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LIÇÕES DE PROFISSÃO COM CRISTIANE MESQUITA
Imagina estudar moda (e ensinaro que se aprende!) como profissão? A Cristiane Mesquita é pesquisadora, professora e consultora de projetos criativos e acadêmicos… em moda! Ela dá aulas, faz palestras, escreve colunas em revistas, trabalha com pesquisas no Programa de Mestrado da Universidade Anhembi Morumbi (!!!) e orienta projetos sobre arte, design e moda (claro) no Senac, na faculdade Santa Marcelina e na UEL do Paraná. Já fez mestrado, doutorado (!!!!!!). Já escreveu livros, já fez documentários e, de seis em seis meses ela promove o ZigueZague, evento paralelo ao SPFW (quer participar?!??) com oficinas, palestras e conversas inteligentes sobre esse nosso tema amado. Ah, como se fosse pouco, ela ainda tem a Ilha, uma coleção de acessórios cheios de poesia – clica pra conhecer que vale. Na entrevistinha ela deixa a gente participar um pouquinho desse universo de pensamentos, de lógica, de encantamento e de compreensão – de roupas e de gente! <3

COMO VOCÊ COMEÇOU?
Comecei de um jeito “torto” que, mal sabia eu, iria reinventar o percurso previsto. Comecei quando me formei em Psicologia e fui trabalhar como vendedora, nas lojas Fiorucci, para sustentar minha formação, meu consultório, minha supervisão. Ufa! Começo não é fácil em (mais…)
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM SYLVAIN JUSTUM
Aqui nessa nossa entrevista o Sylvain responde como responsável pelo figurino do programa de moda mais legal que a gente tem na TV brasileira, o GNT Fashion da Lilian Pacce, mas ele faz taaaaanta coisa a mais que é quase de perder o fôlego: também é stylist, colabora com as Vogues e com o Estadão, tá escrevendo sobre moda e futebol nesse blog muito legal, abastece (com opinião atenta e crÃtica!) blog de moda masculina Hypercool e ainda faz um dos tuÃteres mais divertidos do mundinho da moda (a gente AMA!). Com a mesma visão crÃtica e com o mesmo humor o Sylvain conta que ser “esponja” é essencial pra aprender a trabalhar com moda – “mais que estudo, tem que ter olho bom e feeling” – e lembra a gente da importância de não se queimar etapas. Olha só. ;-)

COMO VOCÊ COMEÇOU?
Comecei na moda graças a uma ajudinha do destino. Apesar de sempre ter gostado de moda (comprava revistas e mais revistas ainda no colégio), nunca tinha pensado em trabalhar na área. Afinal, não era um mercado profissionalizado e cheio de alternativas como hoje. Fui estudar publicidade e, enquanto trabalhava no comercial de uma revista, minha mãe começou a namorar o pai do Thiago Ferraz (stylist), que era assistente de produção na Vogue. Um belo dia, depois de minha mãe comentar sobre o quanto eu gostava de moda, o Thi disse a ela que estavam precisando de outro assistente na revista. Adivinha? Larguei tudo e lá fui eu. Cinco anos depois, o Paulo Martinez comentou que a Lilian Pacce estava precisando de figurinista no GNT Fashion. Já tinha trabalhado com ela na Mundo Mix Magazine. Estamos juntos até hoje.
O QUE ESTUDOU E O QUE ACHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Estudei publicidade na Cásper LÃbero, o que me ajuda a entender o funcionamento de uma agência, de uma produtora e até de um canal. Fiz um curso de um ano de “estilo de moda”, na Sta Marcelina, que serviu como panorama geral. Na real, aprendi quase tudo que sei na prática, com excelentes professores da vida real, que tive a sorte de cruzar pelo caminho (Giovanni Frasson, Paulo Martinez, Lilian…). Você tem que ser uma esponja e absorver tudo o que lhe for útil ao seu redor. Mais do que estudo, tem que ter olho e feeling. Sem isso não há doutorado que ajude.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA ‘DAR CERTO’ (FINANCEIRAMENTE)?
Acho que ainda não dei! :)
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
Amo a reciclagem permanente de ideias e referências. Não conseguiria ficar enclausurado num universo que não se renova. Fora que é uma delÃcia ver roupas e pessoas bonitas o tempo todo, né?
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Tem horas que a falta de rotina pesa. Trabalhar em feriado e fim-de-semana, de madrugada, é dose pra leão.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE
AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Ter muuuuuita paciência, disposição e saber que tudo tem seu tempo. Um degrau de cada vez. Queimar etapas nem sempre é bom.
Na próxima quinta-feira terça-feira tem lições de profissão com Cristiane Mesquita, pesquisadora-acadêmica de moda e organizadora do Zigue-Zague, evento inteligente de moda paralelo ao SPFW. E vai ser a última entrevista dessa rodada da nossa série querida!!!
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM EMI MAGALHÃES
A gente foi looonge e conseguiu o contato da Emi, modelista que trabalha numa confecção do Bom Retiro, que trabalha nesse meio (fazendo isso) há 12 anos. Ela pediu pra gente não falar da empresa em que trabalha (com medinho!), não quis deixar ter foto no post e só conversou com a gente por telefone porque não tem computador (nem quer ter!). Emi não vive no shopping, não vai a desfiles, não fica de mal de colegas por melindre. Ela prepara moldes pra roupas que vão ser confeccionadas na fábrica em que trabalha, procurando ser tão fiel ao desenho ou à amostra que a estilista entrega pra ela – e pronto. Foca na execução do seu trabalho, fica feliz quando vê que alguém tá usando aquilo que ela ajudou a produzir. Acha que todo mundo tem que compartilhar o que sabe. Uma fofura sem fim, veja só. <3

COMO COMEÇOU?
Comecei trabalhando numa confecção com 18 anos. Já sabia costurar, aprendi brincando ainda quando criança na casa da minha mãe. Mas somente há mais ou menos 12 anos atrás, comecei a trabalhar numa fábrica de jeans. Fazia gabaritos (conjunto de moldes referentes a uma peça) e também fazia os bolsos das calças jeans traçados pelos modelistas da fábrica. Aos poucos, fui aprendendo a como fazer moldes para diferentes peças e acabei saindo de lá já sabendo modelar, indo para outra empresa e aprendendo mais ainda na prática.
O QUE ESTUDOU E O QUE CONSIDERA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Fiz um curso de modelagem na Promoda logo depois que fui para a segunda empresa. Lá, eles ensinam a tirar a modelagem, mas o curso não é suficiente, precisa ter muita prática e aprender muito mais. O mais importante mesmo é aprender a tirar a modelagem e praticar para aprender a tirar cada vez mais modelos novos.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA “DAR CERTO” (FINANCEIRAMENTE)?
Sinceramente, ainda não deu, pois na empresa que trabalhava anteriormente eu não tinha carteira assinada. E somente com mais ou menos 5 anos de carteira assinada que já se ganha um valor maior no currÃculo. Demora muito tempo, pois o mercado exige tempo de experiência para que o profissional desse ramo seja realmente valorizado.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
O que mais amo é todo dia ter um modelo novo para tirar. Como trabalho com peças que normalmente representam “a moda do momento”, gosto muito de ver pronto aquele modelo que eu tirei.
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Quando não consigo tirar a modelagem certa e a peça fica encostada.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, PRA QUEM QUER SE AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Gosto muito de dividir o que sei com as pessoas. Se preciso ensinar algo a alguém, mesmo que seja um colega de trabalho, tenho prazer em dividir. Acredito que as coisas só se aprendem na prática, porque cada um faz do seu jeito, talvez melhor. Acho que o mais importante é aprender a compartilhar o que se sabe.
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM KATIA FRIDRICH
Nossa série de confissões profissionais de gente da moda continua agora com a categoria… personal stylist! A Katia Fridrich é nossa colega de trabalho mais próxima e também a mais admirada. Ela trabalha MUITO, muito mesmo, e atende muuuitos meninos – é quase especializada em moda masculina! – então pode falar super bem sobre a nossa profissão! Mais legal da entrevista dela (quando a gente “compara” com as outras respondidas aqui no blog) é que dá pra perceber como quem trabalha com estilo de gente-como-a-gente fica mais distante do ‘mundinho da moda’, e assim mais distraÃda da parte que todo mundo reclama – a das fofoquinhas, do nariz em pé, do ego, sabe? A gente percebeu isso na hora em que ela responde que a parte que menos curte é um detalhe do próprio ofÃcio, independente de quem tá em volta ou de qualquer outra coisa!

COMO VOCÊ COMEÇOU?
Eu fui fazer um curso no Senac sobre imagem pessoal e me apaixonei pelo assunto na primeira aula. Foi tipo amor a primeira vista! Aàcomecei a fazer algumas consultorias para amigas, depois para as amigas das amigas e por aà foi!!!
O QUE ESTUDOU E O QUE ACHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Eu me formei em Administração e Marketing. Fiz vários cursos de moda, história da moda, história da arte, consultoria de imagem, colorismo e vários outros. Como não existe uma faculdade para ser personal stylist, acho que a gente tem que fazer a nossa própria formação. E eu procurei fazer isso e continuo sempre fazendo… Todo ano estou fazendo cursos novos (ligados direta e indiretamente a minha profissão), estudando, pesquisando, frequentando palestras, etc. É como médico, a gente tem que estar sempre se atualizando. Hoje em dia, depois de 6 anos nesta área, acho que é muito bacana fazer um curso de psicologia porque a gente lida mais com pessoas do que com roupa.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA ‘DAR CERTO’ (FINANCEIRAMENTE)?
De 2 a 3 anos.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
Amo meu trabalho. Adoro tudo, mais o que mais amo é a parte da montagem dos looks, é a parte em queliç posso exercer a minha criatividade. Atualmente estou amando dar palestras! Falar sobre esta profissão e todos os assuntos que eu adoro!
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
A parte do colorismo é a que menos gosto.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE
AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
O que posso dizer é que não é nada fácil, mas se você ama o que faz, você faz com prazer, e isso é tudo na vida! É uma profissão bem solitária, por isso temos que ser muito fortes e perseverantes! Ouvi uma frase outro dia que está me guiando muito atualmente, tanto no trabalho quanto na vida: “Dê prazer a si mesmo, e se isso for verdadeiro, os outros vão ter prazer também.”
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM FERNANDA YAMAMOTO
A Fernanda Yamamoto é estilista de uma chamada “nova geração” de profissionais de moda aqui no Brasil, e a caminhada dela já tá levando sua marca pra destinos de gente grande: a gente lembra dela desfilando seus looks (poucos e precisos!) no Rio Moda Hype e agora ela integra o line-up do São Paulo Fashion Week (sua estréia acontece em junho, na edição de verão 2011 do evento)!!! Fernanda tem uma loja na Vila Madalena em que vende suas coleções e também trabalhos de outros estilistas, tão jovens e criativos quanto ela, num espaço democrático de verdade. Vê só como ela relaciona o ofÃcio de fazer roupas (e de administrar uma loja!) com estudo e dedicação! E passa pelo flickr dela pra ver os bastidores desse trabalho todo! ;-)
COMO VOCÊ COMEÇOU?
Minha história é bem diferente daquela “vestia minhas bonecas na infância”. Na verdade a moda veio mais tarde na minha vida. Me formei em administração de empresas, trabalhei na área por um tempo mas estava infeliz profissionalmente. Resolvi repensar mesmo e recomeçar do zero! A moda veio intuitivamente, e me sinto muito sortuda e privilegiada por ter “acertado em cheio”.
O QUE ESTUDOU E O QUE ACHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Fiz administração de empresas na FGV e depois moda na Parsons de Nova Iorque. Acho que todo estilista que quer ter sua própria marca deveria em algum momento estudar administração.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA ‘DAR CERTO’ (FINANCEIRAMENTE)?
Ainda não dei..rs porque acabei de fazer um investimento bastante grande na loja (está aberta há 5 meses), mas tenho consciência de que é um trabalho de formiguinha a longo prazo. Sei aonde quero chegar.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
Poder mostrar um pouco da minha personalidade através das roupas que crio. E as mulheres que as vestem, possam mostrar as suas também.
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Egos em excesso.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE
AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Moda não é glamour, inspiração não cai do céu, estilista não é um ser superior. No final é muita dedicação, ralação, estudo. Enfim, seja muito “nerd” mesmo!
Na próxima terça tem sequência da nossa série com a Kátia Fridrich, nossa querida colega de profissão, pra gente conhecer essas respostas relacionadas à área de personal styling! Aeeeee!
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM DANI VALADÃO
Imagina trabalhar pra que a marca tenha identidade fácil de ser reconhecida, que tenha coerência com o produto, com quem compra e usa, e ainda esteja “na boca do povo” o tempo todo, sem ser esquecida? Essas são algumas tarefas de quem trabalha com marketing em empresas de moda. A Dani Valadão cuida do marketing da Gant e contou mais da profissão pra gente, olha só.

COMO COMEÇOU?
Comecei minha carreira na área de marketing em empresas de bens de consumo, mas depois acabei trabalhando em agência de promoção e eventos e pesquisa de Mercado. Mas o que eu sempre gostei mesmo foi de moda, por isso me candidatei ao programa de trainee da C&A. Fiquei dois anos na empresa, trabalhando diretamente no varejo e na parte de desenvolvimento de coleção, negociação com fornecedores, etc.
Em 2008 surgiu a oportunidade e o desafio de trabalhar com uma marca nova no Brasil, a Gant. A Gant é uma marca de lifestyle americana super bacana, que tem mais de 600 lojas pelo mundo, mas que a gente ainda não conhecia muito por aqui. Desde então sou responsável pela área comercial da empresa, cuidando das lojas, da equipe de vendas, do Visual Merchandising e da compra e planejamento das coleções. E também sou responsável pela área de marketing e relações públicas da marca aqui no Brasil.
O QUE ESTUDOU E O QUE CONSIDERA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Fiz faculdade de Propaganda e Marketing, na ESPM e hoje faço MBA em Varejo na FIA. Como sempre gostei de moda, fiz alguns cursos de especialização no Senac e na Santa Marcelina, para ganhar mais conhecimento nesta área. Acho que para trabalhar com Fashion Marketing é importante fazer uma faculdade bacana sim, pois dá bastante base para as atividades do dia-a-dia. As pessoas normalmente acham que trabalhar com marketing em moda é só organizar eventos e festas, mas é preciso saber criar uma estratégia para a marca, conhecer profundamente o seu cliente e saber fazer análise de retorno de todas as ações que são realizadas. Além do conhecimento é muito importante também estar atenta ao que está acontecendo no mercado, o que os concorrentes estão fazendo, ler muito, conversar com pessoas que já tenham mais experiência na área e fazer o máximo de contatos possÃveis.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA “DAR CERTO” (FINANCEIRAMENTE)?
Acho que só consegui começar a pagar mesmo todas as minhas contas sozinha uns 3 anos depois que me formei. No começo, quando era estagiária, eu vendia o almoço para pagar o jantar e não tinha um real na carteira. Mas o bacana é que trabalhando nesta área você acaba conhecendo um monte de gente legal e ganha ingressos para várias coisas!
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
O que eu mais amo no trabalho com moda é que cada dia estou fazendo uma coisa diferente e conhecendo pessoas muito diferentes. Um dia estou pesquisando quais são as próximas tendências, no outro estou planejando uma ação para os clientes, no outro estou fazendo compra de coleção, no outro estou em um evento. E em todas as atividades sempre conheço pessoas novas, super interessantes, que tem experiências diferentes das minhas e que sempre me ensinam alguma coisa!
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Com certeza são as pessoas que não produzem nada de bacana, mas querem aparecer a todo custo.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, PRA QUEM QUER SE AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Acho que o mais importante de tudo é acertar as expectativas. Trabalhar com moda é mesmo muito legal e um trabalho super dinâmico. Mas é um trabalho que exige muita dedicação, muito conhecimento, aprendizado diário e humildade. Mas com certeza é o que eu mais amo fazer da vida e me divirto todos os dias!
Nossa série de entrevistas continua com as respostas e ensinamentos da Fernanda Yamamoto, estilista que desfila pela primeira vez no SPFW agora em junho e que tem uma loja incrÃvel – cheia coisas de novos estilistas! – aqui em SP. Na quinta-feira!
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM MARCELO GOMES
Lembram dessa série de posts chamada “Lições de Profissão”? Um ano atrás a gente perguntou pra amigos de áreas diferentes do mundo da moda sobre suas profissões, suas trajetórias, de como é o dia-a-dia e mais: a conversa rolou com uma editora de revista, uma jornalista/fazedora de evento, uma stylists, um editor de site e um super produtor de moda. Agora a gente resolveu “investigar” mais gente, mais possibilidades, e quem se interessar pode ter, por esses posts, uma visão geral – e realista! – de como as coisas no mundinho funcionam.
Quem retoma a série com a gente é o Marcelo Gomes. Ele é fotógrafo e conhece bem o trabalho com moda, já trabalhou com as revistas mais legais daqui do Brasil e de fora (tipo a Key, a FfwMag, a Nylon, a Dazed and Confused, a Vice e maaais) e seu segundo livro acabou de ser elogiado na Bazaar! A qualidade maior do Marcelo, no entanto, não é a experiência mas a sensibilidade – tem que conhecer o trabalho dele pra entender que essa é uma fotografia especial (mais aqui). E vê só como ele tem o pé no chão!

COMO VOCÊ COMEÇOU?
Comecei a brincar de fotografar em 2004, 2005. Trabalhava numa revista em Nova Iorque chamada Index, e fotografia era uma parte muito importante da revista e muito fotógrafos notáveis trabalhavam com a gente, entre eles: Wolfgang Tillmans, Juergen Teller, Mark Borthwick, Ryan Mcginley, Terry Richardson, Takashi Homma, e vários outros. A revista tinha uma diagramação muito simples, e um conceito também relativamente simples. Cada edição (a revista saÃa 5 vezes ao ano) consistia de 6 entrevistas longas (mais ou menos 6- 8 páginas) com personalidades das mais diversas. Na mesma edição você podia encontrar entrevistas (sempre em formato “pingue-pongue”) com o Morrissey,Helmut Newton, e Howard Zinn (um grande historiador americano)  e por causa da simplicidade da diagramação a fotografia se sobressaÃa bastante, tanto pelo tamanho da revista quanto pela liberdade dada aos artistas que colaboravam. Fiz algumas fotos pra Index ainda sem saber direito o que fazia, e depois saà de lá pra ser assistente de fotografia. Fui assistente por dois anos, quando em dezembro de 2007 decidi que ia fotografar profissionalmente.
O QUE ESTUDOU E O QUE ACHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Eu sou formado em Ciências PolÃticas pela University of Iowa. De certa forma acho bom não ter feito artes plásticas (até mesmo porque na época não passava pela minha cabeça fazer algo do tipo), gostei muito do meu curso. Achava que seria um diplomata. Acho muito difÃcil dar este tipo de conselho porque cada pessoa funciona de uma maneira. Sei que aos 17 anos de idade (que foi quando entrei na faculdade) eu não era adulto, nem estava preparado pra tomar decisões reais em relação ao que seria da minha vida. Era muito imaturo e no meu caso, acho que precisava daqueles 4 anos mais para amadurecer do que para escolher o que fazer profissionalmente. Mas acho que é importante se aprofundar em alguma coisa, pode ser Botânica, Direito, ou Letras, com tanto que você nestes 4 -5 anos aprenda a pensar, e desenvolva sua capacidade analÃtica.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA ‘DAR CERTO’ (FINANCEIRAMENTE)?
Isto também é bastante relativo, tem meses que eu acho que dei super certo financeiramente (ha!) e tem outros que nem tanto. O que provavelmente significa que ainda não posso dizer que sou monetariamente solúvel, lÃquido, saudável. Mas tenho esperança que isto se isto se resolva em breve.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
Eu gosto muito de roupas, cores, e formas mas não diria que gosto de “moda” como a maioria compreende o termo. Tendência, cor da estação, comprimento da temporada, todas estas coisas são extremamente maçantes, na minha opinião. Tenho muito gosto por fotografar peças de acabamento e caimento perfeito, tecidos que nunca de fato luxosos, assim como gosto de fotografar boas idéias de estilistas jovens. Sou muito interessado pela parte de engenharia de moda, que é encarregada de fazer peças extremamente bem acabadas em quantidades médias-grandes, acho o processo fascinante e acredito que as pessoas que conseguem viabilizar em séries numerosas peças extremamente complexas sÃ¥o verdadeiros gênios (assim como os estilistas que criam estas peças-piloto). Esta parte técnica e de real artesanato é pouco valorizada no Brasil, o que é chato.
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Acho que respondi acima. Mas no sobre o que eu faço não tenho muito do que reclamar, existem trabalhos mais legais que outros, e é assim mesmo, é como quem vai pro escritório, ou é jornalista, ou farmacêutico, existem dias bons e dias ruins, pessoas interessantes e pessoas desagradáveis em qualquer profissão, e quem trabalha com moda (apesar da maioria achar o contrário) não faz algo mais perto dos céus que qualquer outra pessoa. Como quem vê as revistas de vez em quando esta parte da digestão, o mastigar da moda não me interessa e nem me agrada, e acho que há um certo charlatanismo em apontar tendências que ou já existem ou se unem a 128 outras “tendências”. Há uma certa demagogia no jornalismo de moda (no que toca a triagem pós semanas de moda) que sempre passa desapercebida das pessoas.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Seja você mesmo, mas nem sempre diga o que você pensa, por mais sincero que seja. Seja educado, interessado, e tenha paciência. E se você realmente quer ser bom no que você faz (seja você um stylist, fotógrafo, estilista, maquiador, alfaiate…) não seja só o que você faz. Não se defina pela sua profissão. As pessoas acham que trabalhar com moda é algum tipo de chamado divino (e não é). Se você se encontra na festa de natal da famÃlia da sua namorada e o primo fazendeiro dela só fala de bois e vacas você se acha no direito de achar um porre, mas por que é aceitável que o seu único assunto seja sempre moda (ou a vida das outras pessoas que trabalham com moda)?
Na quinta-feira tem mais Lições de Profissão com Dani Valadão, que comanda o departamento de marketing da Gant aqui no Brasil. Uhú!
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM FABIO ISHIMOTO
A foto que ilustra esse post é a do dia em que eu, a Cris e o Fabio Ishimoto trabalhamos juntos pela primeira vez, em 2002. A gente tinha se conhecido duas semanas antes e depois disso nunca mais se desgrudou. Eu e a Cris viramos Oficina de Estilo e o Fabio virou o produtor de moda mais bem sucedido que a gente conheceu desde sempre – agora ele também faz styling e edita editoriais sozinho, depois de anos quase exclusivos de Vogue. Ele virou unanimidade em assessorias, com fotógrafos, modelos e com todos os profissionais com quem lida: todo mundo admira a educação, a seriedade, o trabalho duro e a elegância do Fabio. Então, se a gente aprende um tanto com ele, todo mundo daqui do blog pode aprender também, né? Olha só.

COMO COMEÇOU?
Tinha interesse e quase nenhum conhecimento na área de moda em geral e fui pesquisar algum curso bacana. Acabei conhecendo e estudando com a Ilana Berenholc. Não poderia ter começado melhor, pois foi uma das primeiras pessoas a me orientar e aconselhar. Depois estagiei um tempinho com a Manu Carvalho, com quem também aprendi muito e finalmente fui fazer um curso com o Giovanni Frasson, meu maior e eterno mestre, que me chamou pra trabalhar com ele na Vogue, onde fiquei por uns 6 anos.
O QUE ESTUDOU E O QUE CHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Minha formação é em Comunicação, Relações Públicas. Como não estudei moda, sentia falta de embasamento teórico e fui buscar em muitos cursos livres que acabei fazendo. Fiz desde curso de produção de moda, prático, didático, até laboratórios de criatividade, curso de modelagem, de desenho, etc. Todos eles me ajudaram, de uma forma ou de outra.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA “DAR CERTO” (FINANCEIRAMENTE)?
Ixi, tópico difÃcil…durante muito tempo meio que paguei pra trabalhar, sabe como? Mas não me arrependo, considero que foi um investimento que fiz e que estou começando a colher os resultados aos poucos. Mas demorou, viu?
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
A possibilidade de trabalhar com o que sempre sonhei, com as pessoas que sempre admirei. É o que me faz feliz.
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
A informalidade da profissão do produtor de moda/stylist. Hoje em dia muita gente se auto denomina dessa forma, e às vezes prejudica a imagem do profissional sério, com conhecimento e experiência.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Na minha área, acho super importante buscar ser assistente de alguém bacana que possa ensinar. E estar disposto à aprender, mesmo que isso signifique carregar muita sacola, crepar centenas de solas de sapatos, passar roupas, etc. Ser perseverante e não desistir, caso confirme que realmente é o que quer fazer. E posso terminar com uma frase pronta que eu adoro? “A confiança em si mesmo é o primeiro passo do sucesso” Não é ótima?
E assim a primeira parte da nossa série termina, gente. A gente mandou essa entrevista pra mais gente – tem fotógrafo, tem executiva de marketing de moda, tem estilista, tem fazedor de sites… Deixa eles responderem e a gente faz um segundo round de respostas assim, seguidinhas. ;-)
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM JORGE WAKABARA
A gente conheceu o Jorge quando ele tinha saÃdo do Chic pra trabalhar no portal da editora Abril. Ele era repórter e a gente acompanhou de pertinho uma cobertura que ele fez – sozinho! – pra esse portalzão, com a maior disciplina calma pé no chão lucidez do mundo. Logo depois a gente viu o Jorge conquistar, cheio de mérito, a posição de editor do site da Lilian Pacce – que né, é hoje a melhor fonte de informação em moda no BR. O que a gente sente por ele chama admiração (e um amorzinho infinito também) e olha bem que ele dá, nessa entrevistinha, o conselho mais verdadeiro e direto que se pode dar pra todo mundo que quer trabalhar no ‘mundinho’. De verdade!

COMO COMEÇOU?
Eu nunca achei que ia trabalhar com moda. A Alexandra Farah me chamou pra trabalhar na produção e pesquisa do projeto dela, o Filme Fashion, pra primeira mostra que ela estava organizando – e tudo isso porque eu gostava de cinema, e não de moda! Aà eu tive que estudar moda pra fazer a pesquisa e peguei gosto. Depois de um tempo virei estagiário do Chic, que na época também era editado pela Alê.
O QUE ESTUDOU E O QUE ACHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Estudei jornalismo e considero importante estudar jornalismo. Óbvio que todo conhecimento de moda também é válido, mas pra ser um bom repórter de moda você precisa, antes, ser um bom repórter de qualquer coisa. A técnica é a mesma. Perguntar, pesquisar – um bom repórter vai saber fazer um texto bom de qualquer coisa se tiver tempo e boas fontes.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA ‘DAR CERTO’ (FINANCEIRAMENTE)?
Bastante. O meio de moda é muito glamuroso mas paga pouco. É difÃcil, exige investimento no começo e nem por isso vai ter dar muitÃssimo retorno depois. Não é uma profissão pra quem pretende ganhar muito, definitivamente.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
É divertido. O dia a dia é divertido. Tem muita gente interessante e muito assunto interessante. E eu gosto principalmente do trabalho com internet, que é rápido, é pá pum. Peguei gosto com a internet, seria difÃcil pra mim me adaptar em outro meio.
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Tem gente do mal, assim como em qualquer outra área. Mas acho que egos inflados e gente recalcada tem em excesso. Não vejo tanto disso entre, por exemplo, professores de faculdade. Pra se blindar, o importante é ter sensibilidade pra perceber quem é do bem e ficar mais perto deles, trocar mais com eles. E dá-lhe arruda, viu?
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
Queira muito, vai ser dificÃlimo. Já avise a sua famÃlia que eles vão ter que ajudar, por um tempo, até você conseguir seguir com as próprias pernas financeiramente. E se você não quiser muitÃssimo assim, pare já e mude de ideia, porque não vai valer a pena. Não basta gostar, tem que querer pra caramba. E seja pró-ativo, já vai pesquisando e fazendo o que for possÃvel, cria um blog, tenha ideias novas. Tem um monte de gente querendo trabalhar com moda, mas tem pouca gente que realmente surpreenda e mostre coisas interessantes.
A última entrevistinha da nossa série foi feita com o melhor produtor de moda que a gente já conheceu na vida – e o mais elogiado por todo mundo, o mais querido, o mais profissional, o mais comprometido… com vocês, amanhã, Fabio Ishimoto!
LIÇÕES DE PROFISSÃO COM NATALIE VALILI
A Natalie trabalha na MKTMix, assessoria de imprensa das mais poderosas daqui de SP. Ela cuida das marcas de luxo da cartela de clientes da assessoria – e mesmo mergulhada nessa riqueza continua com os dois pezinhos no chão! Continuando a nossa série tem aqui as respostas da Natalie, com uma super verdade sobre rendimentos em qualquer área da moda: “a gente tá sempre em evolução” – é assim mesmo e vale pra tudo!

COMO COMEÇOU?
Comecei a trabalhar com assessoria de imprensa ainda na época da faculdade. No inÃcio, atendi alguns clientes com perfil corporativo. Conquistei uma nova oportunidade, passei a cuidar de cliente de Luxo/Moda e daà em diante não parei mais.
O QUE ESTUDOU E O QUE ACHA MAIS IMPORTANTE ESTUDAR?
Fiz faculdade de jornalismo e alguns cursos relacionados à Moda. Acho importante ler muito a respeito e estar aberto a tudo que é novo.
QUANTO TEMPO LEVOU PRA ‘DAR CERTO’ (FINANCEIRAMENTE)?
Estamos sempre em evolução. Mas é bom sempre buscar mais, né?
O QUE MENOS CURTE NO TRABALHO COM MODA?
Falta de elegância. O engraçado é que as pessoas mais incrÃveis são sempre impecáveis e educadas.
O QUE MAIS AMA NO TRABALHO COM MODA?
Adoro a idéia da Moda estar relacionada a tudo hoje. Muitos produtos se tornam objetos de desejo por uma infinidade de motivos. Poder contrubuir na construção de uma marca, ver ela repercurtir e dar certo é sempre muito emocionante.
QUE APRENDIZADO PODE DIVIDIR, EM FORMA DE CONSELHO, COM QUEM QUER SE AVENTURAR PELO MUNDO PROFISSIONAL DA MODA?
É um universo em expansão e hoje em dia cheio de possibilidades, mas tem que gostar e se dedicar muito.
A série de entrevistinhas tira férias no fim de semana e volta na segunda com as respostas de Jorge Wakabara, editor do site da Lilian Pacce. Com um monte de idéias pé no chão e sinceridade.











