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BRASILIDADE INTELIGENTE
Muito legal ver uma brasilidade tããão brasileira apresentada com cara de ‘mundo todo’, de atual e de quase-gráfica como a estampa desfilada no Rosa Chá. A marca que fazia moda praia agora tá assumindo uma coisa mais lingerie (e também mais moda confortável, tipo umas saídas que funcionam como roupas mesmo) com o Alexandre Herchcovitch no comando. E aí que os corsets tinham estampa de uma folhona verde e vermelha – que era também o que enfeitava a cabeça das modelos – repetida mil vezes no fundo preto, em versão paca e também em transparência. A folha em questão parece ser essa tamba-tajá (ou tinhorão), super comum no norte do país, com direito a lenda indígena e homenagem em título de disco de Fafá de Belém (brigada amigos do twitter pela ajuda!). Delícia de pesquisa, referência encantadora, de encher os olhos a inspiração ufanista sem ser caricata. ;-)
NEUTROS MAS NADA-NADA TRISTES
O trabalho do pintor Di Cavalcanti (1897-1976) tem tudo que a gente entende de brasilidade. Suas pinturas tem gente alegre, tem verde, tem música e dança e nada disso parece folclórico demais, caricato. Diz que Di Cavalcanti era apaixonado pelo Rio de Janeiro, fascinado pelo carnaval. Mais legal de é que o carnaval do artista nada tem de pejorativo – ideia que às vezes a palavra pode carregar. Sabe quando alguém diz “nuóóóssa que carnaval esse look, hein”??? Então, nas pinturas que Di Cavalcanti fez pensando nesse tema, o carnaval aparece brasileiríssimo, cheio de formas e pele à mostra, de movimento e de alegria – mas também MOINTO chique, muito elegante, sóbrio sem ser sisudo, contido sem ser chato. Pra gente pensar que coordenação de tons neutros pode sim ter cara de país tropical, né? E se a gente é produto da história e do meio, neutros tem sim a nossa cara!!! ;-)




ELEMENTOS PODEROSOS NOS LOOKS DE BRASÍLIA
A gente já trabalhou em Brasília duas vezes, em 2006 com a Cori e agora em 2010 no Park Fashion (aqui e aqui). Dessa última vez perguntaram pra gente do jeito da mulherada (de lá) se vestir e a gente respondeu na hora, quase sem pensar: mulher de Brasília tem look poderoso, que chega chegando – e super-hiper feminino. Talvez por tanta proximidade com o poder-de-verdade (do governo, né), talvez porque tem muita muita gente trabalhando em ministérios e judiciário e bancos e tals (tudo de mais importante na vida tem sede em BSB!), as mulheres da capital sabem comunicar, com o que vestem, que ‘estão com tudo’. Ou que querem muito estar.
O que pode parecer extravagante a gente percebeu como elemento-comunicador-de-segurança. Só usa quem carrega, sabe como? Então a gente percebeu que o look de Brasília sempre tem bolsonas incríveis, saltos altos decorados, muito mais cor no look do que aqui em SP (terra do preto né) e modelagens ajustadas mesmo nas peças mais formais. Os couros que mais fazem sucesso são os exóticos, tipo croco, cobra, avestruz e tals – pra poucas e não pra todo mundo! A idéia é imponência: marca importa menos, presença importa mais. A gente viu por lá muito salto marcante, que não só levanta pezinhos mas que também se fazem notar como decoração do sapato. As bolsas e sapatos desfilam também cores fortes e materiais reluzentes, tipo verniz (superfícies lisas = mais refinamento). Os acessórios tem muito dourado: brincos e anéis e braceletes e correntes de bolsas e laterais de óculos escuros querem fazer a gente lembrar de ooooouro!
E a alfaiataria… mesmo nos looks informais tem um paletozinho ou um shortinho alinhado compondo o visual, sempre de um jeito feminíssimo. A mulherada de Brasília mostrou pra gente uma ‘alfaiataria tropical’, com cores suaves (quase em tom pastel) e tecidos frescos, maleáveis. Tudo mais perto do corpo em blazers ajustados (que elas curtem usar fechadinhos pra marcar a cintura), saias retas, calças que afunilam. Pensa que alfaiataria remete a tecidos de qualidade, impecabilidade de acabamento e caimento, idéia de “tudo no lugar”. Tem muito muito trabalho lá que exige que os meninos usem terno – as meninas tem que estar páreo-a-páreo em adequação/formalidade, mas não precisam deixar de ser mulherzinhas por isso. E quanta lição a gente pode tirar dessas observações, não? Prontinhas pra inserir no dia-a-dia da galera. ;-)
BRASILIDADE NÃO PRECISA SER CARICATURA
Pouca coisa tem mais cara de ‘ brasilidade’ do que palha – e tem tanto acessório legal feito com esse material, não? Por isso mesmo pode também ter cara de folclórico demais, de fantasia, e de informal demais (até meio desarrumado, sabe como?). O segredo pra usar bem pode ser o mesmo que direcionava o uso da palha na arquitetura e no design do tempo modernista/tropicalista brasileiro. E Lina Bo Bardi, arquiteta que amava trabalhar referências locais nos seus projetos, pode ensinar uma coisa ou outra. Na hora de fazer coberturas de varandas, ela misturava palha e materiais “globais” tipo concreto, aço, vidro. Na hora de inserir a palha em detalhes de móveis, ela fazia questão de ter junto materiais refinados e elegantes tipo madeiras nobres. Local e global, informal e elegante, popular e refinado.

Acessórios feitos em palha são incríveis pra se usar assim, nesse hi-lo de sensações. Não seria tão legal misturar acessórios de palha com chita ou renda renascença – isso sim, brasilidade com cara de fantasia, de figurino de filme de sertão. Vale muito mais a pena pensar nesses acessórios como detalhes-acompanhamentos de looks. Mesmo com looks em seda, em alfaiataria, no frio… vale o exercício. Bem brasilidade contemporânea!
SERGIO RODRIGUES E A MODA BRASILEIRA
Sérgio Rodrigues é top arquiteto e designer brasileiro, super reconhecido pelo seu trabalho com móveis incríveis. Suas cadeiras são verdadeiras obras de arte e são expostas/compradas no mundo todo. Hoje várias delas “moram” na galeria Espasso, em Nova York. Foi lá que Sérgio contou um pouco como funciona o processo criativo dele, aqui nesse vídeo, ó:
Mais impressionante no depoimento de Sérgio é como ele pensa suas criações como um todo, com simplicidade: beleza, funcionalidade, aceitação, para quem cada peça vai fazer bem (no caso, ele queria que fosse bom para todo mundo!). E como isso tudo tem a ver com moda, não? (mais…)
PEQUENA NOTÁVEL PELO ESTILO
(Escrito pela Fê!)
Carmen Miranda é a cantora brasileira mais conhecida no exterior e também uma das imagens mais fortes que o Brasil já produziu. Tem mais de cem anos que ela nasceu (em Portugal, sabia?), mas até hoje seu estilo marca o imaginário brasileiro pro mundo – com balangandãs, chapéu tutti-frutti, barriga de fora (ousada!) e fendas incríveis nas saionas. No SPFW em que Carmen foi homenageada (edição de inverno 2009), a blogueira-mantonegro Diane Pernet soltou essa: “os estilistas brasileiros deveriam olhar mais para essa maravilha fashion que foi Carmen Miranda e menos pras tendências internacionais”. Certa ela.
De verdade, apesar da acusação de que era muito “americanizada” – tinha gente aqui, naquela época, achando que ela tinha trocado o pais pelos Estados Unidos – a cantora levou a magia colorida dos trópicos por onde passou. Imprimiu cores e brilhos na sua roupa num tempo bem austero, já que o auge da sua carreira coincidiu com a segunda guerra mundial. Diz que o turbante, (mais…)
A CARA DA MODA BRASILEIRA: ÚLTIMO DIA!
Depois de uma semana assintindo a desfiles e ouvindo tanta gente que a gente admira falando qual é a cara da moda brasileira, não dava pra gente não dar nossa opinião. Quer saber?
E agora? Qual é a cara da moda brasileira?
A CARA DA MODA BRASILEIRA: DIA 5
Mais gente bacana contribuiu pros nossos pensamentos-em-andamento sobre brasilidades, olha que delícia de opiniões!
A CARA DA MODA BRASILEIRA: DIA 4
O que é a cara da moda brasileira? Chamamos mais um monte de gente pra ajudar a gente a decifrar esse mistério. Pode ser uma marca, um estilista, uma cor, sua história, características, valores, uma crítica, um puxão de orelha… Que mais?
SPFW INV2010: AS SACADAS DA AMAPÔ
Como assim ninguém nunca tinha pensado em subverter sobreposições e usar paletós sequinhos por dentro da saia (cinturinha marcada feelings!) ou por baixo da jardineira/macacão? Como assim a gente, AQUI NO BRASIL, nunca tinha pensado em tachas com a nossa cara? Brasileiras, coloridas, anárquicas, quase quase confetes-carnavalescos em forma quadrada, feitos em metal! Mais: vê bem nas fotos as peças feitas com tiras de vários tipos de jeans, unidas (e desunidas!) por zíperes. O fecho dessas peças não existe por sua utilidade, mas como acessório pra propiciar uma nova sensualidade (a mais desfilada pro próximo inverno!): o que se vê entre fendas e recortes (alô zíperes displicentemente abertos!) é mais sensual do que mostrar tudo. Não é?!??

E o colar de pérolas que “nasce” de uma gola/lapela de mentirinha? Quem queria ter a-go-ra levanta a mão! \o/ \o/ \o/













