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QUANDO QUERO CALOR, FAZ FRIO

O desejo é ouro, a posse é prata, já dizia um dos ditados judaicos mais legais de todos os tempos. Aqui no Brasil, o desejo é materializado pelos lookbooks de lojas gringas. H&M, Madewell e até as gringas com filiais como Zara e Kate Spade nos fazem suspirar, só que pela estação errada. Quando lá está calor, aqui começa a fazer um ventinho. Quando por lá as coisas esfriam, por aqui a gente começa a achar que colar esquenta pra burro.

A internet, essa diva, trouxe um monte de referências que, anos atrás, só quem podia fazer compra de mês na banca de revista importada tinha acesso, mas deixou nossos desejos desajustados. Queremos vestidinho de primavera em julho e passa pra cá esse cachecol em dezembro. Claro que boa parte da culpa vem do fato de que a grama do vizinho sempre parece mais verde, mas a outra parte vem do fato de que, olha, não é que ela é mesmo mais verde? Não é que as lojas gringas capricham mais nessa história de lookbook? Oferecem opção para vários estilos enquanto as daqui parecem se destinar a dois ou três tipos de consumidora meio caricatas, tops.

É bem difícil ser feliz na moda sem aceitar a pessoa que você é, o lugar onde você mora e as possibilidades que tem. Essa não deve ser uma aceitação conformista, mas a base para tirar o que há de melhor nesses nossos “fatos consumados” e mudar o que dá para mudar tanto na gente quanto nas condições materiais.

Uma estratégia para ajustar esses nossos desejos deslocados é fazer pastinhas separadas para as diferentes estações, assim ninguém precisa se torturar com referências de calor quando está fazendo frio. Outa ideia é aproveitar nosso inverno ameno para simular uma primavera gringa (/aslokas) com ajuda de meia-calça e cardigãzinho. No verão/inverno, quando as temperaturas se radicalizam lá e aqui, o jeito é aceitar que em dezembro até maxi colar já parece cachecol do lado de cá do Equador.

Tags: , , , , 25.05.2012 - 12:30 | Postado por juliana Categorias: na vida real 1 Comentário

SOBRE IMPORTÂNCIAS E RESULTADOS

Tem nove anos que a Oficina de Estilo existe e que eu e a Cristi trabalhamos juntas como consultoras de estilo. Do início pra cá a gente foi moldando o aprendizado numa metodologia só nossa, autoral e super focada no que é importante pra gente — vem daí a decisão consciente de trabalhar mais com gente do que com roupa, de entregar ‘ferramentas de elevar auto-estima’ e não somente ‘moda’. O resultado que a gente quer ter a cada trabalho é cliente que se enxerga com mais amor, que tem mais tolerância consigo mesma (e por consequência com o outro também), que se aceita com serenidade e que procura fazer o melhor que pode com os recursos que tem no presente, no agora. A sequência desse resultado é a cliente buscar/a gente entregar mais e mais recursos, pra que esse “melhor” seja sempre aperfeiçoado.

Na semana passada a gente encerrou mais uma turma do nosso amado Workshop de Estilo Pessoal, um programa pensado com o coração pra entregar essas ferramentas pra grupos de mulheres ao mesmo tempo (e não só de cliente em cliente). No Workshop a gente consegue, de 22 em 22 participantes, oferecer caminhos pra que todo mundo tenha coragem de olhar pra dentro, de assumir o que é importante pra si, de identificar como viver de acordo com isso (visualmente) e de se encontrar — com autenticidade, verdade e alegria — em frente ao espelho. No fim dessa nossa segunda turma a gente entendeu que o método que a gente criou, assim como na consultoria de estilo pessoal individual, tem o efeito que a participante/cliente se propõe conseguir: tem gente que topa se autoavaliar com honestidade; tem gente que ainda tá bastante ligado no “de fora”, no que é externo (e no que a gente não controla!). E quem tá mais preocupada com o que acontece dentro do que no que acontece em volta alcança resultados mais eficientes e seguros.

Isso de olhar pra dentro, de entender o que é importante pra gente, não tem como levar pra outra direção que não seja o acerto: as únicas expectativas que a gente consegue controlar são as nossas próprias, e quando essas tão supridas então tá tudo bem, tudo ótimo. Nossas participantes de Workshop e nossas clientes tão experimentando isso na prática: se curtindo, comprando melhor, se arrumando em menos tempo, tendo sensação de estarem preparadas pra tudo (relacionado a ocasiões e guarda-roupa) — cada uma na medida que se propõe. E a gente, profissionalmente, tem experimentado a realização de ver cumpridos todos os nossos propósitos, de ver nossas motivações filtrarem clientes e público que quer as mesmas coisas. Na última etapa de WS uma das participantes disse pra gente que tá se sentindo linda, que tá se vestindo exatamente como sempre quis, que tá segura em relação às suas escolhas e que, ainda agora, não sabe NADA de moda ou de tendências. Não é maravilhoso? :)

Tamos entendendo aqui que vale pra tudo: vale pra escrever textos, pra abrir blog, pra se vestir, pra escolher onde quer comer, pra fazer amigos, pra trabalhar, pra tudo. A gente identifica esse foco, essa certeza de que tamos trabalhando com coerência, consistência e consciência, como responsável pela nossa realização profissional aqui na Oficina (e que delícia é se sentir realizada profissionalmente!). Mais importante — na vida! — é prestar atenção no que tá dentro da gente, no coração, e seguir adiante nessa direção, com esse propósito: o de fazer o que faz sentido pra gente, o que faz a gente feliz. Resultado bom é consequência certa.

 

Tags: , 15.05.2012 - 16:53 | Postado por Fernanda Categorias: mais oficina, na vida real 19 Comentários

TRUQUE PARA GAVETAS VELHAS

Essa vem da revista da Oprah (MUSA!) e a gente, que mora em apartamento antigão, adorou: diz que gavetas de madeira, dessas pesadas, quando começam a agarrar (muitas vezes por causa de umidade, fica a dica) e demorar pra abrir… deslizam fácil fácil com cera. Tipo: abre a gaveta toda, pega uma vela, vai passando em toda madeira que serve como base pro deslize da gaveta e pronto. A gente aqui pensou que valia a pena até tentar com uma vela dessas bem cheirosas pra aliar gostosura à solução. Alguém já experimentou? Tem soluções alternativas? :)

Tags: , , , , , 14.05.2012 - 12:43 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 7 Comentários

VESTINDO A CARAPUÇA!

Se você vestir o jaleco de um médico, sua habilidade de prestar atenção e ser cuidadoso automaticamente aumenta. Parece estranho, mas foi isso que os psicólogos da universidade de Northwestern, nos EUA, descobriram durante uma pesquisa sobre o efeito psicológico de determinadas roupas. Segundo eles, vestir uma peça com determinado significado tem efeitos psicológicos sobre as pessoas. No caso do jaleco do médico, o que acontece é que a pessoa que o veste tenta incorporar características que costumam ser associadas aos médicos, como a atenção e o cuidado, tornando-se elas mesmas atenciosas e cuidadosas.

A gente está careca de saber que aquilo que vestimos é avaliado pelos outros, que eles nos tratam diferente se estamos de vestido ou de calça, de preto ou de roxo, com óculos ou sem, mas a grande questão é que antes mesmo do outro reagir a gente começa a se comportar de maneira diferente de acordo com a roupa que vestimos. Uma vez, Kim Cattrall (atriz que interpreta Samantha em Sex and The City) deu uma entrevista dizendo que calçava os sapatos de salto da personagem mesmo quando o diretor avisava que só iria filmar da cintura para cima. Ela – que na vida real disse que só usava Nike! – precisava dos sapatos para incorporar a personagem. Aqui nos trópicos, o Chico Anísio costumava dizer algo parecido: ele contava que não conseguia imitar a voz de um personagem se estivesse vestido de outro. Não fluia.

Mesmo quem não é ator consegue usufruir dessa ideia de “vestir o personagem”. Muita gente que trabalha em casa já constatou que o ritmo não flui como deveria se a gente permanece de pijama, por exemplo. Percebe o quão legal isso é? Significa que, ao escolher o que vestimos, podemos escolher quais comportamentos queremos reforçar em nós mesmas. O que você quer ser hoje? Atenciosa, cuidadosa, produtiva, sexy, engraçada?

INSCRIÇÕES ABERTAS PRA MAIS UM WORKSHOP!

A gente aqui na Oficina é super satisfeita com o lugar que ocupa hoje no mercado de consultoria de estilo do BR, de verdade. Há nove anos a gente se dedica exclusivamente a crescer profissionalmente e a ajudar a fomentar (na medida que consegue!) todo um “ambiente” mais comprometido, alinhado, cordial e cooperativo. Essa é uma profissão tão nova, de exercícios e variedades tão recentes, que a gente entende que não existem concorrentes, existem colegas de trabalho.

Talvez por isso a gente receba muitos MUITOS emails perguntando como começar, do que é preciso pra exercer, o que estudar, como divulgar o trabalho, como conseguir clientes e mais. Esses são os emails mais respondidos por aqui – mais até do que os que perguntam o que fica bem em determinada silhueta ou o que usar em casamentos de dia (!!!). Então a gente decidiu organizar toda info que a gente entrega individualmente, nesses emails, em forma de um workshop – curto mas bem objetivo! – pra que mais gente pudesse ter mais repertório pra decidir “se é isso mesmo” e aperfeiçoar o próprio jeito de trabalhar.

A idéia é conversar abertamente sobre a realidade e o cotidiano de quem escolhe seguir a consultoria de estilo como profissão. Vale deixar claro que o workshop não habilita ninguém a exercer consultoria, nem ensina técnicas relacionadas com silhuetas, cores ou estilo (ninguém se forma em profissão nenhuma em poucos dias né) — não é um programa de formação e sim um panorama do mercado e da profissão!

TAMOS COM DUAS TURMAS ABERTAS, COM DISPONIBILIDADE DE DATAS E HORÁRIOS BEM VERSÁTEIS — CLICA PRA SABER DE VALORES, DO PROGRAMA SUPER DETALHADO E DE COMO FAZER INSCRIÇÃO! A gente já fez esse workshop antes e, dessa vez, reviu o programa, atualizou informações, recheou o programa ainda mais e tá preparando um material bem útil pra entregar pra quem estiver com a gente lá… então vai ser bem legal, certeza. E olha, vão ter oooutros programas ainda nesse semestre, viu! ;-)

Tags: , , 07.05.2012 - 13:42 | Postado por Fernanda Categorias: mais oficina, na vida real 7 Comentários

COMO GUARDAR NOSSAS BOLSAS

São da revista da Oprah essas imagens aqui, que mostram maneiras perfeitas de guardar bolsas com formatos diferentes. Incrível como a gente ama tanto esses acessórios (bolsa é top acessório importante pra mulherada néam) mas quase sempre acomodas as coitadinhas sem carinho e sem visualização propícia — alô geral guardando as bolsas dentro de saquinhos de tecido! Em guarda-roupas de clientes a gente tenta seguir esse mesmo esquema das imagens: bolsas com volume em pé, alinhadas de lado pra que caibam mais bolsas e pra que a gente consiga enxergar todas; bolsas “flat” deitadinhas e esticadas, pra manter o formato e ficar fácil de pegar; carteiras e bolsas pequeninas também alinhadas de ladinho (e quaaaantas a dona do armário fotografado tem!). Sacada esperta é a de “fabricar” enchimento com jornal amassado dentro de saquinhos de tecido – de sapatos ou das próprias bolsas: o papel jornal garante interior sequinho e livre de mofo enquanto o volume da bolsa é mantido sem tanto esforço. A gente aqui na Oficina acha a Oprah MUITO do nosso grupo, o de gente interessada em fazer a vida funcionar de verdade… na vida real! :)

Tags: , , , , , 23.04.2012 - 17:03 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 11 Comentários

O QUE FAZER COM O QUE JÁ NÃO QUERO?

Limpar o armário do que já não cabe no corpo e na vida da gente costuma ser o primeiro passo de qualquer revisão de estilo, além de um bom hábito para todo mundo levar para a vida e repetir periodicamente, tipo exame de rotina. Liberar os chakras do guarda-roupa dá uma sensação de leveza e ajuda a gente a enxergar melhor o que tem – as possibilidades mais versáteis de uso dessas coisas! – mas deixa a cama repleta de roupas sem uso, com as quais a gente não sabe o que fazer.

Para tentar acabar com o dilema da cama abarrotada reunimos quatro boas sugestões de destino para as peças que um dia você já amou e que muita gente pode continuar amando.

Passe adiante

Há quem encontre verdadeiros achados no próprio guarda-roupa, mas tenha medo de dar para uma amiga que combina mais com a peça com medo de ofendê-la. A gente acha que quando a seleção é feita com carinho, o tom nunca é de “fica com a minha sobra” e sim de “isso vai ornar melhor em você do que em mim”.

Pense no quanto é legal ir tomar um café com uma amiga e, de repente, ganhar uma blusa linda só porque ela não está mais com vontade de usar.

Venda

Se a peça custou um valor considerável e está impecável, é natural que surja a ideia de reaver uma parte do dinheiro investido, afinal, a gente está se desfazendo de uma compra impensada, não de uma roupa velha. Nesse caso, vale a pena procurar brechós como Capricho À Toa e Trash Chic, organizar uma “swap party” (festinha de trocas e compras entre amigas) ou recorrer ao Enjoei, site que seleciona e anuncia peças incríveis com descrições impagáveis.

O Enjoei cobra comissão de 20% sobre o valor final da peça, que é definido pelo antigo dono. Já os brechós não divulgam o quanto acrescentam no preço de revenda.

Karen Saluotto, uma das nossas participantes na primeira turma do Workshop de Estilo Pessoal, já vendeu mais de 400 peças para brechós de São Paulo e Jaguariúna desde o ano passado e passa a dica: os preços da capital bem mais vantajosos. Ela conseguiu levantar R$ 1.800 com a venda de cerca de 150 peças para o Capricho À Toa, mas levou apenas R$ 500 quando vendeu 100 peças para um brechó do interior.

Se você tem uma grande quantidade de peças boas a serem desovadas, vale montar um blog simplezinho com fotos e preços e divulgar para as amigas (mesmo no Facebook!), assim é possível fugir das comissões. Se os posts estiverem recheados de coisas realmente bacanas, vale até pedir que as amigas divulguem pra outras amigas. ;-)

Doe

A doação é de longe o destino mais nobre que a gente pode dar às roupas que não usa mais. Essa época do ano, quando estamos nos aproximando do inverno, muitos estados fazem campanhas de coleta de agasalhos. No site da Campanha do Agasalho do Estado de São Paulo há uma lista de todos os postos de coleta. Dá pra buscar o ponto mais perto da sua casa usando o CEP. Fora das épocas de campanha, quase todas as instituições de caridade como asilos e orfanatos aceitam doações de roupas em bom estado.

Na hora de doar é preciso ter o mesmo carinho que a gente tem ao separar uma peça para dar para uma amiga: não vale entregar nada sujo ou rasgado.

Das mais de 6 milhões de peças arrecadadas pela Campanha do Agasalho de São Paulo em 2011, cerca de 40% acabarem leiloadas para empresas que, depois de passá-las por um moedor, transformam os trapos em estopa. Isso porque tem gente que doa roupas sem nenhuma condição de uso. Para não pagar o mico de ter suas doações transformadas em estopa, seja fina como Hebe Camargo na propaganda da campanha e doe os paetês que te ajudaram a brilhar na televisão (brinks).

Reaproveite

Essa dica vale sobretudo para roupas com estampas incríveis. Se ficou velhinha e já não satisfaz como roupa, vale tentar usar a estampa luxo para outra finalidade como almofada, faixa para o cabelo e até lanterna para velas elétricas.

Tags: , , , , 18.04.2012 - 13:13 | Postado por juliana Categorias: na vida real 10 Comentários

FÓRMULA DA OFICINA PRA MONTAR LOOKS

Quem acompanha a gente no Instagram tem visto os bastidores do nosso trabalho de looks nas casas das clientes. É incrível ver como é possível fazer render o que a gente já tem no guarda-roupa: em duas horas a gente consegue montar, vestir e fotografar de 20 a 30 looks – e quanto mais personalidade definida a cliente tem, mais looks a gente consegue fazer. Tipo assim: quando a gente olha pra dentro, define o que é importante (pra gente, independente de moda!) e sabe com clareza o que quer (da vida!), essas “importâncias” viram direção pros looks a ser montados. Tipo, se pra uma cliente é importante estar confortável, seduzir e ainda assim se sentir elegante, então todos os looks – mesmo os de fim de semana, mesmo os de balada, mesmo os de trabalho – precisam fazer com que ela se enxergue confortável, sexy and elegante em frente ao espelho. Sacou? A partir daí o serviço é mecânico e a gente tem um passo-a-passo, ó:

SELEÇÃO DE PEÇAS
A primeira coisa que a gente faz é separar um número variado de partes de baixo, de acordo com a intenção dos looks. Mais calças e saias retinhas pra fazer muitos looks de trabalho, mais shortinhos e jeans pra fazer muitos looks de finde/balada. Geralmente a gente seleciona 10 partes de baixo ao todo e 2 ou 3 vestidos – considerando que a gente não quer estar por mais de duas horas com a cliente (por que né gente vestir tudo tirar tudo é uma super ginástica e cansa!). A gente dispõe as partes de baixo sobre a cama, com um pequeno espaço entre elas pra acomodar opções de partes de cima sobre cada uma. As partes de cima a gente seleciona na sequência, já montando os looks.

MONTAGEM
Pra cada parte de baixo a gente seleciona 3 partes de cima diferentes e variadas. A gente pensa em variações que rendam, com as mesmas partes de baixo,

looks de frio e de calor
looks claros e looks escuros
looks mais coloridos e looks mais neutros
looks mais formais e mais informais
looks com estampas e looks lisos
looks pra usar com salto e sem salto
com bolsa grande e com bolsa pequena

e as partes de cima são responsáveis por essa variação de temas/propósitos. Nessa etapa a gente também escolhe terceiras peças pra incrementar o que for menos de calor ou mais formal. Todas as partes de cima a gente vai colocando sobre cada parte de baixo, como num peuqneo monte de looks “desmontados”, e cada parte de baixo vira um centro de possibilidades (hihihi).

SELEÇÃO DE ACESSÓRIOS
A gente deixa a porta dos sapatos e das bolsas aberta ou separa uma quantidade boa e variada pra usar nas coordenações que fizer (e deixa tudo pertinho da gente). Vale também separar lenços, colarzões, braceletes, broches e tiaras/acessórios de cabelo — esses a gente troca bastante e é com eles que toda a vibração de um look pode mudar (!!!). Brincos, anéis e pulseiras muito finas ficam tão pequenos nas fotos que a gente prefere não usar pros looks (mas a cliente fica super à vontade pra incrementar como quiser as fotos que a gente faz!).

AÇÃO + FOTOS!
Com partes de baixo selecionadas, partes de cima diferentonas escolhidas pra cada uma e acessórios à mão a gente parte pra ação e a cliente começa a provar tudo que agente separou. Começa por uma parte de baixo, prova a primeira possibilidade de parte de cima, “acessora”, se vê no espelho e a gente fotografa. Bora pra segunda possibilidade de parte de cima, bora “re-acessorar”, bora fotografar de novo. E assim a gente vai: a cada parte de baixo a gente vai provando/acessorando cada uma das três possibilidades pensadas e fotografando tudo, um look por foto. No fim a cliente tem um álbum não só de looks, mas de infinitas oportunidades de exercitar trocas e substituições pra fazer render tudo que comprou na vida!

* “Mas gente e os vestidos???” –> vestidos contam como parte de baixo pra gente nesse dia de looks! Pra cada um a gente tenta acrescentar colete, cinto, lenço, meia-calça, cardigan, jaquetinhas, bota/sandália, etc etc etc. Tem que arranjar jeitos diferentes de usar a mesma peça – e isso vale também pra macaquinho e macacão!

** A gente curte montar os looks sobre a cama, mas nada impede de geral usar arara, cadeiras, o próprio cabideiro do armário e tals. O que vale é o exercício!

*** A gente tem sempre à mão, em dias de fazer looks, tesourinhas e alicates de bijú, alfinetes, cola de tecido, coisas de ‘primeiros socorros’ de personal stylist. Vai que tem linha solta, botão caindo, essas coisas né?

**** Uma delícia é fazer isso tudo com música tocando! Nossa sugestão de playlist fica sempre aqui nesse link, ó! :)

 

Tags: , , , 21.03.2012 - 12:29 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 35 Comentários

COLAR + LENÇO

Essa é das antigas (nem taaaanto!) mas só aparece aqui agora: essa da foto é a Beatriz, nossa aluna na primeira turma de Workshop de Estilo Pessoal. No fim do Workshop a gente tem um “momento compartilhador de aprendizado imagético”, e foi nessa ocasião que a gente viu esse truque aí – o de emoldurar um lenço com um colar de várias voltas. Repara que o lenço é coloridão, estampadão, e a Be escolheu um colar calmo de pérolas, classiquinho. Equilibrou mensagens e complementou formas, superfícies e texturas. Vale lembrar que tudo de mais legal que a gente usa perto do pescoço, chamando atenção pro alto, faz com que a gente crie ilusão de silhueta mais alongada (alô centímetros a mais de mentirinha!) – ao mesmo tempo em que disfarça qualquer atenção que bumbum e quadril possam chamar sem que a gente queira!

A gente pode, então, pensar que tudo mais liso, mais escuro, mais neutro e mais reto pode ser entendido (pelo olhar do outro) como mais formal, mais calmo; por outro lado tudo que é mais cheio de texturas, mais arredondado, mais claro e colorido pode ser entendido como mais informal, expansivo. Assim é só ‘fazer a conta das mensagens que a gente quer transmitir, e em que proporções – e exercitar com as nossas próprias cores texuras e formas. Nem que seja assim, em pequenas doses de coordenação de colares e lenços. Né?

Tags: , , 30.01.2012 - 15:18 | Postado por Fernanda Categorias: na vida real 15 Comentários

SOBRE O VALOR DA BELEZA

Passeei por 12 dias no Peru na virada do ano, gente, e essa foi uma viagem super diferente de tudo: cheia de cheiros novos, sabores incríveis, natureza, história e balneário-delícia (alô Lima!), tudo misturado. Eles tiveram por lá muuuuitos povos bem inteligentes, que dominaram territórios, fizeram construções super fortes, realizaram experimentos bem impressionantes em medicina e criaram sistemas de agricultura e irrigação ultra inteligentes. O mais famoso desses povos foi o que formou o Império Inca, que a gente estuda na escola (lembra?), e junto com todas essas façanhas chama atenção também a habilidade de desenvolver tecidos e tapeçarias, adornos feitos com pedras e conchas (!!!) e o gosto pelo brilho do ouro e da prata. Diz que quando os espanhóis chegaram pra dominar essa civilização, a primeira leva de saques mandou pra Espanha 12 navios lotados dos metais preciosos dos Incas.

Os espanhóis foram atrás de riquezas, os Incas curtiam ouro e prata pelo adorno, somente. O sistema de valor deles nada tinha a ver com ‘metais preciosos’ (eles usavam um sistema de nós em cordinhas como dinheiro, veja), mas eles amavam o polimento, o acabamento e o brilho que o ouro e a prata davam às suas construções de pedra – alô cordenação de cores: cinza-pedra e dourado-ouro é sempre uma lindeza, desde os tempos Incas. Enchiam tudo de ouro pra enfeitar, pra viver a vida envolta em beleza, pra agradar os olhos. Não era pelo valor monetário/financeiro, não era por “quanto tinha custado”, não era pra ostentar nem nada. Era pra animar a vida daquela gente toda, pra dar orgulho, pra bilhar o olho! Tinha mais a ver com dignidade do que com valor-de-dinheiro.

E aí que numa estradinha no interior de Cusco, indo de um passeio a outro, tinha uma feira. Local mesmo, de legumes e verduras e utilidades, como as nossas feiras de bairro, num povoadinho super humilde e nada-nada turístico. A gente pediu ao motorista pra descer e conhecer, ele achou super esquisito mas topou – e foi com a gente porque era um povoado tão roots que pouca gente falava espanhol: quase todo mundo falava Quéchua, que é a língua dos Incas e que se passa até hoje de geração em geração (super bonito isso). As fotos que ilustram esse post foram todas tiradas lá. Ninguém lá esperava ver turistas, ninguém tava vestido pra festa. Quem tava ali tava cumprindo uma função do dia-a-dia, tava abastecendo a cozinha/a casa, rotina. E olha, elas tavam todas LINDAS.

Tava um frião e dá-lhe leggings de lã pro baixo de 5 ou 6 camadas de saias, todas bordadas (to-das), rodadas, cheias de aplicações e brilhos. Cardigans ainda mais coloridos e vibrantes do que as camisetas arco-íris usadas por baixo. Casaquetos com texturas criadas com fitas e botões, mantôs multi-coloridos que carregam nas costas compras e crianças, chapéus com babados e pequenos enfeites nas pontas das tranças feitas nos cabelos. Gosto pelo adorno, vontade de se enfeitar e de embelezar a vida – independente do valor que esse adorno tem, independente de quanto custa, beleza pela beleza. Pelo brilho no olho. Tanto faz o que todo mundo em volta tava achando, ou quanto dinheiro aquilo tudo valia, ou se alguém reconheceria de que marca (oi?) aquilo veio. Um colorido que ofuscava a humildade do lugar, das pessoas, das coisas. Um mar de animação visual, um super sopro de inspiração.

Me fez pensar na nossa relação com a beleza, com o dinheiro, com o espelho, com amor próprio. A gente se ama mesmo ou quer mostrar o que tem? A gente curte o que usa pelo que é ou por quanto vale? A gente gostaria das mesmas coisas se elas não fossem produzidas pelas marcas que produzem? Elas lá nesse povoado do interior de Cusco se curtem tão genuinamente, tão sem ligar pro que todo mundo em volta acha… que produzem respeito e admiração (me produziu amor também, viu). Tem a ver com o que elas vestem, mas é tão mais digno e importante!

Tags: , , , , 18.01.2012 - 10:28 | Postado por Fernanda Categorias: diário, na vida real 31 Comentários
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