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Todos os Posts de julho de 2010

COURO E CAMURÇA EM HI-LO

Das coisas que a gente viu mil vezes e de muitos jeitos diferentes nos últimos desfiles de Fashion Rio e SPFW (e que não necessariamente são novos – a gente pode até ter no armário! – mas que são legais de usar agora!): tecidos/materiais com aparência de camurça e (menos) de couro… em coleções de verão. Preconceito zero com o material, uhúúú!

Em peças pequenas, tipo short sainha colete blusa ou jaquetinha curta, esses materiais mais espessos e estruturados são ótima base pra coordenar com tecidos leves e fluidos. Pensa: na onda de hi-lo, de mesclar opostos e de acrescentar personalidade ao visual com coordenações “fora do padrão”, essas misturas de leve-e-pesado podem sempre render criatividade. Vale com algodão leve, com seda, com jeans molinho, com moletom fino. A estória não precisa ser só entre roupa e roupa, vale também entre roupa e acessórios, viu?

Mais: a camurça e o couro mais feminino, né? Se o couro é lustroso, a camurça tem esse toque meio aveludado, que convida a passar a mão (proximidade feelings). Se o couro é super duro (mesmo quando é molinho ele ainda tem aparência de duro!), a camurça cai molenga, com folguinhas de material leve. Mais fácil ainda de se aproximar de outros tecidos femininos, mesmo com contrastes. ;-)

Tags: , , 06.07.2010 - 00:04 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 4 Comentários

ENTRE A GENTE E O MEIO

Um dia, no verão de 1956, Flávio de Carvalho fez sua ‘experiência nº 3′: esse pintor/escultor/arquiteto resolveu não só pensar num look apropriado pros caras de então e promover a idéia pela cidade, ele mesmo vestindo a experiência. Então avisou a imprensa e saiu vestindo saia plissada, sandália baixa e camisa pelas ruas de SP. NA DÉCADA DE 50.

Pode parecer doideira mas Flávio de Carvalho se dedicou a estudar trajes de várias épocas e civilizações, pensou nas funções de cada peça de roupa nas épocas em que elas foram usadas, focou em anatomia do corpo, em conforto, praticidade e sentido de uso na sociedade. A roupa “proposta” tinha a ver com quem usava, com sua cultura, com o clima, com a economia, com tudo em volta.”Fala de identidade, integração e pertencimento a um local através de um elemento que, diariamente, se situa entre nós e o meio: a roupa que vestimos. Fala da negação ou da afirmação de uma identidade local, de um homem permeável e atento ao meio onde vive”. (daqui)

((melhor parte do esquema: “cores vivas substituem desejos de agressão e tendem a evitar guerras”!!! clica pra ver grande e ler tudo!))

Isso de negação ou afirmação de identidade local, de atenção ao meio em que se vive, e de levar em conta anatomia (alô silhuetas!), conforto e praticidade pode bem ser fórmula pra gente decidir, em casa e todo dia, o que vai vestir… não pode? Meio como integrar o cotidiano nas características do que se veste, pra re-afirmar quem a gente é. E então a gente encontrar o sentido do que a gente veste e fazer nossas próprias performances, sem precisar chocar mas com coerência de artista multi-disciplinar. Não sei vocês, mas eu vou tentar exercitar. Haha. ;-)

Tags: , , , , 05.07.2010 - 12:22 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 19 Comentários

POR CORES-COLORIDAS O ANO TODO

A gente é o país do carnaval, de muitos jeitos: em forma de carro alegórico, em forma de trio elétrico, em forma de frevo, em forma de bloco de rua. Não só isso – a gente é o país que tem a floresta mais famosa do planeta, cheia de cores e flores e frutas e animais. E a gente tem o maracanã verdinho, praias amarelas e azuis, morros super marrons e cinzas, tudo tão colorido, com tanta cor diferente! Essa colorice toda enche os olhos da gente em tempo de copa do mundo, quando todo mundo se cobre de verde-e-amarelo sem pudor pelas ruas. É ou não é?

Quando a gente diz que tudo que a gente veste comunica quem a gente é, pode parecer complicado – eu achava muito complicado tempos atrás e muitas vezes ainda acho. Tem elementos que dizem mais ou menos sobre extremos de personalidade, tipo dão mais pistas sobre quem escolheu usar cada um. Gente mais extrovertida ou mais tímida, gente mais romântica ou mais sexy, gente mais criativa ou mais tradicional. E de tudo que diz pra gente, numa roupa, alguma coisa sobre quem veste esse roupa, a cor é a mais importante. E a mais fácil de ser entendida.

Então, se a gente nasceu/cresceu com taaanta cor em volta, natural seria que a gente se colorisse o ano todo – pra celebrar tanta exuberância em volta da gente.  Não só de verde e amarelo (muito copa-do-mundo mesmo, eu concordo!) mas com todo tipo de corodenação de cores. Tipo torcendo mesmo sem a camisa da seleção, externando brasilidade através dos looks mais coloridos de todos. Torcida por um dia-a-dia mais animado, todo dia e não só de quatro em quatro anos.

Tags: , 02.07.2010 - 00:01 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 16 Comentários

A “LINGERINIZAÇÃO” DA PRAIA (E DA VIDA)

Os significados que o dicionário dá pra ‘íntimo’ são: muito de dentro, profundo; da alma, do coração; doméstico, familiar; vestido diretamente sobre a pele, sob outra roupa: roupa íntima. Ou seja, nem o Aurélio consegue desligar a intimidade da roupa que a gente veste!

A gente tá vivendo um momento de muita intimidade com as outras pessoas – por conta dos blogs pessoais, de reality shows e dos twitters da vida, é normal a gente saber quando alguém tá passeando com o cachorro, ver alguém tomar banho, saber o que esse alguém pensa sobre a manchete do jornal do dia. Mesmo que a gente se relacione cada vez menos com as pessoas no “plano material†(ainda que a gente sinta por aqui um contra-movimento) – a gente tá cada vez mais íntimo no “plano digitalâ€. Não é?

E aí, se moda é refelexo de comportamento, se é materialização de como a gente está pensando/sentindo/agindo num determinado momento, faz todo sentido pensar nessa “lingerinização” da moda. Quando a roupa íntima se revela, o que deveria estar por baixo, escondidinho, escapa ou acaba vindo à superfície – desde 2008 as passarelas tão mostrando coleções cheias de transparências, rendas, alças de sutiã e modelagens de sutiãs rendendo outras peças. A referência mais fresca – e a que mais tá impressionando a gente aqui, pro bem! – é a lingerinização da moda praia que a gente já viu/vai ver pro verão que já já vem. Se essas referências todas já tão quase banalizadas na roupa de todo dia, nos biquínis e maiôs elas aparecem espertamente pra supreender com uma imagem super feminina… e elegante! (Mesmo pra praia, não é demais?)

“Lingerie aparente” pode inspirar alguma vulgaridade, mas quando biquínis se apropriam de tecidos lustrosos (pensa em lycra) e cores neutras/tons de pele (todo mundo tem que ter conjuntinhos “básicos” na gaveta de calcinhas e sutiãs, né?), o resultado é bem sofisticado – tá vendo aqui em cima nas fotos de Adriana Degreas e Rosa Chá? E se, nesses mini-micro pedacinhos de tecido, a inteligência fashion dos estilistas consegue inserir vazados, recortes, transparências estratégicas, drapeados e bojos e corsets e estruturas… essa inteligência passa a ser atributo também de quem escolhe usar. Ó que bom: imagem bonita com estória sobre o espírito do tempo – boa de contar vendo as fotos no futuro!

Tags: , , 01.07.2010 - 00:23 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 12 Comentários
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