Arquivos de Posts

VESTINDO A CARAPUÇA!

Se você vestir o jaleco de um médico, sua habilidade de prestar atenção e ser cuidadoso automaticamente aumenta. Parece estranho, mas foi isso que os psicólogos da universidade de Northwestern, nos EUA, descobriram durante uma pesquisa sobre o efeito psicológico de determinadas roupas. Segundo eles, vestir uma peça com determinado significado tem efeitos psicológicos sobre as pessoas. No caso do jaleco do médico, o que acontece é que a pessoa que o veste tenta incorporar características que costumam ser associadas aos médicos, como a atenção e o cuidado, tornando-se elas mesmas atenciosas e cuidadosas.

A gente está careca de saber que aquilo que vestimos é avaliado pelos outros, que eles nos tratam diferente se estamos de vestido ou de calça, de preto ou de roxo, com óculos ou sem, mas a grande questão é que antes mesmo do outro reagir a gente começa a se comportar de maneira diferente de acordo com a roupa que vestimos. Uma vez, Kim Cattrall (atriz que interpreta Samantha em Sex and The City) deu uma entrevista dizendo que calçava os sapatos de salto da personagem mesmo quando o diretor avisava que só iria filmar da cintura para cima. Ela – que na vida real disse que só usava Nike! – precisava dos sapatos para incorporar a personagem. Aqui nos trópicos, o Chico Anísio costumava dizer algo parecido: ele contava que não conseguia imitar a voz de um personagem se estivesse vestido de outro. Não fluia.

Mesmo quem não é ator consegue usufruir dessa ideia de “vestir o personagem”. Muita gente que trabalha em casa já constatou que o ritmo não flui como deveria se a gente permanece de pijama, por exemplo. Percebe o quão legal isso é? Significa que, ao escolher o que vestimos, podemos escolher quais comportamentos queremos reforçar em nós mesmas. O que você quer ser hoje? Atenciosa, cuidadosa, produtiva, sexy, engraçada?

O QUE FAZER COM O QUE JÁ NÃO QUERO?

Limpar o armário do que já não cabe no corpo e na vida da gente costuma ser o primeiro passo de qualquer revisão de estilo, além de um bom hábito para todo mundo levar para a vida e repetir periodicamente, tipo exame de rotina. Liberar os chakras do guarda-roupa dá uma sensação de leveza e ajuda a gente a enxergar melhor o que tem – as possibilidades mais versáteis de uso dessas coisas! – mas deixa a cama repleta de roupas sem uso, com as quais a gente não sabe o que fazer.

Para tentar acabar com o dilema da cama abarrotada reunimos quatro boas sugestões de destino para as peças que um dia você já amou e que muita gente pode continuar amando.

Passe adiante

Há quem encontre verdadeiros achados no próprio guarda-roupa, mas tenha medo de dar para uma amiga que combina mais com a peça com medo de ofendê-la. A gente acha que quando a seleção é feita com carinho, o tom nunca é de “fica com a minha sobra” e sim de “isso vai ornar melhor em você do que em mim”.

Pense no quanto é legal ir tomar um café com uma amiga e, de repente, ganhar uma blusa linda só porque ela não está mais com vontade de usar.

Venda

Se a peça custou um valor considerável e está impecável, é natural que surja a ideia de reaver uma parte do dinheiro investido, afinal, a gente está se desfazendo de uma compra impensada, não de uma roupa velha. Nesse caso, vale a pena procurar brechós como Capricho À Toa e Trash Chic, organizar uma “swap party” (festinha de trocas e compras entre amigas) ou recorrer ao Enjoei, site que seleciona e anuncia peças incríveis com descrições impagáveis.

O Enjoei cobra comissão de 20% sobre o valor final da peça, que é definido pelo antigo dono. Já os brechós não divulgam o quanto acrescentam no preço de revenda.

Karen Saluotto, uma das nossas participantes na primeira turma do Workshop de Estilo Pessoal, já vendeu mais de 400 peças para brechós de São Paulo e Jaguariúna desde o ano passado e passa a dica: os preços da capital bem mais vantajosos. Ela conseguiu levantar R$ 1.800 com a venda de cerca de 150 peças para o Capricho À Toa, mas levou apenas R$ 500 quando vendeu 100 peças para um brechó do interior.

Se você tem uma grande quantidade de peças boas a serem desovadas, vale montar um blog simplezinho com fotos e preços e divulgar para as amigas (mesmo no Facebook!), assim é possível fugir das comissões. Se os posts estiverem recheados de coisas realmente bacanas, vale até pedir que as amigas divulguem pra outras amigas. ;-)

Doe

A doação é de longe o destino mais nobre que a gente pode dar às roupas que não usa mais. Essa época do ano, quando estamos nos aproximando do inverno, muitos estados fazem campanhas de coleta de agasalhos. No site da Campanha do Agasalho do Estado de São Paulo há uma lista de todos os postos de coleta. Dá pra buscar o ponto mais perto da sua casa usando o CEP. Fora das épocas de campanha, quase todas as instituições de caridade como asilos e orfanatos aceitam doações de roupas em bom estado.

Na hora de doar é preciso ter o mesmo carinho que a gente tem ao separar uma peça para dar para uma amiga: não vale entregar nada sujo ou rasgado.

Das mais de 6 milhões de peças arrecadadas pela Campanha do Agasalho de São Paulo em 2011, cerca de 40% acabarem leiloadas para empresas que, depois de passá-las por um moedor, transformam os trapos em estopa. Isso porque tem gente que doa roupas sem nenhuma condição de uso. Para não pagar o mico de ter suas doações transformadas em estopa, seja fina como Hebe Camargo na propaganda da campanha e doe os paetês que te ajudaram a brilhar na televisão (brinks).

Reaproveite

Essa dica vale sobretudo para roupas com estampas incríveis. Se ficou velhinha e já não satisfaz como roupa, vale tentar usar a estampa luxo para outra finalidade como almofada, faixa para o cabelo e até lanterna para velas elétricas.

Tags: , , , , 18.04.2012 - 13:13 | Postado por juliana Categorias: na vida real 10 Comentários

“COMO SE VESTIR PARA O SUCESSO”

Que a gente deve se vestir de acordo com nosso tipo físico é senso comum, todo mundo sabe disso. Acontece que a coisa mais fácil do mundo inteiro é uma pessoa se enganar sobre seu próprio biotipo. Edith Head – estilista americana dos anos de 1960 vencedora de oito Oscars de melhor figurino – já sabia disso, por isso, ela encomendava moldes de tecido retratando o corpo de cada atriz que precisava vestir. Assim – olhando para os moldes sem cabeça nem charme – ela conseguia avaliar friamente a situação, sem se deixar enganar pelo rosto e pelas roupas da atriz.

Em seu livro “How To Dress For Success”, Edith passa uma dica para nós, mortais que não podemos ter um manequim de pano com as nossas medidas: decalque sua própria silhueta em um pedaço grande de papel metro. Para isso, basta colar o papel na parede, ficar encostada nele e pedir para alguém acompanhar o contorno do seu corpo com um giz de cera. Deixe o desenho colado no seu armário ou dobradinho em uma gaveta de fácil acesso caso seu espaço seja mínimo. A ideia é que esse desenho te ajude a manter o foco e se vestir para o corpo que você realmente tem, não para aquele que você acha que tem a depender do seu humor.

Outra dica do livro é manter uma listinha com seus pontos fortes e fracos presa no espelho, além de pequenos lembretes para você mesma como “ei, você tem pernas lindas, trate de mostrá-las!” ou “seus braços são gordinhos, que tal usar uma terceira peça?”. Imagina que engraçado abrir o armário e dar de cara com esse tipo de diálogo consigo mesma?!

Uma estratégia que podemos adicionar em tempos de banalização da fotografia é a seguinte: sempre que você se sentir muito bem ou muito mal com uma roupa, tire uma foto e guarde. Deixe a imagem salva no seu telefone, faça uma pastinha “erros” e outra “acertos” e consulte em caso de dúvida. Em algum momento você vai conseguir estabelecer um padrão para seus erros e acertos. Quando isso acontecer, anote o que aprendeu num post-it e prenda no armário.

“How To Dress For Success”, livro de onde tiramos algumas das dicas desse post, é hilário e custa uma pechincha na Amazon. Além de fazer o gênero “amiga sincera que te passa a real”, Edith é engraçada e sempre muito prática. Por ter sido escrito em 1967, o livro ainda traz curiosidades sobre uma época em que as mulheres estavam divididas entre as que queriam filhos, casamentos e reconhecimento em clubes privados e as que queriam mais era empurrar o chefe de sua cadeira e ocupar o lugar que mereciam. Imagina ter que ensinar esses dois perfis completamente opostos de mulher a se vestirem para ter sucesso (quer conceito mais íntimo e mutável que sucesso?).

Sem querer, Edith Head nos dá várias lições de história e feminismo nesse livrinho que ensina uma coisa simples: para ter sucesso na hora de se vestir você precisa saber muito bem quem você é e quem você quer ser.

Tags: , , 06.04.2012 - 09:28 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 12 Comentários

COMO ESCOLHER TECIDOS

A coordenadora do London College of Fashion te ensina a escolher tecidos!

Logo depois de ter lançado “Glamour”, livro icônico da jornalista Diana Vreeland, que foi editora da Harper’s Bazaar por 26 anos e editora-chefe da Vogue entre 1963 e 1971, a Cosac Naify lançou outro bom livro de moda, o “Fashion design”, escrito por Jenkyn Jones. Jones é coordenadora da pós-graduação do London College of Fashion, uma das principais escolas de moda da Inglaterra. O foco do livro são os estudantes de moda, mas algumas partes são interessantes para quem trabalha com moda em outras atividades ou simplesmente ama muito o assunto.

A parte em que Jones dá dicas de como os alunos de moda devem escolher os tecidos que vão usar em suas criações é espetacular. Vale a pena imprimir e guardar com carinho para usar quando for comprar aquela peça mais cara, dessas que você quer que durem por anos. Presta atenção que tem até dica para se o fabricante passou uma gominha  no tecido ruim para fazê-lo parecer mais digno!

“SELEÇÃO DE TECIDOS:

Manuseie o tecido para sentir a superfície e avaliar quanto é quente, frio, escorregadio etc. Qual é a personalidade do tecido? Qual é a composição das fibras?

Como o tecido se recupera ao ser manuseado? Estique o tecido para checar a recuperação. Puxe delicadamente na direção do viés e no sentido do fio. Dobre e drapeje o tecido para ver seu caimento. Escove os fios para ver se eles se soltam facilmente.

Confira as ourelas para ver se o tecido está reto. Se os fios transversais não estiverem no ângulo correto em relação aos longitudinais, não terá um bom caimento, e, nos tecidos em cores xadrezes, as bainhas e as junções ficarão desalinhadas.

Descubra se há irregularidades de tecelagem ou de tingimento. Segure o tecido contra a luz, pois assim poderá ver se está desigual. As cores podem se mostrar bem diferentes sob a luz das lojas e sob a luz natural; se você estiver tentando uma combinação de cores, pergunte se pode levar o tecido para ser observado sob outra fonte de luz.

Tecidos de tricô e lá têm propensão a formar pelotas. Esfregue a superfície e veja se as fibras se soltam ou se embolam.

Nos teciudos estampados, cheque se a estampa é uniforme e se o alinhamento está correto. Coloque o tecido em frente ao corpo e também sobre o braço esticado, para ver como fica a proporção dos desenhos.

Às vezes, sedas e algodões baratos recebem uma goma ao serem tecidos ou finalizados. Essa goma pode ser lavada. Esfregue a superfície para ver se surge um pó fino (o amido da goma).

Se as informações sobre cuidados e acabamentos estiverem disponíveis, anote-as. Você não poderá reclamar depois se não tiver seguido as instruções.”

((Fashion Design, Jenkyn Jones, Cosac Naify, página 154.))

Tags: , , 02.02.2012 - 12:10 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 15 Comentários

ECONOMIA PRAS LIQUIDAÇÕES

Sabe esse desejo de mudança que a gente sente no fim do ano? Essa vontade de resolver tudo de uma vez antes de virar a página do calendário? Na nossa relação com a moda, esse desejo por renovação costuma se manifestar como uma coceirinha na mão que nos faz querer gastar, comprar mais roupas, mudar tudo aqui e agora.

Aproveitar o ano novo para dar uma bela editada no armário, doando as peças que não usamos, é uma ótima forma de trazer essa ideia de renovação. Fazer um mural de referências sugerindo novos jeitos de usar acessórios e de combinar peças também pode atualizar seu armário. Já o desejo maior de todos – o de comprar! – deveria esperar.

Três ótimos motivos para não comprar em dezembro:

1. Publicidade demais: Esse é o mês em que somos mais bombardeados pela publicidade. De bancos e financiadores de imóveis até vendedores de enciclopédia, todos os segmentos do mercado estão vestidos de papai-noel nos chamando para comprar. Com tanta publicidade e euforia, as chances de comprar por impulso e sem pensar são maiores.

2. Décimo terceiro: Sabe aquele sentimento de riqueza e poder que sentimos quando recebemos um aumento? Pois em dezembro o décimo terceiro faz com que todos os assalariados do país sintam essa euforia louca de ter o dobro do dinheiro que costumam ter. Diante dessa riqueza temporária, é óbvio que os preços sobem.

3. Espere a liquidação: A partir do fim de janeiro, as lojas começam a fazer promoções e bazares. Isso acontece porque todo mundo está duro nesse período por conta das farras feitas no Natal e nas férias. Como em terra de cego quem tem um olho é rei, o dinheirinho que você economizar agora, na época das vacas gordas, pode render muito mais se você tiver paciência e esperar a temporada das liquidações.

A gente sabe o quanto é difícil ter dinheiro na carteira, vestido lindo acenando na vitrine e se controlar para economizar, mas tente entoar o mantra da economia e mentalizar a festa das liquidações!

Tags: , , 21.12.2011 - 00:47 | Postado por juliana Categorias: moda e consultoria 7 Comentários

MERYL STREEP NA VOGUE

A notícia de que Meryl Streep estará na capa da Vogue americana em janeiro chegou para a gente como uma primeira ótima notícia de 2012. Ela já havia aparecido na capa da Vogue francesa em maio de 2010. A atriz está com 62 anos e aos 40 pensou que sua carreira estivesse acabada. Quando completou esse idade, Meryl perguntou ao marido o que eles deveria fazer agora que sua carreira no cinema estava encerrada! No ano seguinte, ela recebeu três ofertas para encenar bruxas em três filmes diferentes e pensou que a mensagem era bem clara: “Depois que as mulheres passam da idade de ter filhos, ela só podem ser vistas como algo grotesco em determinado nível”.

A carreira de Meryl Streep, no entanto, estava longe de ser encerrada em 1989, quando completou 40. Maryl é uma das poucas atrizes que continua conseguindo se impor e fazer bons papeis sem ter que se submeter a cirurgias loucas, dietas ou se contentar apenas com papeis coadjuvantes. Com essa capa linda, Maryl conseguiu impor sua beleza calma e natural também ao mundo da moda. Ela é a mulher mais velha a estrelar uma capa da Vogue desde que Anna Wintour edita a revista e provavelmente desde que a publicação foi lançada, há mais cem anos. A idade média das mulheres que aparecem na capa da Vogue americana é de 30.3 anos, segundo levantamento da New York Magazine, que checou as idades de todas as capas desde janeiro de 2000. Exceto Meryl, a única mulher com mais de 50 anos que conseguiu emplacar uma capa desde que Anna Wintour passou a editar a revista, em 1988, foi Priscilla Presley, ex-mulher de Elvis Presley que esteve na edição de agosto de 2004.

A matéria foi escrita por Vicki Woods e fotografada por Annie Leibovitz em uma fazenda de produtos orgânicos. Meryl é militante da comida orgânica e sustentável há mais de dez anos e participa de um grupo de mulheres que luta pela fundação de um museu nacional da história das mulheres, para o qual ela doou um milhão de dólares no ano passado. A ideia é que o National Women’s History Museum (nwhm.org) conte a história de todas as mulheres incríveis que ficaram esquecidas na história americana simplesmente porque essa história era escrita pelos homens.

Para a gente, ver Meryl Streep estampada nessa revista traz todo um sabor de futuro melhor, onde as revistas escolherão suas capas muito mais pela história e pelo que elas representam do que pela idade que têm e o número que vestem. Como Vicki Woods disse no fim da entrevista: “She’s America’s sweetheart, this woman. And if she was British, they’d have made her a dame long ago”!

Tags: , , , , 16.12.2011 - 08:20 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 7 Comentários

CARDIGÃ CAMALEÃO

O cardigã é uma das peças mais incríveis do mundo inteiro: é quentinho na medida certa para dias de temperatura intermediária, nos salva do ar condicionado insano da firma ou do cinema e ainda é fininho, fácil de colocar na bolsa quando não está sendo usado. Só até aí a peça já havia justificado sua existência com louvor, mas nós achamos que dava para cobrar mais um pouquinho dela, por isso, começamos a usar cardigã de todo jeito:

a) amarradinho na alça da bolsa quando ela está cheia demais para comportá-lo (ou só para fazer um charme!);

b) enrolado no pescoço, simulando um lenço;

c) como faixa, amarrado na cintura de um jeito mais adulto e gracioso que o típico “casaco amarrado na cintura”.



Nas imagens, a Fê explica como fazer esses outros usos do cardigã sem deixar o look com cara de desleixado, de “peguei esse pano velho e amarrei de qualquer jeito”.

Para usar como faixa, a dica é dobrar o casaquinho até que ele fique fino, mais ou menos da largura da sua mão. Já na hora de amarrar na bolsa, nós dobramos como faixa primeiro, depois passamos o cardigã por uma das alças da bolsa e vamos enrolando até que sobre pouco pano. Com a sobra, fazemos uma amarração que pode terminar em um laço, para ficar fofo.

Amarrar o cardigã como lenço no pescoço é a ideia menos simples de fazer, mas ainda assim é fácil. Nós fizemos um vídeo (em 2008!!!) explicando, lembra?

Usar o casaquinho como faixa na cintura é legal para quem tem ombrão e a parte de cima da silhueta mais pesada, já que o enfeite chama atenção para baixo. Nesse caso, quanto mais contraste de cores melhor pois o contraste atrai o olhar, como no caso das fotos em que a Fê aparece com essa combinação mangueirense, adiantando o carnaval.

Por outro lado, cardigã no pescoço é uma boa ideia para quem tem a parte de baixo da silhueta mais pesada, com quadril e bundinha maiores. De novo, quanto mais contraste de cores, mais eficiente fica o truque.

Claro que dobrando o tecido, dando voltas, nós e laços com ele a peça vai ficar amassada, mas nosso amado cardigã costuma ser feito de tricô molinho, desses que desamassam só da gente passar dois minutos vestindo. Diz se cardigã não é amor com botões, minha gente!

(todas as fotos são de juliana cunha)

Tags: , , , 01.12.2011 - 00:29 | Postado por juliana Categorias: moda e consultoria 30 Comentários

SER INDIE NO BR (NÃO É FÁCIL!)

Já reparou que sempre que surge uma modinha de grupo fora do país – tipo boho, emo, hispter, qualquer coisa que seja bem marcada como moda de grupinho – isso fica mais difícil de identificar no Brasil? Por aqui, emo parece hispter, boho parece mendiguismo e todo mundo termina dando um abraço fraternal na C&A.

Na nossa opinião, isso acontece por muitos motivos – brasileiro gosta de sincretismo entre estilos mesmo quando tenta ser caricato -, mas sobretudo porque nós não tempos a mesma variedade de lojas, marcas e fornecedores que os gringos têm.

Apague da sua cabeça pessoas que viajam para o exterior todo ano e fazem suas compras por lá. Apague também endinheirados em geral. Agora foque sua atenção nos jovens – justamente quem costuma aderir a modas de grupo, já que adulto não anda em bandos. O jovem brasileiro que se identifica com a estética hipster compra nas mesmas lojas que o adolescente emo, que compra nas mesmas lojas que a menina influenciada pelo romantismo a la foto do Tumblr.

Toda essa rapaziada diferente, que se sente e quer ser diferente, tem acesso às mesmas peças e depende muito da própria criatividade para se distanciar uns dos outros.

Um dos caminhos diante desse fato é sentar no primeiro meio-fio que aparecer e chorar nossa falta de H&M, de Urban Outfitters, da variedade de lojas baratas que os gringos possuem a mais que a gente. O outro caminho é perceber que a nossa pobreza de fornecedores incentiva a criatividade nos jeitos de usar, nas combinações diferentes, na customização, na ida até a costureira, no empreendedorismo de fazer a própria lojinha on-line. Será que valorizar isso tudo não é muito mais legal do que ensinar para os adolescentes que o caminho para fazer bonito na porta da escola é um cartão de crédito internacional?

No fim das contas, estilo não se compra e o consumidor brasileiro tem bem menos risco que o gringo de virar caricato, vítima da moda ou qualquer coisa assim. Como já disse Humberto Gessinger: “Em Cuba só há uma marca de xampu, mas somos nós que querermos todos ter o mesmo tipo de cabelo”.

Todas chora e encerra o post com essa referência, meu deus!

Tags: , , 21.11.2011 - 14:05 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 14 Comentários

ROUPA PARA TIRAR O VISTO

Existem poucas coisas na vida mais chatas do que tirar visto para outros países. Geralmente, pagamos mil taxas, preenchemos mil fichas e ficamos horas intermináveis na fila. Para piorar, sempre tem um amigo da onça para nos convencer de que tirar o visto – seja para os Estados Unidos, Iêmen ou Jordânia – é dificílimo.

O resultado da equação é o nervosismo. Na nossa aparência, todo esse nervosismo costuma se denunciar de duas maneiras: ou no exagero ou no desleixo. Quer dizer: ou a pessoa vai para a entrevista do visto muito mais arrumada do que precisa ou muito menos do que poderia.

A verdade é que em uma situação dessas, aparência conta bastante. O objetivo dos países com esse documento é fazer uma triagem entre as pessoas que eles acham que são mais ou menos propícias a causar problemas para eles. Esses problemas podem ser tanto imigração ilegal quanto crimes, baderna etc. Ou seja: parecer uma pessoa responsável, segura e legal conta pontos na triagem. Por outro lado, não precisa surtar que a ocasião é um concurso de miss porque turista não é pedinte e ninguém recebe ou deixa de receber visto apenas pela roupa que usa.

Entrevista de visto equivale em termos de formalidade a uma visita ao colega de trabalho que está no hospital ou a um advogado importante em seu escritório. É formal, mas não precisa exagerar.

Sapato com dedos de fora, por exemplo, não pega tão bem. Passa uma ideia muito malandra, de praia. Se quiser usar decote, prefira um que chegue até no máximo a linha da axila. Saias e vestidos podem se manter bem comportados. O comprimento mínimo fica quatro dedos acima dos joelhos.

Usar roupa justa pode marcar demais o corpo, mas também não é legal usar uma roupa tão larga que possa esconder uma metralhadora dentro. Um folgadinho confortável, acompanhando a silhueta sem grudar na pele, já resolve o problema.

Como a perspectiva é chegar ao Consulado de madrugada e só sair no começo da tarde, é bom se preparar para a mudança de temperatura durante esse período. Levar um cardigã e um lencinho para amarrar no pescoço que possam também enfeitar a alça da bolsa caso o calor aperte difinitivamente é uma boa ideia.

Usar elementos que passem essa imagem de moça bem cuidada, atenciosa – como tecidos planos e naturais, unhas bem cuidadas para o momento tenso da entrega do passaporte e maquiagem leve – é muito esperto em qualquer dia, sobretudo nesses em que a gente depende mais explicitamente da opinião dos outros.

Falou em formalidade, todo mundo pensa que preto é o canal. Acontece preto passa essa imagens distante, inacessível, fale com a minha mão. Bem melhor seria quebrar o gelo dessas entrevistas embaraçosas como visto e emprego com uma coordenação de cores não tão chamativas. Se a sua personalidade é mais carnavalesca, vale mesclar uma cor mais colorida com outra mais neutra. Já se a personalidade for calma, vá com dois neutros claros (claro é mais simpático que escuro!) e originais. Pode ser coordenação de cinza com bege, marinho com outro tom de azul ou verde oliva com creme, por exemplo.

Se nada der certo, recolha toda sua elegância e faça a Sol, berrando loucamente no Consulado e dizendo que todo mundo tem direito de ir para a Disney. Ou pegue seu RG e vá para Buenos Aires.

Tags: , , 16.11.2011 - 00:20 | Postado por juliana Categorias: moda e consultoria 25 Comentários

CULTIVANDO AS TENDÊNCIAS DO NOSSO QUINTAL

Todo dia, São Paulo recebe centenas de compradores do país inteiro que vêm aqui escolher a mercadoria de suas lojas. Esse mercado vai desde as famosas sacoleiras – mulheres incríveis que carregam o bonde da moda para todos os cantos – até as lojas de shopping e as grifes com equipe grande e estrutura organizada.

O destino certo de todo esse pessoal são as confecções do Itaim, Jardins, Polo e, sobretudo, do nosso querido Bom Retiro.

Para nós, pessoas físicas (como não amar esse termo, meu Deus!), nada soa tão mágico e inatingível quanto as confecções do Bom Retiro que vendem peças incríveis a preços lindos, mas só para o atacado.

Se você compartilha dessa tara por confecções, vai amar o blog Na Batalha Sem Descer do Salto, que posta fotos atualizadas de vitrines do Bom Retiro.

O blog pertence à Money Gloss, uma empresa que faz tipo um serviço de personal shopper, só que para as lojas. As irmãs Gi e Ju Keesse analisam o perfil da loja, o poder de compra dela, os prazos e montam um roteiro de compras que caiba no bolso e no estilo das clientes dessas lojas. É um trabalho que tem a ver com consultoria de estilo, embora seja bem diferente lidar com uma pessoa só e com uma multidão imaginária de clientes.

Quem não tem loja, no entanto, pode usar o blog da mesma forma que nós usamos: para observar as vitrines e ver o que é tendência de verdade aqui no Brasil, o que de fato estará nas araras de todo tipo de loja dentro de alguns meses. Em tempos de internet todo mundo tende a passar tanto tempo namorando lookbooks das marcas gringas que acaba esquecendo do próprio quintal, mas é nele que nós vivemos, consumismos e gostamos (ou desgostamos) das tendências da rua. Nem que seja para se preparar para combater a próxima leva de qualquer tendência pavorosa que tenha sido super usada no BR recentemente. É ou não é?

Confira a íntegra da nossa entrevista com Ju Keesse!

1) Conta direitinho o que a Money Gloss faz? Vocês ajudam lojas a escolherem o que vão vender, é isso?

Vou contar primeiro como nasceu o Money Gloss, acho que tem a ver. Sempre fui executiva de marketing financeiro, aí mudei e comecei a trabalhar com minha irmã, Gi, representante de moda há mais de 15 anos.

Depois de dois anos assessorando lojas em suas compras, fui convidada a assumir a gerência de marketing de uma rede de lojas da grande Porto Alegre. Essa experiência me mostrou como é o dia-a-dia dos lojistas.

Fiquei por lá dois anos e meio e, prontinha pra voltar, resolvi unir a experiência em marketing, em assessoria a lojistas, no chão de loja e na compra de coleções criando o Money Gloss, mesmo porque na época o único site dedicado a lojistas era o UseFashion, que tem outro direcionamento.

As lojistas de todo o Brasil fazem suas compras em São Paulo, mesclando seus pedidos com a pronta-entrega. Mas elas não têm oportunidade de vir toda semana e toda semana chegam novidades, às vezes exatamente o que a consumidora final está buscando nas lojas. O Money Gloss tenta mostrar exatamente isso.

Mostramos as novas confecções que chegam a São Paulo e colocamos artigos de apoio e vitrines de exemplo para as lojistas.

No início, o Money Gloss era totalmente vinculado ao trabalho de representação de minha irmã mas, com o tempo, ganhou confiabilidade e passou a ser referência para o trabalho diário das lojistas.

Claro que não dá para comparar com o Oficina de Estilo mas, focado em público hiper específico, o Money Gloss tem média de 4.000 acessos/dia, 1,300 assinantes e 244 seguidores, já tendo atingido mais de 1.250.000 pageloads. Legal, né?.

Hoje o Money Gloss continua gerando clientes para a equipe de assessoria da Gi mas ampliou seus horizontes.

2) Vocês não trabalham com o consumidor final em nenhuma etapa?

Recebemos muitas consultas das consumidoras finais querendo saber onde é possível comprar este ou aquele modelo e de muuuuuuitas querendo comprar no Bonriê [Bom Retiro]. Fornecemos os telefones ou sites das confecções, e só.

3) Para quais lojas trabalham? O que fazem exatamente? Há quanto tempo?

São Paulo tem hoje mais de 1.000 confecções que trabalham com pronta-entrega, sobretudo no Itaim, Jardins, Bom Retiro e Polo. A Gi é credenciada em mais de 700. Quanto às lojistas atendidas são muuuuuuuuuitas, de todo o Brasil (redes de lojas, grandes, médias e pequenas e muitas iniciantes no ramo).

4) A gente não entendeu direito se vocês possuem confecções ou se fazem o intermédio entre as confecções e os lojistas.

Não possuímos confecção e o trabalho vai além da intermediação. Funciona assim: a lojista avisa quando vem (também avisamos quando vão ocorrer lançamentos importantes) e é agendada com uma assessora da equipe que vai buscá-la no aeroporto ou rodoviária e fica o tempo todo disponível, mostrando as coleções mais adequadas ao perfil da loja e cuidando da parte burocrática.

Na verdade, o serviço é uma versão do personal shopper para o atacado. No mais, o escritório de representação da Gi funciona como um escritório da loja em São Paulo, cuidando do relacionamento da loja com as confecções, trocas, enfim, do dia-a-dia que não acaba quando a cliente volta para sua cidade.

5) Qual a sua relação com o Bom Retiro? Para você, quais são as qualidades e os defeitos das lojas do bairro?

Eu a-m-o o Bonriê [Bom Retiro]. Eita povo rápido e profissional. Estão na terceira geração e hoje dão aula de como fazer fast fashion, como montar vitrines, como colocar tendências imediatamente à venda.

Nestes dois anos de Money Gloss muita coisa mudou (no início eu fotografava e saia correndo…rsrsrs). Hoje eles abrem as portas dos showrooms, dão liberdade para mostrar suas novidades e, claro, obtém retorno com essa postura pois o blog direciona muitas vendas.

Como em qualquer outro lugar, o Bonriê, é claro, tem de tudo. Procuramos mostrar o que há de melhor.

Já na parte dos defeitos ficam as cópias mal acabadas, que acabam gerando má impressão para os compradores e, sem ter a ver com as lojas, a falta de infra-estrutura do bairro, que alaga, tem mau cheiro e muito lixo.

6) O que você e a Gil estudaram para fazer o que fazem? Pode dar alguma dica para quem quer fazer o mesmo?

A Gi cursou serviço social e aprendeu a trabalhar com mona na prática. Eu estudei jornalismo e sempre trabalhei em marketing.

Como dica ficam a paixão, o interesse pela pesquisa e muita, muita muita dedicação.

7) As vitrines que vocês postam no site são de lojas que só vendem no atacado?

Sim, todas são exclusivamente para o atacado.

Tags: , , 04.11.2011 - 08:36 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 17 Comentários
Página 1 de 6 | 123456