ROUPA É PRA SER “DANÇADA”
Quando Helio Oiticica, artista super importante – e super brasileiro! – que experimentou mil coisas nos seus trabalhos, tipo pintura, escultura, performances e… costura. Oiticica inventou o que chamou de parangolés, capas gigantes ou “bandeiras de vestir”, cheios de cores e texturas e movimento. Esse movimento, inclusive, era o essencial à “obra” segundo o próprio artista: o parangolé só ganhava vida se vestido por alguém – e não só isso, o parangolé também precisava ser dançado! “A obra só existe plenamente, portanto, quando da participação corporal: a estrutura depende da ação.” Diz o próprio Helio Oiticica que o objetivo do parangolé ser pensado pra ser usado/dançado era “dar ao público a chance de deixar de ser público espectador, de fora, para ser participante na atividade criadora.”

E aí que a gente aqui na Oficina pensou que também é (ou deveria ser) assim com tudo que a gente veste – ou tem vontade de vestir. Moda só é moda se usada, conversar sobre ela não faz com que ela tenha eficácia alguma. Roupa no cabide é uma coisa e, a gente sabe bem, no corpo é outra. E é no corpo que qualquer moda toma vida, “vale como obra”. E se a gente ama moda, se a conversa super rende e tals, a gente tem que fazer essa moda viver. Tem que experimentar, tem que “dançar a roupa”, deixar de ser público espectador pra ser participante da atividade criadora. Porque o artista mesmo deu a lição quando disse que “o ato do espectador carregar a obra revela a totalidade expressiva dessa obra: a estrutura atinge assim o máximo de ação própria no sentido do ‘ato expressivo’. A ação é a pura manifestação expressiva da obra (…) e para que a ação aconteça, exige-se a participação inventiva e improvisada do espectador”.
Tá todo mundo autorizado então, a partir de agora, a provar, participar e fazer a moda viver. Cada uma no seu corpo, no seu armário, na sua vida real. Com uma galeria de imagens de parangolés super bem vividos/dançados pra inspirar. ;-)
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Comentários
14 comentários para "ROUPA É PRA SER “DANÇADA”"
Sergio disse:
30 de 11 de 2009 às 11:08Olá,
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Tonny disse:
30 de 11 de 2009 às 11:36Muito bom. ;) Parabéns pelo blog, sempre leio aqui.
Haranin disse:
30 de 11 de 2009 às 11:37Concordo em gênero numero e grau… roupa é pra ser usada e apreciada não só por quem olha, mas principalmente por quem vai vesti-la! Afinal tem coisa melhor que nos sentirmos bem vestindo alguma coisa que gostamos muito de usar?
Ana Claudia disse:
30 de 11 de 2009 às 11:47Parabéns pelo POST!!! Hélio Oiticica é um gênio! E, na minha opinião, um dos grandes artistas brasileiros! Ele sim conseguiu dar a tal identidade nacional, tão equivocadamente trabalhada por outros artistas muitas vezes mais reconhecidos pelo grande público do que ele.
E tudo a ver a analogia q vcs fizeram. Moda, pra existir, tem q vestir!
kim disse:
30 de 11 de 2009 às 11:55Podemos chegar a conclusão então de que o ‘mainstream’ não é uma coisa ruim.É simplesmente a moda sendo usada de verdade e democraticamente.
Vou pesquisar sobre o trabalho deste artista! ;)
Nati Vozza disse:
30 de 11 de 2009 às 11:57Oi Meninas, adorei o Post, Parabéns!
Visito vocês diariamente, e nunca havia comentado…Shame on me!hehe
Bjocas!
Nati Vozza
Renata Malachias disse:
30 de 11 de 2009 às 11:58O Oiticica, para mim, não fala de arte, nem de roupa somente. Fala de vida. Acho que a gente precisa usar (os conceitos dos) parangolés para tudo na vida: estar dentro das coisas, dançar, curtir, vivenciar. Assim é muito mais legal que ficar de mero observador. Não acham?
Jean Jaimmesson disse:
30 de 11 de 2009 às 12:17Às vezes a gente nem se toca que nós mesmo achamos peça tal ou tendência tal o máximo, comentamos com as colegas, dizemos que fica lindo e super atualiza o look, e quando vemos nós nunca sequer paramos para dar uma chance para aquela peça.
E eu acho fantástico essa sacada de que a roupa só tem sentindo com movimento, sabe! Porque tipo assim, a vida é movimento né? E o movimentação é transformação, daí que além de mover e dar vida a roupa, a gente pode sempre receber o efeito dessa movimentação: A transformação das nossas vidas!
Não é demais?
Beijos
meninas
=)
Marcelona disse:
30 de 11 de 2009 às 12:56Por isso que alta costura é (era, né) tão babado…intração total com o corpo das maravilhosas que usava as obras!!! Vestido e mulher se fundiam, né?
Toda uma harmonia nos salões elegantes de outrora…
daniele disse:
30 de 11 de 2009 às 14:41Acredito que a moda em si é muito menos material do que se imagina. A roupa é só um suporte para o que realmente importa: as sensações. E os parangolés mostram isso de uma forma belíssima.
Sarah disse:
30 de 11 de 2009 às 14:41Por isso que eu sempre disse… Moda é pra ser usada! Muito legais (e importantes, claro) todos aqueles desfiles/performances com roupas loucas que nos fazem pensar até na morte da chinchila preta. Mas isso é arte, não é moda. Moda mesmo é feita pra ser usada, pra ser dançada, pra ser real.
Fernanda disse:
30 de 11 de 2009 às 18:43kim, amei o pensamento! é bem isso mesmo: modinha, mesmo diminuída pelos fashionistas, na verdade tem muita importância!
renata, que demais essa percepção da obra do artista não falar de arte e sim de vida! AMEI!
marcelle, isso de interação total com o corpo da mulher acaba de mudar to-do o meu entendimento de alta-costura. arrasou.
daniele, seu comentário virou uma tuitada pra gente: moda é suporte pro que realmente importa – as sensações. obrigada!
;-)
Margarida disse:
30 de 11 de 2009 às 19:55Concordo plenamente. O processo de design pelo qual passa a roupa, as jóias e os acessórios só fica completo quando no corpo humano. Ganhando também uma nova identida consoate quem a veste. E assim devia ser todo o processo de design de vestuario, porque no fundo o verdadeiro significaddo desta é so atingido quando utilizado.
Izetta Janusz disse:
19 de 11 de 2010 às 02:21I agree with your thoughts here and I really love your blog! I’ve bookmarked it so that I can come back & read more in the future.