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TAPETE VERMELHO É ISSO AÍ
para a revista catarina em abril de 2008
por cris gabrielli e fê resende
com colaboração mais que especial de frank mobília
Se a gente pensar que o Oscar é uma festa profissional, a gente enxerga o tapete vermelho – e o que se usa “nele” – de outro jeito. A festa de entrega dos prêmios Oscar celebra a indústria do cinema, seus profissionais e seus sucessos. Todos os membros da Academia que decide quem merece o prêmio, todo mundo que é premiado, todo mundo que participa da festa é colega de profissão. Então o Oscar é o ápice comemorativo da arte de atuar e de fazer filmes, tipo “festa da firma”.
Por conta disso, a gente entende melhor não só os looks que a gente adora adorar e adora chochar, mas também as nossas expectativas como espectadoras da festa televisiva. É como se Hollywood premiasse seus “funcionários-padrão”, festa corporativa meeeesmo. Então que a gente quer ver é o que está sendo premiado: luxo, glamour, mointo tecido, mointa jóia e mais. Não é passarela (que isso a gente vê nos zilhões de semanas de moda espalhadas pelo mundo, néam?), não é look minimalista, não é vestido tipo de madrinha de casamento, não é vitrine de shopping: é glamour. Mas glamour mesmo, do tipo que só o cinema oferece. A gente quer ser levada pra um mundo de sonho, pra onde só o cinema pode nos transportar. Não é?!??

E o tapete vermelho, com a chegada das atrizes em seus top looks de festa, só começou a chamar a atenção de todo mundo no finzinho dos anos 80, começo dos 90 – quando Jodie Foster apareceu usando um terninho (!!!) Giorgio Armani. E essa é a primeira referência que a gente tem da importância de uma assinatura no look. A partir daí as listas de mais bem vestidas começaram a fazer o super sucesso que fazem até hoje, e as atrizes começaram a se preocupar em tomar seus lugares na lista das mais-mais. Junto com essa, outra preocupação: as listas das mais mal vestidas, de que ninguém queria fazer parte, nem de longe.
O poder do tapete vermelho como ferramenta de marketing para a moda ficou super evidente em 1994, quando Uma Thurman usou um vestido lilás da Prada e deu o que falar: até então, a Prada era conhecida de fashionistas e iniciados, mas não do grande público. A escolha da atriz e sua passagem pelo tapete vermelho colocaram a marca italiana, super grande e centenária, no mapa do gosto (e do apelo!) popular, pro mundo todo querer ter também. Naquele ano Uma era indicada por sua dancinha – ooops! – por seu trabalho em Pulp Fiction, e seu vestido fez tanto sucesso que rolou uma onda de vestidos camisola na moda durante todo aquele ano.
Nicole Kidman e seu vestido Christian Dior foram estrelas em 1997. Ela ainda era casada com Tom Cruise (quanto tempo, não?) e eles era um casal super de ouro: ela com carreira super em ascensão, ele indicado naquele ano por sua atuação em Jerry Maguire. Mesmo acompanhando o marido indicado, mesmo no tapete vermelho como coadjuvante, Nicole Kidman roubou todas as atenções (do marido e de todo mundo) com sua escolha – um vestido mega amarelo de inspiração oriental, feito por John Galliano para a maison Dior, todo em dupla face e cheio de flores (incríveis) bordados, emoldurando o super decote das costas.
Em 1998 foi a vez de Sharon Stone deixar a gente de queixo caído (passadas até hoje!), quando ela usou para o Oscar uma camisa de seu marido com uma super saia lavanda de Vera Wang. Era o ano em que Titanic concorria por toneladas de prêmios e Sharon Stone ia apresentar o Oscar de melhor filme estrangeiro – daí a vontade de ‘causar’. Diz que a atriz já chegou ao ateliêr da estilista com a camisa, dizendo que queria porque queria usar a peça, e que por isso precisava só de “complementos” (tá bom?). Vera Wang providenciou então a saia super volumosa, que Sharon Stone ajustou com um broche riquíssimo em forma de libélula, pra reforçar ainda mais a imagem feminina que criou – com a camisa do maridón, veja só!
((Pequeno parêntese para outra “lenda fashion” com a mesma personagem! Em 1996 Sharon Stone concorreu ao Oscar por sua atuação em Casino, e essa foi sua primeira e única indicação até hoje. Mas ok, o bafo é outro: imagina a atriz prontinha, penteada e maquiada, na hora de colocar o vestido pra sair pra festa… e nesse mega momento crucial, o vestido rasgou! E num clima super “não priemos cânico”, a atriz sacou de seu próprio armário uma camisetinha da Gap (ahãm!), coordenou lindamente com uma saiona e arrematou com um paletozinho – com direito a flor branca na lapela e tudo!))
Quem também causou em 1998 (ano bafo!) foi a Kim Bassinger, que levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Los Angeles Cidade Proibida. Sabendo que estaria sob holofotes naquela noite, a atriz foi vestida pra matar, bem no clima do seu filme: tudo no look fazia referência à hollywood antiga, ao glamour das divas de antes. O vestido era bem princesa na frente, fechadinho até o pescoço (bem Grace Kelly), mas bem aberto nas costas, com decote terminando numa cauda gigantesca. O cabelo foi feito todo em ondas, bem Veronica Lake, pra completar o climão. Arrasante.

Em 1999 foi o ano da realeza de Hollywood coroar uma princesa (quase de verdade). Gwyneth Paltrow tem um pai-produtor super bem sucedido e uma mãe-atriz bem reconhecida. Tem toda uma geração de filhos de outra geração de Hollywood, mas Gweneth é ícone porque também deu certo! O conto de fadas tava todo completo: a atriz jovenzinha foi à festa do Oscar daquele ano acompanhada do pai (princesa), usando um vestidããão rosa-chiclete (princesa) e um power colar de diamantes (princesa). Quer mais? O colar era emprestado, mas Gweneth ganhou na mesma noite um Oscar por sua participação em Shakespeare Apaixonado e o colar de presente do pai!
Da imagem de princesa a gente pula pra uma quase-rainha: 2001 foi o ano de Julia Roberts. Erin Brocovitch tinha rendido uma indicação pro prêmio de melhor atriz e ela foi pre-pa-ra-da pra ganhar. E ganhou, merecendo duas vezes – pela atuação e pelo Valentino vintage que escolheu pra usar naquela noite. O look preto com debruns brancos inaugurou uma super onda vintage (junto com o vestido amarelo de Renée Zellweger, também antigo) e moldou esse conceito como a gente conhece até hoje. Até então, ninguém tinha escolhido um vestido das antigas com tanta propriedade, não? Pois elas escolheram e esse look rendeu à Julia Roberts mointos primeiros lugares em listas de bem vestidas e glamourosas.
Aqui nossa teoria do “glamour ao extremo” se reforça, que Hollywood tá aí pra isso mesmo: a magia do cinema é alguma coisa que a gente não alcança, então os looks das nossas divas, nesse mesmo cinema, também PRECISAM ser inalcançáveis! Em 2004 Charlize Theron ganhou prêmio demelhor atriz por Monster. Nessa ocasião ela escolheu um vestido bege cheio de brilhos da última coleção do Tom Ford para Gucci. Tudo bem, era bonito, mas a gente podia fazer um daqueles pra ser madrinha de casamento, sabe como? Então no ano seguinte Charlize resolveu se redimir e escolheu um vestidóóón de Christian Dior, numa cor incrível, com uma quantidade extraordinária de tecido e cheio cheio cheio de babados – esse a gente não faz! O look é um super favorito não só pelo vestido, mas por todo o resto envolvido: as jóias eram perfeitas, o cabelo preso tava mointo chique (cabelo solto no Oscar não dá, né?), a maquiagem era correta e no fim, nada nada nada era extravagante demais – afinal, é uma festa profissional!
Em 2006 outra queridinha da América foi premiada, com direito a bafo fashion e tudo. Era o ano de Reese Witherspoon super acontecer, seu papel em Johnny & June reforçava sua imagem de ‘sweetheart’ e ela tava mesmo toda-toda. E daí que, antes do Oscar, sempre tem entrega de Golden Globes, meio adiantando quem pode mais ganhar Oscars e tals. Reese ganhou o Golden Globe de melhor atriz usando um vestidinho branco e prata, da Chanel. O bafo estourou no dia seguinte, quando toda a internet já tinha fotos de Kirsten Dunst usando o mesmo vestido (mes-mo) dois anos antes. E teve super bate-boca entre a stylist e a maison, mas Reese deu uma mega volta por cima no Oscar, independente de tudo e de todos: ela escolheu, so-zi-nha em Paris, num brechó, um vestido super super super glamouroso, antigo de verdade (1955!), de Christian Dior. E quietinha voltou pra sua casa, mandou reconstruir e recuperar todo o tecido e to-dos os micro bordados (que envolviam o vestido inteiro!). E foi assim que ela brilhou no Oscar daquele ano – sabia que desde então ela é quem ganha o maior salário de Hollywood?

Que antes de stylists e estilistas famosos, quem tomava conta do look das divas do cinema nas festas do Oscar eram os próprios fugurinistas de Hollywood – tão estrelas quanto as estrelas! E a figurinista top no tapete vermelho das décadas de 50 e 60 era Edith Head, responsável pelo look de Elizabeth Taylor em 1969. meio lançando tendência, a figurinista combinou as cores do vestido e da maquiagem – era tudo lilás, cor complementar do verde dos olhos da diva! – mas a atenção estava toda centrada no power diamante que enfeitava tudo em volta: Liz Taylor usou um diamante de 69 quilates (Oscar de 69, entendeu?!??), presente de Richard Burton, seu marido na época. (Mê vê um marido desse, por favor?!??)
E na década de 50 o Oscar presenciou uma história de princesa de verdade. Em 1955 Grace Kelly recebeu o Oscar de melhor atriz por sua atuação em Country Girl, usando um vestido “azul champagne” desenhado pra atrair todas as luzes na medida em que ela caminhasse em direção ao seu prêmio. A mesma Edith Head desenhou o look, que custou doze mil dólares – mas que parecia ter custado um milhão! No ano seguinte, Grace Kelly abandonou o cinema pra se casar com o príncipe de Mônaco – história de cinema, néam?!??
LOOK PRA SE DESPEDIR DE 2011
Imagina que look de reveillón pode ser como uma tela branca pra ilustrar com uma mini-retrospectiva de “vontades” do ano que tá terminando – ou uma oportunidade pra colorir a mesma tela com outras vontades, essas pro ano que vem. Dos dois jeitos o look de virada tá atualizado: vale se despedir de umas inspirações e vale apostar em outras, né? As nossas favoritas de 2011 (de sempre!) são as daqui de baixo. E nos comentários a gente pode fazer nossas apostas: quais delas a gente ainda vai ter vontade de usar em DOIS MIL E DOCE?!??

Brilho informal
Se o brilho dá idéia de “arrumadinho demais”, legal é coordenar opostos: paétes esse ano foram super usados em peças de modelagem larguinha e confortável, com jeans, com malhas, em camisetas e mais. A gente aposta pro reveillón e pra 2012 (doce!) todinho.
Outros metais no lugar de tachas
Quem é roqueira de alma não vai abandonar as tachas nunca (<3), mas quem aderiu à tendencinha pode ter vontade de atualizar a coisa dos metais no look com correntes, fivelas, pulseiras e até tiras metálicas de sandálias em volta do tornozelo. Legal é coordenar todo metal – tanto em tachas quanto em correntes – com sedinhas, saias femininas, formas delicadas e mais. Que o elemento metálico deixa qualquer look de menininha com mais cara de mulher do que de princesa, sabe como?
Sandálias e sapatos mais fechados
Tudo que se calçou esse ano foi mais pesado que antes – mas nem por isso menos delicado. Esses pisantes (haha) cobrem o pé mas não o sufocam: tem recorte, tem decote, tem amarração e mais elementos vazados pra se ter pele à mostra. Por isso cabem também no calor! E a gente também aposta.
Super-colarzão
2011 foi bem o ano do colar hein! Se tempos atrás a gente tava ensaiando carregar toda informação de moda do mundo no pescoço, esse ano geral perdeu o receio e dá-lhe foco perto do rosto, no alto – super bom! A gente amou os dois jeitos de preencher o colo – tanto com corretinhas finas usadas juntas quanto com maxi-colares emoldurando o decote. Será que continua?
Drapeados e formas
Vale saia tulipa, vale mangas importantes, ombros marcados, shortinho tipo bubble (pra quem pode néam), decotes assimétricos e mais. Drapeados e formas inteligentes, além do basicão de sempre, são tão aposta aqui que ainda vai ter post tipo “como usar” – que a gente já tem esperteza fashion suficiente pra escolher mais refinadamente as formas com que quer complementar/equilibrar as nossas silhuetas, né? Já já.
Cabelo preso como acessório
Essa vale pra vida: se o look tá simples demais, se precisa incrementar ou acrescentar formalidade… dá-lhe cabelo preso! Junto com uma maquiagem bacana pode dar mais cara de festa do que o look em si, né? (Mais de cabelos aqui e aqui ó!)
E daí pensa assim: a tela branca pode ser tudo de branco que a gente já tem no armário. Ou pode ser aquele achado baratinho garimpado nos “Bons Retiros locais” das férias de onde a gente tá (rá!). Daí, acrescentando essas sacadas, o look tá devidamente incrementado, atualizado, antenado… pronto pra liberar quem veste pra só se preocupar em comemorar! ;-)
NO LUGAR DAS PASHMINAS
Quando o look de festa é pego de surpresa por um ventinho frio, a gente ensina to-das as clientes a pensarem além das pashminas e das echarpes-conjuntinho. O que protege do frio não precisa ser só funcional, mas pode também ter informação e acrescentar interessância ao look – nem que seja através de exemplo bom, de fazer todo mundo em volta pensar que é possível variar! Sarah Jessica Parker acrescentou paletó ao vestidón dela, e podia também ter usado jaquetinha de couro, casaqueto de lã tipo chanel, blazer de veludo (!!!), até jaqueta jeans dependendo da ocasião. Favorito na Oficina é o cardigan, que quando feito em materiais finos-finíssimos e de qualidade, vão lindos às festas mais elegantes – e aquecem mais que qualquer outro complemento. Vale cardigan feito com misturas de algodão e seda, mohair, cashmere, angorá e merino.

Não que pashminas e echarpes não cumpram o papel, mas TODO MUNDO já usa e né, esse jeitinho de carregar caído nas costas preso nos braços é meio de tia, não? Outros complementos dão chance da gente incrementar o vestido com formas, materiais, transparências (por que não né?), cor, textura e até bordados, se for o caso. Também dão chance da gente manipular mensagens: um vestidón super tradicional pode ganhar cara nova com jaqueta de couro, ou modelo feito de tecido estruturado fica menos rígido com casaco de veludo… sabe?
Legal que o cardigan seja mais próximo do corpo e que as proporções sejam escolhidas de acordo com o que se usa no resto do look: vestido curto pode ser acompanhado de cardigam mais longuinho, vestido longo pode ter cardigan curtinho ou bem longão (tipo diva!) na coordenação. E as manguinhas podem estar puxadas até os cotovelos como a Sarah Jessica tá usando, pra ficar mais atual e pra continuar com a brincadeira das proporções. A gente aqui quer encorajar todo mundo a experimentar!
ORDEM DE PREOCUPAÇÃO NA COSTUREIRA
Época de Oscar é propícia pra escolher referências do que fazer com costureiras e (no nosso caso!) figurinistas, né. Vale fazer parte de cima de um vestido e parte de baixo de outro, vale mudar a manga, arrumar comprimento, aplicar bordados, abrir/fechar decotes e mais. A gente tem a referência e começa a pensar no tanto que vai arrasar na festa, mas tudo que rola antes é essencial pro sucesso do look!

A gente ensina isso pras clientes quando pensa um look junto assim, desde antes de “nascer”, e acha que vale dividir com geral – essa deveria ser a ordem obrigatória em que cada detalhe do look de festa é decidido:
TECIDO
Não adianta escolher o vestido mais glamouroso do mundo (e comprar brinco e pensar na maquiagem e escolher a bolsa e tals) se o tecido de que ele é feito não for bacana. O material que confecciona qualquer roupa de festa é o que determina (de-ter-mi-na) sofisticação – sabe vestidón com cara de loja de aluguel? Vale investir no melhor tecido, na fibra mais natural (alô sedas) ou na melhor sintética que puder (quanto mais mistura com fibras naturais, melhor). Essa é a base da elegância que qualquer festa de usar vestidón demanda da gente.
CAIMENTOS
Daí que uma coisa tá ligada à outra: o tecido tem que funcionar no caimento, o caimento tem que acontecer no tecido escolhido. Gordurinha de costas não precisa aparecer, meia-calça por baixo da roupa não precisa marcar, alça não precisa dividir a carne – sabe essas coisas? É essa a hora de avaliar o próprio tipo físico e pensar se o vestido pode ser mais soltinho embaixo ou em cima, se precisa de mangas, se tem decote, se marca a cintura (mais pra cima ou mais pra baixo), etc etc etc.
DETALHES
Só com material e forma definidos é que a gente começa a pensar nos detalhes extra do look-festa – na prática á tããão mais corriqueiro a gente começar por aí… e então o resultado não dar tão certo. Veja: se a gente já sabe de que o vestido é feito e como ele vai “cair” sobre a silhueta, fica fácil pensar em brilhos, bordados, drapeados, nesgas, amarrações, aplicações e mais.
ACESSÓRIOS
Acessório = complemento. Tá tudo pronto? Ok então pra pensar em brincos, colar, pulseiras, adereços de cabelo (tão legais e tão pouco usados não gente?), sandálias/sapatos e bolsinha. Toques finais pra uma preparação que pode garantir noites deliciosas, com energia, originalidade e elogios!
ROUPA DESDE A IDÉIA
Há algumas semanas a gente recebeu um convite pra uma festa com dresscode black-tie. Como quase todo mundo, a gente não tem no armário nada já pronto/preparado pra vestir numa ocasião em que o dresscode é quase de tapete vermelho – além de não ter tanto tempo (a gente se preocupou com o que vestir duas semanas antes da festa) e de não querer gastar dinheiro. A conta é assim: se a gente tem uma festona em black-tie pra ir só uma vez por ano (quando muito!), por que gastar com esse look mais do que a gente gasta com o que usa todo dia?

Aconteceu então da gente lembrar do Paulo Babboni, figurinista/modelista/costureiro/artista dos mais finos, com quem a gente trabalhou tempos atrás quando cuidou de uma cantora. O Paulo é como um carnavalesco: faz materiais super simples (e baratos!) parecerem o maior luxo que já se viu – característica que tá ligada ao conhecimento de moda que ele tem (quanta referência!!!) e ao bom gosto ligado à sofisticação, ao que é refinado. Paulo sabe das coisas. Marcamos um café, mostramos referências do que a gente gostava, ele deu idéias, rascunhou modelos, a gente imaginou junto como seriam tecidos, acabamentos, que acessórios acompanhariam e então a ação começou.

Dois dias depois de trocar referências por desenhos e idéias, a gente foi junto com o Paulo até a rua 25 de Março procurar tecidos. A idéia da Cris era cor forte em tecido pesado e a minha era tecido leve em superfície super brilhosa. Na mesma loja encontramos os dois: a Cris comprou um crepe super chique no azul que tinha imaginado desde o início dessa nossa brincadeira, eu encontrei uma musseline toda coberta de paétes num tom de dourado-marrom-claro – conselho do Paulo, que sabia o que deixaria o look mais arrumadão. Os tecidos foram embora com o nosso Jacques Laclair particular (!!!) e cinco dias depois lá foram as meninas da Oficina pra primeira prova de roupa. O Paulo entendeu de primeira e traduziu as nossas vontades em vestidos dos (nossos) sonhos: simples, originais, com a nossa cara e super “ricos”! E a gente já tava tão bacana!

Outra prova ainda foi feita, pra conferir os ajustes feitos na primeira prova. O cronograma foi bem assim: na segunda-feira a gente se encontrou, na quarta a gente foi comprar tecidos, na outra segunda a gente provou, na quinta a gente provou de novo e no sábado os vestidos tavam em casa. Numa caixa linda, com carinho e atenção exclusivamente dedicados a gente, desde a idéia no papel! Os dois vestidos juntos custaram uma fração do que custaria qualquer um pronto (no mesmo nível de lindeza que os nossos) e olha, não tinha ninguém tão diferente e tão bacana quanto a gente na festa!!!
MANGAS LONGAS PRA BADALAR
Há algum tempo a gente tem visto vestidóns de festa com mangas longas – e tem curtido bastante. A sacada é que, mesmo em dias não tão frios, mangas longas em vestidos elegantes não pesam se não são confeccionados com tecidos pesados (quase nunca são, tecido de festa é sempre tão fino não gente?). O material de que o vestido-de-mangas-compridas não tem só a ver com calor – até porque qualquer modelo com mangas longas pode ser também curtinho e deixar pernocas frescas pra compensar! – mas tem também a ver com estilo. Quanto mais coberto o look, mais leves os tecidos que o compõem podem ser: tecido estruturado e pesado dá uma aparência mais dura ao look, de pouco maleável, de gente que provavelmente não vai querer dançar (haha). Vale pensar em mangas longas combinadas com saias soltas, com comprimentos curtinhos ou intermediários, com modelagens não super mega justas, com outros pedacinhos de pele à mostra: já que os braços ficam cobertos, costas e colo podem aparecer. Como se a manga fosse um complemento confortável, um acessório que estende o design do vestido pra além. Delícia ter tanta chance de variar, mesmo na roupa de balada né?

PRONTA (RAPIDINHO) PRA FESTA
Vestidinho + meia-calça todo mundo faz, legal é surpreender quando a gente recebe convite pra festinha ou pra uma balada depois do trabalho, né? Sendo confortável – visual bom de festa é o que a gente usa e nem lembra que tá usando (a não ser na hora do elogio!) -, com disposição pra exercitar criatividade e sem precisar de muito tempo (ou preparação), a gente consegue look fresco e celebrativo assim, ó:
• peças “luxuosas” usadas mesmo num contexto dia-a-dia fazem muita diferença: imagina usar uma camiseta de veludo com um shortinho de algodão, ou uma calça de seda lustrosa (mesmo saruel!) com a regata de sempre… tecidos de festa, em pequenas porções e usados junto com outros tecidos beeem mais informais, tiram qualquer look do lugar comum – e acrescentam adequação ao visual de festinha.

• “acessórios de casamento” contam também como essas peças feitas em tecidos luxuosos: pensa só que um brincão pode levantar um vestidinho mais neutro, uma micro-bolsinha em formato original pode fazer brilhar um macacão neutro, até sapatilhas e rasteiras forradas em tecido ou com pedraria podem passear o dia todo com a gente e emendar na balada à noite, né?
• a Diane Von Furstemberg (que sabe das coisas) dá duas dicas bem boas, anota aí:
dourado e prateado (metalizados né gente) SEMPRE rendem looks festivos
usar quase-nada de maquiagem no dia-a-dia faz com que qualquer esforço extra seja super representativo no quesito “estou arrumadinha”
• coordenar duas peças (camisa + saia, bermuda + regata, shortinho + casaqueto, calça curta + camiseta) tem sempre mais chance de render interessâncias do que usar peça única.
• atitude celebrativa conta pontos no visual como um todo: carregar a vibração do trabalho pra festa é tipo usar uma mochila Jansport no lugar da carteira chiquérrima que o look pede. Acessório essencial pra qualquer balada é um sorrisão animado. <3
TAPETE VERMELHO PRA SONHAR E EVOLUIR
Passarela de coleções de meia-estação entregam o que tá pronto pra usar; desfiles de pret-a-porter mostram o que vai ser desdobrado em araras de loja; coleções de alta-costura oferecem idéias e conceitos que quase ninguém pode ter literalmente (alô imaginação pra diluir essas idéias pra vida real!). Mas cinema e TV oferecem sonho e fantasia em forma de moda – ou pelo menos deveria ser assim. E quem tá no cinema ou na TV devia ser obrigada a entregar pra gente o inalcançável, o extraordinário, o que só quem é desse mundo de sonho pode usar. Ó que exemplo super ótimo o da January Jones aqui embaixo:
Então tapete vermelho de festona de cinema e de TV devia ser desfile de luxo de glamour de extravagância de muito tecido e de muita jóia – e não tem sido assim (oi, emmy awards). Porque né, madrinha de casamento todo mundo pode ser, mas ser estrela de cinema ou de TV é pra poucas/poquíssimas- e por isso mesmo essas estrelas deveriam ter obrigação de usar looks dignos de transportar a gente pra muuuito além de vitrines de shopping. Tapete vermelho não é passarela, que oferece o que a gente pode ter no armário com facilidade, e estrela de cinema/TV tem que vestir SONHO pra levar a gente pra mais perto desse universo em que “tudo é possível” – pra que a gente tenha, então, combustível pra evoluir em estilo pessoal.
Se todo mundo faz/veste o fácil, a roda (da moda) pára de girar. Se não tem ninguém perto da gente – mesmo na TV! – pra ousar um pouquinho aqui e ali, fica mais e mais difícil da gente mesma sentir vontade de ultrapassar qualquer zona de conforto. Vale no macro e também no entorno: se a gente ousa no look, nem que seja um pouquinho, acaba incentivando mais gente a ousar também – e todo mundo vai ficando/se vestindo mais e mais ‘interessantemente’. Então a gente podia dar exemplo praas estrelas de cinema e de TV – que tão fraquinhas fraquinhas no quesito ousadia – e começar o trabalho daqui de baixo da pirâmide-hierárquica-fashion, não? Vamos todas? :)
BOLSINHAS ALTERNATIVAS E ELEGANTES!
Dois fatos: bolsa diz super da personalidade de quem usa e eventões elegantes não precisam de looks caretas (ou super-tradicionais-demais). Sabendo disso a gente não precisa, de jeito nenhum, deixar de ser original na hora de escolher de bolsinha de festa – é exatamente com esse pequenino detalhe que a gente pode acrescentar graça ao vestidón! Pra começar a conversa, ninguém precisa combinar a bolsinha com o vestido ou com o sapato que vai usar – nem na cor, nem no material, nem nos detalhes.

A moda tem ajudado a gente a deixar pra trás essa vontade de fazer conjuntinhos que, no fundo no fundo, todo mundo tem (ou já teve). A quantidade de materiais novos e super descolados com que as bolsinhas tem sido feitas é incrível: tem bolsinha de metal, osso (!!!), madrepérola, tartaruga, cortiça, bambu e outras madeiras, couro de cobra, malha de metal, tecido bordado e paetizado, canutinhos e muito mais. Se a forma, a cor e a textura da bolsa acompanham bem o vestido e o sapato, pode mandar ver: o que comunica formalidade em qualquer bolsa (feita de qualquer material!) é o tamanho pequenino, o acabamento de qualidade e um fecho sofisticado. Se tem tudo isso, a bolsinha vai à festa – e se der dúvida, tem uma tabela de coordenação de materiais diferentes nesse post aqui!
A joalheira Camila Sarpi já fez bolsinha de madeira, a Glorinha Paranaguá fez de bambu, todos os brechós tem bolsinhas de tartaruga e malha de metal (e um milhão de outras, com preços bem dignos!), a Accessorize e a Arezzo tem bolsinhas diferentonas agora nas suas lojas e essas daqui do post tão disponíveis pra comprar pela internet na OZ Store, da nossa amiga Juliana (que a gente conheceu num Encontrinho, sabia?).
E o mais legal desse post é que essa foi uma dúvida de verdade, que surgiu na última sessão de personal shopper online que a gente fez no canal de tuíter do Shopping Cidade Jardim – dá pra acompanhar a pergunta e a resposta (tipo novela, haha!) aqui, aqui, aqui e aqui. Se alguém mais tem dúvida – de qualquer coisa relacionada a moda e estilo! – vale seguir/acompanhar o canal do shopping toda terça, das 11h às 12h, quando a gente tá online conversando com todo mundo! :)
PERNOCAS COBERTAS EM FESTONAS
Todo convite pra festonas rende a dúvida de que vestido a gente vai usar, né? A gente esquece que dá pra usar calças em comemorações elegantes – tanto quanto em baladinhas e festas mais informais! – e que essa é sempre uma opção original. Só da gente fugir da primeira idéia a inteligência fashion já entra em cena pra elaborar o visual mais legal do mundo! Pois usar calças em festonas é super elegante e faz com que a gente se exercite visualmente na escolha dos elementos que acompanham a peça e que dão toda a ‘cara de festa’ ao look.

A fórmula funciona com compensações: se a calça é de festona, o que acompanha pode ser mais calmo; se a calça é mais calma, o que acompanha precisa ser super mega incrível. Então vale escolher calça – ou outras peças pra acompanhar – em tecidos lustrosos (cetim, seda, tafetá, shantung), ou com aplicação de brilhos (lantejoulas, paétes, cristais elegantes), ou em veludo ou quaisquer materiais de super qualidade, luxuosos. Daí o que acompanha também precisa ser bem bom (qualidade faz TODA diferença em qualquer produção!) mas pode ser mais calmo, mais opaco, mais simples. Tipo calça de shantung e camisa alinhada, calça de veludo com um tricô finíssimo. Ou tipo calça de lã (tipo de terninho) com blusa transparente em gazar ou musseline, calça de linho (bem sofisticada!) com camisa de seda. Sabe como?

E aí o que se escolhe pra “acessorizar” é também muito importante. Esperta é quem usa jóias ou brincos colares anéis broches pulseiras que se parecem super com jóias, com pedras que brilham e que imprimem refinamento (haha). Mais ainda quem sobe no saltão – festona é ocasião especial, né? -, usa bolsinha mini-micro-pequenina e dedica carinho especial ao cabelo e à maquiagem (que né, são super responsáveis pela “vibração festa” na produção). Com esse conjuntão de elementos formais-elegantes não tem como errar: calça + parte de cima + jóias (ou quase!) + cabelo + maquiagem equivalem a um longo – mas de um jeito muuuito mais original. O que não quer dizer que todo mundo precisa usar só calças a partir de agora, mas é legal ter possibilidade de variar (e surpreender), né? ;-)
((E ainda tem macacão, gente! Que por ser peça-única rende menos coordenações mas adianta a vida de quem usa. E sempre alonga a silhueta, já que quase nunca “quebra” o corpo em dois com mudança de tom na altura da cintura. Só não dá pra beber muita água que ir ao banheiro de macacão é uma dificuldade!!!))











