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CONJUNTO BOM DE CORES NO ARMÁRIO
A gente tem por hábito trabalhar grupos coesos de cores nos armários das clientes (e nos nossos também, né). Tipo, primeiro a gente identifica um grupão de cores que faz com que a cliente fique mais bonita (alô análise de cores) e depois pensa em que cores ficam mais legais junto com essas primeiras. E assim, escolhendo ao longo da vida peças nessas cores, a gente vai construindo um armário coerente, em que tudo combina com tudo. Ó que sonho!

E aí que, quase-sem-querer, a gente arrumou um exercício bom pra uma cliente – que pode servir pra (mais…)
ESTAMPA PRA TODO MUNDO
Tem um tipo de estampa mais legal pra todo mundo. Quem é maior, pode escolher estampa maior (e maior não quer dizer gordinha, pode ser só grande mesmo!). Quem tem estatura/estrutura média escolhe estampa média e quem é mignon pode ficar feliz usando estampas pequenas. Mas não é só o tamanho dos desenhos que conta na hora de pensar nas estampas mais legais pra gente diferente. Vale observar também o espaçamento desses desenhos e o contraste que eles criam com o fundo da estampa. E aí a gente pensa no que é mais impactante na própria aparência (tamanho ou personalidade!) pra então fazer escolhas certeiras.

Tem gente que é pequeña mas tem personalidade super forte e não carrega estampa tão pequenina – estampinha miúda tem conotação delicada, feminina, lúdica. É o caso de ir atrás de estampas maiores mas não tão espaçadas. Ao mesmo tempo, pode ter gente grandona que tem personalidade doce, calma – estampas grandes talvez não sejam as melhores escolhas, mas mesmo pequenas elas podem ser espaçadas, os desenhos podem estar dispostos bem longe uns dos outros. Estampa espaçada, mesmo pequena, tem efeito “alargador” mais potente do que estampa grande – o que não é ruim quando tá em harmonia com quem veste, especialmente em porções isoladas do look, sabe como? E estampa mais juntinha tem efeito de menor, o que é sempre sempre bom. Né?
E aí o contraste pode ser coordenado com o contraste que a gente tem naturalmente (clica aqui pra lembrar ou conhecer) e também pode amenizar efeitos de grande e pequeno em quaisquer estampas. Estampa grande e espaçada, mas com pouco contraste entre desenhos e fundo, acaba tendo efeito alargador minimizado! Então quem é grande e quer usar estampa grandona pode escolher menos contraste e pronto, tudo equilibrado. Ou o contrário: estampa pequena com muito contraste ajuda do mesmo jeito quem é grande. E tudo no caminho inverso vale pra quem é pequena! Legal, então, é escolher tipos de estampas adequadas pra pedaços da silhueta que a gente quer diminuir ou aumentar, tudo pra equilibrar a aparência inteira! Tipo quebra-cabeças mesmo!
CHECKLIST DE COMPRAS BOAS EM LIQUIDAS E BAZARES
A gente acha que, depois de listar o que a gente pode comprar agora já com cara de próxima estação, é também bem possível juntar direções pra ter uma fórmula de compras boas em situações de valor reduzido. Ideal seria se a vida inteira fosse mesmo uma grande liquidação – não sendo esse o caso, bora dar o nosso máximo (haha!).

PREPARAÇÃO + REFERÊNCIAS
Só vale sair pra liquidas e bazares depois de um bom passeio pelo próprio guarda-roupa – se o passeio render uma boa limpeza, melhor ainda. Vale lembrar o que tá parado por falta de “ítem-coordenatório” (risos), o que pode ser substituído porque já tá velhinho, que cores tão faltando/complementam o que se tem, que comprimentos funcionam melhor pra gente. É tempo de muita balada? É tempo de muito trabalho? Mil programinhas diurnos no fim de semana?
Bom também é folhear com atenção pelo menos duas revistas de moda (atuais!) pra antecipar vontades e ter tempo de digerir, pra reconhecer referências, pra imaginar possíveis coordenações e pra conferir no próprio guarda-roupa se rolaria.
PROGRAMAR O INVESTIMENTO
Armário de menino nunca é abarrotado porque eles compram por necessidade. A gente não, compras viram desculpa pra encontrar as amigas e mil vezes a gente resolve fazer compras como terapia, pra “curar” coisas – é ou não é? Então sair de casa já com um valor pré-determinado pra se gastar é um adianto. E diante de cada peça a gente tem que se perguntar:
Vale o investimento? O material e a confecção equivalem o preço cobrado? As peças têm lugar/espaço na vida da gente e vai ser útil pro que se faz? O que a gente amou rende pelo menos três coordenações diferentes com o que eu já se tem em casa? A gente vai querer/poder usar por muito e muitos anos? É fácil de manter/lavar/passar?
OPORTUNIDADE DE EXPERIMENTAR
Uma coisa é perceber o que mais se usa e o que sempre dá certo nos looks de todo dia, outra coisa é comprar um monte do mesmo! Tudo bem ter seis jeans (se você usa muito, tipo todo dia!), mas que todos eles sejam bem diferentes entre si, cada um de um jeito especial. Também não é legal comprar tudo na mesma loja pra não ficar com cara de catálogo: vale mais comprar uma ou duas peças em cada loja e montar looks mais “pessoais”, mais com a nossa cara.
E aí que preço reduzido dá mais coragem pra experimentar. Clássicos valem mais mesmo, então é bom aproveitar os descontos pra arriscar peças “da moda” – ou uma cor diferente, uma modelagem nova, alguma coisa que nunca se usou antes mas que pode render umas boas surpresas do nosso jeitinho, no nosso espelho de casa.
TEM QUE PROVAR TUDO
Especialmente porque liquidação não tem política de troca super bem definida aqui no BR, né? Tem que ir pra qualquer liquida/bazar usando lingerie boa – que não marque!!! -, tem que ir de duas peças (vai que não tem provador decente e você tem que tirar o vestido inteiro pra provar só uma blusinha?), tem que sentar, simular dirigir, andar, se olhar de costas e até dançar, se for o caso.
PODE PENSAR!
Com a Oficina ninguém compra nada que gera dúvida: se a cliente não tem certeza a gente pede à vendedora pra reservar durante um tempo e olha mais lojas, toma um café, conversa, pensa e aí sim, volta pra buscar a peça ou pra des-reservar. Se depois de uma ou duas horas (e outras vitrines!!!) a compra ainda tá rendendo vontade, então tá valendo.
MODA É PRA SER FELIZ
Compra boa é a que faz a gente feliz e achar a peça dos sonhos com valor pela metade (ou com descontão) é sempre mais gostoso. Se rolou AMOR pela peça, se fez o olho brilhar e se ficou per-fe-i-ta no corpo, pode ir pro caixa. E às vezes – quase sempre! – pra ficar perfeito precisa de ajustes e tals. Mas quando é amor, amor de verdade, a gente sabe, né? ;-)
LINKS PRO FIM DE SEMANA
Post explicando uma possível “feminização” no guarda-roupa dos meninos, tipo como aconteceu da gente querer usar colete e jeans-do-namorado: no Entre Livros e Alfinetes.
Não é coincidência esse momento textura que a gente teve no último SPFW e vai ter no próximo inverno: diz que as maiores inovações em moda só tem mesmo como vir da tecnologia têxtil (!!!): no Bainha de Fita Crepe.

Estudo rápido e eficaz das referências étnicas que os acessórios de Alexandre Herchcovitch e Isabela Capeto carregam em si! Pra aperfeiçoar o olhar e a inteligência-fashion (mais…)
O OLHAR ATENTO ENCONTRA SIGNIFICADO
As semanas de moda tem um sentido extra pra gente aqui na Oficina de Estilo. O que a gente vê em passarelas é inspiração que a gente põe DE VERDADE em prática, o tempo todo com clientes em provadores. Então, pra gente é mais importante pensar em como usar do que pensar no que se vai usar (peças e produtos), já que cada cliente tem um universo particular único e independente de quaisquer modinhas. A gente acha, inclusive, que essa é a parte mais legal da moda do nosso tempo: saber COMO usar é mais importante do que usar a “coisa da hora”.

Semanas de moda são, por isso, super propícias pra gente exercitar jeitos de usar o que a gente tem (ou vai ter!) e desenvolver pensamento com alguma originalidade em relação à moda. Mesmo quando um desfile é ruim é possível enxergar cores, coordenações delas, formas, caimentos, texturas, acessórios, materiais, comprimentos, proporções e mais. O olhar atento encontra significado e quem “estuda” imagens de moda ganha como recompensa mais destreza na hora de fazer seu próprio styling. Quem quer ser interessante tem que estar interessada. É com esse olhar que a gente faz força pra ver tudo que o SPFW mostra pra gente: a cada desfile a gente procura significado, tenta expandir nosso repertório imagético, tenta absorver novas idéias e deixar tudo estimular nossa vontade de experimentar, de evoluir. Sem pensar em roupa por roupa apenas, mas pensando em idéias.
RESENHA DE DESFILE… PRA CEGOS
Em tempos de semanas de moda a gente vê fotos de todos os looks das passarelas, muitas vezes até dos detalhes. Se as imagens estão disponíveis, os textos que acompanham essas imagens podem entregar alguma coisa a mais, não? Resenha de desfile que descreve look por look, roupa por roupa, não vale. Em outros tempos, textos (só) descritivos faziam sentido: nem todo mundo tinha acesso às imagens dos desfiles, as revistas demoravam meses pra publicar e tals. Descrever era útil. ERA. Com internet, com blogs, com twitter, com TV e com todo mundo super mais interessado em moda – com livre acesso à mil imagens de tudo! – a gente quer ler e conhecer mais.
Do mesmo jeito que coleções podem ensinar, resenhas de desfiles podem ter função de professor: a de traduzir a informação da roupa pro entendimento da maioria, leiga ou não no assunto. Fazer com que a moda signifique mais do que só roupa. Não ia ser incrível se textos de desfiles trouxessem elementos relacionáveis com história, decifrassem pesquisas de referências, mostrassem contexto com tempo e espaço, acrescentassem informação e insights sobre o que a gente vê nas fotos? Resenhas feitas com opinião sem afetação, dizendo se as coisas funcionam ou não – independente se são do gosto de quem tá escrevendo. Mundo-da-moda-dos-sonhos!
Falta pouquinho pro Fashion Rio começar e na sequência vem o SPFW. Fica a dica pra todo mundo que vai cobrir, inclusive pra gente. É mais difícil, não tem espaço pra preguiça, mas todo mundo ganha. Bora fazer nosso dever de casa e entregar inteligência. ;-)
O FUTURO VIROU GERÚNDIO
“Nós nos enganamos muito frequentemente quando discutimos o que não aconteceu. Além do mais, no que diz respeito à forma, qualquer especulação futura é profundamente fútil. (…) Me parece irrelevante imaginar como serão os filmes de amanhã, como serão no futuro os filmes de hoje. Nada é tão imprevisível quanto o futuro. Não fazemos filmes hoje para platéias do próximo século, tanto quanto não encenamos Shakespeare para espectadores do século XV. TODA FORMA DE EXPRESSÃO É CONTEMPORÂNEA. TRABALHAMOS PARA AQUELES QUE COMPARTILHAM ESTE MOMENTO DA HISTÓRIA CONOSCO. AQUI E AGORA. Amanhã e em outro lugar: o que podemos dizer sobre isso?”
Esse texto incrível é um parágrafo do livro de Jean-Claude Carrière “A Linguagem Secreta do Cinema” (esse ó). Carrière é um roteirista brilhante, ganhou três oscars e nesse livro reflete um tanto sobre as diversas dimensões do cinema, entre elas a passagem do tempo. E tem essa reflexão, sobre as expectativas do futuro de um movimento cultural, que pode ser cinema ou moda (não pode?). Nessa passagem Carrière deixa claro que o que o que embasa todo/qualquer movimento é a contemporaneidade e que embora saudáveis, discussões sobre o seu futuro são inúteis.

as pessoas usam tachas porque tá na moda ou as tachas tão na moda porque as pessoas usam?
O que a gente vê nas semanas de moda e nos sites de streetstyle mostra que a moda super se alimenta do que se usa nas ruas do mundo. Quando um birô “prevê” uma determinada tendência, já existe uma vontade das pessoas de se vestir assim. As informações não surgem do nada, mas de uma observação do que ‘tá se usando’, das motivações dessas escolhas e de uma inclinação que já existe nos “reles mortais” em adotar determinados códigos de vestir. Não é engraçado pensar que enquanto a (mais…)
A VIDA PODIA SER UMA GRANDE LIQUIDAÇÃO
Porque né, a gente vive um tempo em que roupa não depende mais de estação ou temporada pra funcionar. Moda não é mais o movimento sazonal que era antes. A gente faz a camiseta de duas, três estações atrás ficar super legal no look de agora, cada um com seu jeito – e essa é a “moda de agora”, não é? Inteligência não é comprar agora pra usar enquanto a qualidade permitir?
Ao mesmo tempo, se tem uma época do ano em que as marcas se permitem abaixar preços até quase a metade do valor da etiqueta… porque esse não pode ser o preço da temporada toda, desde o lançamento? Marca que faz liquidação só tira porcentagens que não implicam em perda de dinheiro, prejuízo zero. Então porque não operar desde o início em ‘modo liquidação’. NÃO É MESMO?

E quem fez a gente pensar nisso foi o Fause Haten, com quem a gente filmou um videozito que já já entra no ar aqui no blog – fica de olho que super vale. E no About Fashion tem post dando alternativas pros preços sem cabimento que a gente encontra por aí, olha lá.
INTELIGÊNCIA NO VESTIR
Tem cinco minutos (valiosos!) de inteligência em moda com Alber Elbaz, estilista da Lanvin, nesse vídeo aqui (dica de @BellaCabral no twitter). Com a admiração dele pela mulherada de hoje – “por mim o novo James Bond seria JANE Bond!” -, com ele curtindo rugas e não curtindo botox, com ele dizendo que um vestido vermelho pode substituir um tylenol e com essa idéia, ó:
“Nesses tempos várias áreas diferentes do design – em carros, em computadores, em arquitetura… – tem falado sobre ‘design inteligente’. E na moda a gente ainda tá estagnado com ‘glamour’, com idéia de ‘sexy’. Se a gente toca de leve na parte ‘inteligente’, a coisa vira ‘intelectual demais’.” Tradução super livre, claro, do que ele fala pertinho do quarto minuto de vídeo (em 3:38).
Ele quis dizer de como “moda intelectualizada” soa perjorativamente, soa pesado. Parece distante e pra poucos, parece difícil. Se a gente simplificar, moda intelectuaizada é toda aquele que rende algum pensamento pra além da roupa – ou que veio de alguma idéia que não foi motivada só pelo pano. A gente tenta fazer isso todo dia, nos nossos looks (todo mundo aqui na Oficina, aqui no blog, em volta da gente!): procurar sentido, procurar relação, acrescentar significado e relevância pra cada peça que a gente escolhe, entender o valor da roupa e da coordenação. Não só porque intelectualizar é tendência em várias áreas do design (o que por si só já é lindo, incrível!), mas porque a gente é mais feliz com a moda assim. Com sentido e com sentimento. Sem pretensão, sem esse ‘peso’ que se dá às coisas – quase sempre sem precisar, podendo ser mais leve! Bem como Alber Elbaz diz. Né? ;-)
PERGUNTAS PRA SE FAZER ANTES DE COMPRAR
Enquanto eu tava de férias eu li mil revistas da Oprah (HAHA) e foi de uma delas que eu recortei essa página-matéria sobre comprar consciente. A revista entrevistou uma especialista em finanças e duas especialistas em compras de roupa (Trinny e Susannah!!!) pra saber delas o que a gente precisa saber pra comprar direitinho. E elas responderam tudo em forma de perguntas que a gente pode se fazer na hora de adquirir ou não qualquer coisa. Eu vesti a carapuça, assumi que não ligava pra alguns desses conselhos e recortei a página da revista pra carregar comigo e não esquecer nunca mais. Olha que pertinente!

A coisa toda já começa com “eu posso pagar?” e “vale a pena?”. Tem aqui (clica) a versão na íntegra da matéria, prontinha pra imprimir e tudo. As mais legais, que complementam essas duas super perguntas aí em cima, são:
Eu já paguei tudo que eu tinha pra pagar de contas esse mês?
Meus cartões de crédito tão pagos?
O preço é razoável?
Eu ainda vou querer isso amanhã? (Essa é GÊNIA!)
Isso veste bem o meu tipo físico?
É confortável?
É fácil de se manter – lavar, passar, cuidar?
Vai ser possível usar por muitos e muitos anos?
E a melhor de todas: Estou sendo honesta comigo mesma? Praquelas horas em que a gente sabe que não deve, mas fica arrumando jeitos de se comvencer de que pode. Ou por carência, ou por outra necessidade qualquer que a gente sabe que não vai ser resolvida só com uma compra. Na matéria tem um textinho explicativo pra cada uma dessas perguntas (e pras outras que não aparecem aqui no post). Auto-ajuda fashion pura!












