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AJUDA NO OLHAR PRA DENTRO

Fui ao True Love Tattoo, estúdio de tatuagem, na semana passada e voltei com uma estória que pode se relacionar com moda. A Nanda, tatuadora de lá, contou que tirou do estúdio as pastas com desenhos de referência – sabe umas pastonas, tipo com o portfólio do tatuador, pras pessoas escolherem desenhos? O estúdio dela não tem mais essas pastas, não tem referência externa, não tem exemplo nem idéia solta no ar. Nadica de nada.

Ela explicou que tatuagem é de usar, é do corpo, faz parte de quem a gente é – por isso a referência deveria vir de dentro, e não de fora (muito menos de uma pasta de desenhos feitos pra ooooutras pessoas). Se identificar é uma coisa, curtir um desenho ou uma idéia é outra. A Nanda contou que tava chegando gente no estúdio, pedindo a pasta, apontando o dedinho e escolhendo assim, por escolher, o que queria tatuar. E ela resolveu que, artisticamente e com o trabalho dela, ela queria contribuir pra que as pessoas olhassem mais pra dentro, observassem mais o que gostam e o que tem significado INDEPENDENTE de olhar referências ou de ter modelos. E foi assim que as pastas foram guardadas pra nunca mais circularem por lá.

Ela reconhece que pode ser um pouco radical mas vejam, eu pensei bem na relação dessa estória com a gente escolhendo o que vestir ou o que comprar. Mesmo que roupas e acessórios não sejam tão grudados na pele assim, a gente também escolhe (ou deveria escolher) de acordo com quem a gente é. Bem na onda de ter referências pra inspirar, pra abastecerem a gente de opinião própria – e não pra copiar. Ser quem a gente quer ser independente de referências ou modelos. Imagina quanta imagem única, original, nova e arrebatadora a gente ia produzir e encontrar por aí?!?? :)

Tags: , , , , , 22.09.2010 - 17:12 | Postado por Fernanda Categorias: diário 30 Comentários

DIVERSIDADE NAS REFERÊNCIAS

O Wardrobe Remix é um grupo colaborativo de fotos no Flickr: todo mundo que curte tirar fotos dos looks que escolhe pode mandar as imagens pra lá e se auto-publicar. Legal é que esse é o canal mais recheado de “diversidade” que a gente conhece (até agora)! Tem gente gordinha, gente baixinha, gente maisnova e mais velha, gente magrela e bem alta, gente mais informal, menos informal… e meio que de tooodo lugar! Até por conta dessas diferenças todas – dessa falta de uniformidade MARAVILHOSA – é mais fácil a gente não gostar do que gostar do que vê: repara como a gente vai fazendo cara feia pros looks num primeiro momento (é aqui assim com a gente!).

Daí, parando pra pensar, a gente vê que a cara feia pode rolar muito mais por que a gente tá acostumada com os mesmíssimos looks de sempre – cintura alta, botinhas no tornozelo, camiseta listrada, barrinhas de calça dobrada, jaquetinha de couro, etc etc etc. Não que no Wardorbe Remix não tenha, mas lá (aparentemente) a tendência que domina é um pouquinho mais pautada pelo universo pessoal de cada um. Mais legal é ser diferente mesmo do que entrar num álbum de fotos pasteurizado, em que todo mundo – de qualquer lugar do universo – tá meio que com a mesma cara. Fica a dica pra gente mesma.

Tags: , , , , 22.09.2010 - 08:57 | Postado por Fernanda Categorias: blogolândia 14 Comentários

TODO MINI-ESFORÇO VALE A PENA

Imagens de revistas, de sites de streetstyle e (hoje em dia) de veículos que fotografam celebridades super abastecem nosso repertório pessoal de referências de moda. Tudo que a gente vê e acha bonito tem a ver – de algum jeito! – com a gente mesmo, já que rolou toda uma identificação. Aí, o que importa de verdade, é achar o que tem ‘da gente’ em cada referência que encanta e SER a gente com essa informação. Tipo porque encantou, no que essa referência tem a ver com a nossa vida, do que a gente gosta mais na imagem, em que circunstâncias seria perfeito exercitar as idéias da referência. E procurar esses sentidos (subjetivos mesmo!) nas peças de roupa que a gente já tem ou no que a gente vai comprar.

Photobucket

Porque é isso, né, re-fe-rên-ci-a: querer ser igualzinha à qualquer imagem de moda (que é produzida, iluminada, especialmente cuidada de jeito diferente da vida real) é como “ver o Fred Astaire no cinema e achar que pode sair dançando como ele -  quando na realidade parecemos hipopótamos”. A gente não tem que ser a referência, a gente tem que se inspirar nela – e ser quem se é! E procurar/achar sentido. E se esforçar pra exercitar esse gosto no vestir do dia-a-dia. Qualquer pouquinho de energia que a gente coloque nisso não só já faz diferença como também vale muito a pena. Fica a dica pra semana: experimentar com sentido, sendo quem a gente é, com a informação que a referência acrescenta. ;-)