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SOBRE O VALOR DA BELEZA
Passeei por 12 dias no Peru na virada do ano, gente, e essa foi uma viagem super diferente de tudo: cheia de cheiros novos, sabores incríveis, natureza, história e balneário-delícia (alô Lima!), tudo misturado. Eles tiveram por lá muuuuitos povos bem inteligentes, que dominaram territórios, fizeram construções super fortes, realizaram experimentos bem impressionantes em medicina e criaram sistemas de agricultura e irrigação ultra inteligentes. O mais famoso desses povos foi o que formou o Império Inca, que a gente estuda na escola (lembra?), e junto com todas essas façanhas chama atenção também a habilidade de desenvolver tecidos e tapeçarias, adornos feitos com pedras e conchas (!!!) e o gosto pelo brilho do ouro e da prata. Diz que quando os espanhóis chegaram pra dominar essa civilização, a primeira leva de saques mandou pra Espanha 12 navios lotados dos metais preciosos dos Incas.

Os espanhóis foram atrás de riquezas, os Incas curtiam ouro e prata pelo adorno, somente. O sistema de valor deles nada tinha a ver com ‘metais preciosos’ (eles usavam um sistema de nós em cordinhas como dinheiro, veja), mas eles amavam o polimento, o acabamento e o brilho que o ouro e a prata davam às suas construções de pedra – alô cordenação de cores: cinza-pedra e dourado-ouro é sempre uma lindeza, desde os tempos Incas. Enchiam tudo de ouro pra enfeitar, pra viver a vida envolta em beleza, pra agradar os olhos. Não era pelo valor monetário/financeiro, não era por “quanto tinha custado”, não era pra ostentar nem nada. Era pra animar a vida daquela gente toda, pra dar orgulho, pra bilhar o olho! Tinha mais a ver com dignidade do que com valor-de-dinheiro.
E aí que numa estradinha no interior de Cusco, indo de um passeio a outro, tinha uma feira. Local mesmo, de legumes e verduras e utilidades, como as nossas feiras de bairro, num povoadinho super humilde e nada-nada turístico. A gente pediu ao motorista pra descer e conhecer, ele achou super esquisito mas topou – e foi com a gente porque era um povoado tão roots que pouca gente falava espanhol: quase todo mundo falava Quéchua, que é a língua dos Incas e que se passa até hoje de geração em geração (super bonito isso). As fotos que ilustram esse post foram todas tiradas lá. Ninguém lá esperava ver turistas, ninguém tava vestido pra festa. Quem tava ali tava cumprindo uma função do dia-a-dia, tava abastecendo a cozinha/a casa, rotina. E olha, elas tavam todas LINDAS.

Tava um frião e dá-lhe leggings de lã pro baixo de 5 ou 6 camadas de saias, todas bordadas (to-das), rodadas, cheias de aplicações e brilhos. Cardigans ainda mais coloridos e vibrantes do que as camisetas arco-íris usadas por baixo. Casaquetos com texturas criadas com fitas e botões, mantôs multi-coloridos que carregam nas costas compras e crianças, chapéus com babados e pequenos enfeites nas pontas das tranças feitas nos cabelos. Gosto pelo adorno, vontade de se enfeitar e de embelezar a vida – independente do valor que esse adorno tem, independente de quanto custa, beleza pela beleza. Pelo brilho no olho. Tanto faz o que todo mundo em volta tava achando, ou quanto dinheiro aquilo tudo valia, ou se alguém reconheceria de que marca (oi?) aquilo veio. Um colorido que ofuscava a humildade do lugar, das pessoas, das coisas. Um mar de animação visual, um super sopro de inspiração.
Me fez pensar na nossa relação com a beleza, com o dinheiro, com o espelho, com amor próprio. A gente se ama mesmo ou quer mostrar o que tem? A gente curte o que usa pelo que é ou por quanto vale? A gente gostaria das mesmas coisas se elas não fossem produzidas pelas marcas que produzem? Elas lá nesse povoado do interior de Cusco se curtem tão genuinamente, tão sem ligar pro que todo mundo em volta acha… que produzem respeito e admiração (me produziu amor também, viu). Tem a ver com o que elas vestem, mas é tão mais digno e importante!
BIQUÍNI & CIA
Chega o fim do ano e é inevitável a gente começar a pensar em festas, presentes, férias, viagens… Nessa época quase todo mundo aproveita os feriados pra escapar um pouco. E a gente começa a enxergar nosso guarda-roupa de um jeito diferente – dá vontade de se vestir com roupas de férias, sabe como!?
Férias sempre tem espaço pra praia, clube, cachoeira e até piscina do prédio, né!?! E biquinis e maiôs acabam virando as peças mais importantes do armário, mas sempre dá uma duvidazinha do que usar COM biquinis e maiôs.
A gente adora vestidos e macaquinhos de malha ou algodão bem fininhos porque ficam super adequados pra continuar usando mesmo depois do banho de sol – é só trocar as havainas por uma rasteira bem linda e dá pra ir no restaurante, no shopping, no cinema, no churrasco… Caftans, camisões e túnicas longas também funcionam, mas são um pouquinho mais dramáticas!!!

Shorts ou bermudas mais curtas e em tecidos leves ficam fofos com camisetas larguinhas ou batas mais longas. Dá pra se vestir de um jeito super bacana mesmo com as pecas mais informais, por isso que, assim como no caso do homewear, o ideal é investir em um conjuntinho de peças que sempre funcionem com os nossos biquinis – não vale usar roupas velhas que a gente não consegue mais usar pra trabalhar ou sair!!!
Do mesmo jeito que tem o biquini certo pra cada corpo, tem a “saída de praia” certa pra cada estilo!!! Shorts e macaquinhos de plush são mais práticos e confortáveis, batas e túnicas transparentes são mais femininas, vestidos estampados são mais divertidos… só cuidado na hora de fazer conjuntinhos – tipo vestido da mesma estampa do biquini – que acaba ficando tão careta. É bem mais legal (pra quem curte) fazer coordenação de estampas diferentes!!!

Sacolas grandes de tecido ou materiais impermeáveis são perfeitas e nelas a gente pode carregar uma rasteira mais arrumadinha (pro “pós-praia”), uma canga bem bonita pra gente deitar ou sentar em cima e nossos óculos escuros favoritos que vão deixar o look verão com a nossa cara!!!
PERSONALIZANDO NA OKTOBERFEST
Semana passada voltei de férias! Passei duas semanas viajando de carro pela Alemanha com o meu amor e o nosso primeiro destino foi Munique. A gente sabia que ia chegar lá enquanto estava acontecendo a Oktoberfest, mas não deu muita bola pra isso, porque achou que fosse alguma festa mais localizada e que a vida da cidade ia continuar acontecendo normalmente, mas não foi isso que a gente encontrou… ainda bem!
A cidade estava colorida, florida, cheia de gente, alegre! Essa festa é um super motivo de orgulho pra eles, é uma tradição e que, ao contrário do que a gente pensa, não está ligada aos litros de cerveja que uma pessoa possa beber. A coisa mais bacana (pra mim) foi descobrir que muitas pessoas durante essa época se vestem com os trajes típicos em homenagem ao evento. Mas elas se vestem assim pra viver a vida!!!
E daí que o que me chamou muito a atenção foi que o que poderia ser uma “fantasia” virou roupa. Aquelas meninas/mulheres/senhoras personalizam o vestir da roupa típica: cada uma fazia a sua própria coordenação de cores ou de estmapa – tinha gente que era mais ousada, mais colorida, tinha gente que era mais neutra. Algumas usavam as saias mais longas na altura da canela, outras usavam mini saia. A variedade de acessórios era enorme: escarpins com saltos, sapatilhas, tênis, bolsas grandes na mão, bolsas pequenas a tiracolo, colares de pérolas, correntinhas…
Dava pra perceber quem era mais moderninha, mais tradicional, mais pirigueti, mais recatada, mais logomaníaca, mais refinada. Tinhas até as muito ricas, cheias de tecidos lustrosos e ouros!!! E era tão gostoso ver que aquelas mulheres se detacavam por formar um grupo tão uniforme e tão heterogêneo ao mesmo tempo… faz a gente pensar que se elas conseguem comunicar tanta personalidade mesmo se vestindo com a “mesma roupa”, então a gente – com todo um universo de peças – não precisa se vestir igual a todo mundo, certo!?!
E olha que quando cheguei em Berlim e fui folhear a Vogue alemã dei de cara com editorial só com as roupas das meninas de Munique! Tá aí na galeria e vale muito como inspiração!!!
pra mointo além da oscar freire
Então, amigos, em férias no ES (onde minha família mora) eu prestei atenção às placas das lojinhas de moda nas periferias e praias por que passei em dezembro e agora em janeiro (2008/2009). E que encantamento é esse que a moda gera, não? Que brilho a palavra ‘fashion’ acrescenta a esses espaços da moda acessível? Quantas lojinhas dessas cabem em cada bairro? E quanto dessa moda deve caber nos bolsos de quem passa por elas? As fotos começaram super de brincadeira, mas encontraram espaço pra sensibilizar (de verdade!) – e foi super legal imaginar o que faz o olho dessa gente toda brilhar, o que gera desejo, o que dá vontade de vestir pra ficar bonita. Tem um álbum grandão, quer passear junto?!??
Pra gente pensar no que abastece os guarda-roupas de gente da vida real (mesmo!). Pra gente imaginar os sorrisos que as placas provocam (pro beeeem!). Pra gente prestar atenção à moda em volta, em tudo – até nas férias. ;-)
links guardados dos dias de férias!
Então a gente voltou, amigos. Meio que pela metade (uma em SP, a outra ainda longe!), mas já com energia total. E não é que teve mointa coisa legal na internê acontecendo nas férias?!?? Pra começar com fôlego novo esse ano-que-promete, tem aqui listona de links pra gente dividir e comentar o que chamou atenção enquanto a gente tava no piloto automático aqui no blog. Que a praia tava boa, mas o mundo-fashion não para. Néam?!??
• Novidades na blogolândia: o Fora de Moda tem casa e aparência novas; o Um Milhão de Vestidos (top favorito aqui!) do Paulo Babboni voltou (com um ótemo post sobre revistas e vontades); o Garotas Estúpidas agora tem loja virtual (bafo!) e o C’Est Sissi Bon tá promovendo um concurso super legal, que provavelmente vai render mil fotos boas – além de uma sandália bafo de prêmio.
• Pra prestar atenção: tem corações aos montes nas imagens de moda desse comecinho de ano – e não vai demorar pra ter aos montes nas vitrines em volta da gente. Tem na publicidade da Versace, na coleção resort de Chanel (ninguém mais, ninguém menos) e nas bolsas novas do Marc Jacobs (aqui e aqui), tipo a que a Victoria Beckham tá usando na foto aqui embaixo. Nossa Spice Girl favorita forever and ever. ;-)

é mointa, mointa, moooointa afetividade fashion, tá vendo?!?? ;-)
• Top-bafo: a Cathy Horyn, jornalista de moda do NY Times, escreveu um textão sobre “o que tem de errado com a Vogue”. O Romeuuu falou desse texto e das impressões dele no The 1988 e indicou o texto do Luigi pro site do SPFW falando também desse assunto. Lendo os dois posts dá pra entender como o questionamento começou, o que motivou essa pensata e como as questões levantadas por dona Cathy alcançam mais do que só a Vogue América. Tipo, su-per-tem-que-ler.
• E o boato que de que Amy Winehouse pode desenvolver uma linha de roupas? Diz que essa rede de lojas Fred Perry chamou a cantora pra colaborar, mas eles fazem roupinhas tipo essas (dica do Fashionista). Como seria ter uma camiseta pólo “criada” pela Amy, gente? Desses boatos a gente tá mais interessada no que diz que Christina Aguilera pode fazer roupa pra TopShop. Bora ver se a 284 (que tem um blog!) traz pra vender aqui, se for o caso. (Podia, né?)
• As moças do blog Go Fug Yourself fizeram uma lista increíble de lições-fashion que as celebridades de 2008 deram pra gente. Lições tipo “o que não fazer”, que renderam risadas boas por aqui e esse post traduzindo tudo no blog da Besni. É engraçado de verdaaaaade! ;-)
Obrigadíssima pelos comentários de fim de ano e de boas-vindas, cheios de sentimentos bacanas, trocas super válidas, palavras ótemas e mais – só coisa boa. Obrigada de verdade, gente! A parte mais valiosa desse blog é ter os leitores mais legais do mundo! ;-)












