APRENDENDO COM NIEMEYER
Pára pra pensar que a arquitetura do Niemeyer é diferente de tudo no mundo. No tempo em que ele começou a trabalhar todo mundo tava pensando numa arquitetura fácil de se reproduzir (industrialização, automação), com prédio retos e quadradões. Ele não: tudo saía redondo, sinuoso, único – impossível de se fazer de novo. Nosso herói (nesse post, haha!) prestava mais atenção nas suas vontades do que na onda arquitetônica do seu momento. Ele tinha mais interesse em olhar pra dentro, pensar na sua própria motivação e, aí sim, construir alguma coisa que fizesse essa motivação interagir com o que tava em volta. Percebe que quase tudo do Niemeyer “conversa” com o lugar em que está, com o chão, com as pedras e árvores do entorno, com o horizonte. Sem ligar pra “moda da época”, mas fiel ao sentimento próprio e levando em consideração o que se vive no momento.

Por conta dessas características o trabalho do velhinho é tão único e tão celebrado. A identidade é tão forte, as obras são tão únicas, que as construções são seus próprios “logotipos” – cada contorno desses podia ser uma marca, não podia? Bom pra gente pensar e aprender que identidade visual a gente acha/confirma assim, olhando pra dentro, colocando pra fora com coerência e interagindo com o que a gente tem em volta da gente. Se deu certo pro Niemeyer, tá mais fácil ainda de dar certo pra gente… em escala menor, em exercício mais frequente, com menos pressão e mais alegria. Eu acho! ;-)
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Comentários
9 comentários para "APRENDENDO COM NIEMEYER"
daniele disse:
02 de 12 de 2009 às 21:34Niemeyer sempre foi genial por ser diferente. Os projetos dele não precisam nem de assinatura, as próprias curvas já entregam a autoria. E isso o velhinho ensina mesmo: quem apenas segue tendências não consegue criar sua identidade nunca (e isso serve pra tudo, não só pra moda!).
Admiro muito pessoas assim, que conseguem criar algo que funciona no seu próprio tempo e no futuro – porque não fica datado, tem personalidade!
Giselle disse:
03 de 12 de 2009 às 01:38Niemeyer é um gênio. Arrisco dizer que é um dos poucos gênios brasileiros reconhecido mundialmente. A arquitetura dele é carregada de identidade. Pode-se até dizer que ele usa elementos barrocos e renascentistas, mas com uma linguagem moderna, ou melhor, modernista. É fascinado pela curva, mas também escreve sobre formas puras.
É uma pena que toda essa genialidade em criar formas expressivas não se estenda à criar boa arquitetura. Eu estou graduando em arquitetura, e trabalho na obra de um edifício de sua autoria que está sendo construído. E ainda por cima, moro em Brasília. E digo com todas as letras que é realmente difícil viver nos edifícios do mestre. Apesar de me deslumbrar todos os dias com tanta beleza.
Desculpem a chatisse, mas sabem quando falam da nossa área, a gente se sente no direito de dar muito pitaco! Haha! Adorei muito o post.
Beijos.
Renata Malachias disse:
03 de 12 de 2009 às 09:50Infelizmente, o Niemeyer ensina uma outra lição para nós, também: que a gente precisa sempre se arriscar, sair da zona de conforto, evoluir para não ficar só se repetindo. O deslumbramento de Brasília, a delicadeza da Pampulha, a escala acertada do Hotel de Ouro Preto… agora estão presentes em suas obras como meras repetições de formas. Não existe mais a inventividade, nem a pesquisa formal, nem a procura por uma escala condizente com o entorno. Isso não tira o mérito dele (que é enorme), mas nos ensina do perigo das fórmulas que dão certo: se a gente fica preso a elas, aprisiona nosso próprio talento. :)
Fernanda disse:
19 de 03 de 2010 às 11:47acho pertinente pensar que fórmula também pode ser prisão – não sei se aplicado ao trabalho do arquiteto (sob o meu ponto de vista pessoal e subjetivo!), mas se aplica certamente à nossa relação com moda! ;-)
Clau disse:
03 de 12 de 2009 às 12:48Fernanda,
Sempre gostei das obras dele. Ele consegue ser moderno e ao mesmo tempo “atemporal”. Adorei sua comparação com nossas vidas e atitudes.
Fazer todo dia ser um dia novo é um desafio que vale a pena.
Beijo e sucesso.
Juliana disse:
03 de 12 de 2009 às 16:58Meninas,
minha humilde opinião como arquiteta e moradora de Brasília, é que as obras dele são belas, porém nada confortáveis. Tanto para morar, trabalhar ou estudar, seus prédios são obras de arte…ele pode ser um bom artista plástico, mas um péssimo arquiteto (que deve unir o belo esteticamente ao funcional para aqueles que irão usufruir de sua obra). Acho que com moda é bem isso também.
Bjos
Renata Malachias disse:
03 de 12 de 2009 às 20:11Fe, e você que curte arquitetura, sabia que o Le Corbusier criou uma série de poltronas que tinha masculina e feminina justamente para se adaptar às vestimentas dos gêneros?
Olha aqui: http://renatamalachias.wordpress.com/2009/05/08/poltrona-feminina/
Beijo!
Carolina Albieri disse:
07 de 12 de 2009 às 11:58Adorei o post.
Sou fã dele assim como de todos que passam sua identidade para suas criação. Costumo comparar o Niemeyer com a Tarsila do Amaral, nos dois casos as obras não precisam de assinatura.
beijos
virginia bartolone miranda disse:
11 de 02 de 2010 às 08:11Niemeyer não é genio ,ousou e criou o que ele sabe fazer de melhor desenhar,executar e arquitetar…genio? não talvez um grande VISIONARIO DO FUTURO…um homem criativo q sai fora do comum e vai além da mesmice!!!O que serve de exemplo p todos….ele ama o que faz e se identica c isso!
Quanto a identidade,é sempre dentro de nós que a encontramos ,o nosso eu ,a nossa assinatura ,a identidade que ficará exposta como unica e singularmente nossa ,vem do nosso interior!bjooo