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O CAMINHO DA LANVIN ATÉ À H&M
Imagina uma francesinha aprendiz de costureira que inicia uma carreira de chapeleira na Paris de 1890. Daí essa chapeleira (e aprendiz de costureira) começa a fazer roupas pra sua irmã mais nova e pra sua filha – e as clientes que comprava chapéus com ela se encantam com as suas criações. Diz que era tudo combinandinho, tipo roupa de mãe e de filha iguaizinhas (alô marcas de hoje fazendo isso daí, né). As encomendas começaram a se multiplicar, mais e mais clientes (importantonas) curtiam as roupas que essa francesinha fazia, e então ela abriu uma loja/boutique na Rue du Faubourg Saint-Honoré. Essa francesinha chamava Jeanne Lanvin. Rá!

Tempos depois Jeanne Lanvin entrou pro sindicato da alta-costura e aí deixou de ser essa francesinha que começou como chapeleira e aprendeu a costurar (ô se aprendeu!) e passou a ser uma ‘couturiére’: o que ela fazia, então, passou a ser alta-costura. Isso era em 1909 e ela já tinha também artigos de decoração, moda masculina, peles e lingeries pra vender nas suas lojas. Daí foi um pulo pra nossa amiga Jeanne Lanvin expandir grandiosamente a marca com o lançamento do perfume Arpége (em 1927) e se tornar uma das estilistas mais influentes da primeira metade do século XX, por conta dos seus bordados com miçangas em cores limpas/claras, dos florais (meio que uma marca registrada do trabalho dela), dos vestidos românticos com uns toques de severidade – que a gente percebe até hoje nas criações da maison. Alguém lembrou dos babados-drapeados em tecidos estruturados? Então!

O sucesso de madame Lanvin e sua marca era tanto que teve um tempo em que ela abriu uma fábrica de tintas (!!!) em que era elaboradas as cores originais e sutis da sua “paleta Lanvin” – tá boa?!?? Acontece que uma hora essa criadora morreu, a administração da marca ficou por conta de sua filha, que quando morreu deixou pra uma prima e assim vários estilistas passaram por lá (inclusive o Ocimar Versolato, lembra?). Hoje quem toma conta das criações da maison Lanvin é o – nosso amado – Alber Elbaz, que faz tudo simples e feminino bem com a mesma sacada da própria Jeanne. Um rapaz fuefo que saiu de Israel pra NY, trabalhou em loja de vestido de festa, foi contratado pelo Geoffrey Beene (isso em 1989) e lá exercitou o desprendimento de quaisquer tendências pra focar na execução, no caimento e na idéia de cada roupa. De lá ele ainda trabalhou no Guy Laroche, no Yves Saint Laurent, na Krizia… e então na Lanvin!

Por conta disso tudo é tão legal a H&M disponibilizar produtos baratinhos que tragam pra perto da gente um pedaço desse sonho. Mais legal de tudo é o Alber em si dizer no vídeo que topou não porque era oportunidade de popularizar a Lanvin, mas sim a chance de fazer H&M em versão luxo. Demais, né? A gente é BEM fã. :)
INTELIGÊNCIA NO VESTIR
Tem cinco minutos (valiosos!) de inteligência em moda com Alber Elbaz, estilista da Lanvin, nesse vídeo aqui (dica de @BellaCabral no twitter). Com a admiração dele pela mulherada de hoje – “por mim o novo James Bond seria JANE Bond!” -, com ele curtindo rugas e não curtindo botox, com ele dizendo que um vestido vermelho pode substituir um tylenol e com essa idéia, ó:
“Nesses tempos várias áreas diferentes do design – em carros, em computadores, em arquitetura… – tem falado sobre ‘design inteligente’. E na moda a gente ainda tá estagnado com ‘glamour’, com idéia de ‘sexy’. Se a gente toca de leve na parte ‘inteligente’, a coisa vira ‘intelectual demais’.” Tradução super livre, claro, do que ele fala pertinho do quarto minuto de vídeo (em 3:38).
Ele quis dizer de como “moda intelectualizada” soa perjorativamente, soa pesado. Parece distante e pra poucos, parece difícil. Se a gente simplificar, moda intelectuaizada é toda aquele que rende algum pensamento pra além da roupa – ou que veio de alguma idéia que não foi motivada só pelo pano. A gente tenta fazer isso todo dia, nos nossos looks (todo mundo aqui na Oficina, aqui no blog, em volta da gente!): procurar sentido, procurar relação, acrescentar significado e relevância pra cada peça que a gente escolhe, entender o valor da roupa e da coordenação. Não só porque intelectualizar é tendência em várias áreas do design (o que por si só já é lindo, incrível!), mas porque a gente é mais feliz com a moda assim. Com sentido e com sentimento. Sem pretensão, sem esse ‘peso’ que se dá às coisas – quase sempre sem precisar, podendo ser mais leve! Bem como Alber Elbaz diz. Né? ;-)
ombros e braços na moda: força e poder!
Um dia, numa aula (tempos atrás), a Cris ouviu a Lílian Pacce contar uma estorinha. Diz que ela entrevistou Alber Elbaz, estilista à frente da maison Lanvin (em Paris), e que ela perguntou a ele porque ele tinha trabalhado tanto os ombros das peças da coleção dele (na época). Ele respondeu que na verdade não tinha trabalhado ombros, e sim braços: porque ombros marcados comunicam ‘poder’ e braços trabalhados (em mangas!) comunicam ‘força’. E completou explicando que, na década de 80, a moda super marcou/trabalhou os ombros femininos pra que as mulheres “se equiparassem” aos homens no mercado de trabalho, poderosas em igualdade. Faz super sentido, que ombros marcados (com ombreiras e tudo) moldam uma silhueta em formato de “triângulo invertido”, com parte de cima mais larga que a parte de baixo (do quadril) – e essa silhueta é considerada a ideal pros meninos (tecnicamente), sabia?!??

essas mangas apareceram no desfile de armani privé, na alta-costura
E aí que, depois que as mulheres “já se equipararam” aos homens, faz super sentido a moda comunicar ‘força’, pra que todo mundo dê conta de tudo que assumiu junto com essa igualdade – FAZ SUPER SENTIDO, NÃO FAZ? A gente lembrou dessa estória vendo as fotos da alta-costura (que tá acontecendo agora, tem tudo no style.com!) – e tem mangas trabalhadas sim, mas também tem muito ombro… o que a gente acha?!?? O que todo mundo acha?!??
AJUDA PRA OFICINA: falando em Lílian Pacce, diz que a gente apareceu no GNT Fashion dessa semana, explicando o que é a calça cenoura e ainda contando como usar. A gente não viu ainda, mas tem reprise – alguém consegue gravar e disponibilizar a gente no YouTube, pra por no blog?!?? Hein, alguém ajuda?!??











