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GOLINHAS GEOMÉTRICAS
O movimento art-decó teve disso: grafismos e recortes que, sem precisar de mais do que umas linhas retas, já deixavam tudo mais animado. A gente tá vendo – e curtindo – nesse SPFW que vem por aà uma leva de golas geometricamente recortadas, com pontas e esquinas e “quebradas” que decoram só de existir sobre a pele de quem usa, sem precisar de colar nem nada. Vai ser uma delÃcia procurar outras linhas retas – em calças, cardigans, braceletes, bolsas e sandálias – pra coordenar com esses recortes todos. Inspiração que começa num detalhe pequenino e que pode render idéia pra coordenar um look inteirinho!

ARREDONDADOS E ANGULARES
No começo do século passado as artes e a arquitetura e o design e as publicações apareceram cheios de formas orgânicas, lembrando folhas e formas da natureza, arredondadas, fluidas, com florzinhas e arabescos e voltinhas e mais. Era a art noveau (se diz “ar-nuvô”, haha) e as caracterÃsticas desse movimento não ficaram restritas à s telas – todo mundo usava art noveau em tudo, até nos looks.

Quando essa onda fofucha começou a enjoar, o universo das artes resolveu mudar de direção e fazer tudo bem reto, com formas geométricas marcadas (triângulos, cÃrculos, quadrinhos e pontas), movimento que foi chamado de art déco (a gente fala “ar-decô”). E de novo essa onda foi parar não só na arte plástica mas também nos prédios em que se morava, no projeto gráfico dos jornais que se lia, na embalagem dos produtos que se comprava… e nas roupas e acessórios. Todo mundo, em todas as áreas, se ligou numa estética especÃfica e aplicou essa estética de mil jeitos na prática, vivendo isso (e nao só curtindo!).
Olha… então não tem porque, cem anos depois e numa época com vááários movimentos desses, a gente se permitir NÃO viver quaisquer estéticas! :)

Como um exemplo vale pensar nos acessórios que a gente escolhe: brincos e colares podem ser angulares ou arredondados e podem estar em harmonia com as nossas próprias formas – além de participar de coordenação com a gola da blusa (redonda ou pontuda), com o caimento do tecido (molenga ou mais duro), com os sapatos que a gente calça (mais delicados ou mais pesadões), com o cinto que arremata (com super fivela ou fininho, discreto). Fica a dica de aprendizado/exercÃcio pra todo dia, como antigmente!
spfw inverno 2009: a arte de reinaldo lourenço
Quando a gente pensa na década de 20 como inspiração pra uma coleção, várias imagens vêm à nossa cabeça – melindrosas, O Grande Gatsby, franjas, cores nude, Coco Chanel, o fim do espartilho, silhuetas desestruturadas – mas tem que ter uma cabeça muito genial pra pensar os anos 20 como Reinaldo Lourenço fez.
Ele se utilizou das referências do Art Decô pra criar uma coleção de peças mais estruturadas, geométricas, cheia de grafismos. Mais um desfile lindo de morrer!!! Os anos 20 foram anos de muita criatividade e experiências na produção artÃstica. Com a Freud falando sobre o inconsciente e, depois que os impressionistas libertaram os olhares, movimentos como surrealismo, modernismo, dadaÃsmo, expressionismo e muitos outros ismos pareciam naturais de se acontecer (num resumo bem bem bem simplista, hein, gente!!!)

E com Reinaldo parace que também foi assim: experimentações em texturas, brilhos, vazados, formas, golas, metalizados. E dá pra enxergar muito bem que é uma continuidade da coleção de verão. Só que mais pesada, mais invernal.
De concreto, tudo o que a gente tem comentado que vai acontecer no inverno, estava lá – mangas importantes com volume, sofisticação no brilho, silhueta ajustada, looks em preto total, cintura marcada, luxo, transparência sexy. Mas de um jeito bem particular, de um jeito bem Reinaldo Lourenço.










