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História das sapatilhas: do ballet pra vida real
Tem essa ideia de que que ‘para a mulher ser sensual, ela precisa estar sobre um salto tipo arranha-céu’. Mas olha só, Brigitte Bardot, uma das mulheres mais sensuais da história, gostava mesmo era de sapatilha. Sabia?

E até o século XVI, ninguém curtia muito salto, e até os homens usavam sapatinhos que lembram as tais sapatilhas de hoje. Tudo mudou quando Catarina de Médici, rainha consorte da França durante o século XVI, pediu ao sapateiro real que colocasse 2 cm de salto em seus sapatos de casamento, e o mundo inteiro quis copiá-la. Depois disso, as sapatilhas só teriam fama novamente graças à essa outra francesinha, a Brigitte Bardot.

Ela, que fez 12 anos de ballet clássico, pediu para Rose Repetto – criadora da marca de produtos de ballet Repetto, que criava para top bailarinos como Nureyev e Mikhail Baryshnikov – que fizesse um modelo de sapatilha que ela pudesse usar no dia a dia. O resultado foi o modelo Cendrillon, criado em 1956, que BB amou loucamente e usou numa cena em que dançava mambo no filme “E Deus criou a Mulherâ€, de Roger Vadim, e também no tapete vermelho do Festival de Cannes daquele ano. A cereja do bolo veio um ano depois, quando a também queridinha Audrey Hepburn usou “ballerinas†no filme “Cinderela em Paris†– inclusive com vestido de gala. Após ser destronada, a sapatilha voltou à nobreza da moda por meio de duas rainhas modernas (daquela época!), com estilos diferentes e complementares.
Enquanto esses sapatinhos têm toda a doçura das bailarinas, a própria Brigitte Bardot provou que nem por isso elas deixam de ser sedutoras. E se a gente pensar que toda bailarina é extremamente delicada “por foraâ€, mas possui uma estrutura super forte e poderosa “por dentroâ€, usar sapatilhas podem fazer com que a gente se aproprie dessas caracterÃsticas e se sinta um pouquinho assim também, todo dia!
Sapatilha reserva
Sapatilha dobrável que fica num cantinho escondido da bolsa, da gaveta do trabalho ou do porta-luvas, só esperando um pé cansado para ser desdobrada. Tem como não amar?
O modelo de sapatilha que nasceu como sapato reserva já virou produto principal de algumas marcas de calçado. Esse é o caso da Anacapri, marca da Arezzo que só vende sapato sem salto, e da Ballasox, marca gaúcha da CC Corso Como. Outras marcas, como a Mr. Cat e a 284, também têm modelos bem legais dessa sapatilha.
A melhor parte é que o preço é sempre amigável: rondamos todas essas lojas e não encontramos nenhuma acima de R$ 190. A mais barata custava R$ 80.

Essas sapatilhas são maleáveis, com solado de borracha e um forro de elastano que mais parece uma meia. Quando não estão sendo usadas, você dobra todinha e coloca num saquinho.
Na nossa opinião, a sapatilha-meia é salva-vidas nas seguintes situações:
- dia de chuva, quando a gente quer usar sapato de plástico para poder molhar, mas não quer usar o mesmo sapato no trabalho
- na hora de dirigir
- quando quiser alternar com o salto durante o dia
- no dia em que for caminhar com sapato desconfortável
- pra usar na casa da amiga que pede que a gente tire o sapato na entrada e oferece um Crocs coletivo pouco convidativo como alternativa.
Para as preguiçosas que se recusam a sair da frente do computador sem esse sapato maravilhoso, o site da Ballasox tem um milhão de modelos sendo vendidos pela internet.
AS GÃSPEAS E A NOSSA SILHUETA
A parte da frente dos sapatos, que cobre os dedinhos, é chamada de gáspea. Se a gáspea cobre super muito os dedinhos, cobrindo um pedaço maior do pé, ela é alta; se ela cobre mas fica rasa, meio que deixando aparecer o comecinho dos dedos, então ela é uma gáspea baixa. Tipo, sapatilhas bem abertas têm gáspea baixa; docksides e mocassins têm gáspea mais alta. A gente já falou de gáspeas aqui no blog muitas vezes, mas né, até agora não tinha explicado direitinho o que é!

Pois então, quanto mais baixa a gáspea do sapato é, mais perna aparece no look – e então a gente tem sensação de perna mais longa (e de silhueta mais alongada também!). Por outro lado, quanto mais alta a gáspea, quanto mais ela cobre o pé, menos perna fica aparente e a gente acaba tendo a sensação de perna encurtada. Isso tudo vale pra quem tá de vestido saia bermuda ou shortinho, que evidenciam o efeito que a gáspea tem na silhueta – com calça comprida a perna já tá alongada independente da gáspea.
Bom é escolher gáspeas sempre mais baixinhas ou escolher sapatos com gáspeas altas em tons próximos do tom da pele (alô nudes diferentes pra cada uma!). Ou coordenar a cor do sapato com a cor da parte de baixo do look (tudo claro ou tudo escuro!) e – melhor ainda! – coordenar looks monocromáticos. Quanto mais a gáspea mostra o comecinho dos dedos, mais feminina a gente fica – essas fendinhas tem conotação super sexy, sabia? No frio vale acompanhar a cor do sapato com a da meia-calça, pra compor um bloco só e fazer crescer visualmente a pernoca.
E aà quem curte esses modelos com gáspea alta (a gente AMA docksides!), pode prestar atenção na fórmula: “quanto mais a gáspea sobe, mais o comprimento sobre junto”, pra assim ir manipulando a quantidade de perna que a gente mostra (quanto mais perna de fora, mais alta e magrinha a gente parece!).
3 AMORES E 1 DIÃRIO
Meu amor por Catherine Deneuve começou bem cedo quando pequenininha assisti pela primeira vez Pele de Asno. Pra mim Deneuve era mais princesa que Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida juntas! Arrebatador foi quando alguns anos mais tarde assisti Os Guarda-chuvas do Amor! Ainda na pré-adolescência eu quis viver um amor poderoso (e dramático) como aquele e vestir um figurino romântico e chique como o de Geneviève…
Mas aà A Bela da Tarde cruzou o meu caminho e mais um amor desabrochou: foi nesse filme que Catherine Deneuve imortalizou as sapatilhas de Roger Vivier e desde então meus pezinhos sonham com um par do sapatinho Miss D (D de Deneuve, é claro!). Sonho de consumo que um dia vai ser realizado – assim espero.
E por conta desse meu segundo amor que dia-sim-dia-não entro no site do sapateiro mais chique do mundo! E não é que fico só namorando minhas futuras sapatilhas, o site é lindo, lindo, lindo e cheio de informações gostosas. (mais…)
FESTONA PÉ NO CHÃO
Lembram do post sobre a não obrigatoriedade de usar saltão? Pois ele rendeu um monte de pedidos de dicas pra montar um look “festivo†usando sapatos sem salto. Aà a gente fez uma galeria com um monte de idéia esperta pra quem não quer ser refém do saltão – em mil montagens!
O mais legal é que tem situações em que o salto é dispensável de verdade! Num casamento de manhã, numa praia ou num jardim, por exemplo, não faz muito mais sentido todo mundo estar bem confortável? É a proposta do lugar! E à noite, claro, também vale. Tem tantas rasteirinhas e sapatilhas tooodas brilhosas e cheias de detalhes que deixam até um vestido basiquinho com uma cara super atual (mesmo!).

Sem contar que, por ser sem salto, dá mais coragem de ousar e usar (mais de uma vez!) um sapato mais “trabalhado”: brilhos, tachas, paetés, rendas… Vale tudo! Vamos usar a Barbie de papel como inspiração (brincadeira favorita na infância!) e ver como dá pra brilhar sem salto em festona? Tudo na galeria!
NÃO PRECISA DE SALTÃO PRA SER SUPER CHIQUE
Não precisa mesmo, de verdade. Sabe dessas conversinhas que a gente tem e delas surgem inspiração? Pois esse “insight†foi mais ou menos assim. Falando com a Cris eu descobri que ela assumiu ser uma pessoa de não-salto – quando eu assumi que queria usar mais salto. Engraçado, né? E, claro, quando a gente vai incluindo (ou excluindo) algo do nosso armário não pode acontecer de um jeito forçado. Tem que vir de um jeito natural, que combine com nossa evolução (de moda e de vida).

E foi a partir daà que me caiu a ficha! Não importa se o sapato tem salto ou se é tipo rasteirinha… estilo e “chiqueza†vem muito mais de atitude, certo? É a velha estória pregada pelas ‘oficinas’: é mais importante se interessar pelo pé que pelo sapato. Caiu como uma luva a metáfora (haha!). (mais…)











