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ROUPA COM CARA DE EMPRESTADA
Tempos atrás a gente tava com uma cliente que provou um vestido e antes mesmo de sair do provador já soltou: “mas esse vestido parece roupa emprestada pra festa em viagem!”. A gente parou na hora pra pensar nesse “conceito”. Sabe quando a gente super tem tudo no armário sob controle, mas na hora da festa – ou do fim de semana ou da baladinha de fim de dia… cada um tem uma dificuldade! – parece que nada tem a nossa cara? Tipo numa situação (imaginária) de viagem em que surge uma festa e a única saída que se tem é emprestar a roupa de uma amiga que nada tem a ver com a gente. Parece fantasia, né?

Isso de se aconstumar muito com um estilão e ter dificuldade de se encontrar em outro é super comum. E a solução é das mais fáceis – mas exige exercício. Se a gente faz força pra expandir nossa zona de conforto um pouquinho todo dia, especialmente no ‘dresscode’ mais usado pela gente (o do trabalho!), uma ousadiazinha a mais na balada não choca tanto. Tipo a gente passa mais tempo vestida pra trabalhar do que pra qualquer outra atividade na vida, então é nessa hora que a gente tem que “treinar” e experimentar. Pra se acostumar e pra não acomodar o olhar de quem vê a gente sempre! Um pouquinho todo dia resulta numa soma grande num futuro não tão distante – e essa “evolução” em estilo é super valiosa. E estilo pessoal só flui de verdade com autenticidade!
BRILHO QUE NÃO OFUSCA
Peças com brilho parecem arrumadinhas demais pro dia? Não se forem coordenadas com outras peças que equilibrem essa mensagem – pra deixar o look informal na medida, mas com alguma ousadia. Vale até “apelar” pra extremos: a parte brilhosa do look pode acompanhar jeans desgastado, brim velhinho, tecidos super opacos, com cara de ‘todo dia’ mesmo. Vale deixar a pontinha do short (ou da bermuda, por que não né?) aparecendo por baixo do tricô longuinho, vale combinar a sainha da balada com uma camisa de algodão coloridona, vale deixar o brilho escondidinho por baixo da sobreposição, vale usar com moletom e olha, vale super usar o brilho com camisa jeans!

Também faz diferença coordenar os brilhos com peças de caimento soltinho, longe do corpo – tudo que é mais justinho (ou muito estruturado demais) dá impressão de engomado, de preparado… e a idéia pra usar o brilho de dia é exatamente oposta a essa! Por isso batas e tudo saruel e camisas maiores e peças larguinhas tiram do brilho a cara de festa e deixam a gente mais à vontade com a proposta. Bons exemplos aqui em cima – do lookbook da J.Crew – pra gente se animar e experimentar, não?!?? :)
TAPETE VERMELHO PRA SONHAR E EVOLUIR
Passarela de coleções de meia-estação entregam o que tá pronto pra usar; desfiles de pret-a-porter mostram o que vai ser desdobrado em araras de loja; coleções de alta-costura oferecem idéias e conceitos que quase ninguém pode ter literalmente (alô imaginação pra diluir essas idéias pra vida real!). Mas cinema e TV oferecem sonho e fantasia em forma de moda – ou pelo menos deveria ser assim. E quem tá no cinema ou na TV devia ser obrigada a entregar pra gente o inalcançável, o extraordinário, o que só quem é desse mundo de sonho pode usar. Ó que exemplo super ótimo o da January Jones aqui embaixo:
Então tapete vermelho de festona de cinema e de TV devia ser desfile de luxo de glamour de extravagância de muito tecido e de muita jóia – e não tem sido assim (oi, emmy awards). Porque né, madrinha de casamento todo mundo pode ser, mas ser estrela de cinema ou de TV é pra poucas/poquíssimas- e por isso mesmo essas estrelas deveriam ter obrigação de usar looks dignos de transportar a gente pra muuuito além de vitrines de shopping. Tapete vermelho não é passarela, que oferece o que a gente pode ter no armário com facilidade, e estrela de cinema/TV tem que vestir SONHO pra levar a gente pra mais perto desse universo em que “tudo é possível” – pra que a gente tenha, então, combustível pra evoluir em estilo pessoal.
Se todo mundo faz/veste o fácil, a roda (da moda) pára de girar. Se não tem ninguém perto da gente – mesmo na TV! – pra ousar um pouquinho aqui e ali, fica mais e mais difícil da gente mesma sentir vontade de ultrapassar qualquer zona de conforto. Vale no macro e também no entorno: se a gente ousa no look, nem que seja um pouquinho, acaba incentivando mais gente a ousar também – e todo mundo vai ficando/se vestindo mais e mais ‘interessantemente’. Então a gente podia dar exemplo praas estrelas de cinema e de TV – que tão fraquinhas fraquinhas no quesito ousadia – e começar o trabalho daqui de baixo da pirâmide-hierárquica-fashion, não? Vamos todas? :)
PEQUENA NOTÁVEL PELO ESTILO
(Escrito pela Fê!)
Carmen Miranda é a cantora brasileira mais conhecida no exterior e também uma das imagens mais fortes que o Brasil já produziu. Tem mais de cem anos que ela nasceu (em Portugal, sabia?), mas até hoje seu estilo marca o imaginário brasileiro pro mundo – com balangandãs, chapéu tutti-frutti, barriga de fora (ousada!) e fendas incríveis nas saionas. No SPFW em que Carmen foi homenageada (edição de inverno 2009), a blogueira-mantonegro Diane Pernet soltou essa: “os estilistas brasileiros deveriam olhar mais para essa maravilha fashion que foi Carmen Miranda e menos pras tendências internacionais”. Certa ela.
De verdade, apesar da acusação de que era muito “americanizada” – tinha gente aqui, naquela época, achando que ela tinha trocado o pais pelos Estados Unidos – a cantora levou a magia colorida dos trópicos por onde passou. Imprimiu cores e brilhos na sua roupa num tempo bem austero, já que o auge da sua carreira coincidiu com a segunda guerra mundial. Diz que o turbante, (mais…)
NÃO ADIANTA INTUIR, NEM IDEALIZAR
Aperfeiçoamento em moda e em estilo pessoal depende de ação. Quando a gente se olha no espelho e não se encontra na imagem que vê – ou quando não tá feliz com o que tem no armário ou quando não acerta o que escolher pra vestir – é preciso faze alguma coisa. Não adianta só conscientizar, não adianta botar as mãozinhas na testa e intuir, meditar. Tem que partir pra ação meeeeesmo! Nem que seja comprando umas revistas pra folhear e, de repente, refazer o mural de referências (que todo mundo pode ter no quarto, pertinho do guarda-roupa!). Ou fazer o favor de acrescentar ao look aquela cor que nunca foi usada, ou provar formas diferentes pra mangas, pra caimentos de calças… ou coordenar proporções diferentes, ou usar um saltinho mais alto (ou mais baixo!), ou juntar acessórios de um jeito diferente no visual… Tem que ter a-ção.

Geralmente essa ação implica sair da nossa “zona de conforto”. Se a gente sente que pode mais, que tá do mesmo jeito há muito tempo ou que não é mais aquilo que o espelho tá mostrando, o jeito é esse: dar aquele passinho adiante, se permitir experimentar, dar a cara-fashion à tapa mesmo e ver qual é o resultado. Não adianta só folhear a revista, ou só fazer o mural, só idealizar – tem que por toda e qualquer idéia pra funcionar, na prática! Mesmo que aos pouquinhos, em detalhes, é assim que a gente atualiza o nosso estilo e faz a nossa aparência “evoluir”. Experimentando e melhorando sempre. ;-)
BEM OUSADA, BEM FELIZ!
Se arrumar pra “cair na night” é mil vezes mais gostoso do que se arrumar pro dia a dia. Porque a balada permite mais brilho, mais decote, mais transparência, mais ousadia! Tudo que a gente fala aqui que é preciso usar com cautela, porque dependendo do dresscode pode não ficar adequado, é permitido na hora de sair pra beber com os amigos, dançar ou paquerar.
Então, gente, o negócio é aproveitar as nossas saídas noturnas pra exercitar nossa criatividade fashion e também ficar de olho bem aberto pra ver ideias boas que outras pessoas estão usando e que a gente pode copiar. E por falar em ideias boas…
Na Vogue inglesa sempre tem esse editorial chamado “more dash than cash”, que mostra looks de arrasar e que não custam tanto. Todas as peças são relativamente baratas, de grandes redes de fast fashion ou lojas mais populares – de lá, né!?! E o editorial desse mês é sobre roupa de balada. (mais…)
ninguém tem que ter medo de experimentar
Eu sei que na prática a estória é bem outra, todo mundo quer ser amado e admirado (até eu), mas ainda fico passada com a quantidade de gente que me pergunta coisas tipo “mas e se eu usar a legging de outra cor e minha perna parecer mais curta?” ou “mas e se esse casaco for arrumado demais pra esse evento?”, “e se isso…?”, “e se aquilo..?”. Gente, qual o problema em experimentar? Mais: qual o problema em “não acertar” de vez em quando? (Levando em consideração que “não acertar” em moda é das coisas mais relativas que existem!)
Todo mundo já passou por isso, com mais ou menos intensidade: se arruma, acredita no look, sai de casa e o universo gonga o visual. Ou porque olham atravessado, ou porque não rola usar aquilo inserido num contexto específico, ou porque não deixou a gente à vontade e tudo em volta reflete desconforto (tem como disfarçar?). Mas gente, e daí? Errou no look, mas perdeu o emprego por conta disso? O namorado terminou tudo? As amigas deixaram de falar com você? Foi atropelada? O cachorro morreu? Não acontece na-da com a gente quando o look é um equívoco, então porque a gente tem tanto medo de experimentar? Medo de errar? Se Katie Grand, editora que é famosona e sabe que vai ser fotografada e tals, experimenta – e ousa, tipo MOINTO, qual é a nossa vergonhinha, pobres mortais não famosas?!?? Eu sei que na prática é bem diferente, mas a gente devia parar de se achar tão importante, parar de pensar que todo mundo se importa com o que a gente usa, experimentar horrores e bancar (mesmo!) as coisas que a gente tem vontade de usar – e ainda se divertir com a coisa toda, e pronto. Devia ser simples assim, não?!?? Beijos, Fê.














