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MULHERES VESTIDAS DE MENINO
Já perceberam que, normalmente, a moda diz que o jeito mais legal de usar peças masculinas é em coordenação com algum elemento muito feminino? Tipo calça de alfaiataria, terninho e um super salto?! Ou camisa masculina com mini-saia, oxford com vestidinhos e coisas do tipo? O que acontece então quando uma menina gosta de se vestir inteira de menino? Só com peças masculinas ou super neutras – “não femininas” o suficiente? Como a gente pode, ainda assim, ter um pouquito de feminilidade, passar essa sensação, sem precisar de saltos extremamente altos ou decotões?

A grande sacada é pensar que mesmo se tratando de algo masculino, o toque feminino também pode existir ao mesmo tempo. A camisa de botão pode ser estampada, o terninho e o blazer podem ser coloridões! Os tecidos podem ser mais molinhos e leves, com brilhos, texturas e até transparências – porque toda mulher também quer seduzir, né?
Toda essa ideia também serve pros sapatos, que mesmo sendo em modelos masculinos como oxford, mocassim e botinhas, também podem ter aplicações, laços, pedrarias, detalhes como babadinhos, rendas, estampas e por aà vai. Cintos, bolsas e acessórios em geral também seguem o mesmo raciocÃnio – e vale muito a pena explorá-los! Cabelo comprido solto e franjinhas são uma super vantagem pra quem tem, se não for o caso, vale a pena pensar em acessórios de cabelo, lenços, tiaras ou penteados legais!
Jeitos de dizer pro mundo o quanto a gente é feminina, mesmo sendo – e gostando – de ser menininho ao mesmo tempo NÃO faltam! Se vestir assim rende looks tão interessantes e encantadores quanto ser só ela ou ele viu?! Fica a dica!
PRA QUERER SE VESTIR DE MENINO
Na moda, e em toda a história da Arte, a tal da androginia sempre chamou atenção, pois funde caracterÃsticas opostas para criar uma beleza nada convencional. Daà tem essa lenda da mitologia grega que conta que os andróginos eram criaturas esféricas que possuÃam os dois sexos ao mesmo tempo (e quatro mãos e duas faces opostas). Como eles eram fortes, tentaram entrar no Olimpo, morada dos deuses gregos, para tomar o poder, mas Zeus – o chefão – diante das ameaças corta os andróginos ao meio. Assim ele condena cada uma das partes a buscar eternamente sua metade, para curar a ferida causada por ele.
E aÃ, essa beleza que ninguém espera é justamente aquela que nos une a nossa outra metade, só que em toda a nossa independência e individualidade. Esse momento que estamos passando na moda, em especial, tá cheio de referências andróginas, tanto fisicamente, como a modelo Freja Beha Erichsen, quanto em itens do vestuário, como as calças de alfaiataria com corte masculino, o blazer, a camisa, e o sapato Oxford. Mais do que nunca a questão dos gêneros está sendo debatida e explorada.
Mas o que hoje a gente vê com olhos acostumados sempre teve, desde a apropriação das mulheres, um “quê†de subversão, muito mais do que “só†uma vontade de ser vestir diferente – e causava muito escândalo. Como na Alemanha pré-nazista as mulheres usavam cabelos curtos para contestarem o ideal feminino dos nazistas, que queriam mulheres que se dedicassem exclusivamente às crianças, a casa e a igreja.
No cinema a alemã Marlene Dietrich foi, nos anos 30, a primeira atriz a usar roupas masculinas em um filme, com o intuito de provocar os homens ao erotizar suas próprias roupas. Mais de 30 anos depois, Yves Saint-Laurent lança o smoking feminino, e PÃ, todo o mundo da moda se choca novamente. Nesses mesmos anos 60, numa espécie de ressaca do ‘new look’ e de todo o ideário que se construiu em volta da mulher (uma espécie de Betty Draper, que fica de vestido e luva esperando o marido chegar para jantar), surgem Ãcones femininos que nada tem a ver com isso, como Jean Seberg (do filme “Acossadoâ€) e Twiggy, com seus cabelos “joãozinho†e calças compridas. E como não se lembrar de Diane Keaton em “Annie Hallâ€, filme da década de 70, de Woody Allen, em que a personagem tÃtulo tem um figurino masculino, sÃmbolo de um discurso da época, quando as mulheres buscam loucamente a igualdade, o direito de trabalhar, de escolher quando ter filhos, por exemplo.
Quando a gente vê assim, passando na nossa frente essa história de “se vestir de meninoâ€, nossas escolhas na moda são muito mais carregadas de significados do que apenas uma tendência da estação. E quando a gente sabe disso tudo e decide carregar essa carga simbólica com a gente, não estamos só nos vestindo assim, mas estamos fazendo parte de um discurso que busca, desde o comecinho, a igualdade com a nossa metade.
ANDRÓGINA OU MOLECA?
Já faz um bom tempo que a gente tem prestado atenção no guarda-roupa masculino na hora de buscar referências, né!?! E é sobre COMO usar essas referências que a gente vai falar um pouquinho agora! Porque é bem nesse “como usar” a roupa “do namorado” que mora a diferença entre ter um look andrógino e ter um look tomboy (que a gente livremente traduziu pra moleca, olha que fofo!).

O andrógino não é mais masculino ou mais feminino, é entre os dois, uma soma dos dois ou nenhum dos dois, sabe!?! A mulher andrógina é aquela que não necessariamente se veste com roupas masculinas, mas faz looks que poderiam ser usados tantos por homens quanto por mulheres. Tipo uma mulher bem esguia de smoking numa festa… é quase como se a gente não tivesse certeza se ela é uma menina ou um menino. A imagem andrógina, principalmente quando a gente fala de imagens de moda, tem um ar mais sofisticado, mais elegante, mais “terno e gravata”!

Já a moleca usa roupas do guarda-roupa masculino, mas se apropria dela num visual que pode ser super feminino. Tem alguma coisa de desleixada (no bom sentido) de “menina-que-brincava-com-os-meninos” quando criança. O look tomboy é mais esportivo, é mais calça com a barra dobradinha e camiseta, é mais informal. Não é a toa que virou moleca por aqui, né!?!
E o que é mais legal no exercÃcio de se divertir com roupas – e não simplesmente usá-las – é que embora a gente tenha encontrado por aà duas formas de se criar um look de mulher com roupas de homem, a gente pode inventar mais um monte! Cada uma pode escolher o seu jeito de assaltar o guarda-roupa deles, e isso não é estar na moda, isso é ter estilo!
BARRAS BEM DOBRADINHAS
A gente tava com uma cliente no provador e uma vendedora super sabida ensinou esse jeito de dobrar barras de calças, que funciona mesmo quando elas são feitas em tecidos molinhos (sabe quando parece que a dobra não vai ficar no lugar, não vai se sustentar? então!). Tá aqui no vÃdeo, facinho facinho de fazer: barra dobrada enche de charme e dá “cara de agora” instantânea pro look – vale até pro frio, com meia-calça cobrindo o tornozelo! Pra completar tem o nosso manual de como usar calças com barras dobradas (com estilo e silhueta levados em conta!) e um guia de alturas de barras pra saltos diferentes – pra escolher o que usar com essas barras dobradinhas mais curtas. Ó!
COMO USAR CALÇAS COM BARRAS DOBRADAS
As “calças do namorado” trouxeram consigo esse truque de styling que tá rendendo desde que elas surgiram, o das barras dobradas mais curtinhas. E se tempos atrás a gente só via ‘calças tipo do namorado’ em jeans, agora elas aparecem de todo jeito: em moletom, em alfaiataria, em algodão tipo cáqui/chino – e é nesses outros materiais que a barrinha dobrada fica mais atual. Vale fazer dobras médias ou fininhas, meio emboladinhas mesmo (não precisa dobrar milimetricamente nem bonitinho, impecável!). A altura da barra precisa ainda pertinho da canela, uns 4 dedos acima dos tornozelos. E não mais que isso: não é pra fazer uma calça capri, é pra encurtar sutilmente!

Importante pra dobrar as barras é que a perna da calça seja retinha ou levemente afunilada. Vale dobrar até barras de calça cigarrette e de macacão (!!!). Pernas super amplas e soltas não sustentam direito as dobras que (mais…)
SPFW INV2010: HERCHCOVITCH (NÃO SÓ) PRA MENINOS
Já faz um tempinho que a gente tem prestado atenção no que os meninos estão usando pra inspirar nossos looks e hoje não foi a primeira vez que num desfile masculino do Alexandre Herchcovitch a gente teve vontade de sair vestindo muitos dos looks.
As calças tipo cenoura, os casacos assimétricos e o tricô com lurex entraram pra lista de desejos, com certeza. Mas o mais legal de tudo foi que o desfile apresentou várias opções de sobreposições pra parte de baixo! Deu pra sair de lá com a cabeça fervendo de ideias de como reproduzir na vida real… Tinha bermuda por cima de legging, calças e bermudas transparentes sobrepostas (lembra que teve calça de renda na Maria Garcia?), maxi-tricô ou casacões também com leggings e até sandália baixa com meia arrastão.
Alexandre Herchcovitch quer acabar com as nossas economias porque além de desejar a coleção feminina a gente agora também deseja a masculina!!!
EU, JUSSARA ROMÃO E MAIS QUEM QUISER
A gente aqui nessa Oficina tem o hábito de separar referências visuais que servem de inspiração pra quando a gente está na frente do espelho. Qualquer imagem pode servir, desde que tenha alguma informação que desperte desejo na gente, algum detalhe que atraia os nossos olhos, algum elementos que faça a gente suspirar. E assim essa imagem entra pro nosso arquivo inspiracional.
Acontece que de um tempo pra cá toda vez que vejo os blogs de moda de rua, sempre tem algum rapaz com algum look que eu tenho vontade de fazer igualzinho. E acabou que virou mania e hoje eu tenho uma pasta no computador só com referências masculinas pra me inspirar!
Eu lembrei de um post que a Fê fez sobre a Jussara Romão ter se encantado com um desfile masculino da Burberry e ter reproduzido o look com as peças dela. (mais…)
Boyfriend’s tudo
Quando a gente fez reunião de pautas pré-SPFW com a nossa equipe (chiiiiique) e didiviu os desfiles que cada uma iria escrever sobre, surgiu a ideia de escrever sobre Herchcovitch masculino. Já faz um tempo que as mulheres estão roubando o jeans do namorado, o paletó do namorado, talvez seja a hora da gente comprar nossas roupas na loja do namorado, não é mesmo!?!

A princÃpio a gente queria tirar desse desfile algumas ideias boas pra reproduzir no guarda-roupa feminino, mas aconteceu que as peças do desfile viraram desejo entre as meninas. Da sala de desfile até a sala de imprensa pelo menos três meninas me pararam e falaram que gostariam de ter pelo menos uma peça do desfile… (mais…)














