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ECONOMIA PRAS LIQUIDAÇÕES
Sabe esse desejo de mudança que a gente sente no fim do ano? Essa vontade de resolver tudo de uma vez antes de virar a página do calendário? Na nossa relação com a moda, esse desejo por renovação costuma se manifestar como uma coceirinha na mão que nos faz querer gastar, comprar mais roupas, mudar tudo aqui e agora.
Aproveitar o ano novo para dar uma bela editada no armário, doando as peças que não usamos, é uma ótima forma de trazer essa ideia de renovação. Fazer um mural de referências sugerindo novos jeitos de usar acessórios e de combinar peças também pode atualizar seu armário. Já o desejo maior de todos – o de comprar! – deveria esperar.

Três ótimos motivos para não comprar em dezembro:
1. Publicidade demais: Esse é o mês em que somos mais bombardeados pela publicidade. De bancos e financiadores de imóveis até vendedores de enciclopédia, todos os segmentos do mercado estão vestidos de papai-noel nos chamando para comprar. Com tanta publicidade e euforia, as chances de comprar por impulso e sem pensar são maiores.
2. Décimo terceiro: Sabe aquele sentimento de riqueza e poder que sentimos quando recebemos um aumento? Pois em dezembro o décimo terceiro faz com que todos os assalariados do país sintam essa euforia louca de ter o dobro do dinheiro que costumam ter. Diante dessa riqueza temporária, é óbvio que os preços sobem.
3. Espere a liquidação: A partir do fim de janeiro, as lojas começam a fazer promoções e bazares. Isso acontece porque todo mundo está duro nesse período por conta das farras feitas no Natal e nas férias. Como em terra de cego quem tem um olho é rei, o dinheirinho que você economizar agora, na época das vacas gordas, pode render muito mais se você tiver paciência e esperar a temporada das liquidações.
A gente sabe o quanto é difícil ter dinheiro na carteira, vestido lindo acenando na vitrine e se controlar para economizar, mas tente entoar o mantra da economia e mentalizar a festa das liquidações!
DO QUE A GENTE PRECISA?
Todo mundo já viveu isso: passar em frente a uma vitrine (ou clicar num endereço de venda online) e pensar “eu PRECISO disso!”. Duvido que alguém aqui nunca se justificou usando essa necessidade doida que às vezes a moda faz a gente sentir (é ou não é?). Mas né, com guarda-roupas abastecidos durante toda uma vida, duas-três-quatro portas de armário cheios de pecinhas ótimas (às vezes até mais!)… a gente ‘precisa’ mesmo de alguma coisa?
Pois a gente aqui na Oficina tem re-avaliado nossa relação com consumo. E tem tentado exercitar um novo olhar (de consumo) com as clientes de consultoria.
Ninguém PRECISA de nada, essa é a verdade. Em moda, ‘necessidade’ pode ser inteligentemente substituída por ‘fazer a diferença’. Simples assim: a gente não precisa de nada, mas a gente pode ter coisas que façam a diferença no armário, no vestir de todo dia, na vida prática.
E essa troca de valores não é desculpa pra justificar as mesmas compras que a gente faria por “necessidade” não. Precisar, precisar mesmo, a gente precisa é de consciência, de inteligência pra cuidar do dinheiro que ganha, de esperteza pra escolher onde se vai gastar e com o quê. A troco de quê. Então o que faz a diferença? Como identificar o que é chilique-chamado-convenientemente-de-necessidade e o que faz-a-diferença?
Peça de roupa (ou acessório) que faz a diferença é o que faz a gente dar um salto – de quem a gente é para quem a gente quer ser, sabe como? Peça que dá liga, que serve como cola entre outras tantas peças que podem estar paradas no armário, que faz render um monte de coordenações (lembra da regra das – pelo menos – três coordenações pra cada peça?) – essa faz diferença. Faz toda diferença o que não tem substituo no guarda-roupa, o que acrescenta informação extra, original e nova de verdade dentro do conjunto de peças que já se tem. Isso faz a diferença.
É um tempo de consciência, de viver bem a vida, de dar importância ao que é importante de verdade – e não ao que parece ser urgente. Moda é legal mas não é tão importante, gente. Não tanto quanto ter dinheiro na conta pra estar tranquila, quanto planejar/garantir conforto no futuro, quanto ter contas em dia. Roupa a gente tem – até sobrando. Comprar por comprar é bem demodé. E quando o dinheiro compra o que faz a diferença (e não o que é falsa necessidade) a gente é mais esperta.

Quantos por cento da sua renda são tragados pela moda?
Sabe aquela teoria cármica de que ou você não tem roupa para ir aos lugares maravilhosos que frequenta ou não tem lugares maravilhosos para exibir as roupas que compra? Pois essa teoria acaba de ser confirmada por Samy Dana, professor de finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas.
Nós entrevistamos Samy para saber, afinal, quanto uma pessoa deveria gastar com roupas. A resposta dele é cruel, mas é para o seu bem: um máximo de 30% da sua renda deve ser destinado aos gastos chamados pelos economistas de supérfluos. Isso inclui jantares, cinema, viagens, roupas, salão de beleza, mimos para o seu cachorro, aquele curso que você fará apenas por prazer, presente da sogra e ração do papagaio.

É exatamente por isso que ou a pessoa tem roupas incríveis ou frequenta lugares incríveis, gente: não há orçamento para os dois!
POLLYANA
Antes de ser um motivo de infelicidade, a necessidade de controlar gastos nos faz estabelecer prioridades. Afinal, no primeiro dia do curso de economia os alunos costumam ouvir que economia é a administração de recursos finitos e desejos infinitos. Tinha como traduzir melhor esse turu turu turu no seu peito?
AFINAL, QUANTO EU POSSO GASTAR?
Traduzindo para números mais palpáveis, a recomendação do professor é de que, se você ganha R$ 2 mil por mês, destine R$ 600 para o seu prazer. Já quem ganha R$ 5 mil pode esbanjar R$ 1.500 e quem ganha R$ 10 mil recebe R$ 3 mil de bônus shopping center.
É GOLPE
Há quem tente burlar a regra incluindo gastos com roupa nas contas “necessárias” porque, afinal, estar bem vestido é importante na carreira. Para Samy, o nome disso é tática de autoconvencimento: “Quem precisa estar mais arrumado no trabalho geralmente ganha mais, logo, seus 30% são mais gordos do que os de quem ganha menos. Já quem ganha pouco e mesmo assim precisa de roupas caras deve rever suas prioridades e fazer concessões nos outros supérfluos. Dá para ver isso como um investimento na carreira ou, se o esforço for excessivo, pensar em migrar para uma área com menor grau de exigência estética”.
COMPRAR MENOS, COMPRAR MELHOR
Controlar os gastos é complicado, sobretudo quando a gente ama roupa. No entanto, quem é mais organizado e racional com seus gastos acaba fazendo compras melhores porque reflete antes de escolher e tem sangue frio para esperar o momento certo (ou seja, a liquidação de verdade, aquela que é bem da rara!).
DICAS PARA CUMPRIR A META
- Tenha uma programação financeira organizada e atualizada, com seus custos e rendas de hoje
- Evite entrar em lojas “só pra olhar”. Se a desculpa é “buscar informação de moda”, prefira revistas ou sites. A tentação de ver uma roupa linda cair super bem pode ser forte demais para o seu juízo
- Faça um cofrinho com sobras do seu borderô de supérfluos e reserve para liquidações e vendas especiais que valham a pena
- Quem tem um valor muito pequeno para supérfluos precisa ter em mente que não se pode gastar o valor integral todos os meses. Manutenção do cabelo e compras de creminhos, por exemplo, nem sempre são feitas todos os meses, mas é preciso prevê-las para não ser pego de calças curtas
Para encerrar, o professor recomenda que os outros 70% que sobraram da sua pobre renda sejam multilados da seguinte forma: 30% para gastos fixos importantes (aluguel, condomínio, luz, plano de saúde etc), 30% para poupança e 10% para imprevistos (lembrando que imprevisto é aquele cano que estoura no banheiro, não a bolsa que entra na promoção).
OUÇA O QUE EU DIGO
Aqui na Oficina a gente está quase lá, ó: 10% pra poupança, 60% para supérfluos e 30% para contas do mundo adulto. Em caso de imprevisto, cheque especial!
O fantasma da peça nunca usada
Uma das primeiras tarefas que nós fazemos com as clientes é analisar o que tem no guarda-roupa e não é usado. Nessa etapa, aparecem cobras e lagartos. A parte que causa mais frustração é tirar as peças que nunca usamos, que estão ali paradas com etiqueta e tudo há séculos.

Reconhecer que fizemos uma má compra – pior, várias más compras – é terrível. Envolve assumir que somos consumistas, que não nos conhecemos tão bem assim, que desperdiçamos nosso dinheiro e somos impulsivas. Geralmente preferimos pensar que se “não temos roupa” isso é culpa da falta de dinheiro, mas lá estão as peças sem uso para depor contra a gente! A peça nunca usada é o novo bicho-papão que se esconde no armário!
Diante de uma peça intocada, o impulso mais recorrente é deixá-la apodrecer no armário e fingir que um dia vamos resgatá-la. Essa é justamente a atitude que nós tentamos evitar!. Uma peça parada atravanca o guarda-roupa, toma espaço e não nos deixa ver outra que podia ser usada. Algumas clientes brincam na hora da limpeza chamando a Cris de Capitão Nascimento do tanto de peça que pede pra sair durante o processo de arrumação do armário!
Todo mundo sabe que guarda verdadeiras fortunas mal gastas no guarda-roupas, mas ficamos ainda mais passadas quando vimos essa pesquisa dizendo que, em média, cada mulher britânica tem 285 libras (cerca de R$ 755) em roupas que nunca usaram – o equivalente a 22 peças de roupa desperdiçadas. Juntas, as mulheres do Reino Unido têm cerca de 1,6 bilhão de libras (R$ 4,2 bilhões) e 500 milhões de itens sem uso. Pensa em tudo que dá para fazer com esse valor!
Nessa época de liquidações e queimas totais a gente precisa ficar duplamente atenta para não queimar é o nosso dinheiro, já que 45% das mulheres ouvidas atribuem às liquidações a culpa por todo esse dinheiro desperdiçado.
Um exercício doloroso que a gente queria propor hoje é: vamos encarar o armário e fazer as contas de quanto dinheiro temos lá dentro em roupas pouco ou nada usadas? Será que esse valor não faria toda a diferença gasto da forma correta? Será que não dava para comprar com folga tudo que você vem precisando há tempos?
CONJUNTO BOM DE CORES NO ARMÁRIO
A gente tem por hábito trabalhar grupos coesos de cores nos armários das clientes (e nos nossos também, né). Tipo, primeiro a gente identifica um grupão de cores que faz com que a cliente fique mais bonita (alô análise de cores) e depois pensa em que cores ficam mais legais junto com essas primeiras. E assim, escolhendo ao longo da vida peças nessas cores, a gente vai construindo um armário coerente, em que tudo combina com tudo. Ó que sonho!

E aí que, quase-sem-querer, a gente arrumou um exercício bom pra uma cliente – que pode servir pra (mais…)
LUJINHAS ESPANHOLAS E PORTUGUESAS
Sabe que depois que eu conheci a Cris meu jeito de comprar em viagens mudou: antes eu me programava, fazia planos e listas, saía da origem determinada a “fazer valer” a ida ao destino em função de compras boas pra trazer de volta. Aprendi com a minha sócia-melhor-amiga que viagem é pra curtir, e que encontrar no caminho de cada passeio lugares gostosos – que ainda rendam uma ou outra comprinha! – funciona como mais lembrança de viagem e não compra apenas. Daí o que a gente traz de viagem tem mais sentido, mais estória, é souvenir de usar!

Então vale dividir o que me rendeu souvenirs não-programados (e agora super celebrados!) na viagem que eu fiz à Portugal. Em Lisboa eu conheci o trabalho da Fernanda Pereira, designer que dá tratamento super “artístico” pro que cria, na multimarcas moderninha Galeria de Exclusivos. Minha xará experimenta formas beeeem diferentes em moletom e malha, dessas coisas que a gente tem que provar pra entender (e se surpreender). Faz umas golas avulsas/removíveis que podem enfeitar mil looks (adorei essas golas!) e cria broches com mil continhas que, juntas, formam volumes e texturas lindinhas… com nomes poéticos e tudo! Três broches desses vieram pra casa comigo!

Não sei se contei antes mas minha estada em Portugal rendeu um finzinho de semana esticado na Espanha. E aconteceu que – talvez porque eu tivesse tão ocupada conhecendo, passeando, vivendo em Lisboa! – minhas compras mais legais vieram de Madri. Foi lá, nessa rua (incrível!) chamada Fuencarral, que eu entrei encantada na Fun and Basics. Imagina uma loja com prateleiras cheias de bolsas (mil modelos, mil tamanhos!) multi-coloridas, dispostas como num arco-íris! Tipo a mesma bolsa existe em três tamanhos e em seis cores diferentes, tanta opção… e tudo com um preço lindo! Tem blog e tem um monte de fotos no Flickr da marca, vê lá. Voltei pra casa com uma pastinha de carregar laptop muito muito fuefa, azul da cor do céu de Madri.

Na mesma Fuencarral, em Madri, eu entrei sem querer na Pepa Loves – e no primeiro encontro com o universo da marca eu já me apaixonei. Imagina uma mistura de Maria Bonita Extra com Farm com um caldeirão de bom humor: as estampas fazem sorrir, tudo tem laço, botão fofinho, modelagem esperta e as bolsinhas… são um amor à parte. Vale passear pela loja online da marca – e pelos outros sites também! – prestando atenção aos valores (quando tem), nada desencorajadores (como os nossos aqui no BR). Ah! Da Pepa Loves eu trouxe a bolsinha de cachorro-salsicha, fofura das fofuras! ;-)
COMPRAR NÃO É SE INVENTAR, É INCREMENTAR!
Quem compra um bilhão de roupas novas a cada estação não tem estilo, tem “a cara da estação”. Menos roupa nova e mais constância constroem identidade visual, e o estilo vem daí. Imagina que pra atualizar o guarda-roupa pro inverno a gente pode adquirir 6 peças novas. E que a gente pode ir adquirindo uma por mês (dessas 6), até chegar o frio. Pensa em duas partes de cima, um casaco, duas partes de baixo e um vestido – por exemplo. Se tudo desse conjunto for coordenável entre si – cores em tons coerentes, caimentos similares, proporções que funcionam bem juntas – essa compra sozinha já rende um mini-guarda roupa, ou uma mala pronta. E se esse conjunto, além de ser coordenável entre si também for coordenável com o que a gente já tem em casa, então essas seis peças rendem um zilhão de outras combinações!

Com uma compra de seis peças a gente pode usar roupa nova todo dia, uma peça nova por dia! E se sobrar dindin a gente pode ir fazendo mais compras assim, em grupos de peças – ou programar mais de um grupo desses por estação, tipo: pra esse inverno vale comprar seis (mais…)
PENSE MODA: VENDEDORAS DOS NOSSOS SONHOS
A gente aqui na Oficina é fã da Geni Ribeiro há tempos. Ela já fez palestra no Pense Moda em outras edições (clica aqui e aqui pra ler que super vale a pena) e o que ela fala sempre rende aprendizado bom. Dessa vez, participando de uma mesa de discussão, ela chamou atenção pra um pedaço da “cadeia-fashion” que não tá em dia com o resto. Tipo o Brasil tem designers incríveis, tem gente bacana que administra marcas direitinho – mesmo lidando com a carga tributária surreal e com os empecilhos de crescimento de empresas que existem aqui – tem modelistas, marketeiros, assessores, stylists, tudo de mais legal. Mas em pouca gente especial na equipe de vendas, no comercial. E ela perguntou (com razão) de que adianta esse trabalho todo se, na hora da venda, com o produto na mão, a vendedora não colabora?
A gente trabalha em parceria com vendedoras a cada compra com clientes. Desde sempre a gente sabe que essa parceria pode render imagens lindas em frente ao espelho mas também podem fazer com que uma cliente nunca mais queira voltar à loja onde se teve uma experiência ruim. Quem (mais…)
REGRA DEFINITIVA DA “VERSATILIZAÇÃO”
Pensa sempre que toda peça de roupa que a gente tem no armário ou que quer comprar tem que render pelo menos três looks diferentes. Isso quer dizer que cada peça precisa ser coordenável com outras três peças que a gente tem. E não vale camiseta pink com jaqueta preta, short preto, saia preta: pra valer a pena ter/comprar as nossas peças (to-das) precisam funcionar com outras três peças bem diferentes. Vale até pra vestido, viu? Faz o teste e volta aqui pra dizer se não é uma regra incrível! O guarda-roupa fica enxuto e coeso – e a gente economiza um tanto em compras dispensáveis!


ACESSÓRIOS NA INTERNÊ
Mesmo com um monte de sites legais de vender moda pela internet – mesmo aqui no Brasil né! – a gente aqui na Oficina ainda tem dificuldade de entrar na onda. Porque né, como bem disse a Regina Guerreiro numa entrevista, “gostoso é a emoção de experimentar” – gostoso e essencial. Então, quando a gente não tá super familiarizado com o caimento e com a numeração das marcas vendidas pela internê, fica difícil arriscar assim uma compra sem ter se visto dentro dela antes. Claro, em ocasiões de pechinchas incríveis e de amor arrebatador, a gente até pensa duas vezes. Mas antes disso, a internet tem sido o endereço mais legal de se achar acessórios criativos, variados e quase sempre valiosos-sem-custar-tanto. E melhor: nunca fecha!
Na nossa lintona de links aqui do lado tem uma categoria chamada ‘compritchas’. Ali tem um monte de opções que vendem acessórios: tem brinco, colar, pulseira, bracelete, bolsa, tiara, broche, sapato, anel e mais. Imagina que a gente foca super nas roupas mas que esses pequenos detalhes são super super importantes, especialmente no quesito ‘originalidade’. Tipo, roupa a gente pode ter igual à da amiga porque né, cada uma coordena de um jeito. Mas acessórios são “pontos”, são puxadores de olhar instantâneos – e quando mais arrebatadores eles são, mais o papel deles se cumpre: o de acrescentar personalidade ao visual de quem usa. (mais…)











