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Viver a moda como arquitetura

Não é de hoje que escutamos sobre as semelhanças entre arquitetura e moda, mas já paramos para pensar uns cinco minutos sobre isso? Arquitetura, no grego, significa “construção”. Curiosamente (ou nem tanto), moda, no inglês, “fashion”, significa “dar forma”, ou seja, construir. Além da semelhança etimológica, ambas surgiram na vida do homem tão logo ele sentiu necessidade de proteger. A caverna o protegia em seus momentos de descanso, as roupas o protegiam enquanto ele estava na labuta.

Em uma entrevista para a versão online da Dazed & Confused, o arquiteto Jorge Ayala falava sobre moda e arquitetura, e uma das coisas mais legais que ele disse é que “Apesar de vê-las como práticas paralelas, há também uma grande diferença: os estilistas trabalham para um curto espaço de tempo, que muda a cada temporada, já os arquitetos tradicionalmente focam em uma obra que vai ficar conosco para sempre”.

E não é a mais pura verdade? Enquanto construções duram quase que nossa vida toda (e às vezes bem mais, se pensarmos em quanto os franceses valorizam e conservam sua arquitetura, por exemplo), no nosso guarda roupa dificilmente temos peças que vamos querer usar daqui um ano (quem dirá décadas!). Assim como o trabalho de um arquiteto leva um tempão para ser pensado e feito, o trabalho de um designer de moda é suado e complicado, e muitas vezes têm de ser feito as pressas, pois nós consumidoras estamos louquinhas para comprar roupas novas ao invés de vivermos uma vida bem vivida com aquelas peças que já temos no armário.

Mas já pensou que interessante seria passar a valorizar peças que vão continuar tendo o que dizer daqui um tempão, do que ter uma peça “tendência” nova há cada semana, mas que não vai dar vontade nenhuma de ver quando a onda passar? E além de construirmos um guarda-roupa com vida longa, estamos investindo em uma identidade visual sólida, e valorizando o tão suado trabalho dos estilistas e toda a sua equipe.

É legal ter aquela peça que está em todas as revistas, ou aquele sapato que apareceu em todo site de street-style, afinal, moda também tem tudo a ver com novidade, mas ao invés de gastarmos todo nosso dinheiro só enchendo nosso closet com “tendências”, podíamos fazer delas nossos itens de decoração, e as roupas duradouras, as estruturas da nossa casa.

Porque né, é muito mais legal ter um Niemeyer no armário, do que um monte de barracas de camping ;)

Tags: , , , , 01.04.2011 - 00:05 | Postado por Stephanie Noelle Categorias: mundo da moda 9 Comentários

VITRINE DE INTELIGÊNCIA

A função principal das vitrines de lojas deveria ser inspirar a gente a experimentar propostas – e não (só) render desejo por peças específicas. Né? Consumidor bacana não deveria ser o que quer uma peça de vitrine e efetua essa compra, mas sim o que se interessa pelo conceito da loja, se permite passar tempo dentro dela, vai até o provador e se deixa identificar com o estilo proposto. E pra isso, é preciso mais do que só roupa na vitrine – mais do que só manequins montados com looks legais: tem que ter poesia, tem que ter tema, estória, encanto mesmo. A arquiteta Lina Bo Bardi escreveu em 1951 (!!!) sobre isso: “Não há nada pior para o adquirente do que ter em frente demais coisas para escolher.” E ainda chamou vitrines abarrotadas de “pequenas ratoeiras com mercadoria-queijo para o transeunte-rato.”

Mais: lojas de rua deviam contar com a responsabilidade que tem de também construir a aparência da cidade (além de ter que vender!). A Lina (íntima) também registrou seu pensamento nesse sentido: “A cidade é uma sala pública, uma grande sala de exposições, um museu, um livro aberto a todo no qual podem-se ler as mais sutis nuances, e quem tiver uma loja, uma vitrina, um buraco qualquer fechado por um vidro e queria expor naquela vitrina, quem quiser ter um papel “público” na cidade, toma a si uma responsabilidade moral, (…) a idéia de que a “sua” vitrina possa contribuir para a formação do gosto dos moradores, possa contribuir para dar fisionomia à cidade, denunciar sua essência.”

Isso tudo tem a ver com identidade, que tem a ver com estilo. Se a gente presta atenção até nisso, a experiência de comprar passa a ser mais interessante, a consciência do entorno é despertada e a gente fica mais e mais ligada em quem a gente é, no que desperta desejo na gente, em como o que tá em volta pode influenciar o vestir e mais. Bom pra pensar e exercitar no fim de semana, né? Bora atrás de vitrines de inteligência pra que assim o aperfeiçoamento do estilo pessoal tenha mais meios pra rolar!

Tem no Fashionismo um post bem incrível sobre vitrines, com as imagens mais inteligentes e inspirativas em que a gente pode pensar depois de ler esses textos da Lina Bo Bardi!

Tags: , , , , , 06.08.2010 - 18:43 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 7 Comentários

COMPRAS COM EXPERIÊNCIA (BONS TEMPOS)

Os primeiros shoppings daqui de São Paulo não eram como os de hoje – um monte de galerias foram construídas no centro da cidade, nas décadas de 50 e 60, por gente muito bacana. A idéia era convidar arquitetos pra pensar espaços que interagissem com quem passa pelas ruas (as galerias são abertas de um lado a outro das ruas!), que criassem um ambiente bacana pra passeio e – só então! – pudessem também oferecer experiências de consumo. Tipo “vamos viver a vida do melhor jeito e, então, como parte da alegria, fazer também umas comprinhas”.

galeriaaaaaaaaaaasoficina

Mais legal ainda é que esses arquitetos (que por si só já trabalhavam os espaços como obras de arte) convidavam artistas e designers pra pensarem com carinho o piso, as paredes, as plantas e o que mais “enfeitasse” esse precursores dos shoppings centers. Tem galerias no centro (ainda hoje, resistindo ao tempo!) com paisagismo de Burle Marx, com colunas de Niemeyer, com painéis de Portinari, com pisos desenhados por Bramante Buffoni e mais. No lugar de caixonas de concreto que só fazem a gente olhar vitrines por todos os lados, essas galerias queriam que a gente visse arte, vegetação, design e inteligência em volta da gente – vitrines também, mas não só isso. E não com a mentalidade consumista-desenfreada que a gente tem agora, sabe como?

Quem se animar de fazer um passeio por essas galerias (eu fiz esse daqui!) vai se pegar pensando que em outros tempos tinha gente que pensava que experiência de compras devia valorizar mais quem efetiva a compra, quem tem a necessidade, do que o procuto em si. Vale mais quem compra do que o que se vende: a gente é a vida que a gente leva e não o que o cartão de crédito permite ter. Porque né, grande parte de ter estilo é saber viver bem. Beijos, Fê.

Tags: , , , , , 19.05.2010 - 00:20 | Postado por Fernanda Categorias: diário 23 Comentários

CORES NOS AZULEJOS DE PORTUGAL

Passei 10 dias em Lisboa, amigos de blog, e AMEI o que conheci de Portugal. Super incrível passear por ruas estreitinhas, pensadas pra carruagens puxadas por cavalos (!!!), entre predinhos que já existiam antes do Brasil ser descoberto (ou quase isso). Lisboa tem uma história maluca, de um terremoto que derrubou tudo 250 anos atrás: aquela lindeza toda é fruto de trabalho de reconstrução, e as tradições de antes permaneceram pra gente admirar. É o caso dos azulejos: os quadradinhos de cerâmica cobertos de vidro colorem boa parte das fachadas lisboetas, e inspiram mil combinações de cores pro nosso vestir. Mesmo no frio (que frio!) eu tinha vontade de colorir um pouco mais o look de todo dia, pra sair na foto bem coordenadinha com as paredes! Fiz um álbum desses azulejos, todos de prédios das ruas por onde eu passeei. E juntei os pontinhos de cor que os artesãos usaram na decoração de cada um pra gente ter um álbum de sugestões de cores legais juntas. Dá uma olhada na galeria logo aqui embaixo! ;-)

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No Flickr da Oficina tem mais fotos de azulejos – mais inpiração! – e umas grades de varandinhas, também dos predicos de Lisboa. Bom pra gente pensar em texturas também, junto com todas essas cores lindas juntas (lembra das rendas que eu vi nas férias que passei em NY? essa é a idéia!). Passa lá pra ver!

Tags: , , , , , 08.03.2010 - 00:01 | Postado por Fernanda Categorias: diário 30 Comentários

SERGIO RODRIGUES E A MODA BRASILEIRA

Sérgio Rodrigues é top arquiteto e designer brasileiro, super reconhecido pelo seu trabalho com móveis incríveis. Suas cadeiras são verdadeiras obras de arte e são expostas/compradas no mundo todo. Hoje várias delas “moram” na galeria Espasso, em Nova York. Foi lá que Sérgio contou um pouco como funciona o processo criativo dele, aqui nesse vídeo, ó:

Mais impressionante no depoimento de Sérgio é como ele pensa suas criações como um todo, com simplicidade: beleza, funcionalidade, aceitação, para quem cada peça vai fazer bem (no caso, ele queria que fosse bom para todo mundo!). E como isso tudo tem a ver com moda, não? (mais…)

Tags: , , , 19.02.2010 - 00:06 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 11 Comentários

SPFW INV2010: MARIA BONITA MUITÍSSIMO BEM ACABADA!!!

A Maria Bonita sempre faz a gente suspirar em seus desfiles e hoje não foi diferente. As suas clientes normalmente estão procurando elegância com conforto – a roupa é solta, o caimento é folgado, os tecidos são naturais, as tramas agradáveis – mas nem por isso a roupa é desleixada. Pelo contrário! Suas roupas são chiques, muito chiques. E muito modernas e com muita informação. É roupa inteligente que existe dentro de um contexto, de um conceito, sempre super bem pensado, mas que continua sendo roupa de usar de verdade, no dia a dia!

A coleção passada visitou nossas feiras livres (brasilidade, hein!?!) e hoje a marca se inspirou na arquitetura ultra-brasileira de Lina Bo Bardi. E sabe o que? Lina Bo Bardi deve ter passeado muito por nossas nossas feiras livres, porque um defile tinha uma ligação muito intensa com o outro…

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O quadriculado que uma vez apareceu em tramas, em xadrezes, hoje representou os blocos de concreto. A trama vazada que já foi referênca à cestaria hoje era a treliça que decora as janelas do Sesc Pompeia (projeto de Lina e locação do desfile!). E todos os vazados e recortes que (mais…)

Tags: , , , , , 18.01.2010 - 13:36 | Postado por Cristina Categorias: moda e consultoria 1 Comentário

APRENDENDO COM NIEMEYER

Pára pra pensar que a arquitetura do Niemeyer é diferente de tudo no mundo. No tempo em que ele começou a trabalhar todo mundo tava pensando numa arquitetura fácil de se reproduzir (industrialização, automação), com prédio retos e quadradões. Ele não: tudo saía redondo, sinuoso, único – impossível de se fazer de novo. Nosso herói (nesse post, haha!) prestava mais atenção nas suas vontades do que na onda arquitetônica do seu momento. Ele tinha mais interesse em olhar pra dentro, pensar na sua própria motivação e, aí sim, construir alguma coisa que fizesse essa motivação interagir com o que tava em volta. Percebe que quase tudo do Niemeyer “conversa” com o lugar em que está, com o chão, com as pedras e árvores do entorno, com o horizonte. Sem ligar pra “moda da época”, mas fiel ao sentimento próprio e levando em consideração o que se vive no momento.

niemeyer

Por conta dessas características o trabalho do velhinho é tão único e tão celebrado. A identidade é tão forte, as obras são tão únicas, que as construções são seus próprios “logotipos” – cada contorno desses podia ser uma marca, não podia? Bom pra gente pensar e aprender que identidade visual a gente acha/confirma assim, olhando pra dentro, colocando pra fora com coerência e interagindo com o que a gente tem em volta da gente. Se deu certo pro Niemeyer, tá mais fácil ainda de dar certo pra gente… em escala menor, em exercício mais frequente, com menos pressão e mais alegria. Eu acho! ;-)

Tags: , , , 02.12.2009 - 21:19 | Postado por Fernanda Categorias: diário 9 Comentários

NY TODA RENDADA!

Minhas férias em NY renderam aprendizado sobre arquitetura – nova e velha, tudo junto. Casinhas e predinhos antigos, meio querendo ser europeus (ou cheios de arabescos em metal, menos antiguinhos e já com identidade novaiorquina mesmo), passeam de mãos dadas com arranha-céus envidraçados e supermodernos. É assim por qualquer lugar em que a gente passeie.

E aí, mesmo fazendo esforço pra tirar férias de tudo de moda (!!!), eu vi um monte de rendas naquilo tudo: nos enfeites de portas e janelas, nos contornos dos edifícios, nas tramas de ferros e cabos e estruturas. Rendinhas na arquitetura, gente! E quando fui rever minhas fotos (to revendo o tempo todo) tive vontade de coordenar as minhas futuras rendas – as que eu você e todo mundo vai querer usar no verão – do jeitinho como elas aparecem nessa galeria de imagens aqui embaixo: com listras, com motivos gráficos (alô blocos de concreto!), com transparência, com folhagens e flores e laços, em nude com preto e com toques de verde e tons neutros-escuros. Ó que legal. ;-)

nyrendada

Tags: , , , 29.09.2009 - 17:00 | Postado por Fernanda Categorias: diário 12 Comentários