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COM CONCEITO E COM PRODUTO
É uma delícia ver um desfile mais conceitual, ouvir a música que a equipe de criação escolhe pra tocar, entender o cenário em que a roupa é mostrada e então saber da estória que as peças carregam em si. Mesmo que essas peças sejam esquisitas (na passarela), mesmo que a imagem seja difícil – quando a estória é coerente a gente encontra fragmentos dela nas peças que vão ser vendidas nas lojas, tipo “estória diluída” em estampas, caimentos, cores, tecidos. Legal é isso mesmo: aprender a “ler” desfiles de um jeito que faça a gente imaginar como cada inspiração vai se desdobrar nas coleções comerciais das marcas que desfilam.

Ao mesmo tempo não vale ver tanto conceito na passarela pra depois não encontrar nada desse conceito nas araras da loja. Tipo o desfile é tão doido, tão uma viagem, que não tem como virar peça-usável – e aí o que se vê na loja tem quase nada de relação com a estória contada no desfile. Por isso ia ser incrível se todo mundo (mais…)
FOLHEANDO A (NOVA) REVISTA POP
O vídeo dessa semana tem a gente e o Guga, colaborador-amigo dessa Oficina há tempos. O Guga deu essa aula de vanguarda em editoria de moda pra gente ao folhear a primeira edição da Pop com editora nova, uma russa chamada Dasha Zhukova. A estória já começa boa: a Dasha é filha de uma mãe super intelectual e um pai político das altas e estudava medicina/homeopatia na Inglaterra quando conheceu seu marido super milionário. Casou e tomou por função organizar a coleção de arte do marido, e daí foi aparecendo mais e mais nesse universo (das artes) até virar uma moça “papparaziável” na Inglaterra.
Mais: nessa onda ela promoveu a arte de mil jeitos na Rússia e se envolveu com moda de levinho, na época em que surgiram as “wet leggings” – diz que ela montou uma confecção e foi a primeira a “reproduzir”, com preços camaradas, as leggings com aspecto de molhada que Balenciaga desfilou. Muita doideira? Nada, menina. O resto é estória daí até chegar à editoria da Pop, na sequência de ninguém mais ninguém menos que Katie Grand (que hoje edita a Love, que a gente também já folheou!).
O Guga explica mais as diferenças da Pop de Grand e da Pop de Zhukova nesse post aqui, que tem também a tradução da “carta da editora” que essa última escreveu pra Pop que a gente folheia juntos no videozito. Clica pra ver que é uma aula mesmo!
FOLHEANDO O LIVRO DA MICHELLE OBAMA
A mais nova aquisição da biblioteca-fashion da Oficina de Estilo merecia ser folheado em vídeo! O livro de moda que estuda os looks de Michelle Obama é uma delícia visual, cheio de referências incríveis e dicas inteligentes, valiosas de verdade – vai render muito mais que só esse vídeo, já na semana que vem tem post-inspirado. E folheando assim, rapidinho, já dá pra ter uma idéia da importância imagética da primeira dama dos Estados Unidos. Não só na nossa moda (de agora), mas uma importância simbólica, pra vida – que envolve mais que moda! O que os looks e a imagem de Mrs. Obama ensinam é coisa de valores, de consciência, de aceitação e principalmente de sucesso na simplicidade. Vê o vídeo e vira fã junto com a gente!
FUGINDO DA PRIMEIRA IDÉIA
Sabe quando a gente tem coordenações já prontas – e previsíveis – pra peças do próprio armário? Tipo “ah, essa blusa estampada de azul e branco eu uso com… calça branca!” ou “vestidinho cáqui com verde eu sempre uso com coletinho cáqui”?!?? Derivação do pensamento: “blusa pink eu uso com jeans” OU PIOR!, “qualquer top super colorido eu uso com… calça preta!” Essa é a primeira idéia de que a gente tá falando! E é dessa primeira idéia que vem à mente quando se pensa em coordenar qual-quer-coi-sa, dessa idéia mais óbvia e segura, que a gente tem que fugir!

Quase sempre as alternativas que a gente se força a achar pra essas primeiras idéias são mais legais, mais originais e mais autênticas. E nem sempre é fácil – às vezes a gente só pensa num tipo de coordenação, e é assim que vale mais o esforço: tem que tentar de um jeito, tentar de outro, provar até o que na teoria tem tudo pra dar errado… até dar certo. E tentar pensar em outras cores, em outras estampas, em outras texturas e outras mensagens. Tipo: com uma saia longa e super étnica a gente pensa logo em regata branca e colar de madeira, né? Pois mais legal seria caminhar pra direção contrária e juntar essa saia com uma camisa de botõezinhos, mais larga, e com um colar de correntes douradas, por exemplo. Sacou?
Isso daí vale pra tudo: pra peças específicas, pra sapato, pra bolsa, pra acessórios menores… e funcionam na prática com pequenas mudancinhas, mas gerando grandessíssimos resultados. Exercício que a gente precisa por em prática a cada escolha do que usar de manhã, a cada provador de loja vsitada. Porque idéias que parecem conflitar, quando colocadas em prática, só acrescentam interessância – e originalidade! – ao look. Oficinas em campanha contra a obviedade do visual!
ENSINAMENTOS DE OUTRORA COM ARIANNE PHILLIPS
Nem tão de outrora assim, porque ela continua arrasando no trabalho! Arianne tem um currículo que muita gente gostaria de ter: trabalhou com gente bafônica do mundo pop e grandes nomes da moda – tipo Madonna e Tom Ford. E desde os fim dos anos 80/início dos 90 ela faz figurino de filmes bem famosos. Foi ela a responsável pelos looks de Garota Interrompida, Hedwig – Rock, Amor e Traição, O Corvo, O Povo Contra Larry Flynt e Johnny e June (com indicação pra Oscar inclusive!)

Arianne fez o styling da Madonna na turnê The Confessions, em 2006. Também trabalhou como personal stylist de Justin Timberlake e Courtney Love. Fez fotos pra The Face, Vogue Itália e mais. Ela consegue contar estórias de pessoas (personal stylist) e estorinhas inventadas (editoriais) com o mesmo bom tom, com o mesmo cuidado de detalhes – e por isso é reconhecida como ‘rara’ no meio onde trabalha. (mais…)
INTELIGÊNCIA NO VESTIR
Tem cinco minutos (valiosos!) de inteligência em moda com Alber Elbaz, estilista da Lanvin, nesse vídeo aqui (dica de @BellaCabral no twitter). Com a admiração dele pela mulherada de hoje – “por mim o novo James Bond seria JANE Bond!” -, com ele curtindo rugas e não curtindo botox, com ele dizendo que um vestido vermelho pode substituir um tylenol e com essa idéia, ó:
“Nesses tempos várias áreas diferentes do design – em carros, em computadores, em arquitetura… – tem falado sobre ‘design inteligente’. E na moda a gente ainda tá estagnado com ‘glamour’, com idéia de ‘sexy’. Se a gente toca de leve na parte ‘inteligente’, a coisa vira ‘intelectual demais’.” Tradução super livre, claro, do que ele fala pertinho do quarto minuto de vídeo (em 3:38).
Ele quis dizer de como “moda intelectualizada” soa perjorativamente, soa pesado. Parece distante e pra poucos, parece difícil. Se a gente simplificar, moda intelectuaizada é toda aquele que rende algum pensamento pra além da roupa – ou que veio de alguma idéia que não foi motivada só pelo pano. A gente tenta fazer isso todo dia, nos nossos looks (todo mundo aqui na Oficina, aqui no blog, em volta da gente!): procurar sentido, procurar relação, acrescentar significado e relevância pra cada peça que a gente escolhe, entender o valor da roupa e da coordenação. Não só porque intelectualizar é tendência em várias áreas do design (o que por si só já é lindo, incrível!), mas porque a gente é mais feliz com a moda assim. Com sentido e com sentimento. Sem pretensão, sem esse ‘peso’ que se dá às coisas – quase sempre sem precisar, podendo ser mais leve! Bem como Alber Elbaz diz. Né? ;-)
FOLHEANDO UMA VOGUE ITÁLIA DE 2007
A gente já folheou aqui no blog as revistas de moda que a gente mais ama. Então deu vontade de folhear livros (não só de moda!), revistas com outros temas… e revistas antigas mas importantes pra gente! Tem uma seção aqui na Oficina de Estilo de “revistas encapadas” – as que marcaram a gente, as que fazem a gente suspirar até hoje, têm a capa revestida de papel contact pra que o tempo não maltrate tanto. (Um beijo pra minha mãe que me ensinou a encapar coisas quando eu ainda era criança! Haha!)
Quem inaugura a seção “folheando revistas encapadas” é essa Vogue de janeiro de 2007. Um pouquinho antes desse blog completar um ano de vida, saiu a revista com capa de computador e editorial de youtube. Folheia com a gente pra entender que importante, que antes-do-seu-tempo, que demais! ;-)
TRINTA ANOS DE MODA NO BRASIL – O LIVRO
Marília Scalzo é jornalista e, na minha formação ela contribuiu um monte porque escreveu o livro Jornalismo de Revista, espécie de guia obrigatório para o que eu queria fazer quando crescesse. Ela já dirigiu o Curso Abril de Jornalismo e deu (ou dá?) aulas de jornalismo de moda no Senac.
Bob Wolfenson é fotógrafo, clicou milhares de editoriais e campanhas de moda e hoje edita a revista S/N.
Mariana Lanari editou livros de moda importantíssimos nesse mercado que começa lentamente (e só cresce, a gente torce!) aqui no BR. Entre eles, a tradução de A Era Chanel, T-O-D-A a coleção Moda Brasileira e está preparando um livro sobre o Flavio de Carvalho.
Costanza Pascolato é figura importantérrima do mundo da moda e, segundo a própria, está ganhando todos os prêmios de jornalismo de moda ultimamente, “por antiguidade”.

E todas essas pessoas + a Editora Livre estão envolvidas com o livro recém-lançado Trinta Anos de Moda no Brasil – Uma Breve História, (mais…)
ENSINAMENTOS DE OUTRORA COM DENER
A gente falou de Diana Vreeland e Edith Head nessa “seção” do blog e agora é hora de falar de um grande nome da moda brasileira: Dener Pamplona de Abreu. Ele nasceu no Pará, mas começou a trabalhar com moda no Rio de Janeiro – super novinho, lá pelos 13 anos. Aos 21 ele já tinha ateliê próprio em São Paulo.

Dener era apaixonado pela alta costura. Diz-se que ele era fã do Cristóbal Balenciaga – que fundou a Balenciaga – e a influência ídolo-fã no trabalho do brasileiro a gente nota no gosto pelo clássico, pelos detalhes e riquezas nas roupas especiais, de festa. Dener se “apropriou” de elementos da alta costura para enriquecer seu trabalho. E por tanto preciosismo, por utilizar o artesanato e mão de obra especializada, pelo rigor, por tudo ser feito sob medida para suas clientes, Dener fazia luxo de verdade – por isso “ousava” chamar seu trabalho de alta costura. (mais…)
UM POUQUINHO DE HISTÓRIA DA MODA COM BALENCIAGA
Hoje a gente escuta esse tanto sobre Balenciaga, sempre com referência a uma moda muito atual, ligada nas ruas e no mundo globalizado, mas a história da maison é antiiiiiiga! E a simplicidade apresentada em suas coleções de agora – seja nas formas ou nas idéias, tudo sempre é simples mas muito impactante – acompanha a imagem da marca desde sempre. Cristóbal Balenciaga começou a costurar ainda jovem, com sua mãe (que era costureira), e foi incentivado a se aperfeiçoar por uma senhora da sociedade espanhola, chamada Marquesa de Casa Torres. Tempos depois ele abriu seu próprio ateliê e, pra se especializar em alta costura, comprava vestidos de grandes costureiros franceses, desmanchava todas as peças e as refazia do seu jeito! Com o começo da Guerra Civil Espanhola, Balenciaga foi obrigado a deixar seu país e partiu pra França – onde logo logo abriu um outro ateliê – isso era 1937. Os compradores franceses não demoraram a reconhecer o talento do jovem espanhol, mesmo que ele fosse esquisito: diz que Cristóbal Balenciaga tinha uma relação super ruim com a imprensa, por medo de que suas criações fosses copiadas. E mais: diz que ele apresentava suas coleções em desfiles tipo um mês depois de todo mundo, por conta desse mesmo medo!

A simplicidade sempre foi a marca registrada das criações de Balenciaga, mas não uma simplicidade qualquer: o corte de suas peças é considerado o mais preciso de todos, o mais genial. Quando todos os costureiros franceses de sua época moldavam formas com corsets ou com camadas de tule como suporte, Balenciaga conseguia seus volumes (inimagináveis!) sem suporte interno nenhum. Em 1958 (mais…)











