciam um inverno calmo, sensação bastante intencionada nestes tempos de crise.
A coleção como um todo é bem focada em seu público alvo, mas a mulher que deseja dar um toque poderoso no visual pode muito bem coordenar uma jaquetinha ou uma saia da marca com o resto das roupas que possui no armário, afinal, nesta selva urbana (!), guerreiras são sempre muito bem-vindas (se é que estas peças – ou outras da famÃlia delas – vão mesmo pras araras).
spfw inverno 2009: wilson ranieri e suas construções
A gente foi assistir o desfile do Wilson Ranieri na maior expectativa, porque a gente curte muito o trabalho dele (e a coleção que ele apresentou na última edição foi bem decepcionante). A coleção passada, no entanto, contava com o que esse estilista tem de mais bacana em seu trabalho – e que apareceu na coleção de hoje também: as construções no próprio tecido.

As pregas, dobraduras e assimetrias apareceram em tecidos mais desestruturados, o que faz com que sejam bem mais fáceis de usar na vida real. Quando uma forma inusitada é feita num tecido mais estruturado, essa forma acaba criando mais volume porque fica mais “armada”, já no tecido mais molenga tudo fica mais soltinho e acompanha (mais) a silhueta que veste.
A cartela de cores era muito, muito chique, com tons mais claros e opacos (bege, cáqui, rosa, lilás) que contribuÃam pra uma imagem mais sofisticada, em coordenações monocromáticas. Nesse SPFW já teve um tanto de coordenação de estampas – e coordenação de estampas acaba deixando o look mais informal – e uma das mais legais a gente viu no desfile do Wilson Ranieiri com três direções diferentes de listras, mas todas nas mesmas cores e em tons tão próximos que o resultado era super elegante. Pra se inspirar já!!!
as cavas do spfw: tendencinha (ótema) pro inverno
Olha, a Huis Clos ontem fez seu desfile mais sexy de todos os tempos. Mesmo que numa coleção a gente já tenha visto muita seda e tecidos molinhos, que dão vontade de tocar (e abraçar!), mesmo que alças sejam uma recorrente nas imagens dessa marca, mesmo que os decotes nas costas sempre dêem uma pinta (nessa passarela)… dessa vez foi MAIS zéxy. Mas ainda de um jeito bem Huis Clos, bem mulherzinha madura e inteligente – atributos extra ao corpinho bom. O toque mais feminino, mais danadinho (e mais sen-su-aaaal) de todos ficou por conta das cavas das peças, super profundas e quase-quase “revelativas”. Elas tavam escondininhas ali, embaixo dos braços das modelas, mas marcaram presença. A gente ficou de olho e AMOU.

As fotos do meio são da Huis Clos e as da ponta são da Forum, que também fez a cavona. Diz que até teve em mais desfiles e a gente aqui não lembrou em quais – alguém ajuda?!?? ;-)
spfw inverno 2009: jeans cinza na ellus
A Ellus faz parte do InBrands, conglomerado de marcas de moda que também tem Alexandre Herchcovitch, Isabela Capeto e o SPFW em si. Então a gente já sabia que a super modela inglesa Agyness vinha, e que o desfile tinha tudo pra ser um espetáculo. A sala de desfiles tinha um lado só de platéia, e a gente ficava sentada de frente para um mega telão (ao longo da passarela). Quando Agyness entrou, abrindo o desfile – que todo mundo achou belÃssima! – o vÃdeo do telão interagiu com ela a cada passo (clica pra ver no vÃdeo!). E foi assim com to-dos os modelos, bem igualzinho à quele desfile da Diesel em que o telão de led também interagia com quem passava por ele (clica pra lembrar). E esse foi o maior espetáculo nesse desfile.

Katylene, que sentou junto com a gente, gritou o nome da modela especialmente pra gente postar aqui (clica pra ouvir/ver em vÃdeo). Passada a euforia, à s roupas: a Ellus embarcou na onda dos cinzas e propõe que a gente use até jeans na cor-do-momento. O primeiro bloco do desfile foi inteiro cinza, em looks baseados em calças jeans – as de sempre, mais largas no quadril, afunilando embaixo, dessa vez um pouco mais curtas. A coordenação era feita com xadrez (também em tons de cinza!) e o resultado final é um visual monocromático nada nada monótono. Pra repetir em casa essa fórmula: jeans + complemento estampado, com estampa nos mesmos tons do próprio jeans! E olha, a gente acha jeans cinza super mega elegante, e até hoje era relativamente difÃcil de achar – tamos vendo que a Ellus vai facilitar a nossa vida pro inverno. E vamo que vamo, Brasil!
spfw inverno 2009: OESTUDIO de olhos bem fechados
OESTUDIO propõe: fashion`z olhos! O trocadilho fonético é espertinho, mas se fechássemos nossos olhos como nos foi pedido, não terÃamos visto uma bela coleção. Indagando (nos) sobre a ‘cegueira social’ a que estamos – todos – submetidos (ou infectados, sei lá), a equipe de criação da marca acertou em muitos detalhes e fez roupa pensada, sim, mas com cara de roupa também para ser usada, com cara de loja, com cara de arara e com consciência comercial – o que é muito, muito bom.

Ok, o tema pode ser meio cabeçudo (embora pertinente, isso é fato), mas o enredo da história é sempre coadjuvante em relação a como cada história é contada. OESTUDIO transformou um papo pesado em sacadas inteligentes pra gente levar pra dentro de casa, pra dentro de nossos guarda-roupas. Questionando a simetria das coisas, a frente das camisas foi parar nas costas, golas viraram ganchos (quase sarouéis, para eles) e mangas viraram pernas (para eles e para elas). Nada super revolucionário? Não, mas esperto. ZÃperes dividiram as roupas ao meio, tanto na vertical quanto na horizontal, do mesmo jeito que cada modelo esperava em frente ao pitt de fotógrafos, de costas, pelo outro que vinha, até que ambos estivessem, frente e costas (ou direito e avesso, claro e escuro, cegueira e visão…), em paralelo para a câmera. Por se tratar da cegueira, as estampas deixaram de ser o foco e algumas texturas assumiram seu lugar, como pequenas bolinhas envoltas no tecido – já sugerindo, também, formas e volumes `a roupa. O vestido de plush azul é uma delicÃa (pra ser herança também para o guarda-roupa de verão), assim como o preto com capuz. O moletom apareceu em traje completo para eles e, tendo sido super utilizado pela Osklen, tendo aparecido em Fabia Bercsek e tendo sido falado por Ale Farah, promete-se como uma forte tendência (mas quando utilizado em modelagens inusitadas e não como a gente está acostumado a vê-los, em calças com elástico no cós e nas barras).
Ah, tiveram também as mãos aplicadas sobre a roupa, que mesmo remetendo direta e explicitamente `a Comme des Garçons em seu inverno 2007, fizeram certo sentido – afinal quem está cego precisa ser tocado para ser chamado.










