SER INDIE NO BR (NÃO É FÁCIL!)

Já reparou que sempre que surge uma modinha de grupo fora do país – tipo boho, emo, hispter, qualquer coisa que seja bem marcada como moda de grupinho – isso fica mais difícil de identificar no Brasil? Por aqui, emo parece hispter, boho parece mendiguismo e todo mundo termina dando um abraço fraternal na C&A.

Na nossa opinião, isso acontece por muitos motivos – brasileiro gosta de sincretismo entre estilos mesmo quando tenta ser caricato -, mas sobretudo porque nós não tempos a mesma variedade de lojas, marcas e fornecedores que os gringos têm.

Apague da sua cabeça pessoas que viajam para o exterior todo ano e fazem suas compras por lá. Apague também endinheirados em geral. Agora foque sua atenção nos jovens – justamente quem costuma aderir a modas de grupo, já que adulto não anda em bandos. O jovem brasileiro que se identifica com a estética hipster compra nas mesmas lojas que o adolescente emo, que compra nas mesmas lojas que a menina influenciada pelo romantismo a la foto do Tumblr.

Toda essa rapaziada diferente, que se sente e quer ser diferente, tem acesso às mesmas peças e depende muito da própria criatividade para se distanciar uns dos outros.

Um dos caminhos diante desse fato é sentar no primeiro meio-fio que aparecer e chorar nossa falta de H&M, de Urban Outfitters, da variedade de lojas baratas que os gringos possuem a mais que a gente. O outro caminho é perceber que a nossa pobreza de fornecedores incentiva a criatividade nos jeitos de usar, nas combinações diferentes, na customização, na ida até a costureira, no empreendedorismo de fazer a própria lojinha on-line. Será que valorizar isso tudo não é muito mais legal do que ensinar para os adolescentes que o caminho para fazer bonito na porta da escola é um cartão de crédito internacional?

No fim das contas, estilo não se compra e o consumidor brasileiro tem bem menos risco que o gringo de virar caricato, vítima da moda ou qualquer coisa assim. Como já disse Humberto Gessinger: “Em Cuba só há uma marca de xampu, mas somos nós que querermos todos ter o mesmo tipo de cabelo”.

Todas chora e encerra o post com essa referência, meu deus!

Tags: , , 21.11.2011 - 14:05 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 14 Comentários

Comentários

14 comentários para "SER INDIE NO BR (NÃO É FÁCIL!)"

  • Marília disse:

    21 de 11 de 2011 às 15:51

    Hahaha, adorei! O fim do post foi com chave de ouro, amei mesmo!
    Um tapa na cara desses jovens riquinhos que querem falir os pais por conta de roupas de marca, que aqui no BR são todas os oooolhos da cara.
    Beijo!

  • Analice disse:

    21 de 11 de 2011 às 17:01

    Ain nao entendi o q a frase do gessinger teve a ver… Rsss

  • Bárbara disse:

    21 de 11 de 2011 às 20:53

    “Um dos caminhos diante desse fato é sentar no primeiro meio-fio que aparecer e chorar nossa falta de H&M.”
    Disse tudo.

  • Douglas disse:

    22 de 11 de 2011 às 15:16

    Adorei o post. Um tempo atrás tinha pensado nisso e, vale ressaltar, no interior (tipo onde eu vivo), a situação é pior ainda.
    Por aqui, a falta de oferta (e olha que nem é tãoooooo em falta, temos uma lojinha ou outra, no entanto, com preços de boutique) faz as pessoas que resolvem assumir uma “identidade de estilo” diferente usem a mesma coisa. É uma espécie de massificação misturada com não-personalização. Geralmente o pessoal do interior tem medo de ousar e segue um padrão, ficando todo mundo igualzinho, parecendo soldadinho do mesmo exército.
    Enfim, voltando ao post. A questão de o brasileiro dar uma adaptada a esses “tribalismos”, é legal. Porque como uma cliente minha disse uma vez, nem sempre temos a condição de andar no mesmo estilo que o pessoal ‘lá de fora’ anda.

  • Bárbara S. disse:

    22 de 11 de 2011 às 15:40

    Adorei!! E essa é a diversão de se vestir, saber como uma usar e ter criatividade pra isso.. minhas amigas ficam chocadas que pra elas eu sou a que me visto melhor e quando abro a boca pra falar daonde é a roupa elas não acreditam, a uns 2 anos deixei as lojas de marca pra lá e só compro em C&A/Marisa/Renner, aquele amor que é caçar peças legais em loja de departamento..

  • Suelen disse:

    23 de 11 de 2011 às 08:31

    hahahaha Muito bom. Pior que eu queria fácil o cabelo deles hein

  • Vivian de Castro disse:

    26 de 11 de 2011 às 09:50

    Ótimo!
    Vale lembrar que os preços no Brasil são ridículos!
    Morei muitos anos no Japao e lah lojas como Zara, por exemplo, oferecem um excelente preco… na epoca comprei uma calca alfaite por aproximadamente $15… esses dias (pela primeira vez, desde que voltei) visitei a loja aqui no Brasil…. E que susto! Uma “blusinha” R$ 120… e eh o mesmo modelo, tecido de mesma qualidade da que paguei R$ 20 numa loja chamada Lamis….
    Alias, se deseja roupa barata, eu recomendo. A loja eh barata e eh antenada na moda…As vezes pecam um pouco com a qualidade, mas se procurar acha… Alias sempre digo! Adoro comprar roupas “em meio ao caos” … “Garimpo” e encontro o que quero, claro, pagando pouco…Nada de R$ 300 numa peca de roupa!

  • A. disse:

    28 de 11 de 2011 às 11:54

    Gostei! Mais criatividade e menos cartao de credito! Acho que aí, sim, estaremos trilhando um caminho mais condizente com o verdadeiro espírito americano da meritocracia. Obrigada.

  • deveriaestarestudando disse:

    29 de 11 de 2011 às 12:20

    Adorei o post. Sinto falta da H&M e da Topshop e até da primark, mas acho que a desvantagem nos faz ter um esforço maior e com isso desenvolver um estilo mais único.
    Exemplo é que tenho vestido da topshop que a Alexa Chiang tem (não sabia quando comprei), daí todo mundo copia. Já os vestidinhos da C&A e da Emme são mais difícieis de ver igual. Não sei fui clara, mas as peças internacionais uniformizam mais.
    Mas que é uma delícia comprar uma jaquetinha militar na H&M baratinha e depois ver lojas caras copiando no brasil, ah, isso é!
    bjks!
    Mel

  • Gabriela disse:

    30 de 11 de 2011 às 11:17

    Adoro a oficina, nunca comentei aqui, mas com esse post , tenho que dar o parabéns… porque é o primeiro post realista em blog de moda.
    Seria lindo de ver, se todas adeptas do estilo boho, pudessem comprar na Animale e Cris Barros… ou os Emos, pudessem comprar Cavalera e colcci…mas infelizmente no Brasil é bem complicado para o bolso, comprar grifes sem se atolar meses pagando no cartão…pra na proxima estação, aposentar a peça.
    Amo as lojas de departamento de fora do Brasil, que quando não posso ir, minhas amigas e compradoras de plantão me enviam.
    Ainda são mais baratas do que as nossas daqui: Renner, C&A, Marisa…
    E com melhor qualidade no acabamento.

    Abraço e parabéns pelo site. Sempre que posso dou uma espiadinha aqui

  • Pedro disse:

    06 de 12 de 2011 às 22:13

    É por isso que eu compro roupas “simples” e as customizo do meu jeito!

  • Cris Cardoso disse:

    29 de 12 de 2011 às 13:37

    Falou tudo!!!! FAVORITEI!!

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