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Todos os Posts de maio de 2010
OMBRO DE FORA PRA SEDUZIR
Quando a gente pensa num jeito brasileiro de usar a moda, as idéias principais que vem à (nossa) mente são conforto e sensualidade. De vários jeitos né, que nem toda mulher brasileira é igualzinha! O quesito ‘conforto’ tá suprido nessa fórmula com a quantidade de roupas de malha e de tecidos maleáveis que a gente usa por aqui, com modelagem soltinha e tals. O outro quesito, o da sensualidade, fica por conta de comprimentos curtos e de decotes – que a gente faz força pra deixar passar longe da vulgaridade. Pensando assim é muito legal variar, nas modelagens soltinhas, os decotes que com que é possível seduzir!

Se tempos atrás a gente começou a pensar na “fenda de coxa” como alternativa bacana pra micro-comprimentos, o ombro de fora pode super ser a variante menos óbvia do decotón no colo. A gente aqui na Oficina curte bem o ombrinho-aparecido que parece ter sido planejado, que foi pensado como parte importante do look, de propósito e com carinho. Beeem melhor do que a aparência de que a roupa “escorregou” ali sem querer e deixou esse pedaço tão bonito (e sempre magrinho!) de pele à mostra.
(Aliás, camiseta escorregando no ombro, que tem que ser puxada e repuxada to-da-ho-ra por quem usa, pode parecer inconveniente e até um pouquinho piriguete – tipo como se o resto todo pudesse escoorregar facinho-facinho. E né, na melhor das hipóteses dá uma super sensação de desconforto!)
Mais legal do ombro estar à vista, além da coisa do decote não-óbvio, é que não precisa mostrar muito pra seduzir. Como um decote nas costas ou como numa cava mais profunda, blusa que mostra esse pedacinho de corpo pode deixar só o começo do ombro aparecendo – tipo até a curvinha da esquina com o braço, sabe qual? Pra que a atenção se prenda à clavícula e ao pescoço. Quando mostra demais, bem mais que isso, o olhar já começa a procurar cavinha de axila, gordurinha perto do peitinho e aí, a coisa da sedução meio que se perde nessas partes mais ‘vida real’ de qualquer silhueta! Fica a dica. ;-)
CONSELHOS DE MR. LOUBOUTIN (ADAPTADOS!)
Christian Louboutin (que a gente fala “Lubutãn”) é top designer de sapatos – foi ele quem coloriu as solas das suas criações de vermelho, e por causa dele solas vermelhas hoje são super sinônimo de luxo (pra gente os sapatos dele são mais sinônimo de qualidade, preços estratosféricos e muuuita sofisticação!). Pois o Louboutin em si conta nesse vídeo quais os sapatos que ele considera essenciais pra toda mulher, tipo “tem que ter” válido pra todo mundo. Ele acha que todo mundo tem que ter um escarpin, um peep toe e um sapato em tom nude, bem da mesmíssima cor da pele de quem usa. Faz sentido!

Faz sentido mas a gente acha que essa é uma idéia geral, pronta pra ser “customizada” e adaptada pra realidades diferentes. A equivalência super tá valendo: todo mundo pode mesmo ter um sapato fechado, um sapato meio aberto (especialmente em terra tropical!) e um sapato da exata cor da pele. Mas né, cada uma escolhe, nessas categorias, o que tiver mais a ver com quem se é! Tipo um modelo preferido em versão fechada, outro modelo preferido em versão aberta e um terceiro na versão “que desaparece e que assim alonga super as pernas” (palavras de mr. Louboutin!). Vale sapatilha, sandalinha, anabela, assandalhado, rasteira, botinha, até tênis se esse for o caso!
E ainda cabe escolher com cores neutras ou coloridas, com texturas ou couros diferentes, em tons de pele metalizados – tudo depende de quem a gente é, do que a gente tem no armário e da vida que a gente leva. Assim ninguém fica restriton e ainda tem essa fórmula de super abrangência funcionando no guarda-roupa! E o vídeo ainda vale pela simpatia do sapateiro, né? <3
LINKS DE FIM DE SEMANA!
• Essa semana teve Casa de Criadores e a cobertura mais legal da blogolândia ficou por conta dos adoráveis Underaged Heartbreakers – delicados, inteligentes, rápidos e super bem humorados, eles são certeiros no transmitir da informação. O Porcinas fez um apanhadão com os melhores acessórios e a Yasmin, nossa assistente, fez umas fotos bem legais de bastidores – tão num ábum no nosso Flickr, ó lá.

• Dando folga pra sapatilha: o Chata de Galocha tem um post sugerindo variar sapatilhas com sapatinhos masculinos – super equivale, suepr legal!
• O que é sedução pra você?: post ma-ra-vi-djô-so da Ana Clara Garmendia sobre o que seduz de verdade nesse nosso tempo. Pra gente não esquecer e ser sempre assim, ó lá.
• “Ser radical é ser normal”: textinho ótimo do About Fashion sobre uma onda “clássica-calma” que tá rondando a gente (na moda) e que pode bem aparecer no SPFW. Tamos preparadas?
• Melhor notícia da semana!!! Nosso querido Paulo Babboni, top estilista-figurinista e super pensador de moda, voltou à internet com o Blog Voltas. Os textos são cheios de inteligência e emoção, de um jeito que a gente não acha em NENHUM outro endereço nessa internê. Vale o clique, com atenção especial pro post The Island – tratando de alta-costura, de talento, de sincronicidade e de McQueen.
JEITO MÁGICO DE AMARRAR LENÇOS
Esse videozito foi feito num trabalho que a gente fez na 25 de março teeeempos atrás, com uma vendedora da rua mesmo, na “barraquinha” dela. A mocinha tava fazendo essa demonstração pros possíveis compradores dos lenços dela (tipo umas pashminas fininhas) e a gente pediu pra repetir pra câmera! Vale experimentar em casa, nem que seja pela diversão, né? <3
CHANCE PRA CALÇA SARUEL
Por mais que um monte de gente não curta, a calça saruel tá aí há um tempão. E desde que apareceu é um item atualizador de look, sempre dá uma “cara de agora” pro visual. A gente concorda que não é uma calça super fácil de usar – mas acredita super que não é impossível e que, quando dá certo, pode render looks bem bons (a gente é fã!). Quem quiser experiementar (ou se aperfeiçoar!) pode sempre ter em mente que calça saruel não é pra definir coxa ou formas ou deixar sexy. Essa é uma modelagem que prioriza conforto e estilo, então questões ligadas à silhueta tem que estar bem resolvidas pra seguir em frente!

Por ter o gancho super baixo essa calça tem mais volume (de tecido) na parte de baixo do tipo físico. Isso significa que saruel (só ela, sozinha) encurta pernocas e aumenta o quadril visualmente. Bom é que a gente não sai de casa só de calça, então usar parte de cima mais clara e mais colorida é sempre compensador, “equilibrador”. E usar parte de cima mais ajustada (próxima do corpo mas sem grudar!) mostra a proporção real de quem tá usando, sem parecer que o corpo tem “forma de saruel”- tipo deixando bem claro que a silhueta maluca (cheiona embaixo) é uma proposta de moda e não uma nova forma humana (haha).

E aí, compensando silhueta, a gente pensa em estilo: se o look é monocromático fica elegante (ainda com a parte de cima mais clara e colorida-viva, mesmo que nos mesmos tons!), se os tecidos são refinados o look vai dexando de ser informal e com complementos sofisticadores de look cabe até saltinho! Daí é dar uma chance pra saruel e começar a experimentar do jeito que for mais confortável pra cada uma – no informal ou no formal, com tudo colorido ou com tudo neutro, com peças-bafo ou tudo basiquinho… e ir provando e se permitindo crescer em estilo e ser mais e mais original. ;-)
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM EMI MAGALHÃES
A gente foi looonge e conseguiu o contato da Emi, modelista que trabalha numa confecção do Bom Retiro, que trabalha nesse meio (fazendo isso) há 12 anos. Ela pediu pra gente não falar da empresa em que trabalha (com medinho!), não quis deixar ter foto no post e só conversou com a gente por telefone porque não tem computador (nem quer ter!). Emi não vive no shopping, não vai a desfiles, não fica de mal de colegas por melindre. Ela prepara moldes pra roupas que vão ser confeccionadas na fábrica em que trabalha, procurando ser tão fiel ao desenho ou à amostra que a estilista entrega pra ela – e pronto. Foca na execução do seu trabalho, fica feliz quando vê que alguém tá usando aquilo que ela ajudou a produzir. Acha que todo mundo tem que compartilhar o que sabe. Uma fofura sem fim, veja só. <3

COMO COMEÇOU?
Comecei trabalhando numa confecção com 18 anos. Já sabia costurar, aprendi brincando ainda quando criança na casa da minha mãe. Mas somente há mais ou menos 12 anos atrás, comecei a trabalhar numa fábrica de jeans. Fazia gabaritos (conjunto de moldes referentes a uma peça) e também fazia os bolsos das calças jeans traçados pelos modelistas da fábrica. Aos poucos, fui aprendendo a como fazer moldes para diferentes peças e acabei saindo de lá já sabendo modelar, indo para outra empresa e aprendendo mais ainda na prática.
O QUE ESTUDOU E O QUE CONSIDERA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Fiz um curso de modelagem na Promoda logo depois que fui para a segunda empresa. Lá, eles ensinam a tirar a modelagem, mas o curso não é suficiente, precisa ter muita prática e aprender muito mais. O mais importante mesmo é aprender a tirar a modelagem e praticar para aprender a tirar cada vez mais modelos novos.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA “DAR CERTO” (FINANCEIRAMENTE)?
Sinceramente, ainda não deu, pois na empresa que trabalhava anteriormente eu não tinha carteira assinada. E somente com mais ou menos 5 anos de carteira assinada que já se ganha um valor maior no currículo. Demora muito tempo, pois o mercado exige tempo de experiência para que o profissional desse ramo seja realmente valorizado.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
O que mais amo é todo dia ter um modelo novo para tirar. Como trabalho com peças que normalmente representam “a moda do momento”, gosto muito de ver pronto aquele modelo que eu tirei.
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Quando não consigo tirar a modelagem certa e a peça fica encostada.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, PRA QUEM QUER SE AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Gosto muito de dividir o que sei com as pessoas. Se preciso ensinar algo a alguém, mesmo que seja um colega de trabalho, tenho prazer em dividir. Acredito que as coisas só se aprendem na prática, porque cada um faz do seu jeito, talvez melhor. Acho que o mais importante é aprender a compartilhar o que se sabe.
CAPINHAS DE CHUVA, MESMO SEM MOLHAR
Na semana passada, fazendo looks pra uma cliente, a gente achou que podia inserir o trench coat dela não só como proteção de chuva, mas também como terceira peça levinha – que acrescenta um charminho à qualquer produção. E daí veio a idéia de que aqui em SP, ou em Belém do Pará ou em qualquer lugar que ameace chover todo dia um pouquinho (haha) capinhas legais podem ser investimentos válidos. Vale ter design – a gente já viu capas de chuva feitas pelo Alexandre Herchcovitch e pela Osklen! -, vale ter cor – como nessa verdinha aqui embaixo, da American Apparel, que a revista TPM publicou esse mês -, vale usar até em tempo seco (plástico e materiais impermeáveis protegem do vento também, né). E nem precisa fazer look inteiro com cara de chuva, pensar em idéias opostas coordenadas num mesmo visual super funciona com essas capinhas – imagina que legal com saias, com vestidinhos, com sandalinhas… né? ;-)

Mais de looks pra chuva!
Chuva não atrapalha look bom!
História do trench coat
Como usar calças com as barras dobradas
Galochas: bota pra molhar
LOGOMARCAS COMO ESTAMPINHAS
Diz nesse texto que as duas últimas Vogues Paris mostraram logotipos de mil jeitos, e que isso pode indicar uma “volta da logomania” que a gente viu acontecer na moda dos anos 80 pros 90 – faz algum sentido, já que tem um certo minimalismo mostrando caras (aqui e aqui) que também vem da década de 90, né? Por mais que a gente torça o nariz pra esses monogramas eles representam o que há de mais clássico em qualquer marca, desde Louis Vuitton até Victor Hugo (especialmente nessas marcas mais clássicas, né? lembra da diferença entre ‘it bags’ e ‘hit bags’?). E olha, tem jeito legal de usar, vê só.

Se a gente olha com carinho, os monogramas e letrinhas-iniciais de cada marca meio que se fundem e quase parecem padronagens, com tamanhos e cores e formas diferentes – quando a gente conhece a história de cada marca, então, até dá pra sentir amor. Tem super como inserir essas telas como estampas na coordenação de looks que se faz! Vê só que tem loguinhos mais arredondados e outros mais quadrados (quase-quase um xadrez!), tem mais claros e mais escuros, mais coloridos e mais neutros, mais espaçados e mais próximos. Isso tudo é elemento pra se coordenar com a calça, com a blusa, com o conjunto de tudo, com as cores e formas dos outros acessórios.
E ainda é legal coordenar a própria estampa-monogramada com outros elementos: vale amarrar lenços na alça pra complementar formas, pra equilibrar cores, pra dar um toque de interessância no que tiver uito neutro ou classicão demais. É só perder o preconceito (se tiver né, a gente não tem!) e experimentar. ;-)
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM KATIA FRIDRICH
Nossa série de confissões profissionais de gente da moda continua agora com a categoria… personal stylist! A Katia Fridrich é nossa colega de trabalho mais próxima e também a mais admirada. Ela trabalha MUITO, muito mesmo, e atende muuuitos meninos – é quase especializada em moda masculina! – então pode falar super bem sobre a nossa profissão! Mais legal da entrevista dela (quando a gente “compara” com as outras respondidas aqui no blog) é que dá pra perceber como quem trabalha com estilo de gente-como-a-gente fica mais distante do ‘mundinho da moda’, e assim mais distraída da parte que todo mundo reclama – a das fofoquinhas, do nariz em pé, do ego, sabe? A gente percebeu isso na hora em que ela responde que a parte que menos curte é um detalhe do próprio ofício, independente de quem tá em volta ou de qualquer outra coisa!

COMO VOCÊ COMEÇOU?
Eu fui fazer um curso no Senac sobre imagem pessoal e me apaixonei pelo assunto na primeira aula. Foi tipo amor a primeira vista! Aí comecei a fazer algumas consultorias para amigas, depois para as amigas das amigas e por aí foi!!!
O QUE ESTUDOU E O QUE ACHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Eu me formei em Administração e Marketing. Fiz vários cursos de moda, história da moda, história da arte, consultoria de imagem, colorismo e vários outros. Como não existe uma faculdade para ser personal stylist, acho que a gente tem que fazer a nossa própria formação. E eu procurei fazer isso e continuo sempre fazendo… Todo ano estou fazendo cursos novos (ligados direta e indiretamente a minha profissão), estudando, pesquisando, frequentando palestras, etc. É como médico, a gente tem que estar sempre se atualizando. Hoje em dia, depois de 6 anos nesta área, acho que é muito bacana fazer um curso de psicologia porque a gente lida mais com pessoas do que com roupa.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA ‘DAR CERTO’ (FINANCEIRAMENTE)?
De 2 a 3 anos.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
Amo meu trabalho. Adoro tudo, mais o que mais amo é a parte da montagem dos looks, é a parte em queliç posso exercer a minha criatividade. Atualmente estou amando dar palestras! Falar sobre esta profissão e todos os assuntos que eu adoro!
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
A parte do colorismo é a que menos gosto.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE
AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
O que posso dizer é que não é nada fácil, mas se você ama o que faz, você faz com prazer, e isso é tudo na vida! É uma profissão bem solitária, por isso temos que ser muito fortes e perseverantes! Ouvi uma frase outro dia que está me guiando muito atualmente, tanto no trabalho quanto na vida: “Dê prazer a si mesmo, e se isso for verdadeiro, os outros vão ter prazer também.”
COLARZÃO + FORMAS + TEXTURAS
Veja bem que na foto a mãe da Serena (da série-fashionista Gossip Girl) tá usando um colarzão sobre uma blusa toda pregueada com uma terceira peça em tricô com a textura canelada da golona. Se não tivesse a imagem e a gente ouvisse essa descrição, a cara feia e a não-aprovação iam ser instantâneas, e essa é a prova de que a gente é OBRIGADA a experimentar toda idéia de estilo que tiver vontade de fazer acontecer na prática. A mãe da Serena foi esperta de coordenar tudo que queria usar nos mesmos tons – monocromáticos são sempre elegantes, especialmente em tons claros! – e de acompanhar sua experiência com cabelos e maquiagem super ótimos. Pra gente ver que nada é impossível nessa vida (fashion), e que com jeitinho e carinho a gente é sempre feliz – e mais original! – em frente ao espelho. ;-)











