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Todos os Posts de fevereiro de 2011
ORDEM DE PREOCUPAÇÃO NA COSTUREIRA
Época de Oscar é propÃcia pra escolher referências do que fazer com costureiras e (no nosso caso!) figurinistas, né. Vale fazer parte de cima de um vestido e parte de baixo de outro, vale mudar a manga, arrumar comprimento, aplicar bordados, abrir/fechar decotes e mais. A gente tem a referência e começa a pensar no tanto que vai arrasar na festa, mas tudo que rola antes é essencial pro sucesso do look!

A gente ensina isso pras clientes quando pensa um look junto assim, desde antes de “nascer”, e acha que vale dividir com geral – essa deveria ser a ordem obrigatória em que cada detalhe do look de festa é decidido:
TECIDO
Não adianta escolher o vestido mais glamouroso do mundo (e comprar brinco e pensar na maquiagem e escolher a bolsa e tals) se o tecido de que ele é feito não for bacana. O material que confecciona qualquer roupa de festa é o que determina (de-ter-mi-na) sofisticação – sabe vestidón com cara de loja de aluguel? Vale investir no melhor tecido, na fibra mais natural (alô sedas) ou na melhor sintética que puder (quanto mais mistura com fibras naturais, melhor). Essa é a base da elegância que qualquer festa de usar vestidón demanda da gente.
CAIMENTOS
Daà que uma coisa tá ligada à outra: o tecido tem que funcionar no caimento, o caimento tem que acontecer no tecido escolhido. Gordurinha de costas não precisa aparecer, meia-calça por baixo da roupa não precisa marcar, alça não precisa dividir a carne – sabe essas coisas?  É essa a hora de avaliar o próprio tipo fÃsico e pensar se o vestido pode ser mais soltinho embaixo ou em cima, se precisa de mangas, se tem decote, se marca a cintura (mais pra cima ou mais pra baixo), etc etc etc.
DETALHES
Só com material e forma definidos é que a gente começa a pensar nos detalhes extra do look-festa – na prática á tããão mais corriqueiro a gente começar por aÃ… e então o resultado não dar tão certo. Veja: se a gente já sabe de que o vestido é feito e como ele vai “cair” sobre a silhueta, fica fácil pensar em brilhos, bordados, drapeados, nesgas, amarrações, aplicações e mais.
ACESSÓRIOS
Acessório = complemento. Tá tudo pronto? Ok então pra pensar em brincos, colar, pulseiras, adereços de cabelo (tão legais e tão pouco usados não gente?), sandálias/sapatos e bolsinha. Toques finais pra uma preparação que pode garantir noites deliciosas, com energia, originalidade e elogios!
O jeito brasileiro de “copiar” roupa
A Revista Manequim é a primeira publicação de moda no Brasil e está nas bancas desde 1959! Desde então, muita coisa mudou no mercado de moda brasileiro e pegar uma foto da estrela da novela e levar na costureira já não é nosso primeiro reflexo quando queremos atualizar o guarda-roupa. Mesmo assim, é maravilhoso que a banca ainda esteja repleta de revistas de molde. Nós achamos que a Manequim é uma revista na qual todo mundo deve ficar de olho por vários motivos:

1) Tem uma sessão fixa com dicas e roupas para gordinhas;
2) Sempre fala do tipo fÃsico que se adequa a cada roupa;
3) Incentiva a costumização, a relação com uma costureira ou com nossa máquina de costura (no caso das privilegiadas que sabem operar uma!);
4) Sem a distração das marcas, mandar fazer uma roupa te ajuda a focar naquilo que realmente garante a qualidade de uma peça: material e acabamento.
Na entrevista que deu ao Roda Vida, Ronaldo Fraga disse uma coisa super legal: ele disse que brasileiro é original até quando copia. Segundo Ronaldo, nosso pessoal pode até ir na costureira querendo um vestido “igual†ao da celebridade, mas chega lá querendo mudar a cor, a gola e o comprimento. Ou seja: não é igual coisa nenhuma!
Nós folheamos a Manequim de fevereiro – que está nas bancas agora mesmo – e exercitamos esse “jeito brasileiro de copiar†com quatro modelos que estão na revista. Todas as peças escolhidas têm molde na edição 620 da Manequim.
Primeiro, escolhemos um chapéu e decidimos que irÃamos trocar o tecido creme por um de oncinha! Já o macacão branco de malha, farÃamos em jeans molinho, com uma cara de anos 70. A terceira peça escolhida foi a blusa de seda rosê, que nós mudarÃamos para laranja e usarÃamos por baixo do macacão e com o chapéu! Já a saia em A que aparece na revista numa versão listrada, nós farÃamos em paetê.
Gostaram das alterações? A Dona Francisca, costureira oficial da Oficina, fez um orçamento de quanto custaria mandar fazer essas peças com as nossas alterações: ela cobraria R$ 50 pelo chapéu, R$ 120 pelo macacão, R$ 100 pela blusa e R$ 200 pela saia. Os orçamentos não incluem o custo dos tecidos.
Quem quiser encontrar ou indicar uma costureira, pode dar uma olhada na nossa agenda colaborativa!
QUEBRANDO PARADIGMAS
No dicionário a palavra ‘paradigma’ quer dizer “padrão que serve como modelo a ser imitado ou seguido”, e a gente sabe que qualquer moda depende desses paradigmas pra pegar. Tipo alguém usa, outra também, vira um “modelo a ser imitado” atrás de uma imagem tão bacana quanto a que se vê e assim a coisa evolui… até a gente enjoar e arrumar um outro modelo.
Fórmula boa então pra enjoar menos e se divertir mais seria a de ‘quebrar paradigmas’. Estabelecer outros padrões (a partir do que a gente mesma usa), experimentar a possibilidade de ser modelo a ser seguida e não só seguidora. Porque né gente, qual a multa que a gente paga se fizer diferente? Que lei a gente infringe se resolver que o que é “estabelecido” pode não ser o mais legal? Hein? HEIN? :)

E aà se a gente resolvesse usar look todo claro no frio, mesmo que todo mundo ache que frio tem mais a ver com preto e com tons escuros?

E daà geral começa a incrementar os looks de todo dia – de usar de dia! – com uns brilhos aqui e ali, só porque É PERMITIDO?!??

E se naquela festona em que todo mundo vai estar de vestido longo a gente vai de pernocas de fora?

Mais: e se a gente coordena acessórios pesadões com os looks mais leves que a gente tem, só pra contrariar qualquer teoria de peso visual?

E se a maquiagem da gente traz um pouquinho de cor pra todo dia – nem que seja no piscar dos olhos com pálebras animadas e lábios que rendem sorrisos tanto quanto sorriem?!?? :)
BOQUINHAS COM ALGO A DIZER!
Imagina que na década de 20 um grupo de jovens começou a pensar junto que o mundo não era um lugar tão legal (teve uma super guerra tempos antes né) e que as coisas precisavam mudar. Esses jovens, por acaso, eram artistas talentosos que olharam pra arte do seu tempo com olhar crÃtico e com vontade de pensar (além de só sentir): a arte como era feita até então não servia mais pra eles – deu vontade de fazer diferente, de fugir da “normalidade”, de ser esquisito de propósito pra assim, chacoalhar a realidade… possivelmente com um olhar novo que rendesse também hábitos e pensamentos novos. Idealistas, né?

Acontece que eles não ficaram no idealismo, foram lá e fizeram do jeito deles. “Eles” eram Marcel Duchamp, Salvador Dali, Joan Miró e até Frida Kahlo, e esse “chacoalhão” que eles quiseram dar na galera através da sua arte ficou conhecido como surrealismo – tá bom pra você? E aà que nessa de ‘fugir da normalidade’, eles curtiam bem mostrar o corpo humano em pedaços e não bonitinho, inteirinho. E misturavam sombras e figuras nada a ver e nuvens e o que mais pudesse remeter a sonho, a fantasia, a não-realidade, ao não-conformismo. Tinha um fotógrafo nesse grupo de jovens artistas, chamado Man Ray, e ele curtia bocas: tinha contraste nas fotografias dele de modo a ressaltar lábios, tinha repetição desse padrão, tinha colagem com lábios gigantes e mais.

A gente não tem notÃcia do que aconteceu entre os anos 20 e a década de 90 em relação à bocas na moda – mas em 1999 a Prada fez uma coleção com estampa de boquinhas que já tinha uma vibração surrealista: em saias plissadas (quase austeras) as boquinhas inevitavelmente faziam sorrir. Desde então teve boquinhas no YSL, no McQueen, na Lulu Guinness, no Louboutin, no Marc Jacobs e até na H&M! Mais pertinho da gente (e mais ‘agora’) o Reinaldo Lourenço também desfilou sua versão de estampa de lábios – que provavelmente vai render umas camisetinhas fofas (e compráveis!!!) nas araras das lojas. Na sequência essa estilista Holly Fulton também mostrou boquinhas em seu desfile na semana de moda de Londres.

Talvez essa seja uma boa hora pra não se conformar só com listras, xadrezes e florais nos looks que a gente coordenar. Talvez a gente possa extrapolar o “normal” de todo dia e abraçar diferenças nessa idéia – a de que mudar de direção pode render outros caminhos legais, chacoalhar tudo em volta, pro bem!
DESCULPA PRA USAR TRENCH-COAT
Ter chuva todo dia na cidade em que se mora (alô SP) tem lá suas vantagens – descupa boa pra compor looks com trench-coats sem parecer glamourosa demais, fora de lugar demais. E que quantidade de variações do trench que a gente vê hoje nas vitrines! Vale fazer looks de verão mesmo, de calor, usando o trench como terceira peça – nem que seja só pra chegar e depois pra ir embora (charminho feelings). Vale também usar comprimentos curtinhos por baixo da capinha, lembrando de coordenar alturas de dentro e de fora com pouca diferença entre elas: o casaco fica uns 4 ou 5 dedinhos acima ou abaixo da barra do que se usa por dentro. Vale trench coat mais curtinho, ou com mangas 3/4 (ou puxadinhas pra cima!), vale encontrar golas diferentes e mais. Função que equilibra o fator-glamourizante da peça: liberdade pra usar como se fosse super natural (e não é?). ;-)

BROCHE SOBRE TEXTURA
Por que não né gente? Se deu certo pra Emma em Glee (quem não ama?!??), pode dar certo pra gente na vida real também. Direção boa pra experimentar pode ser coordenar opostos: se a textura é grande, o broche pode ser pequeno (e estar bem no meião da textura – como na referência –  ou num ladinho); se a textura tem uma cor clara, o broche pode ser escuro; se a textura é arredondada, o broche pode ser mais angular… e a partir dessas idéias é possÃvel até fazer o oposto e coordenar semelhanças. Válido tentar, divertido de usar, não?

GLORIA COELHO NO MUSEU
Foi inaugurada no Museu da Casa Brasileira (aqui em SP) a exposição “Linha do Tempo”, que reconta em 60 peças a trajetória de Gloria Coelho, uma das estilistas mais respeitadas e renomadas do Brasil.

Logo no inÃcio dos looks expostos – todos organizados por coleção numa linha do tempo, exatamente como o nome dado a exposição – a gente já se depara com as peças da (super ótima) coleção “Pokémon”, que foi apresentada na última edição de SPFW. A partir daà se seguem vários outros exemplos de coleções que vão até 1996, e acaba se tornando impossÃvel não fazer um apanhado geral do trabalho da estilista, percebendo bem sua identidade. Dá pra notar que a Gloria ama preto, branco e tons mais neutros desde sempre, que cores quase não aparecem na maior parte do seu trabalho, que ela curte trabalhar em texturas desde o inÃcio de sua carreira, etc.
A gente também consegue perceber o quanto esse trabalho é minucioso, constante e linear, mas é visÃvel que existe uma fase mais sombria, outra fase mais futurista – inclusive, as últimas coleções da Gloria fazem parte desse “futurismo”.

O mais legal mesmo em ver de pertinho peças tão bem feitas, e tão bem construÃdas, é tentar descobrir como a estilista conseguiu aquele tal volume, perceber que algumas coisas foram feitas quase que à mão pro acabamento ser melhor, que pra tal peça ter aquele tal caimento foi necessário isso ou aquilo – e se dar conta do quanto a Gloria merece essa homenagem, por um histórico de trabalho tão bem feito e que exprime tanta dedicação.
Quem se interessar em visitar a exposição – a gente recomenda! – pode aparecer no Museu da Casa Brasileira, na Av. Faria Lima, 2705, São Paulo, de terça a domingo, das 10h à s 18h. A entrada custa só R$ 4,00 (R$ 2,00 pra estudante) mas em domingos e feriados a entrada é gratuita. É de impressionar ver tanto carinho e trabalho pela moda e tão de perto, vale a visita!
ROUPA DESDE A IDÉIA
Há algumas semanas a gente recebeu um convite pra uma festa com dresscode black-tie. Como quase todo mundo, a gente não tem no armário nada já pronto/preparado pra vestir numa ocasião em que o dresscode é quase de tapete vermelho – além de não ter tanto tempo (a gente se preocupou com o que vestir duas semanas antes da festa) e de não querer gastar dinheiro. A conta é assim: se a gente tem uma festona em black-tie pra ir só uma vez por ano (quando muito!), por que gastar com esse look mais do que a gente gasta com o que usa todo dia?

Aconteceu então da gente lembrar do Paulo Babboni, figurinista/modelista/costureiro/artista dos mais finos, com quem a gente trabalhou tempos atrás quando cuidou de uma cantora. O Paulo é como um carnavalesco: faz materiais super simples (e baratos!) parecerem o maior luxo que já se viu – caracterÃstica que tá ligada ao conhecimento de moda que ele tem (quanta referência!!!) e ao bom gosto ligado à sofisticação, ao que é refinado. Paulo sabe das coisas. Marcamos um café, mostramos referências do que a gente gostava, ele deu idéias, rascunhou modelos, a gente imaginou junto como seriam tecidos, acabamentos, que acessórios acompanhariam e então a ação começou.

Dois dias depois de trocar referências por desenhos e idéias, a gente foi junto com o Paulo até a rua 25 de Março procurar tecidos. A idéia da Cris era cor forte em tecido pesado e a minha era tecido leve em superfÃcie super brilhosa. Na mesma loja encontramos os dois: a Cris comprou um crepe super chique no azul que tinha imaginado desde o inÃcio dessa nossa brincadeira, eu encontrei uma musseline toda coberta de paétes num tom de dourado-marrom-claro – conselho do Paulo, que sabia o que deixaria o look mais arrumadão. Os tecidos foram embora com o nosso Jacques Laclair particular (!!!) e cinco dias depois lá foram as meninas da Oficina pra primeira prova de roupa. O Paulo entendeu de primeira e traduziu as nossas vontades em vestidos dos (nossos) sonhos: simples, originais, com a nossa cara e super “ricos”! E a gente já tava tão bacana!

Outra prova ainda foi feita, pra conferir os ajustes feitos na primeira prova. O cronograma foi bem assim: na segunda-feira a gente se encontrou, na quarta a gente foi comprar tecidos, na outra segunda a gente provou, na quinta a gente provou de novo e no sábado os vestidos tavam em casa. Numa caixa linda, com carinho e atenção exclusivamente dedicados a gente, desde a idéia no papel! Os dois vestidos juntos custaram uma fração do que custaria qualquer um pronto (no mesmo nÃvel de lindeza que os nossos) e olha, não tinha ninguém tão diferente e tão bacana quanto a gente na festa!!!
O fantasma da peça nunca usada
Uma das primeiras tarefas que nós fazemos com as clientes é analisar o que tem no guarda-roupa e não é usado. Nessa etapa, aparecem cobras e lagartos. A parte que causa mais frustração é tirar as peças que nunca usamos, que estão ali paradas com etiqueta e tudo há séculos.

Reconhecer que fizemos uma má compra – pior, várias más compras – é terrÃvel. Envolve assumir que somos consumistas, que não nos conhecemos tão bem assim, que desperdiçamos nosso dinheiro e somos impulsivas. Geralmente preferimos pensar que se “não temos roupa†isso é culpa da falta de dinheiro, mas lá estão as peças sem uso para depor contra a gente! A peça nunca usada é o novo bicho-papão que se esconde no armário!
Diante de uma peça intocada, o impulso mais recorrente é deixá-la apodrecer no armário e fingir que um dia vamos resgatá-la. Essa é justamente a atitude que nós tentamos evitar!. Uma peça parada atravanca o guarda-roupa, toma espaço e não nos deixa ver outra que podia ser usada. Algumas clientes brincam na hora da limpeza chamando a Cris de Capitão Nascimento do tanto de peça que pede pra sair durante o processo de arrumação do armário!
Todo mundo sabe que guarda verdadeiras fortunas mal gastas no guarda-roupas, mas ficamos ainda mais passadas quando vimos essa pesquisa dizendo que, em média, cada mulher britânica tem 285 libras (cerca de R$ 755) em roupas que nunca usaram – o equivalente a 22 peças de roupa desperdiçadas. Juntas, as mulheres do Reino Unido têm cerca de 1,6 bilhão de libras (R$ 4,2 bilhões) e 500 milhões de itens sem uso. Pensa em tudo que dá para fazer com esse valor!
Nessa época de liquidações e queimas totais a gente precisa ficar duplamente atenta para não queimar é o nosso dinheiro, já que 45% das mulheres ouvidas atribuem às liquidações a culpa por todo esse dinheiro desperdiçado.
Um exercÃcio doloroso que a gente queria propor hoje é: vamos encarar o armário e fazer as contas de quanto dinheiro temos lá dentro em roupas pouco ou nada usadas? Será que esse valor não faria toda a diferença gasto da forma correta? Será que não dava para comprar com folga tudo que você vem precisando há tempos?
SAPATINHOS EXIBIDOS
Pras prendadas (e pra quem amar suficiente pra largar a inércia de lado e exercitar o “mãos à obra”!): imagina exibir sapatos em cristaleiras divertidas, em sancas de gesso originais (essas são as de teto, sabe? só que instaladas ao longo da parede) e em escadas antiguinhas/rústicas – tudo bem organizadinho, fácil de visualizar pra coordenar com os looks mais legais!!! Deu vontade de ter em casa, no quarto, pra animar a decoração e inspirar projetos criativos assim… também no vestir!











