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VITRINE DE INTELIGÊNCIA
A função principal das vitrines de lojas deveria ser inspirar a gente a experimentar propostas – e não (só) render desejo por peças especÃficas. Né? Consumidor bacana não deveria ser o que quer uma peça de vitrine e efetua essa compra, mas sim o que se interessa pelo conceito da loja, se permite passar tempo dentro dela, vai até o provador e se deixa identificar com o estilo proposto. E pra isso, é preciso mais do que só roupa na vitrine – mais do que só manequins montados com looks legais: tem que ter poesia, tem que ter tema, estória, encanto mesmo. A arquiteta Lina Bo Bardi escreveu em 1951 (!!!) sobre isso: “Não há nada pior para o adquirente do que ter em frente demais coisas para escolher.” E ainda chamou vitrines abarrotadas de “pequenas ratoeiras com mercadoria-queijo para o transeunte-rato.”
Mais: lojas de rua deviam contar com a responsabilidade que tem de também construir a aparência da cidade (além de ter que vender!). A Lina (Ãntima) também registrou seu pensamento nesse sentido: “A cidade é uma sala pública, uma grande sala de exposições, um museu, um livro aberto a todo no qual podem-se ler as mais sutis nuances, e quem tiver uma loja, uma vitrina, um buraco qualquer fechado por um vidro e queria expor naquela vitrina, quem quiser ter um papel “público” na cidade, toma a si uma responsabilidade moral, (…) a idéia de que a “sua” vitrina possa contribuir para a formação do gosto dos moradores, possa contribuir para dar fisionomia à cidade, denunciar sua essência.”
Isso tudo tem a ver com identidade, que tem a ver com estilo. Se a gente presta atenção até nisso, a experiência de comprar passa a ser mais interessante, a consciência do entorno é despertada e a gente fica mais e mais ligada em quem a gente é, no que desperta desejo na gente, em como o que tá em volta pode influenciar o vestir e mais. Bom pra pensar e exercitar no fim de semana, né? Bora atrás de vitrines de inteligência pra que assim o aperfeiçoamento do estilo pessoal tenha mais meios pra rolar!
Tem no Fashionismo um post bem incrÃvel sobre vitrines, com as imagens mais inteligentes e inspirativas em que a gente pode pensar depois de ler esses textos da Lina Bo Bardi!
BRASILIDADE NÃO PRECISA SER CARICATURA
Pouca coisa tem mais cara de ‘ brasilidade’ do que palha – e tem tanto acessório legal feito com esse material, não? Por isso mesmo pode também ter cara de folclórico demais, de fantasia, e de informal demais (até meio desarrumado, sabe como?). O segredo pra usar bem pode ser o mesmo que direcionava o uso da palha na arquitetura e no design do tempo modernista/tropicalista brasileiro. E Lina Bo Bardi, arquiteta que amava trabalhar referências locais nos seus projetos, pode ensinar uma coisa ou outra. Na hora de fazer coberturas de varandas, ela misturava palha e materiais “globais” tipo concreto, aço, vidro. Na hora de inserir a palha em detalhes de móveis, ela fazia questão de ter junto materiais refinados e elegantes tipo madeiras nobres. Local e global, informal e elegante, popular e refinado.

Acessórios feitos em palha são incrÃveis pra se usar assim, nesse hi-lo de sensações. Não seria tão legal misturar acessórios de palha com chita ou renda renascença – isso sim, brasilidade com cara de fantasia, de figurino de filme de sertão. Vale muito mais a pena pensar nesses acessórios como detalhes-acompanhamentos de looks. Mesmo com looks em seda, em alfaiataria, no frio… vale o exercÃcio. Bem brasilidade contemporânea!
SABIDINHAS NO CARNAVAL EM MIL LINKS
Texto que passeia pela trajetória profissional de Alexander McQueen, traçando paralelo da sua moda com a sua personalidade – um super tributo e uma aula importante de moda contemporânea, no C’est Sissi Bon.
Blogs de estilo pessoal são sempre inspiração – senão pelos looks em si, pela motivação de gente como a gente, da busca do sentido no vestir do dia-a-dia (e do sorriso em frente ao espelho). Do grupo dos nossos favoritos daqui do Brasil é o Les Choses que J’aime, conhece?
Post sobre o trabalho da Lina Bo Bardi, arquiteta-musa do último desfile da Maria Bonita. As imagens viram um exercÃcio de interpretação de referências em estilo – super possÃvel da gente fazer todo dia, no próprio armário! No Moda Pra Ler.
Já sabe da estória da escola de sambra que tem enredo fashionista? Tem colaborações estreladas e croquis e tudo mais – num post super bom! – no The Clash.

Maquiagem carnavalesca não precisa ser de fantasia – pode ser aquela loucurinha a mais que a gente aproveita pra fazer só nos dias de folia, como bem ensina o post do Fashionismo.
Amo textos pessoais quando eles sao desculpa pra transbordar informação de moda! Esse é o caso do post que conta a estória da fantasia de colombina da Márcia do Bainha de Fita Crepe. Beijos, Fê!
Mais de carnaval: seleçao afiada e fofÃssima de looks de carnaval pra quem vai pro bloco, pro clube, pro sambódromo e mais!!! No Santa Rendeira.
Mais um blog de moda masculina pra gente acrescentar aos favoritos: só eu não saibia que o Eduardo Viveiros, que trabalha no Chic da Gloria Kalil, também abastece o Neo Macho? Bjs, Fê.
É carnaval mas ninguém tá à toa não, Amaury. Tá aqui um ranking de marcas de luxo na internet – e ler essa pesquisa faz a gente pensar no que gosta e no que não gosta na presença virtual dessas marcas, né? No Último Grito.
SPFW INV2010: MARIA BONITA MUITÃSSIMO BEM ACABADA!!!
A Maria Bonita sempre faz a gente suspirar em seus desfiles e hoje não foi diferente. As suas clientes normalmente estão procurando elegância com conforto – a roupa é solta, o caimento é folgado, os tecidos são naturais, as tramas agradáveis – mas nem por isso a roupa é desleixada. Pelo contrário! Suas roupas são chiques, muito chiques. E muito modernas e com muita informação. É roupa inteligente que existe dentro de um contexto, de um conceito, sempre super bem pensado, mas que continua sendo roupa de usar de verdade, no dia a dia!
A coleção passada visitou nossas feiras livres (brasilidade, hein!?!) e hoje a marca se inspirou na arquitetura ultra-brasileira de Lina Bo Bardi. E sabe o que? Lina Bo Bardi deve ter passeado muito por nossas nossas feiras livres, porque um defile tinha uma ligação muito intensa com o outro…
O quadriculado que uma vez apareceu em tramas, em xadrezes, hoje representou os blocos de concreto. A trama vazada que já foi referênca à cestaria hoje era a treliça que decora as janelas do Sesc Pompeia (projeto de Lina e locação do desfile!). E todos os vazados e recortes que (mais…)
O RESORT DE PHILLIP LIM + IDÉIAS
DelÃcia ver imagens de moda que rendem mil idéias, tudo de uma vez só, viu. Assim foi com a coleção resort do Phillip Lim – que nem é nova mas que grudou nas cabecinhas-pensantes dessa Oficina. Porque né, em tempo de enxurrada de imagens e discurso do vazio – moda pela moda não vale!!! – é de fazer feliz mesmo que seja possÃvel tirar nossos looks do óbvio só com informação, com sacadas, com inteligência… tudo tão ao nosso alcance. Vejamos (haha!):

O melhor jeito de usar peças super artesanais, tipo as camisetas de renda renascença que todo mundo traz de Recife (do nordeste né?), é misturar com peças nada nada artesanais – pelo contrário: super “urbanas”. Tipo alfaiataria, tipo estampas digitais, tecidos “tecnológicos”, acessórios modernosos, sobreposições da hora. A power arquiteta Lina Bo Bardi usava treliça e palhoça misturadas com concreto nos seus projetos – sabe como? Ela dizia que “o grande design só (mais…)











