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O que é se vestir bem? Ronaldo Fraga responde!
Ronaldo Fraga não é apenas autoridade para falar de moda, ele é autoridade para falar de identidade, do quanto é importante imprimir nossa marca pessoal em tudo que fazemos: na nossa roupa, moradia, comida, modos.
Ele nos recebeu na casa dele, em Belo Horizonte, e falou justamente da importância da autenticidade e da herança afetiva em um tempo em que tudo ficou tão banalizado pelo excesso de consumo e de informação.

Ouvir Ronaldo Fraga falar de identidade naquela casa tão brasileira, tomando suco de coco azedo feito pela mulher dele, foi tipo um workshop de como ser simples e nacional sem forçar a barra, sem ser caricato.
Não tinha como sair de lá sem parar pra refletir no quanto a gente precisa ficar o tempo inteiro atento para não deixar que a vulgaridade – e ninguém aqui está falando em decote! – entre pela fresta da porta. Seja de casa, seja do armário.
Nós fizemos uma única pergunta para ele: o que ainda pode ser entendido como se vestir bem e ter estilo em uma época em que tudo é tão massificado, em que as tendências já chegam digeridas e pasteurizadas e todo mundo pode consumir tudo porque tudo é disponibilizado em várias faixas de preço?
A resposta é de anotar na porta do armário:
“Em tempos de tamanha liberdade – talvez a moda nunca tenha sido tão democrática, com tantas fontes de informação e consumo – a grande dificuldade é lidar com essa liberdade, porque lidar com liberdade não é fácil: demanda autoconhecimento e apropriação.
A grande dificuldade das pessoas é trazer pequenos vestígios de quem elas são nas suas escolhas: na escolha do que elas vão vestir, na escolha do que vão comer, na escolha da forma como vão morar. Fazer todos esses elementos dialogarem com a sua história, com a sua visão de mundo, não é fácil.
Pra mim, hoje se veste bem quem consegue trazer toda essa escrita da sua história pessoal e coletiva decodificada num botão de roupa, numa escolha de roupa que traduz seu autoconhecimento e sua autoestima.
O grande ponto que a moda nunca vai perder é o da autoestima porque se você não respeita a pessoa que você é, então você não tem condições de escolher uma roupa para essa pessoa e tudo sempre fica melhor em quem tem autoestima”.
Fotos: Juliana Cunha
SPFW INV2010: A MODA DE SENTIR DO RONALDO FRAGA
Não que a roupa seja menos importante, mas desfile do Ronaldo Fraga faz a gente pensar em mais. A roupa é coadjuvante da vida que o estilista quer propor, sempre sempre com uma alegria e um brilho no olhar que a gente não encontra em outras passarelas – nem em outras araras. Ronaldo divide com a platéia (e principalmente com quem compra e usa suas roupas) os temas que o fascinam de temporada pra temporada, acrescentando interessância pra alma e pro guarda-roupa. Se o desfile é um espetáculo, escolher uma peça dessas pra usar – mesmo que seja com um jeans e só! – faz tudo virar festa também. E não devia ser assim sempre? Moda pra fazer sorrir? Pra render uma conversa boa cada vez que alguém elogia ou pergunta onde a gente comprou tal blusa ou tal vestidinho?!??

Então pro inverno (e pra vida!) Ronaldo Fraga propõe que a gente misture texturas diferentes em superfícies pretas – ora listradas, ora “chapiscadas”, ora super lisas/lustrosas. Sugere também que a gente misture o brilho do lurex com a cara-fechada das padronagens masculinas mais sisudas. Mostrou um jeito de usar preto + cinzão + vinho + dourado, conseguindo ainda administrar uns toques de turquesa pra animar. Tudo pra fazer dançar a vida de quem usa, tanto quanto a de quem vê. É de sentir, gente, não é de pensar. Roupa pra fazer sorrir, moda pra fazer sorrir. Porque a gente se enfeita “como encadernação vistosa feita para iletrados” – mesmo que a gente seja livro místico e somente alguns consigam ler. Ronaldo consegue.
MODA COM EFICÁCIA: CONTATOS DAS MARCAS DO SPFW!
Por mais que imagens de moda sempre dêem idéias pra gente usar do nosso jeito, é uma delícia ter peças das marcas que a gente mais ama, né? E se a gente vê tantas marcas desfilarem, alguma coisa elas devem ter de legal – ter peças dessas marcas, então, representa mais do que só ter uma roupa nova: tem design, tem reconhecimento, tem tema (com que a gente pode se identificar!) e tem o nosso amor, o nosso desejo! Por isso a gente pensou em fazer aqui no blog um catálogo de endereços das marcas de que a gente falou durante o SPFW. Pra todo mundo procurar saber onde vende, ir à loja conhecer o produto de perto, experimentar pra ver como se sente e, quem sabe?, levar alguma peça pra casa pra chamar de sua.

Essa é mais ou menos a nossa idéia de “fazer a moda ter eficácia”. Não adianta só a gente amar em imagens e não consumir – nem que seja por inspiração, pra reproduzir temas e truques em casa. (mais…)
RONALDO FRAGA, SEJA O NOSSO COIOTE!
O texto do desfile do Ronaldo Fraga demorou pra sair por conta dele mesmo. Diz que o playground do estilista (pra essa coleção), construído com base e elementos tirados do “quintal da América”, foi mostrado entre paredes pra que fosse mesmo difícil de se alcançar – provavelmente fazendo alusão à dificuldade que a gente aqui embaixo tem de alcançar tudo da “América”. O convite anunciou tema relacionado à uma disneylândia – RF apontou, no entanto, que diversão mesmo a gente encontra aqui do lado, nas culturas latinas – mesmo na dificuldade. E foi assim que ele trabalhou como “coiote” pra transportar todo mundo pra um universo colorido, muito bordado, crash de estampas e cores clarinhas combinadas. Cartilha do verão pelo olhar do nosso estilista mineiro favorito.

A disney apareceu em estampas – em que mostravam, com destaque, as personagens “do mal” das estorinhas (teve maga patalógica, acredita?). E as estampas da coleção foram (des)combinadas direitinho, mostrando pra gente uma bagunça visual que bem fez sentido nesse contexto de “não sei se vou ou se fico”: a trilha mesclava musiquinhas melancólicas com pop-em-español cantando o sonho de se chegar à Disneylândia. Sabe a Sol da novela América? (mais…)
passeio com leitoras pela vila madalena
Nosso grupo tinha a Cáren, a Maria Ester, a Renata, a Evelyn, a Ana Paula (que veio de BH!), a Janaína, a Bibiana, a Kathrin e a Thais, a Marina, a Loo, a Mercedes e a Márcia. Quem tava na van ganhou sacolas incríves da Sacoleira pra carregar ecologicamente (!!!) eventuais comprinhas, uma graça! A van deixou a gente na primeira parada na Vila Madalena, a Uma. E foi um super bom começo: quando a gente começou a pensar nesse passeio só vinha à mente a coisa das artes, do design, do artesanal do bairro… e a gente não queria ficar presa à estereótipos, por isso quisemos visitar lojas que poderiam estar em qualquer outro lugar, mas que escolheram a Vila pra aproveitar o clima legal que o lugar tem (e tem mesmo!). A Uma tinha o casaco mais legal do dia (e mais casacos ótimos!), a coleção mais quentinha de todas, as cores mais “de inverno”. Surpresa boa, eu adorei e vou voltar no fim de semana (vamos?).
De lá o grupo seguiu a pé pro Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, que sendo ou não o melhor, é muito muito gostoso – e essa parada foi perfeita (no frio que tava fazendo!) pra gente acumular energia pro resto da tarde. Foi o momento de todo mundo se conhecer de verdade e de virar melhor amiga de infância (!!!). (mais…)
passeio pra vila madalena: tudo pronto!
Vamos todas passear nessa quarta (dia 03/06) na Vila Madalena por essas ruas cheias de arte e grafite e cores e lojas legais, então. A gente vai ter dois pontos de encontro pra esse passeio, e todo mundo pode ir – não precisa se inscrever, mas é legal deixar o nome aqui nos comentários pra gente ter uma idéia do tamanho do grupo! Às 13h45 a gente se encontra em frente ao café Suplicy, na alameda Lorena entre a padre João Manuel e a Augusta. A van sai de lá às 14h em ponto (!!!) e vai direto pra Uma, na rua Girassol, nº 273 – esse é o nosso segundo ponto de encontro, já na Vila Madalena, e a nossa primeira visita. Daí a gente vai fazer, a pé (preparem seus casacos!), o caminho que leva pro Melhor Bolo de Chocolate do Mundo (eeeeee!) pra gente se acertar na sobremesa e ter energia pra seguir pra Peppa, Ronaldo Fraga, Antes de Paris e terminar na Farm. Vai ser DEMAIS, cabe todo mundo, essas lojas prepararam carinhos pra receber a gente e depois tudo vira post aqui no blog. Com fotos e vídeos e tudo. Vem também?!?? ;-)
ANOTA ENTÃO NOSSOS PONTOS DE ENCONTRO!
13h45: Alameda Lorena, nº 1430, em frente ao café Suplicy
14h10: Rua Girassol, nº 273, em frente à Uma
e as leggings?
Parece que legging é um assunto polêmico, tem gente que ama, tem gente que odeia, mas quase ninguém é indiferente. Gostando ou não, a gente tem que admitir que elas apareceram bastante nos desfiles nacionais e internacionais. Tanto que sempre são tema de dúvidas por email ou redes sociais!!!
As leggings que a gente vê nas passarelas não eram modelos basiquinhos, não!!! Tem metalizada, colorida e vazada, de couro justésima, de paetê, de tachinhas… Isso não quer dizer que a gente vai usar esse tipo de legging na vida real, mas mostra como os estilistas dão importância pra peça, chamam atenção pra ela.

Na vida real a gente acredita que tem dois jeitinhos de usar legging: como se ela substituisse a meia-calça opaca em dias mais frio e como calça, mesmo – o mais importante, nos dois casos, é que ela seja mais compridinha chegando pelo menos no tornozelo (e tem essas que cobrem o peito do pé que são mais lindas ainda). Como elas cobrem nossas perninhas, são perfeitas pra usar com os sapatos mais fechados que vão fazer nossos pés no inverno, principalmente se a cor da calça e do sapato forem em tons bem próximos. E tem que tomar um super cuidado pra sempre coordenar a legging com partes de cima que sejam mais longuinhas, não pode marcar bumbum (muito menos marcar a virilha), né!?!
Eu pretendo usar legging como se fosse meia-calça e sobrepor vestidos um pouco mais curtos, que não ficariam tão bons se eu usasse sozinhos. Também dá pra usar com saias ou shorts mais curtos!!! E vou experimentar também coordenar com sapatos que cubram a barra da legging (pode ser botinha ou sapato tipo mocassim), sem deixar nenhum pedacinho de perna aparecendo.
Já a Fê está doida pra usar como calça!!! Ela vai coordenar a legging com partes de cima mais longas, tipo camiseta longuinha, tunica ou maxi-cardigan. Ela também prefere modelos que tenham a comprimento que cubra o tornozelo, chegando bem pertinho do sapato. Vai ficar bem fofo com sapatos tipo oxford e até com teninhos.

Brincar de proporções – top mais longo por baixo de uma jaquetinha mais curta, por exemplo – deixa a legging com uma cara bem atual, sabia!?! E quanto mais próximas forem as cores da calça e da parte de cima, mais longa (e fina) parece a silhueta.
Gente, não tem jeito!!! Legging acaba engrossando a coxa, mesmo. Quanto mais opaca, mais gordinha a perna fica. Então, pra quem já é mais cheinha nessa região, o ideal é experimentar e se olhar no espelho munida de auto-crítica. Se achar que rolou é só sair por aí sem medo de ser feliz!!!
tendencinha do inverno pra djá: colarzão!
Há tempos que a gente percebe essa onda de colares gigantes nas temporadas de desfiles internacionais – e agora a coisa aconteceu não só nos desfiles dessa 26ª edição de SPFW, mas também na vida real: o povo dos corredores da Bienal já tava usando, as fotos daqui debaixo foram todas feitas lá, durante a semana passada! Os colares-de-agora não são só grandalhões. São também vistosos e às vezes contm como uma gola. Chamam atenção como ponto focal mesmo, não tão no look só pra “acessorar”, mas pra complementar com substância. E na crise (RÁ!) dá pra improvisar um colarzão com broches, lembra que a gente até fez post?!?? ;-)

até a cristi entrou na onda! e vanessa rozan, nossa vizinha de blog, também!
Os modelos mais longos acrescentam volume à seios pequenininhos; os mais curtinhos chamam atenção pro rosto – mas são perigosos pra quem tem pescoço curto e mais largo. Os vazados são a solução de (quase todos) os problemas da galhera, parecem mais leves e não cobrem mointo espaço no corpo/na silhueta. Vale observar traços de rosto pra acompanhar e complementar, com harmonia, o que a gente tem de melhor: gente de olho arredondado, nariz bolinha e lábio cheio pode ficar melhor com formas também arredondadas (ou mais dramática com peças na direção contrária!); gente de sobrancelha reta, nariz pontudo, olho puxado e lábio fino pode se acertar com peças angulares, retas e pontudas (pode ser que acessórios redondos/fofuchos demais deixem esse tipo de rosto mais amigável, ou mais bobinho – tem que ponderar em frente ao espelho!).

A sacada é escolher materiais que também complementem as roupas que a gente escolher pra usar junto: se a roupa é pesada, cubos e adereços transparentes (como os da Isabela Capeto) formam um bom par; se a roupa é opaca, estruturada demais, argolas vazadas (bem cheias de movimento!) em metal polido acrescentam balanço e brilho discreto (como na Huis Clos); se o look é neutro demais, nada como acrescentar bolas e corações e pedras coloridas (como na Isabela Capeto – de novo! – ou no Ronaldo Fraga, na Triton e na Cori). E não deve parou por aí, que no último dia de SPFW teve passarela SÓ DE COLARES, com a coleção de jóias da Cristine Yufon (todas as fotos aqui). De um jeito ou de outro, colarzão tá na nossa lista de tendências da temporada, e tem tudo pra pegar meishmo.
o inverno de 2009, a crise e o efeito trompe l’oeil
No meio da crise do mundo tamos todos aqui, amigos, brincando de casinha na Bienal, assistindo modelas de um lado pro outro de 11h às 22h (quase isso). Essas modelas carregam roupinhas que criam desejo (muitas vezes!) instantâneo – desejo de fazer compras com um dinheirinho que ninguém sabe se vai ter ou não, quando essas coleções chegarem às lojas. Justamente nesse contexto a gente tá presenciando o “efeito tromp l’oeil” quase-quase como tendência da temporada.

olhar de perto pode ser legal – e pode abrir espaço pra ser criativo, pra sonhar, pra fazer acontecer. a modelagem do fause haten é toda feita de tachinhas!
Esse é um efeito que faz a gente acreditar numa coisa, quando a vida real mostra (de pertinho e com atenção) outra. Vale acreditar nos riscos de giz sobre as roupas do Ronaldo Fraga, em uma dimensão apenas, fazendo a gente pensar que a modelagem tá ali em três dimensões; também vale achar que o Alexandre Herchcovitch realmente sobrepôs duas, três partes de baixo num mesmo look, quando o que o estilista fez foi criar uma peça única que ilude nesse sentido. Também a Maria Bonita desfilou uma calça preta com suspensórios sobre uma blusa bege – ooops, não é calça e blusa, gente!, e sim um macacão com o suspensário “desenhado” sobre a parte de cima da roupa. De repente tá todo mundo aqui brincando de faz de conta, de fazer acreditar. A parte boa é que, quase sempre, descobrir o truque também faz brilhar o olho – e quem é esperto mesmo acha jeito de ficar alegre (também!!!) com a vida real.
spfw inverno 2009: o ronaldo fraga emocionou a gente!
Tudo bem, tudo bem: a gente vem pra cá pra ver roupa, mas ninguém tá imune ao espetáculo – especialmente se o show emociona. Ronaldo Fraga recrutou um casting de velhinhos (liiiiindos) pra desfilar suas roupas, junto com crianças e bonecos super teatrais. As modelas-senhorinhas entraram na passarela com uma super dignidade e com uma elegância que, provavelmente, só quem tem mointa estrada de vida trilhada pode ter. E tanta beleza (no sentido mais intenso do adjetivo!) foi recompensada por aplausos que se repetiam a cada entrada – e que fizeram todo mundo receber o estilista de pé no fim do desfile. E foi um TOP desfile-show.

Mas as mini-lagriminhhas nos olhos não impediram a gente de prestar atenção na roupa – até porque é uma roupa que merece uma conversa bem boa aqui no blog. Fez super sentido as senhorinhas desfilarem as modelagens-gênio de Ronaldo Fraga, pra mostrar que qualquer um podia usar aquilo ali e ficar tão incrível quanto modelos de verdade. A forma da roupa criada por esse estilista é mais importante que a silhueta que a veste (gê-ni-o), e por isso vale pra qualquer corpo, em qualquer idade. A modelagem das roupitchas das crianças, inclusive, era igual à das senhorinhas – que, por sua vez, também tinham silhuetas variadas: magrinhas ou gordinhas, altas ou mais baixas. E todo mundo ficou lindo. A gente ficou pensando que essa pode ser a “roupa do futuro”, e que foi sensacional ter gente ” do passado” vestindo pra apresentar isso pra gente – nada mais atual, mais presente, né, Brasil?!?? Mais: Ronaldo propôs como complemento para vestidos (de novo em mil comprimentos) leggings em preto e rosa, com bolinhas vazadas no próprio tecido – que formavam uma estampa com a pele. A gente entendeu essa legging como recurso de styling valendo somente pra a passarela – tamos no grupo da Glória Kalil, acreditando que legging não tá com nada (pra gente nunca teve!).

o charles naseh arrasa ou não nas fotos pro oficina?!??
Também teve moelagem legal no moletom (principalmente em mangooonas!), teve calça larga com perna afunilando, teve mointo cinza – tão percebendo que já tem uma listinha de “tendências” se delineando? Teve mointa mistura de estampa, com listra e rabisco e flores e bolinhas e sorrisos e mais. Tudo em preto e branco, que super deu o tom elegante dos looks. E os sapatos de ratinho tinham rabo e tudo! Mas o acessório que conquistou nossos coraçõezinhos aqui na Oficina foi o diamante que vinha de pingente no colar e no anelzão – a gente quer teeeer! ;-)
Gente! Já tem TODAS as fotos desse desfile num “albinho” especial no nosso Flickr, corre lá pra ver ;-)












