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COMO USAR CALÇAS LARGONAS

Uma vez a gente leu a Costanza Pascolato dizendo que aqui no BR a gente tem “vocação espontânea para o casual”. Pra gente, na prática, faz super sentido pensar nisso – especialmente por que a gente lida todos os dias com clientes que tem vida super ativa, independente do calor do nosso país tropicaliente. Acontece que ser super ativa nesse calor demanda litros de conforto, pra conseguir manter dignidade e elegância. Talvez por isso a gente esteja tão tão TÃO na torcida pra que as calças amplas peguem de verdade nas ruas! Que delícia vai ser se todo mundo perder o medo de experimentar e começar a aproveitar o conforto que elas proporcionam – conforto fresquíssimo, elegante e super feminino. Pra animar a gente tem sugestões pra todo mundo provar feliz, com todos os pesos, alturas e silhuetas. Verdade!

Assim que a gente fala em calças pijama, pantalonas e modelos com pernas largas em geral alguém aí vai perguntar: “mas essas calças não engordam? não aumentam o quadril?”- e a gente vai responder que não. Uma coisa é usar uma modelagem próxima do corpo, que por conta de curvas e linhas de corte fazem o quadril/bumbum/corpo parecerem mais cheios. Outra coisa é usar uma peça larga de verdade, com modelagem ampla e com fartura de tecido – que não ilude em relação à silhueta, mas que acrescenta uma forma nova ao corpo de quem usa. Não tendo ilusão, não tem dúvida: o volume não é de corpo mas sim de tecido – de moda! Então, é bom aproveitar esse excesso de tecido da parte de baixo pra deixar a parte de cima mais peladinha (alôr calorão!). As calças podem funcionar com tomara que caia, com um ombro só, com quaisquer decotes que deixem ombros, costas, colo e pescoço de fora. Lembra que partes magrinhas do corpo dão uma sensação de magreza geral? Então. A idéia não é nem usar partes de cima agarradas, justésimas (a gente nunca curte essa vibe grudada na pele), mas sim peças que sejam menos amplas que as calças – em tecidos fluidos, que caem pesados, camisas e camisetas são boas opções pra coordenar.

Calças com boca larga vão muito bem com sapatos de salto – os saltos mais grossinhos, anabelas ou mais pesados, com meia pata são os preferidos – e daí que a barra da calça tem que terminar deixando no mínimo metade do salto aparecendo. Quanto mais longuinhas mais legais! A calça de boca larga não fica legal muito curta, deixando o peito do pé aparecendo, sabe!?! Parece que a gente pegou a calça emprestada de alguém mais baixo que a gente! Mas a gente também não curte a calça super longa, quando arrasta no chão, não. Pode até dar certo no styling de um desfile, catálogo ou editorial, mas na vida real a calça arrastando fica suja e desgasta super rápido (além do risco da gente pisar na prórpia barra e cair no meio da rua RÁ!).

Também dá pra usar esse tipo de calça com sapatos sem saltos, mas o certo aí é fazer a barra pra esse tipo de sapato e só usar assim (não dá pra versatilizar essa barra – ou é pra salto ou pra sem-salto!). As calças feitas em tecido mais desestruturado ficam melhores nesse comprimento, porque acabam não engruvinhando tanto na frente. Esse engruvinhado que a calça faz quando encontra o pé e está um pouco longa demais dá uma sensação nada boa de perna mais curta. A barra da calça tem que cair sobre o pé e quase cobrir o sapato todo, como se a parte de trás quase fosse encostar no chão, mas sem encostar!

E aí o que a gente já mantém em mente pra todo look vale também pras calças amplas. Vale coordenar partes de cima e partes de baixo sem tanta quebra de cor na cintura (quanto mais monocromático o visual, mais alongada e afinada a gente aprece). Vale lembrar que cor viva/clara expande e cor neutra/escura retrai, então cobrir partes maiores e menores da silhueta com esses tons em comparação pode ser uma ótima idéia. Escolher sapatos que acompanhem a cor da calça pra dar aquela sequência alongadora nas pernas também é eficaz. E manter em mente que a gente é mais importante do que o que a gente veste, a vida que a gente vive é mais importante do que o que a gente veste – e que se o look não rolar tudo continua lindo! :)

Mais “modos de usar”!
Como usar calças tipo saruel
Como usar calças tipo cenoura
Como não usar calças tipo cenoura!
Como usar calças tipo boyfriend
Como usar calças skinny bem justinhas
Álbum de referências no Facebook da Oficina 

 

Tags: , , , 10.02.2012 - 08:31 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 3 Comentários

MATEMÁTICA DE GUARDA-ROUPA

Pensa só: parte mais importante de qualquer silhueta, em todos os looks que a gente faz, é o rosto – é com ele que a gente olha no olho, procura entender o mundo (e os outros), com ele que a gente fala e pra ele que a gente olha o tempo inteiro quando se relaciona com a vida. Faz sentido, então, ter em mente que o que a gente usa perto do rosto é o que acaba sendo mais notado, mais percebido, mais gravado na mente das pessoas. Imagina que se a gente repete a mesma calça nos cinco dias de uma mesma semana e coordena essa peça com cinco partes de cima diferentes, parece que a gente usou todo dia um look novo. Mas ao contrário, se a gente usa nos cinco dias da semana uma mesmíssima parte de cima e partes de baixo 100% diferentes… ainda assim parece que a gente usou a semana toda o mesmo look. Choque, né? Por conta dessa percepção a gente faz conta nos guarda-roupas de todas as clientes e a matemática boa da versatilidade fica em cinco partes de cima pra cada parte de baixo (vale blusa, cardigan, colete, camisa, regata, tudo!).

A conta então, pra fazer render o que a gente tem e botar em prática nossos superpoderes versatilizadores de roupas (!!!), é manter guarda-roupa funcionando com mais partes de cima do que de baixo – num mundo ideal, idealíssimo, nessa proporção de 5 pra 1. E essa é uma boa direção pra quem vai aproveitar liquidações ou fazer comprinhas no fim de semana: do que a gente precisa mais (nesse momento), partes de cima ou de baixo? ;-)

 

Tags: , , , 08.02.2012 - 15:52 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 17 Comentários

COLAR + LENÇO

Essa é das antigas (nem taaaanto!) mas só aparece aqui agora: essa da foto é a Beatriz, nossa aluna na primeira turma de Workshop de Estilo Pessoal. No fim do Workshop a gente tem um “momento compartilhador de aprendizado imagético”, e foi nessa ocasião que a gente viu esse truque aí – o de emoldurar um lenço com um colar de várias voltas. Repara que o lenço é coloridão, estampadão, e a Be escolheu um colar calmo de pérolas, classiquinho. Equilibrou mensagens e complementou formas, superfícies e texturas. Vale lembrar que tudo de mais legal que a gente usa perto do pescoço, chamando atenção pro alto, faz com que a gente crie ilusão de silhueta mais alongada (alô centímetros a mais de mentirinha!) – ao mesmo tempo em que disfarça qualquer atenção que bumbum e quadril possam chamar sem que a gente queira!

A gente pode, então, pensar que tudo mais liso, mais escuro, mais neutro e mais reto pode ser entendido (pelo olhar do outro) como mais formal, mais calmo; por outro lado tudo que é mais cheio de texturas, mais arredondado, mais claro e colorido pode ser entendido como mais informal, expansivo. Assim é só ‘fazer a conta das mensagens que a gente quer transmitir, e em que proporções – e exercitar com as nossas próprias cores texuras e formas. Nem que seja assim, em pequenas doses de coordenação de colares e lenços. Né?

Tags: , , 30.01.2012 - 15:18 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 13 Comentários

RESUMÃO DE IDÉIAS USÁVEIS DO SPFW

Já que a gente não trabalha mais com “tendências” (hihihihihi), a melhor parte de uma semana de desfiles é estar atenta a possibilidades de animar o que a gente já usa. Durante esses dias de SPFW muito se falou em saia lápis, veludo, ombros redondos e tals – a gente acha que tudo vale pra quem tem coração aberto, de verdade! Mas conhecendo a mulherada como a gente conhece, na prática dos provadores, a gente acredita que essas aqui sejam idéias usáveis pra já, fáceis de exercitar, frescas e atualizadoras. Todas as idéias pinçadas das passarelas aparecem aqui acompanhadas do nosso serviço de consultoria (aaeeee) nos links dos posts que a gente já fez sobre cada uma delas – clica pra “trabalhar” com a gente!

MIX DE TEXTURAS
Essa foi a temporada em que os estilistas mais levara à sério (e ao pé da letra) a coisa de misturar superfícies diferentes num mesmo look: não precisa ser tudo caracachento ou espalhafatoso demais, só da gente alternar materiais nas escolhas o mix já vai sendo construído! Pensa tricô com jeans, algodão com seda, couro com malha, lã com renda (como na Huis Clos). Interessância garantida mesmo nos looks mais simples e informais.

LEVE x PESADO
Há algum tempo a gente já percebe essa coordenação (ou “descoordenação”!) nas imagens de streestyle mais legais da internê. Agora com referências daqui de pertinho não tem desculpa pra gente não experimentar.  Look leve com acessórios pesados (como na Ellus e na Triton), ou casacão com vestidinho fluido (como na Juliana Jabour), ou shortinho e blusa de seda com botinha pesada (como na Animale)… vale tudo pra equilibrar mensagens, manipular proporções com graça e alcançar harmonia com elementos opostos. Alô esperteza fashion!

CALÇAS MAIS CURTINHAS
Desde o último inverno a gente tem experimentado calças mais curtinhas com nossas clientes. As barras subiram naturalmente – talvez por conta da crescente importância dos sapatos/acessórios no look atual. As modelagens de agora, então, aparecem mais sequinhas e com barras na altura dos tornozelos (às vezes até um pouquinho antes de chegar neles). Vale dobrar as barras tradicionais pra atualizar o look, vale também ficar de olho em truques alongadores de silhueta pra evitar sensação de pernocas achatadas. A gente AMA essas calças curtinhas, uma coisa tão Audrey Hepburn não? :)

MOSTARDAS-MARRONS
Foi unanimidade em todos os desfiles que a gente viu: não teve uma passarela que não mostrou sua própria internpretação dos “tons do momento”. Como já tá tudo na internet e como a vida é agora (quem sabe faz a hora né não espera acontecer), tamos prontas pra também interpretar novas coordenações com essas cores. A gente amou a paleta de cores com que a Colcci escolheu usar os marrons e mostardas, juntando a eles vermelho, lilás/roxo e verde-militar. Teve também coordenação bem glamourosa com dourado (alô Alexandre Herchcovitch).

METALIZADOS
Se a gente já perdeu o medinho de incluir acessórios metalizados (mesmo nos looks de dia-a-dia), agora pode ser a hora de perder o medão de usar porções maiores de superfícies lustrosas no que a gente veste. Nem que a coisa toda comece por manguinhas lustrosas, ou barras aplicadas, ou faixas inseridas na modelagem do que a gente escolhe… até chegar em jaquetinhas, saias e mesmo calças totalmente brilhantes. O que a gente mais viu em desfiles foi um tipo de couro metalizado, mas na vida real seda e até jeans encerados também funcionam!

Tags: , , , 25.01.2012 - 13:02 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 7 Comentários

REGINA GUERREIRO SABE DAS COISAS

Vejam só que impressionante: o textinho transcrito aqui embaixo foi publicado pela Regina Guerreiro numa edição de moda da revista Caras no fim de 2007, para o verão de 2008. Tudo que ela falou acontece exatamente assim ainda hoje, agora – e é esse olhar que a gente aqui na Oficina tenta exercitar a cada temporada de desfiles. Todo dia, na prática, é bem esse o nosso trabalho: conhecer tudo, entender a cliente, organizar possibilidades, direcionar escolhas – mas nunca ditar, impor. Nem teria graça ser de outro jeito, já que quem veste a roupa é muito mais interessante (e importante!) do que a roupa em si – ou que os motivos que fazem a gente querer vestí-la. A gente fica feliz da vida, então, de repassar esse pensamento-ensinamento no blog da Oficina, espaço de extensão (na internet) do nosso trabalho da vida real. Ó que sábia que dona Regina é:

“Esqueça a palavrinha tendiencia, porque ela está morta. Num mundo em que – praticamente – existem 800 desfiles por temporada, só podia acontecer o que aconteceu: uma Babel fashion, em que cada estilista fala a sua língua (até aí, tudo bem), e é papo furado dizer “agora é isso ou aquilo”. Vai daí que mudei completamente minha linha de edição. Mostro o que acho melhor de cada estilista, até porque – afinal – as outras revistas e jornais, no desespero de “contar tudo”, já mostraram tudo e, muito provavelmente, enlouqueceram e confundiram você. Ver não quer dizer entender. Então edito… Como nas fotos, minha lente “pega” só o que é preciso, sabe como? Nessa nova edição verão 2008, só mostro o melhor. Mas é você que “se escolhe”, é você quem diz “puxa, esse modelito é a minha cara”, esse sim, esse não. Sem medo, tá? Aprendi – já faz tempo – que, nem na moda, nem na vida, existe o certo e o errado. Vai daí que… VaiVaiVai!”

 

Tags: , , 25.01.2012 - 11:30 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 4 Comentários

O LADO HUMANO DOS DESFILES

O que a gente vê nos desfiles de semanas de moda, exatamente como é desfilado, quando nunca pode ser encontrado desse jeitinho nas lojas. Se é que a gente frequenta (ou consome) as lojas das marcas que desfilam em semanas de moda! Talvez por isso, nesses tempo de muitas semanas de moda, muitos desfiles e MUITAS imagens de looks-de-passarela disponíveis (ao alcance de to-do-mun-do), chame muito mais atenção o que se usa fora das passarelas. De uns anos pra cá a gente percebe (aqui no blog mesmo) que o interesse pelas passarelas é infinitamente menor pelo interesse que os looks de quem vai ver essa mesma passarela, de quem assiste aos desfiles. Quem tá nos corredores da Bienal ou nas entradas e saídas de desfiles internacionais tem rendido muito mais assunto que o que foi mostrado nas passarelas. Nosso gosto amadureceu, nossas escolhas estão aperfeiçoadas e a gente quase acha que tá valendo mais o “como usar” do que o “o que usar”. Quase!

Acontece que se tem uma coisa nessa vida que acrescenta valor ao que a gente veste é o SENTIDO. E semanas de moda são prato cheio pra gente aprender mais sobre o que motiva a criação da roupa, o que direciona a pesquisa de tendência (isso ainda existe?), o que tem de história – e estórias – no pacote de cada modinha que a gente tem vontade de usar. A ‘viagem’ de cada estilista pode render coordenação de cores que vem de alguma idéia bacana, os cenários podem ser iluminados de modo que faça lembrar um jogo de texturas, a música pode ter a ver com a imagem (e é tão legal pensar que looks podem fazer referência à músicas, não?), o que cada amarração acessório cabelo aplicação recorte pode carregar de informação que vai além da moda! A gente pode prestar atenção na “origem” de cada coleção desfilada ao ouvir o que cada estilista conta sobre seu próprio trabalho a cada temporada, e assim se permitir-se interessar por inteligências diferentes… que podem ser carregadas no que a gente veste. O lado humano dos desfiles, essa vontade da gente aprender e interpretar e dividir o que faz brilhar o olho com mais gente (através do que a gente escolhe vestir), é pra gente aqui na Oficina um antídoto contra qualquer banalização ou supervalorização vazia de roupa e aparência. Só vale mesmo o que vale pra gente mesma!

A edição de inverno 2012 do SPFW que começa hoje propõe “uma reflexão sobre a riqueza e diversidade do processo criativo e dos pensamentos que alimentar idéias e inventam soluções” – o evento inteiro quer “celebrar a maneira como a moda amplia e valoriza o nosso imaginário” (daqui). Essas são máximas que a gente pode exercitar agora, em tempo de desfiles, e levar consigo pra vida, pra frente do espelho, pra passeio no shopping, pra visita à liquidação. Encontrar sentido no que a gente veste – e permitir que a moda amplie e valorize o nosso imaginário! – é tarefa pra quem tá atento ao que é importante (pra si mesmo), à singeleza da vontade genuína, ao amor próprio. :)

Tags: , , 19.01.2012 - 09:03 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 2 Comentários

SOBRE O VALOR DA BELEZA

Passeei por 12 dias no Peru na virada do ano, gente, e essa foi uma viagem super diferente de tudo: cheia de cheiros novos, sabores incríveis, natureza, história e balneário-delícia (alô Lima!), tudo misturado. Eles tiveram por lá muuuuitos povos bem inteligentes, que dominaram territórios, fizeram construções super fortes, realizaram experimentos bem impressionantes em medicina e criaram sistemas de agricultura e irrigação ultra inteligentes. O mais famoso desses povos foi o que formou o Império Inca, que a gente estuda na escola (lembra?), e junto com todas essas façanhas chama atenção também a habilidade de desenvolver tecidos e tapeçarias, adornos feitos com pedras e conchas (!!!) e o gosto pelo brilho do ouro e da prata. Diz que quando os espanhóis chegaram pra dominar essa civilização, a primeira leva de saques mandou pra Espanha 12 navios lotados dos metais preciosos dos Incas.

Os espanhóis foram atrás de riquezas, os Incas curtiam ouro e prata pelo adorno, somente. O sistema de valor deles nada tinha a ver com ‘metais preciosos’ (eles usavam um sistema de nós em cordinhas como dinheiro, veja), mas eles amavam o polimento, o acabamento e o brilho que o ouro e a prata davam às suas construções de pedra – alô cordenação de cores: cinza-pedra e dourado-ouro é sempre uma lindeza, desde os tempos Incas. Enchiam tudo de ouro pra enfeitar, pra viver a vida envolta em beleza, pra agradar os olhos. Não era pelo valor monetário/financeiro, não era por “quanto tinha custado”, não era pra ostentar nem nada. Era pra animar a vida daquela gente toda, pra dar orgulho, pra bilhar o olho! Tinha mais a ver com dignidade do que com valor-de-dinheiro.

E aí que numa estradinha no interior de Cusco, indo de um passeio a outro, tinha uma feira. Local mesmo, de legumes e verduras e utilidades, como as nossas feiras de bairro, num povoadinho super humilde e nada-nada turístico. A gente pediu ao motorista pra descer e conhecer, ele achou super esquisito mas topou – e foi com a gente porque era um povoado tão roots que pouca gente falava espanhol: quase todo mundo falava Quéchua, que é a língua dos Incas e que se passa até hoje de geração em geração (super bonito isso). As fotos que ilustram esse post foram todas tiradas lá. Ninguém lá esperava ver turistas, ninguém tava vestido pra festa. Quem tava ali tava cumprindo uma função do dia-a-dia, tava abastecendo a cozinha/a casa, rotina. E olha, elas tavam todas LINDAS.

Tava um frião e dá-lhe leggings de lã pro baixo de 5 ou 6 camadas de saias, todas bordadas (to-das), rodadas, cheias de aplicações e brilhos. Cardigans ainda mais coloridos e vibrantes do que as camisetas arco-íris usadas por baixo. Casaquetos com texturas criadas com fitas e botões, mantôs multi-coloridos que carregam nas costas compras e crianças, chapéus com babados e pequenos enfeites nas pontas das tranças feitas nos cabelos. Gosto pelo adorno, vontade de se enfeitar e de embelezar a vida – independente do valor que esse adorno tem, independente de quanto custa, beleza pela beleza. Pelo brilho no olho. Tanto faz o que todo mundo em volta tava achando, ou quanto dinheiro aquilo tudo valia, ou se alguém reconheceria de que marca (oi?) aquilo veio. Um colorido que ofuscava a humildade do lugar, das pessoas, das coisas. Um mar de animação visual, um super sopro de inspiração.

Me fez pensar na nossa relação com a beleza, com o dinheiro, com o espelho, com amor próprio. A gente se ama mesmo ou quer mostrar o que tem? A gente curte o que usa pelo que é ou por quanto vale? A gente gostaria das mesmas coisas se elas não fossem produzidas pelas marcas que produzem? Elas lá nesse povoado do interior de Cusco se curtem tão genuinamente, tão sem ligar pro que todo mundo em volta acha… que produzem respeito e admiração (me produziu amor também, viu). Tem a ver com o que elas vestem, mas é tão mais digno e importante!

Tags: , , , , 18.01.2012 - 10:28 | Postado por Fernanda Categorias: diário, na vida real 31 Comentários

TRANSPARÊNCIA COMO COMPLEMENTO

Idéia boa e fácil fácil de reproduzir em casa: vê só que essas transparências complementam os looks, às vezes até com função. Vale disfarçar um decote tomara que caia muito revelador – imagina fazer na costureira uma camiseta em tecido transparente pra usar por baixo de tudo! -, vale amenizar um decote muito profundo cobrindo o V com uma “nuvem” de tecido (nessa idéia vale mais ter uma regata transparente pra usar por baixo, ou um top curtinho mesmo, pra só cobrir o ‘cofrinho do peito’ no meião do decote, né?), e ainda rende mais.

Transparência localizada pode acrescentar mangas num look que antes deixava braços de fora, pode construir sobreposições super interessantes e coordenações de formas e caimentos diferentes. Mas mais legal de tudo nessas imagens (a gente achou!) é a idéia de usar a transparência pra estender um comprimento, nem que seja só um pouquinho: repara que algumas dessas saias continuam um pouquinho além da barra, com uma tira de tecido transparente (que na prática pode ser um tipo de anágua bem fininha pra gente poder versatilizar e usar com vááárias peças!). Detalhe inteligente, versátil, feminino e muito muito charmoso!

Tags: , , 16.01.2012 - 10:11 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 31 Comentários

BLOCOS DE COR EM FESTONAS

A gente curte bastante a oportunidade de se aproveitar da idéia dos blocos de cor também em festonas, viu. Delícia-facilidade é escolher acompanhamento pra corzooooona do vestido nas corzinhas dos acessórios (corzona e corzinhas em referência à quantidade de espaço que vestido e acessórios ocupam no look!). Escolhida a cor do vestidón, quem pode super guiar-ajudar na escolha das cores “menores” – e nem por isso menos importantes! – é o círculo cromático. Aquele mesmo das aulas de educação artística da escola. Ces não imaginam o tanto que a gente usa esse círculo no trabalho de consultoria com as clientes, ó!

O círculo cromático é tipo um arco-íris com pontas emendadas, fatiado ao meio no sentido transversal. Ele mostra direitinho como uma cor dá lugar à outra, como se a gente fosse misturando pigmentos em uma tonalidade pra obter outra. Essa passagem dá uma dicona de coordenação elegante, quase-quase monocromática (já que as cores são tão próximas que ficam vizinhas no círculo!). As cores que ficam uma do lado da outra no círculo são meio irmãs e sempre funcionam bem juntas, sem “informalizar” demais o look – mesmo quando contrastam não “gritam”, sabe como? E já que ocasião de usar vestidón é ocasião formal, elegante, refinada… esse pode ser um bom caminho na hora de escolher o que complementa a cor do look: corzona do vestido como principal-chamadora-de-atenção e outras cores coloridas – vizinhas dessa cor principal no círculo – como coadjuvantes nos acessórios (e até na maquiagem, por que não?!??). É legal pensar não só nas cores que a gente consegue ver no círculo cromático aqui nas imagens de cima, mas em todas as tonalidades que “cabem” dentro de cada cor dessa – desde os mais claros aos mais escuros, desde os mais vivos aos mais opacos. Como se cada cor dessa rendesse toda uma família de tonalidades.

Quem quiser incrementar vestidos mais neutros ou criar um pouquinho de desordem-da-boa no dresscode formal (em pequeninos pedaços, nem vai doer!) também pode ter o auxílio-amigo do círculo cromático. As cores que ficam uma em frente à outra ou separadas pela mesma distância (tipo duas depois e duas outras depois) são complementares e criam contraste e maior “choque” quando usadas juntas – o que rende aparência menos formal mas também mais criativa. No fim o círculo cromático é um bom guia pra todo tipo de coordenação (alô circulinho impresso grudado na porta do guarda-roupa!) e, com tudo assim na facilidade, não tem por que a gente não experimentar e se divertir, né?!?? Suave na nave! :)

 

ESCOLHENDO O LOOK NO DIA ANTERIOR

A gente acredita que roupa comunica, não é? Então, esse ditado/conselho que diz pra gente “pensar antes de agir/falar” vale também pra guarda-roupa: todo mundo pode “pensar antes de vestir”, pra comunicar direitinho. A vida fashionística fica bem mais fácil se a gente tem tempo “folgado” na hora de se arrumar – luxo dos luxos, já que todo mundo vive correndo! Uma super ajuda é exercitar a escolha do look no dia anterior. Tipo exercício mesmo, que com a prática vai fluindo melhor e melhor. E tem que escolher e experimentar, pra se assegurar que caimento e manutenção estão bem ok! Vale seguir essa nossa cheklist aqui, ó:

• A agenda do dia seguinte é a melhor amiga da pré-escolha: sabendo se tem reunião fora, se tem happy hour no fim do dia, se tem almoço com colegas ou outros compromissos extra-rotina, a gente se prepara pra cada um deles, e pra todos ao mesmo tempo. E diminui a chance de “estar inadequada” ou mesmo de ser pega de surpresa (preparadas pra tuuuudo!).

• Planejamento: não custa prever, sabendo dessa agenda do dia, o que levar pra facilitar a vida. Tipo casaco extra ou capa de chuva, tipo um saltinho e uns acessórios pra incrementar o look no fim do dia, tipo tênis pra ir e voltar de metrô… cada necessidade pode ser alcançada por um facilitador de vida, não, amigas?!??

• Rever o conteúdo da bolsa no dia anteiror ajuda a gente a esquecer menos coisas, e mantém tudo organizadinho. Especialmente se o look pede troca de bolsa, trocar com antecedência previne falta das coisas (sabe aquilo de “ficou na minha outra bolsa”?).

• Outro melhor amigo da separação do look no dia anterior é o climatempo: todo dia antes de dormir é de praxe por aqui dar uma olhadinha no site, pra saber se vai fazer frio, se vai chover, se a tarde vai ser mais quentinha… e aí é mandar bala nos looks de temperatura indefinida pra passar pela oscliação de temperatura bem bonitinha. E bem paramentada.

Porque gente, luxo mesmo é dormir um pouquinho a mais, sabendo que o look já tá definido. Ou acordar no mesmo horário pra brincar de boneca em frente ao espelho, sem correria: se arrumar com música tocando, se maquiar com luz boa e com calma, sair de casa sorrindo e segura de que tá tudo no lugar. Escolher o look no dia anterior e experimentar sem ter que olhar pro relógio acaba por minimizar o stress de um momento que devia ser o menos estressado de todos – e que devia ser uma curtição todo-dia! ;-)

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