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Buscando moda na literatura

Geralmente quando a gente vai buscar referência para roupas procuramos passear na rua e ver o que os outros vestem, assistimos filmes reparando no figurino ou recorremos à fonte mais óbvia: os desfiles, os blogs e as revistas de moda. Acontece que aquele clichê dos estilistas quando a gente pergunta quais as referências deles e respondem que pode ser um quadro, uma paisagem, o que for, acaba sendo muito verdadeiro.

A literatura, por exemplo, tem um monte de referências e de ideais inusitadas que a gente pode adaptar para a moda.

Edgar Allan Poe desenvolveu uma teoria para a construção do conto que a gente super pode pegar emprestada. Ele achava que antes de começar a escrever qualquer coisa, antes de decidir o cenário, o nome do personagem ou mesmo quem seria o narrador, o escritor precisava decidir e ter muito claro qual o efeito que ele queria causar no leitor. Depois que soubesse o efeito que queria causar, aí sim ele escolhia todos os outros elementos em função desse efeito, entende? Na moda a gente vê isso o tempo todo. A pessoa se veste inteira e depois decide “Ah, eu queria parecer phyna”!

A gente acha que se vestir – assim como escrever – não deveria ser uma junção aleatória de vários elementos que a gente achou bonitinhos individualmente. As coisas ficam muito mais coordenadas e interessantes quando cada elemento está ali em função de um objetivo maior, do efeito que a gente quer causar. Tipo um trabalho em equipe pra te deixar bonita, manja? De repente o vestido pode ser incrível, mas se ele se isola do grupo a coisa deixa de funcionar.

Scott Fitzgerald tem um conto super legal chamado “Bernice corta o cabelo” onde a prima popular tenta ensinar a prima tímida a conquistar os meninos da cidade. Sem nenhuma pedagogia, a prima popular solta várias verdades dolorosas, tipo que é “melhor usar um vestido adequado três vezes seguidas do que alterná-lo com duas coisas medonhas” e  que “quando uma garota sente que está perfeitamente arrumada e bem vestida, pode se esquecer dessa parte. Isso é charme. Quando mais partes suas você é capaz de esquecer, mais charme você tem”.

Para terminar, o escritor que mais fala de roupas: Oscar Wilde. “A roupa é um produto, uma evolução, um indício importante, talvez o mais importante, dos costumes, dos hábitos e maneiras de viver de cada século”.

Tags: , , , , 04.11.2010 - 00:14 | Postado por juliana Categorias: moda e consultoria 34 Comentários

POUCOS (MAS LONGOS) LINKS PRO FIM DE SEMANA

• Entre tanto minimalismo, tanta cor-nada e tão pouco de tudo, surge a Prada cheia de muita coisa! No Saia Lapis tem um textão muito inspirado fazendo uma conexão entre o desfile da marca e o Cortiço (de Aluisio Azevedo) e nos obrigando a olhar pra dentro.

• Mais de semanas de moda: a Santa Rendeira notou que os vestidos que lembram as túnicas do período clássico (Grécia e Roma antiga) apareceram de monte nas passarelas. E até mostra como eram as amarrações dos vestidos originais! Pra gente entender a diferença entre o classicismo e o clássico!

• Os bastidores da moda e de uma marca podem ser mais interessantes até do que ela desfila, sabia!?! A prova disso é o dramalhão italiano por trás da Casa Gucci (que vai até virar filme) e quem conta de um jeito bem gostoso de ler é o – nosso amado – Vitor Angelo do Dus Infernus. Ó que história!

• Texto tem-que-ler-já é a minibiografia da “maior editora que o Brasil já teve”, Regina Guerreiro, nas palavras de Vivian Whiteman no site da Folha. Precisa dizer mais alguma coisa? Corre lá!

• A Brisa Issa do Tá Usando, como uma boa pin-up moderna que é, curte muito a Dita Von Teese e fez um “compilado” dos looks que a moça usou pra ir assistir aos desfiles em Paris. Mil referências boas, mesmo pra quem não é fã do estilo!

Tags: , , , , , , , , 09.10.2010 - 00:08 | Postado por Cristina Categorias: blogolândia 10 Comentários