PENSE MODA: VENDEDORAS DOS NOSSOS SONHOS

A gente aqui na Oficina é fã da Geni Ribeiro há tempos. Ela já fez palestra no Pense Moda em outras edições (clica aqui e aqui pra ler que super vale a pena) e o que ela fala sempre rende aprendizado bom. Dessa vez, participando de uma mesa de discussão, ela chamou atenção pra um pedaço da “cadeia-fashion” que não tá em dia com o resto. Tipo o Brasil tem designers incríveis, tem gente bacana que administra marcas direitinho – mesmo lidando com a carga tributária surreal e com os empecilhos de crescimento de empresas que existem aqui – tem modelistas, marketeiros, assessores, stylists, tudo de mais legal. Mas em pouca gente especial na equipe de vendas, no comercial. E ela perguntou (com razão) de que adianta esse trabalho todo se, na hora da venda, com o produto na mão, a vendedora não colabora?

A gente trabalha em parceria com vendedoras a cada compra com clientes. Desde sempre a gente sabe que essa parceria pode render imagens lindas em frente ao espelho mas também podem fazer com que uma cliente nunca mais queira voltar à loja onde se teve uma experiência ruim. Quem vende precisa conhecer a marca que vai vender, o produto que essa marca oferece, a história dessa empresa, quem pensa/faz essas roupas e, principalmente, a cliente que procura essas peças. Se fosse um emprego numa multinacional famosa seria assim, porque não é em lojas de roupas? Vender é profissão e quando é encarada só como uma passagem (de uma coisa pra outra) não dá certo mesmo. E mais:

• vendedoras deviam ajudar a gente a escolher, a decidir entre uma coisa e outra quando dá dúvida e a gente não pode levar tudo. Tipo dizer razões reais e inteligentes pelas quais uma e outra peça são melhores pra gente, e porque a gente deveria mais levar uma do que outra.  E tinha que ser sincero.

• elas precisam entender e conhecer o que está se passando com a marca onde trabalha, tipo uma vendedora (ou vendedor) da Rosa Chá tem que saber que quem desenha as peças é Alexandre Herchcovitch.

• as vendedoras deviam visualizar rapidamente várias opções de uso pra determinada peça que a gente prova. Tipo eu tô com uma saia estampada de fundo roxo: elas tinham que sugerir cores e modelagens de blusas (de preferência as mais legais pra minha silhueta e tals), com que cor de meia-calça, com que casaquinho, se eu precisar…. isso, sabe?

• essas mesmas profissionais deviam memorizar todo tipo de informação que a gente passasse sobre nós mesmas pra das próximas vezes que a gente estivesse na loja metade do caminho já tivesse sido andado. E elas deveriam saber de mais coisas disponíveis em outras lojas, pra sugerir complementos mais legais mesmo que a gente não comprasse com elas. Não?!??

Imagina que mundo ideal?

Tags: , , , , 05.11.2009 - 23:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 15 Comentários

Comentários

15 comentários para "PENSE MODA: VENDEDORAS DOS NOSSOS SONHOS"

  • fernanda disse:

    06 de 11 de 2009 às 17:56

    olha,trabalhei com moda muitos anos(como vendedora/gerente) e agora vendo veículos,mas o que amo mesmo é moda!e poxa, ao menos nas marcas que eu trabalhei, fazer o que foi listado é requisito básico!!ainda tínhamos que ser super simpáticas e se virar pra arrumar clientes….vendedor é isso!o resto é só quem carrega a mercadoria da loja até o caixa!

  • Marcelona disse:

    06 de 11 de 2009 às 18:06

    Ah, mas o babado é empurrar mercadorias de maneiro constrangedora ou então a velha e boa cara de buna, né? Quem sabe por isso vendam menos e desanimem sem querer se interessar muito!
    Sé rolasse o interesse pra fazer direito as coisas como no post com certeza venderiam muito mais e todos sairiam canhando…
    Mas pode ver que é assim no vareo em geral, no supermercado, na loja de eletrodomésticos, na boite…difícil alguém exercendo suas funçõezinhas como deve, né?

    bjks

  • Aline disse:

    06 de 11 de 2009 às 18:10

    quer saber o pior das vendedoras ruins? é quando elas GRUDAM na gente no momento em que botamos o pé na loja. GENTE! As vendedoras precisam ser treinadas pra deixar a gente entrar, ficar à vontade, respirar a loja, ver no que a gente teria interesse de cara, e SÓ DEPOIS chegar junto, opinar, mostrar outras opções. Tem vendedora que chega logo mostrando peças (“olha que lindo que acabou de chegar” ) que não têm nada a ver comigo, com meu gosto, com meu estilo, no maior estilo “vai empurrando”. Já saí (e nunca mais entrei) em muitas lojas por conta desse tipo de coisa. Quando eu vou comprar, eu gosto de me sentir BEM, e não bombardeada!!

  • MAISON CHAPLIN disse:

    06 de 11 de 2009 às 18:13

    Aline concordo contigo, é muuuito chato e apetece-me dar um tiro nelas!

    @ MaisonChaplin.blogspot.com

  • cristina disse:

    06 de 11 de 2009 às 18:36

    acho q todo o setor teria q mudar. bons salários, cursos de carreira nessa área. enquanto isso, ser vendedora continua sendo trabalho de “passagem”.

  • MARIANA disse:

    06 de 11 de 2009 às 18:50

    Nas lojas da Chilli Beans que é assim, né? Mal vc entra e o mala do vendedor já vem todo “amigão” jogando em vc óculos que “são sua cara” , “seu estilo” e blá-blá e empurrando tudo que está à venda. E em toda santa loja é assim. Vc não pode nem experimentar uns oclinhos sossegada…

  • astrocat disse:

    06 de 11 de 2009 às 19:17

    eu já trabalhei como vendedora, em uma loja de uma marca importante daqui, e tive uma surpevisora que só se preocupava com números. todo o treinamento era pra gente fazer o cliente comprar mais, mais, mais. aí a equipe de vendedores que vendia mais guanhava um prêmio. tipo mais dinheiro, etc. era ridícula a forma como a supervisora queria que eu falasse com os clientes. as outras vendedoras não sabiam nada sobre o estilista, a história da marca, nada. eu sabia porque tava fazendo faculdade de moda. depois dessa experiência, eu não reclamo mais de vendedor, porque eu sei que por trás tem um treinamento às vezes bem ruim feito por uma pessoa muito atrasada.

  • astrocat disse:

    06 de 11 de 2009 às 19:20

    (ah, eu não sei se vocês sabem, mas não dá pra ler o blog direito no browser Opera. tive de abrir no Firefox.)

  • michelle disse:

    06 de 11 de 2009 às 22:30

    Num mundo dominado pela voracidade do fast fashion crescente e com o desenvolvimento de compras na internet, fico admirada de quem pagou para ouvir essa pessoa falar… é facil ter alguem com conhecimento de moda, é so pagar um salario adequado para tal… porem o mercado MUNDIAL nao permite isso, qualquer pessoa q lê um pouco de economia sabe disso… os salarios de vendedoras sao baixos (oferta X demanda)e sao poucas as que realmente amam o que fazem… estas ganham bem e buscam auto-conhecimento de moda… ja fui vendedora, gerente e hoje tenho minha propria loja no itaim bibi…isso em 05 anos de profissao!!! Quem quer, faz e acontece!!! Im sorry baby, seu discurso me fez rir!

  • Ana Paula disse:

    07 de 11 de 2009 às 00:31

    concordo totalmente.
    em setembro escrevi 1 post sobre vendedoras simpáticas e listei algumas. se interessar, aí está o link http://dicasdeliriosedelicias.blogspot.com/2009_09_01_archive.html#1685496843977444118
    1 bjo gde,
    ana paula

  • Analu disse:

    08 de 11 de 2009 às 16:50

    Meninas, a profissão do varejo não é valorizada.Tem muita rotatividade e é encarada como bico.( Claro…pq ganhar decentemente sendo vendedora só com anos de experiência e uma boa cartela de clientes.) Fui vendedora em loja de Moda Feminina e investi por conta própria em formação específica por fora.A loja só quer saber de numeros e não de conhecimento sobre a marca, tendências, o que favorece a cliente…Sempre sinto como cliente as vendedoras querendo te empurrar de tudo e ao maximo.Chato isso.

  • Fe Harumi disse:

    08 de 11 de 2009 às 23:09

    Sou vendedora da Canal e lá nós somos instruídas a agir como foi descrito no post, mas sempre existe uma pressão pelos números então algumas meninas acabam focando nisso e deixam a parte da simpatia e do otimo atendimento de lado. E também rola um nervosismo e uma ansiedade pois não sabemos como será a reação das clientes diante da nossa ação entao acamos dando alguns ‘foras’ as vezes. Realmente, é uma carreira meio dificil, muito competitiva (digo, entre as outras vendedoras da loja, entre as outras lojas da marca, etc), o custoXbeneficio não é animador então é complicado não encarar isso como um trabalho temporario. Além disso, é IMPOSSIVEL memorizar todo o tipo de informação que todas as clientes passam, pois elas são muitas a cada dia, mas é claro que depois de dois ou tres isso acontece naturalmente. Graças a Deus eu tenho uma gerente maravilhosa que nos deixa super a vontade, mas é desesperador pensar na idéia de ter uma supervisora que só sabe cobrar e colocar pressao. Acho que uma equipe de vendas pressionada a vender mais e mais, acaba passando isso para as consumidoras, as deixando pressionadas a consumir mais e mais, nao importa qual seja o produto, o que as espanta da loja. Também acho que de fato, falta treinamento, desde a equipe de supervisão, gerenciamento até a de vendas, pois uma boa supervisora saberá ‘criar’ uma boa gerente que saberá ‘criar’ boas vendedoras. É isso.

  • michelli disse:

    17 de 11 de 2009 às 12:35

    É muito facil criticar as vendedoras não é verdade ? eu trabalho com vendas há cinco anos ,e também fiz muito cursos relacionados a vendas . Tenho uma gerente super antenada , que sempre nos ensina sobre cada produto da loja , e principalmente sobre nossas marcas , inclusive , algumas de nossas marcas nos dão cursos de vendas e contam toda historia de vida da empresa(marca) desde o inicio . Então fica mais facil ajudar as nossas clientes quando elas têm algum tipo de dúvida seja ela qual for.
    Eu concordo plenamente em deixar o cliente super à vontade , até porque se eu for em uma loja e o vendedor grudar em mim como se eu fosse roubar algo , eu saio e ñ volto mais . Mais vendo como cliente se eu entrar em uma loja e o vendedor fingir que ñ esta me
    vendo , eu vou sair da loja na mesma hora . Então tÊm que ter simpatia , educação , sem deixar de lado a abordagem quando o cliente entra na loja , porque muitos entram procurando algo especifico , querem a ajuda do vendedor, e claro deixar o cliente muito a vontade ….
    TÊm vendedores que levam problemas pessoais para a loja , e descontam nos clientes da loja
    ou ficam chorando quando brigam com namorado (a) , e nunca se empenham como deveriam e isso acaba virando uma rotina … mais também têm muito cliente mau educados , que só de o vendedor cumprimentar ,fala com tom de grosseria , SÓ TO DANDO UMA OLHADINHA , vira as costas ofendido , sai da loja e nem agradece … como se o vendedor tivesse falado uma grosseria tremenda.
    E em relação a cobrança , têm que ter em todo lugar , onde ñ têm cobrança ñ prospera , as pessoas ñ são motivadas . Nenhum vendedor é bom de inicio , as pessoas ficam boas graças a quele que da dá uns puchãzinhos de orelha de vez em quando entende ? se tudo o que vc fizer tiver bom ñ precisa de ninguém para dar ordens , ensinar e motivar … nada para , o mundo ñ para as pessoas tÊm sempre que procurar aprender mais , reciclar o que sabem e aprender coisas novas . E mais uma coisinha , o sucesso ñ é feito só por uma pessoa , ñ é feito só pelo chefe , nem só pelo gerente , nem só pelo vendedor …. mais sim pela equipe vendo o lado bom de cada um e trabalhando esse lado ….e ajudando uns aos outros para melhorar as coisas que ñ são tão boas assim …

  • patricia sotero disse:

    10 de 03 de 2011 às 11:42

    Concordo absolutamente com a importancia de bons vendedores na cadeia de moda. Porém, se se exige esse nível de qualificação, deve-se também pagar o preço por essa qualificação. Os mesmos não são valorizados, a própria cadeia é culpada pela má formaçã, e desempenho dos vendedores, e por esses não se emprenharem em se aprimorar. Se aprimorar como sem recursos, sem perspectiva, sem valorização. É um trabalho em conjunto da empresa e do vendedor. Os dois tem que ter visão. É muito egoísta e utópico esperar o máximo contribuindo com o mínimo.

  • Fran disse:

    26 de 01 de 2012 às 22:34

    Ei! Eu também concordo com isso, mas fui vendedora da Arezzo em 2008 e como sou apaixonada por moda e sapatos, tratava de aprender sobre as tendências, os tipos de couro, as composições de modelos e cores etc, de modo que a minha gerente chegou a me elogiar que minhas clientes raramente trocavam os produtos (ou seja, poucas se arrependiam de alguma forma pela compra). Apesar de tudo isso eu não não era uma das melhores vendedoras no quesito dos números, e amargava ver colegas que eram bem sucedidas, quando na dúvida de uma cliente sempre “empurravam” o produto mais caro. Sinceramente depois dessa experiência eu fiquei muito desiludida quanto a isso. É uma profissão muito competitiva e por muitas vezes injusta, isso eu sei.

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