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A POP ARTE DE MEL RAMOS
Mel Ramos é um californiano com um trabalho super pop que eu tive o prazer de conhecer no Villa Stuck em Munique (o trabalho dele e não o Mel Ramos em si, né!?! haha). Ele cresceu – e apareceu – no mundo das artes na década de 60 com pinturas bem figurativas e realistas e que quase sempre associava imagens de mulheres nuas com marcas de produtos tipo ketchup, coca-cola, charutos, pneus… Ele retratava aquelas mulheres perfeitas, quase de plásticos, tipo coadjuvante de filme do Elvis Presley, sabe!?!

Assim como Andy Warhol, Mel Ramos se utiliza de imagens fortes da cultura pop e ícones da mídia de massa (tipo atrizes famosas e celebridades do momento) e mostra como tudo acaba sendo um produto comercial, consumível e efêmero. E lógico que me fez brilhar os olhos quando vi que nessa exposição tinha toda uma sessão de suas “fashion paitings”.
Assim como ele pintava bebidas, cigarros, comidas enlatadas (ahãm! ele tem toda uma série em homenagem às sopas campbell’s do seu colega na classe artística!!!) ele pintava mulheres mega sensuais em vestidos Courreges ou em conjuntinhos Pucci, algumas vezes com um cortes estratégico que deixava escapar seios ou um pedacinho da lingerie outra vezes tapando o corpo todo mas deixando o rosto com um sorriso maroto e aquele olhar sexy! E daí fica a prova de toda a efemeridade, comercialidade e popularidade da moda, embora muita gente ache que ela devesse ter status de obra de arte!!!
LINKS DE FIM DE SEMANA!
• Textinho sobre a Fiorucci (aquela mesma, dos anjinhos das nossas infâncias, que a Gloria Kalil trouxe pro Brasil!) contando da relação das coleções com a arte – junto com uma mini-entrevista com o cara que fundou a marca! No A Pattern a Day.
• Entrevista sobre o trabalho no mercado editorial de moda no Brasil com a Denise Dahdah, que agora comanda a moda da novíssima (e super legal) revista masculina Alfa – já conhece?!?? No blog dasBancas.
• Tamos vendo uma onda de bijús “estendidas”, tipo anéis de usar em vários dedos, brincos que também são fivelas de cabelo e pulseiras que cobrem o dorso da mão e viram anéis – essas últimas tão no blog Achados da Bia, ó lá.
• Uma aulona de história da moda, especificamente sobre como os sutiãs apareceram e viraram peça obrigatória no gaurda-roupa feminino ao longo do tempo, no Descolex.
• Entrevista incrível com Bob Wolfenson sobre fotografia de moda, sobre trabalho em equipe com outros profissionais da área em editoriais, catálogos e revistas, sobre a revista que ele comanda (conhece a S/Nº?) e mais – no sempre ótimo Moda pra Ler.
• Ótimo post relacionando as cores da última coleção da Maria Bonita com a cor Flicts que o Ziraldo inventou num livrinho infantil (também das nossas infâncias, lembra?), no Saia Lápis. <3
• Direções super legais pra coordenar mil acessórios – todos diferentes! – num mesmo look, no blog da Ana Paula Pedras.
• Sacada de gênia encontrar, aqui no Brasil – mais especificamente no elenco de humor mais popular da nossa TV – uma irmã gêmea pra editora da Vogue Japão Anna Dello Russo (hahahahahahahahaha!). No Aqui Só Tem Bafón!
INSPIRAÇÃO SEM GÊNERO
Não é coincidência a gente ter agora essa vontade louca de usar jeans do namorado, paletó do namorado… ou de ter peças super clássicas, derivadas do guarda-roupa masculino, incorporadas aos nossos looks. Diz que nas artes plásticas – que sempre anuncia vanguardas e documenta comportamentos – já tem um movimento que não separa a humanidade em gêneros: meio que tanto faz quem é homem e quem é mulher, todo mundo é gente! Talvez por isso a gente esteja olhando pra imagens de desfiles e estilo-de-rua masculinos com a mesma atenção e com o mesmo interesse que a gente dedica pras fotos de meninas. Bom porque assim a gente tem menos motivo pra deixar de experimentar qualquer coisa e mais referências pra rechear nosso repertório “exercitável em frente ao espelho”, né?

((Todo mundo nas fotos aqui em cima rende inspiração pra todo mundo. E quem é menino e quem é menina, hein?!??))
ENTRE A GENTE E O MEIO
Um dia, no verão de 1956, Flávio de Carvalho fez sua ‘experiência nº 3′: esse pintor/escultor/arquiteto resolveu não só pensar num look apropriado pros caras de então e promover a idéia pela cidade, ele mesmo vestindo a experiência. Então avisou a imprensa e saiu vestindo saia plissada, sandália baixa e camisa pelas ruas de SP. NA DÉCADA DE 50.
Pode parecer doideira mas Flávio de Carvalho se dedicou a estudar trajes de várias épocas e civilizações, pensou nas funções de cada peça de roupa nas épocas em que elas foram usadas, focou em anatomia do corpo, em conforto, praticidade e sentido de uso na sociedade. A roupa “proposta” tinha a ver com quem usava, com sua cultura, com o clima, com a economia, com tudo em volta.”Fala de identidade, integração e pertencimento a um local através de um elemento que, diariamente, se situa entre nós e o meio: a roupa que vestimos. Fala da negação ou da afirmação de uma identidade local, de um homem permeável e atento ao meio onde vive”. (daqui)
Isso de negação ou afirmação de identidade local, de atenção ao meio em que se vive, e de levar em conta anatomia (alô silhuetas!), conforto e praticidade pode bem ser fórmula pra gente decidir, em casa e todo dia, o que vai vestir… não pode? Meio como integrar o cotidiano nas características do que se veste, pra re-afirmar quem a gente é. E então a gente encontrar o sentido do que a gente veste e fazer nossas próprias performances, sem precisar chocar mas com coerência de artista multi-disciplinar. Não sei vocês, mas eu vou tentar exercitar. Haha. ;-)
NEUTROS MAS NADA-NADA TRISTES
O trabalho do pintor Di Cavalcanti (1897-1976) tem tudo que a gente entende de brasilidade. Suas pinturas tem gente alegre, tem verde, tem música e dança e nada disso parece folclórico demais, caricato. Diz que Di Cavalcanti era apaixonado pelo Rio de Janeiro, fascinado pelo carnaval. Mais legal de é que o carnaval do artista nada tem de pejorativo – ideia que às vezes a palavra pode carregar. Sabe quando alguém diz “nuóóóssa que carnaval esse look, hein”??? Então, nas pinturas que Di Cavalcanti fez pensando nesse tema, o carnaval aparece brasileiríssimo, cheio de formas e pele à mostra, de movimento e de alegria – mas também MOINTO chique, muito elegante, sóbrio sem ser sisudo, contido sem ser chato. Pra gente pensar que coordenação de tons neutros pode sim ter cara de país tropical, né? E se a gente é produto da história e do meio, neutros tem sim a nossa cara!!! ;-)




ROUPA É PRA SER “DANÇADA”
Quando Helio Oiticica, artista super importante – e super brasileiro! – que experimentou mil coisas nos seus trabalhos, tipo pintura, escultura, performances e… costura. Oiticica inventou o que chamou de parangolés, capas gigantes ou “bandeiras de vestir”, cheios de cores e texturas e movimento. Esse movimento, inclusive, era o essencial à “obra” segundo o próprio artista: o parangolé só ganhava vida se vestido por alguém – e não só isso, o parangolé também precisava ser dançado! “A obra só existe plenamente, portanto, quando da participação corporal: a estrutura depende da ação.” Diz o próprio Helio Oiticica que o objetivo do parangolé ser pensado pra ser usado/dançado era “dar ao público a chance de deixar de ser público espectador, de fora, para ser participante na atividade criadora.”

E aí que a gente aqui na Oficina pensou que também é (ou deveria ser) assim com tudo que a gente veste – ou tem vontade de vestir. Moda só é moda se usada, conversar sobre ela não faz com que ela tenha eficácia alguma. Roupa no cabide é uma coisa e, a gente sabe bem, no corpo é outra. E é no corpo que qualquer (mais…)
GRAFITE E INTUIÇÃO
Tá tendo aqui em SP, no Masp, uma exposição só com trabalhos de grafiteiros – chama “De dentro para fora, de fora para dentro” e é muito muito legal ver o que a gente já vê em muros pela cidade… dentro do museu! Não só em forma de pinturas/desenhos, mas também em adesivos, fotografias, instalações e vídeos. Um desses vídeos super me impressionou, mostrando o trabalho do Stephan Doitschinoff. Ele se mudou pra uma cidadezinha do interior da Bahia e grafitou TUDO em volta: casas, muros, capelas e até lápides de cemitério. E o próprio artista conta que, na medida em que ia trabalhando e interagindo com as pessoas de lá (e com o clima e com as casas e com tudo em volta), seu trabalho ia sendo influenciado – pelas cores, pelas formas, pelos temas e até pelas suas crenças pessoais.
Na apresentação da expo tá escrito que esses grafiteiros, tipo o Stephan, “representam uma geração (…) acostumada a quebrar regras e pautar-se pela própria intuição”. E mais: “(esses artistas) aprenderam a fazer arte em contato direto com o público, abrinda diálogos visuais com a população” e isso me impressionou. Voltei e conversei com a Cristi e a gente pensou que (mais…)
PENSE MODA: PENSANDO MODA
Lars Svendsen é filósofo e teórico. Em sua palestra no último dia do Pense Moda sua intenção não era falar sobre a vida prática na moda, mas pensar sobre moda, mais especificamente sobre a crítica de moda.
Pra ele desde que um “fazedor de roupa” passou a ser um designer de moda e se atribuiu um status de artista, a crítica de seu trabalho passou a ser necessária. Assim como existe crítica de arte, de literatura, de cinema, de teatro, tem que existir crítica de moda, se a moda quer ser levada a sério. E ela quer, não quer!?!
Os criadores de moda deveriam entender que a crítica sobre o seu trabalho faz com que suas criações sejam ainda mais criativas! Acontece que o lado comercial da moda faz com que a crítica negativa seja mal vista – tipo “falaram mal de mim agora vou vender menos”. (mais…)
PENSE MODA: TRABALHO DE ARTE FEITO PRA MODA
A ultima palestra do segundo dia de PM foi com o marido da Maroussia, desse post aqui embaixo. Casal cheio de sacadas criativas esse, viu? Jean-Michel Bertin é meio um artista-faz-tudo. Ele é, a princípio, “décorateur”, tipo decorador, sabe? Mas ele começou a se envolver em trabalhos artísticos e mergulhou fundo no mundo da moda.
O trabalho dele se insere de um jeito interessante nessa discussão de arte-e-moda: Jean-Michel faz arte para a moda. Os clientes o contratam para fazer a “arte-cenográfica” de campanhas publicitárias. O trabalho dele é de “envolver” o produto que está sendo anunciado. Sabe? Pra não ficar uma coisa só roupa e modelo, ou só o acessório solto, ele ajuda a agregar valor artístico à propaganda. Ele usa plástico, tecido, madeira… E faz com que produto e modelo interajam com as instalacoes e engenhocas que cria – tudo com materiais “banais”, é bem incrível.

É bem bom ver que lá fora essas iniciativas fashion-artísticas estão dando muito certo. E que tem gente bacana com essa visão de transformar em beleza e arte coisas que estão às vezes na nossa frente e a gente nem nota. Ele também faz cenografia/”set design” de vídeos – comerciais ou não. Na palestra ele passou esse clipe do Justice, é bem legal, vale o clique!












