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A POP ARTE DE MEL RAMOS
Mel Ramos é um californiano com um trabalho super pop que eu tive o prazer de conhecer no Villa Stuck em Munique (o trabalho dele e não o Mel Ramos em si, né!?! haha). Ele cresceu – e apareceu – no mundo das artes na década de 60 com pinturas bem figurativas e realistas e que quase sempre associava imagens de mulheres nuas com marcas de produtos tipo ketchup, coca-cola, charutos, pneus… Ele retratava aquelas mulheres perfeitas, quase de plásticos, tipo coadjuvante de filme do Elvis Presley, sabe!?!

Assim como Andy Warhol, Mel Ramos se utiliza de imagens fortes da cultura pop e ícones da mídia de massa (tipo atrizes famosas e celebridades do momento) e mostra como tudo acaba sendo um produto comercial, consumível e efêmero. E lógico que me fez brilhar os olhos quando vi que nessa exposição tinha toda uma sessão de suas “fashion paitings”.
Assim como ele pintava bebidas, cigarros, comidas enlatadas (ahãm! ele tem toda uma série em homenagem às sopas campbell’s do seu colega na classe artística!!!) ele pintava mulheres mega sensuais em vestidos Courreges ou em conjuntinhos Pucci, algumas vezes com um cortes estratégico que deixava escapar seios ou um pedacinho da lingerie outra vezes tapando o corpo todo mas deixando o rosto com um sorriso maroto e aquele olhar sexy! E daí fica a prova de toda a efemeridade, comercialidade e popularidade da moda, embora muita gente ache que ela devesse ter status de obra de arte!!!
PERSONALIZANDO NA OKTOBERFEST
Semana passada voltei de férias! Passei duas semanas viajando de carro pela Alemanha com o meu amor e o nosso primeiro destino foi Munique. A gente sabia que ia chegar lá enquanto estava acontecendo a Oktoberfest, mas não deu muita bola pra isso, porque achou que fosse alguma festa mais localizada e que a vida da cidade ia continuar acontecendo normalmente, mas não foi isso que a gente encontrou… ainda bem!
A cidade estava colorida, florida, cheia de gente, alegre! Essa festa é um super motivo de orgulho pra eles, é uma tradição e que, ao contrário do que a gente pensa, não está ligada aos litros de cerveja que uma pessoa possa beber. A coisa mais bacana (pra mim) foi descobrir que muitas pessoas durante essa época se vestem com os trajes típicos em homenagem ao evento. Mas elas se vestem assim pra viver a vida!!!
E daí que o que me chamou muito a atenção foi que o que poderia ser uma “fantasia” virou roupa. Aquelas meninas/mulheres/senhoras personalizam o vestir da roupa típica: cada uma fazia a sua própria coordenação de cores ou de estmapa – tinha gente que era mais ousada, mais colorida, tinha gente que era mais neutra. Algumas usavam as saias mais longas na altura da canela, outras usavam mini saia. A variedade de acessórios era enorme: escarpins com saltos, sapatilhas, tênis, bolsas grandes na mão, bolsas pequenas a tiracolo, colares de pérolas, correntinhas…
Dava pra perceber quem era mais moderninha, mais tradicional, mais pirigueti, mais recatada, mais logomaníaca, mais refinada. Tinhas até as muito ricas, cheias de tecidos lustrosos e ouros!!! E era tão gostoso ver que aquelas mulheres se detacavam por formar um grupo tão uniforme e tão heterogêneo ao mesmo tempo… faz a gente pensar que se elas conseguem comunicar tanta personalidade mesmo se vestindo com a “mesma roupa”, então a gente – com todo um universo de peças – não precisa se vestir igual a todo mundo, certo!?!
E olha que quando cheguei em Berlim e fui folhear a Vogue alemã dei de cara com editorial só com as roupas das meninas de Munique! Tá aí na galeria e vale muito como inspiração!!!
AJUDA NO OLHAR PRA DENTRO
Fui ao True Love Tattoo, estúdio de tatuagem, na semana passada e voltei com uma estória que pode se relacionar com moda. A Nanda, tatuadora de lá, contou que tirou do estúdio as pastas com desenhos de referência – sabe umas pastonas, tipo com o portfólio do tatuador, pras pessoas escolherem desenhos? O estúdio dela não tem mais essas pastas, não tem referência externa, não tem exemplo nem idéia solta no ar. Nadica de nada.

Ela explicou que tatuagem é de usar, é do corpo, faz parte de quem a gente é – por isso a referência deveria vir de dentro, e não de fora (muito menos de uma pasta de desenhos feitos pra ooooutras pessoas). Se identificar é uma coisa, curtir um desenho ou uma idéia é outra. A Nanda contou que tava chegando gente no estúdio, pedindo a pasta, apontando o dedinho e escolhendo assim, por escolher, o que queria tatuar. E ela resolveu que, artisticamente e com o trabalho dela, ela queria contribuir pra que as pessoas olhassem mais pra dentro, observassem mais o que gostam e o que tem significado INDEPENDENTE de olhar referências ou de ter modelos. E foi assim que as pastas foram guardadas pra nunca mais circularem por lá.
Ela reconhece que pode ser um pouco radical mas vejam, eu pensei bem na relação dessa estória com a gente escolhendo o que vestir ou o que comprar. Mesmo que roupas e acessórios não sejam tão grudados na pele assim, a gente também escolhe (ou deveria escolher) de acordo com quem a gente é. Bem na onda de ter referências pra inspirar, pra abastecerem a gente de opinião própria – e não pra copiar. Ser quem a gente quer ser independente de referências ou modelos. Imagina quanta imagem única, original, nova e arrebatadora a gente ia produzir e encontrar por aí?!?? :)
“A HUMANIDADE ESQUECEU-SE DE SER”
Olha, a gente precisa se concentrar em ‘ser’ e não em ‘ter’. Diz o Saramago, dono do título do post, que ‘ser’ dá muito trabalho porque demanda pensamento, dúvida, perguntar-se sobre si mesmo e mais. Pra gente ser alguém bacana, pra ser humano mesmo, a gente tem que olhar pra dentro, absorver o mundo e devolver já em forma de reflexão, já com opinião. Independente das compras que a gente faz ou do que a gente veste (tem!). Se não for assim a gente é quem passa o cartão de crédito e só. Tudo bem que a gente vive num mundo que funciona mais com consumidores do que com seres humanos, mas consciência de si mesmo é questão individual, cada um cuida de ser a melhor criatura que pode ser – porque né, a gente quer o melhor da vida.

Vale mais ver filme, ver gente, viajar, entender o universo, ler, pensar sobre o que tá em volta da gente (e sobre o que tá mais de longe também!), plantar árvore, ir à praia, se exercitar em relacionamentos e então, deixar isso tudo fazer efeito no exterior, no visual. Pra gente ser alguém que vive direitinho, se divertindo, SENDO ALGUÉM. Senão a gente além de só ‘ter’, passa a só ‘parecer’ também - e o ‘ser’ fica pra trás, e a vida passa pela gente sem a gente ter consicência dela passando.
BLOGS DE MODA BRASILEIRA
De uns tempos pra cá eu tenho acompanhado blogs capixabas – feitos por gente do Espírito Santo sobre a moda que acontece lá no ES (que é onde eu nasci!). Eles fazem cobertura de lançamentos de coleções das marcas de lá, visitam confecções que tem sede nas cidades em que moram, investigam inspirações e estampas exclusivas e mais. Todo dia tem novidade interessante, original, pensada, com opinião e olhar exercitado.
Claro, esses blogs comentam também os lançamentos da Zara ou da TopShop, comentam capas de revistas internacionais, às vezes até publicam uma ou outra notícia prontinha enviada por assessoria de imprensa… mas não vivem só disso (ufa!). Esses que eu to acompanhando tão interessados no local, no que eles podem aproveitar na prática – e não só como inspiração! – no que pode também interessar mais alguém que não esteja lá por perto. Claro, eu me interessei porque o ES é a minha casa-do-coração, de onde eu vim e onde está toda a minha família – mas ainda assim me interessaria, de tão legal que é o conteúdo que eles tão produzindo “lá em casa”.
Acompanhar esses blogs me fez pensar em mais “moda local” que eu posso estar perdendo – não só eu, mas todo mundo, né? Imagina, nesse Brasilzão desssstamanho, se em cada lugar tivesse alguém com vontade de dividir o que tem visto no bairro, no pólo de confecções da sua cidade, na faculdade de moda em que estuda… a gente ia ver menos repetições do último lookbook da H&M e ia conhecer mais do nosso próprio mercado. E trocar mais referências, e rechear repertório imagético, e conhecer outras idéias e muito mais.
Então se você faz um blog assim, contando da moda que você vê/usa/faz aí onde você mora, com o seu olhar e com as suas associações, deixa o link num comentário pra que a gente te conheça e conheça a sua casa na internet. Se você conhece alguém assim ou acompanha um blog desses, indica pra gente. Vai ser muito legal deixar pra trás a etiqueta de ‘blogs brasileiros de moda’ pra assumir identidade de ‘blogs de moda brasileira’. Né?!??
INSPIRAÇÃO COLORIDA DE CEREJEIRAS
Diz que as cerejeiras só dão flor uma vez por ano, e bem rapidinho. Desde o ano passado eu tava dooooida pra ver de perto, na vida real, e fiquei de olho no site do Parque do Carmo – onde a comunidade japonesa de Itaquera mantém um campo cheio dessas árvores (tem mais de 2000!). E chegou a hora, e duas semanas atrás lá fui eu… QUANTA LINDEZA! Enquanto eu passava debaixo de túneis de galhos cobertos com as florzinhas eu pensava “ai queria estar de cor-de-rosa dos pés à cabeça – amanhã vou me vestir de pantera cor-de-rosa pensando nessa florada tão incrível” e tals. Mas aconteceu que, quando eu cheguei em casa e fui ver as fotos, eu vi mais cores! As cerejeiras floreiam uma vez por ano mas a gente pode fazer essa coordenação de cores render o ano inteiro! Né? Beijos, Fê. :)

MODA COMO ESTILO DE VIDA
Eu li uma entrevista das irmãs-estilistas da Rodarte em que elas falaram, num momento, de “moda como lifestyle”. E elas nem diziam muito, só soltaram isso como conceito. Gente, A GENTE VIVE A MODA COMO LIFESTYLE! Quem não se veste só porque é obrigado a se cobrir, quem curte escolher o que vai usar a cada manhã (ou a cada dia anterior, haha!), quem tá de olhos – e coração! – abertos pra enxergar inspiração-de-usar em tudo que tá em volta… vive a moda, não vive? Achei tão legal isso da gente não só amar roupas e looks, não só fazer compras ou ler revistas ou ver desfiles na internet: melhor ainda é efetivar essa moda na prática (na vida!), ter gosto pela escolha, pela liberdade, ter vontade de experimentar e ser feliz com o que se tem. Por mais simples que as escolhas sejam (alô dia-a-dia!), o que vale é o mor e a idéia. Que aí, exercício, coragem, segurança, criatividade, confiança e sorriso em frente ao espelho vêm junto no pacote! Senti orgulho de ter a moda como estilo de vida, e senti a maior alegria de pensar que tem aqui no blog um grupão de gente que também adotou/tá adotando esse ‘lifestyle’! Beijos, Fê. :)

((Elas podiam ter se inspirado na foto da colcha com almofadas e parede e quadrinhos, não podiam?!??))
DESFILES COMO ESTÓRIAS CONTADAS
Um amigo querido (que fez faculdade de cinema) explicou tempos atrás que o cinema é um sistema todo pensado e preparado pra envolver quem se dispõe a participar da estória que vai ser mostrada. Tudo escurinho, com roteiro minuciosanente trabalhado, com imagens cuidadas, com lugares confortáveis, com isolamento de outros sons que não sejam o áudio do filme… e mais: quanto menos contato com o exterior a gente tem (alô celulares desligados!), mais a gente se deixa seduzir e entender a estória que tá sendo contada. É muito verdade né?

E aí é bem possível pensar que com desfiles acontece quase a mesma coisa. Tudo ali tá preparado pra gente conhecer e entender uma estória com início (a inspiração!), muitos meios (tecidos,formas, proporções, cores, sapatos, acessórios, maquiagem, cabelo) e um fim que acaba fazendo parte das nossas vidas, na prática. Tem elementos pensados e preparados pra embalar a gente no decorrer da narrativa – tipo no cinema! – com trilha escolhida a dedo, iluminação e cenários elaborados, modelos selecionadas com critério e tals.
Então a gente vai fazer força pra participar integralmente dessas “contações de estórias de moda” a partir dessa quarta-feira, pra desligar celulares – e twitter! – durante cada “show”, pra absorver tanta informação e poesia quanto for possível… e depois, então, dividir e comentar com todo mundo aqui no blog, lá no twitter, no flickr e nos vídeos de balanço todo fim de dia. Preparadas pra essa edição de verão 2011 do SPFW? ;-)
LOOK BOM PRA VER FUTEBOL!
Não é que eu viva pensando em pautas e no que pode virar post – mas é impossível não prestar atenção na moda quando se vestir é uma “atividade” tão cheia de consicência – por causa do trabalho na Oficina de Estilo! Tipo, essa semana eu fui assistir a um jogo de futebol no estádio pela primeira vez e a última coisa que eu esperava era voltar de lá com um post, mas voltei. Fiquei encantada com a quantidade de gente sentindo a mesma coisa junto, ao mesmo tempo (to achando esse “coletivo” das coisas mais poderosas do mundo!), torci, gritei, prestei muuuuita atenção (não tem narração, não tem replay, não tem câmera lenta!) e me diverti horrores. E pensei que teria me divertido ainda mais se soubesse disso antes, ó:

• Durante o jogo a gente senta e levanta mil vezes. Quando os jogadores tão tocando a bola a gente tá sentadinha, quando tem um lance mais pra perto do gol a gente levanta num pulo (quase isso). E parte de baixo maleável é um super facilitador dessa movimentação toda – eu fui de calça de moletom fininho e “se dei bem” (haha).
• Na hora de torcer não vale só gritar e cantar os hinos do time, bater palma faz super parte do pacote: se estádio já não é muito lugar de desfilar com bolsa, quem vai pra torcer precisa menos ainda de ocupação extra pras mãos! Jogo de futebol é ótima oportunidade pra gente redescobrir a função utilitária dos bolsos e usufruir deles. Exercício de edição pra levar só o essencial, exercício de planejamento pra não estufar pedaços estratégicos da silhueta. Quem não conseguir desapegar pode escolher bolsa mais fina com a alça longa, tipo carteiro, que provavelmente também funciona (vou testar na minha próxima ida ao estádio!).
• Pezinhos protegidos são uma boa, viu. A gente anda um tanto até chegar ao estádio, depois até achar o lugar em que vai sentar – e nunca se sabe o que nesse chão, né gente. Vale teninhos, vale sapatilha mais fechadinha, de repente vale até assandalhados que cubram mais os pés. E tudo confortável que ninguém vai querer perder a comemoração do gol, né.
• Estádio é lugar aberto. Então de dia pode fazer muuuito calor (bate sol na gente!) e no frio pode congelar (fica todo mundo no vento! morrendo de medo de chover, haha!). Materiais naturais tipo brim, jeans e algodão ajudam a não parecer que a gente tá enrolada em plástico, e jaquetinhas de couro ou de náilon aquecem e protegem do vento. Fica a dica.
E aí que estádio também pode ser lugar de paquera (vários gatinhos em volta). E as meninas que vão de camiseta ou de jaqueta do time pra que torcem podem se destacar da multidão só de trocar o jeans por outra peça. O uniforme da galera é calça jeans + camisa do time, então o jeans tradicional pode dar lugar a outras cores de jeans, a calças em brim, a bermudas arrumadinhas, pode aparecer por baixo de vestidinhos (tipo jumper, sabe?) e pode aparecer coordenada com terceira peça – como o meu amigo Renato fez (na foto!). Mais legal ainda é usar as cores do time coordenadas em peças convencionais e não só na camisa – tinha uma torcedora do São Paulo com calça branca, blusa vermelha e coletinho preto!
COMPRAS COM EXPERIÊNCIA (BONS TEMPOS)
Os primeiros shoppings daqui de São Paulo não eram como os de hoje – um monte de galerias foram construídas no centro da cidade, nas décadas de 50 e 60, por gente muito bacana. A idéia era convidar arquitetos pra pensar espaços que interagissem com quem passa pelas ruas (as galerias são abertas de um lado a outro das ruas!), que criassem um ambiente bacana pra passeio e – só então! – pudessem também oferecer experiências de consumo. Tipo “vamos viver a vida do melhor jeito e, então, como parte da alegria, fazer também umas comprinhas”.

Mais legal ainda é que esses arquitetos (que por si só já trabalhavam os espaços como obras de arte) convidavam artistas e designers pra pensarem com carinho o piso, as paredes, as plantas e o que mais “enfeitasse” esse precursores dos shoppings centers. Tem galerias no centro (ainda hoje, resistindo ao tempo!) com paisagismo de Burle Marx, com colunas de Niemeyer, com painéis de Portinari, com pisos desenhados por Bramante Buffoni e mais. No lugar de caixonas de concreto que só fazem a gente olhar vitrines por todos os lados, essas galerias queriam que a gente visse arte, vegetação, design e inteligência em volta da gente – vitrines também, mas não só isso. E não com a mentalidade consumista-desenfreada que a gente tem agora, sabe como?
Quem se animar de fazer um passeio por essas galerias (eu fiz esse daqui!) vai se pegar pensando que em outros tempos tinha gente que pensava que experiência de compras devia valorizar mais quem efetiva a compra, quem tem a necessidade, do que o procuto em si. Vale mais quem compra do que o que se vende: a gente é a vida que a gente leva e não o que o cartão de crédito permite ter. Porque né, grande parte de ter estilo é saber viver bem. Beijos, Fê.












