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RESUMÃO DE IDÉIAS USÁVEIS DO SPFW

Já que a gente não trabalha mais com “tendências” (hihihihihi), a melhor parte de uma semana de desfiles é estar atenta a possibilidades de animar o que a gente já usa. Durante esses dias de SPFW muito se falou em saia lápis, veludo, ombros redondos e tals – a gente acha que tudo vale pra quem tem coração aberto, de verdade! Mas conhecendo a mulherada como a gente conhece, na prática dos provadores, a gente acredita que essas aqui sejam idéias usáveis pra já, fáceis de exercitar, frescas e atualizadoras. Todas as idéias pinçadas das passarelas aparecem aqui acompanhadas do nosso serviço de consultoria (aaeeee) nos links dos posts que a gente já fez sobre cada uma delas – clica pra “trabalhar” com a gente!

MIX DE TEXTURAS
Essa foi a temporada em que os estilistas mais levara à sério (e ao pé da letra) a coisa de misturar superfícies diferentes num mesmo look: não precisa ser tudo caracachento ou espalhafatoso demais, só da gente alternar materiais nas escolhas o mix já vai sendo construído! Pensa tricô com jeans, algodão com seda, couro com malha, lã com renda (como na Huis Clos). Interessância garantida mesmo nos looks mais simples e informais.

LEVE x PESADO
Há algum tempo a gente já percebe essa coordenação (ou “descoordenação”!) nas imagens de streestyle mais legais da internê. Agora com referências daqui de pertinho não tem desculpa pra gente não experimentar.  Look leve com acessórios pesados (como na Ellus e na Triton), ou casacão com vestidinho fluido (como na Juliana Jabour), ou shortinho e blusa de seda com botinha pesada (como na Animale)… vale tudo pra equilibrar mensagens, manipular proporções com graça e alcançar harmonia com elementos opostos. Alô esperteza fashion!

CALÇAS MAIS CURTINHAS
Desde o último inverno a gente tem experimentado calças mais curtinhas com nossas clientes. As barras subiram naturalmente – talvez por conta da crescente importância dos sapatos/acessórios no look atual. As modelagens de agora, então, aparecem mais sequinhas e com barras na altura dos tornozelos (às vezes até um pouquinho antes de chegar neles). Vale dobrar as barras tradicionais pra atualizar o look, vale também ficar de olho em truques alongadores de silhueta pra evitar sensação de pernocas achatadas. A gente AMA essas calças curtinhas, uma coisa tão Audrey Hepburn não? :)

MOSTARDAS-MARRONS
Foi unanimidade em todos os desfiles que a gente viu: não teve uma passarela que não mostrou sua própria internpretação dos “tons do momento”. Como já tá tudo na internet e como a vida é agora (quem sabe faz a hora né não espera acontecer), tamos prontas pra também interpretar novas coordenações com essas cores. A gente amou a paleta de cores com que a Colcci escolheu usar os marrons e mostardas, juntando a eles vermelho, lilás/roxo e verde-militar. Teve também coordenação bem glamourosa com dourado (alô Alexandre Herchcovitch).

METALIZADOS
Se a gente já perdeu o medinho de incluir acessórios metalizados (mesmo nos looks de dia-a-dia), agora pode ser a hora de perder o medão de usar porções maiores de superfícies lustrosas no que a gente veste. Nem que a coisa toda comece por manguinhas lustrosas, ou barras aplicadas, ou faixas inseridas na modelagem do que a gente escolhe… até chegar em jaquetinhas, saias e mesmo calças totalmente brilhantes. O que a gente mais viu em desfiles foi um tipo de couro metalizado, mas na vida real seda e até jeans encerados também funcionam!

Tags: , , , 25.01.2012 - 13:02 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 7 Comentários

SER INDIE NO BR (NÃO É FÁCIL!)

Já reparou que sempre que surge uma modinha de grupo fora do país – tipo boho, emo, hispter, qualquer coisa que seja bem marcada como moda de grupinho – isso fica mais difícil de identificar no Brasil? Por aqui, emo parece hispter, boho parece mendiguismo e todo mundo termina dando um abraço fraternal na C&A.

Na nossa opinião, isso acontece por muitos motivos – brasileiro gosta de sincretismo entre estilos mesmo quando tenta ser caricato -, mas sobretudo porque nós não tempos a mesma variedade de lojas, marcas e fornecedores que os gringos têm.

Apague da sua cabeça pessoas que viajam para o exterior todo ano e fazem suas compras por lá. Apague também endinheirados em geral. Agora foque sua atenção nos jovens – justamente quem costuma aderir a modas de grupo, já que adulto não anda em bandos. O jovem brasileiro que se identifica com a estética hipster compra nas mesmas lojas que o adolescente emo, que compra nas mesmas lojas que a menina influenciada pelo romantismo a la foto do Tumblr.

Toda essa rapaziada diferente, que se sente e quer ser diferente, tem acesso às mesmas peças e depende muito da própria criatividade para se distanciar uns dos outros.

Um dos caminhos diante desse fato é sentar no primeiro meio-fio que aparecer e chorar nossa falta de H&M, de Urban Outfitters, da variedade de lojas baratas que os gringos possuem a mais que a gente. O outro caminho é perceber que a nossa pobreza de fornecedores incentiva a criatividade nos jeitos de usar, nas combinações diferentes, na customização, na ida até a costureira, no empreendedorismo de fazer a própria lojinha on-line. Será que valorizar isso tudo não é muito mais legal do que ensinar para os adolescentes que o caminho para fazer bonito na porta da escola é um cartão de crédito internacional?

No fim das contas, estilo não se compra e o consumidor brasileiro tem bem menos risco que o gringo de virar caricato, vítima da moda ou qualquer coisa assim. Como já disse Humberto Gessinger: “Em Cuba só há uma marca de xampu, mas somos nós que querermos todos ter o mesmo tipo de cabelo”.

Todas chora e encerra o post com essa referência, meu deus!

Tags: , , 21.11.2011 - 14:05 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 14 Comentários

CULTIVANDO AS TENDÊNCIAS DO NOSSO QUINTAL

Todo dia, São Paulo recebe centenas de compradores do país inteiro que vêm aqui escolher a mercadoria de suas lojas. Esse mercado vai desde as famosas sacoleiras – mulheres incríveis que carregam o bonde da moda para todos os cantos – até as lojas de shopping e as grifes com equipe grande e estrutura organizada.

O destino certo de todo esse pessoal são as confecções do Itaim, Jardins, Polo e, sobretudo, do nosso querido Bom Retiro.

Para nós, pessoas físicas (como não amar esse termo, meu Deus!), nada soa tão mágico e inatingível quanto as confecções do Bom Retiro que vendem peças incríveis a preços lindos, mas só para o atacado.

Se você compartilha dessa tara por confecções, vai amar o blog Na Batalha Sem Descer do Salto, que posta fotos atualizadas de vitrines do Bom Retiro.

O blog pertence à Money Gloss, uma empresa que faz tipo um serviço de personal shopper, só que para as lojas. As irmãs Gi e Ju Keesse analisam o perfil da loja, o poder de compra dela, os prazos e montam um roteiro de compras que caiba no bolso e no estilo das clientes dessas lojas. É um trabalho que tem a ver com consultoria de estilo, embora seja bem diferente lidar com uma pessoa só e com uma multidão imaginária de clientes.

Quem não tem loja, no entanto, pode usar o blog da mesma forma que nós usamos: para observar as vitrines e ver o que é tendência de verdade aqui no Brasil, o que de fato estará nas araras de todo tipo de loja dentro de alguns meses. Em tempos de internet todo mundo tende a passar tanto tempo namorando lookbooks das marcas gringas que acaba esquecendo do próprio quintal, mas é nele que nós vivemos, consumismos e gostamos (ou desgostamos) das tendências da rua. Nem que seja para se preparar para combater a próxima leva de qualquer tendência pavorosa que tenha sido super usada no BR recentemente. É ou não é?

Confira a íntegra da nossa entrevista com Ju Keesse!

1) Conta direitinho o que a Money Gloss faz? Vocês ajudam lojas a escolherem o que vão vender, é isso?

Vou contar primeiro como nasceu o Money Gloss, acho que tem a ver. Sempre fui executiva de marketing financeiro, aí mudei e comecei a trabalhar com minha irmã, Gi, representante de moda há mais de 15 anos.

Depois de dois anos assessorando lojas em suas compras, fui convidada a assumir a gerência de marketing de uma rede de lojas da grande Porto Alegre. Essa experiência me mostrou como é o dia-a-dia dos lojistas.

Fiquei por lá dois anos e meio e, prontinha pra voltar, resolvi unir a experiência em marketing, em assessoria a lojistas, no chão de loja e na compra de coleções criando o Money Gloss, mesmo porque na época o único site dedicado a lojistas era o UseFashion, que tem outro direcionamento.

As lojistas de todo o Brasil fazem suas compras em São Paulo, mesclando seus pedidos com a pronta-entrega. Mas elas não têm oportunidade de vir toda semana e toda semana chegam novidades, às vezes exatamente o que a consumidora final está buscando nas lojas. O Money Gloss tenta mostrar exatamente isso.

Mostramos as novas confecções que chegam a São Paulo e colocamos artigos de apoio e vitrines de exemplo para as lojistas.

No início, o Money Gloss era totalmente vinculado ao trabalho de representação de minha irmã mas, com o tempo, ganhou confiabilidade e passou a ser referência para o trabalho diário das lojistas.

Claro que não dá para comparar com o Oficina de Estilo mas, focado em público hiper específico, o Money Gloss tem média de 4.000 acessos/dia, 1,300 assinantes e 244 seguidores, já tendo atingido mais de 1.250.000 pageloads. Legal, né?.

Hoje o Money Gloss continua gerando clientes para a equipe de assessoria da Gi mas ampliou seus horizontes.

2) Vocês não trabalham com o consumidor final em nenhuma etapa?

Recebemos muitas consultas das consumidoras finais querendo saber onde é possível comprar este ou aquele modelo e de muuuuuuitas querendo comprar no Bonriê [Bom Retiro]. Fornecemos os telefones ou sites das confecções, e só.

3) Para quais lojas trabalham? O que fazem exatamente? Há quanto tempo?

São Paulo tem hoje mais de 1.000 confecções que trabalham com pronta-entrega, sobretudo no Itaim, Jardins, Bom Retiro e Polo. A Gi é credenciada em mais de 700. Quanto às lojistas atendidas são muuuuuuuuuitas, de todo o Brasil (redes de lojas, grandes, médias e pequenas e muitas iniciantes no ramo).

4) A gente não entendeu direito se vocês possuem confecções ou se fazem o intermédio entre as confecções e os lojistas.

Não possuímos confecção e o trabalho vai além da intermediação. Funciona assim: a lojista avisa quando vem (também avisamos quando vão ocorrer lançamentos importantes) e é agendada com uma assessora da equipe que vai buscá-la no aeroporto ou rodoviária e fica o tempo todo disponível, mostrando as coleções mais adequadas ao perfil da loja e cuidando da parte burocrática.

Na verdade, o serviço é uma versão do personal shopper para o atacado. No mais, o escritório de representação da Gi funciona como um escritório da loja em São Paulo, cuidando do relacionamento da loja com as confecções, trocas, enfim, do dia-a-dia que não acaba quando a cliente volta para sua cidade.

5) Qual a sua relação com o Bom Retiro? Para você, quais são as qualidades e os defeitos das lojas do bairro?

Eu a-m-o o Bonriê [Bom Retiro]. Eita povo rápido e profissional. Estão na terceira geração e hoje dão aula de como fazer fast fashion, como montar vitrines, como colocar tendências imediatamente à venda.

Nestes dois anos de Money Gloss muita coisa mudou (no início eu fotografava e saia correndo…rsrsrs). Hoje eles abrem as portas dos showrooms, dão liberdade para mostrar suas novidades e, claro, obtém retorno com essa postura pois o blog direciona muitas vendas.

Como em qualquer outro lugar, o Bonriê, é claro, tem de tudo. Procuramos mostrar o que há de melhor.

Já na parte dos defeitos ficam as cópias mal acabadas, que acabam gerando má impressão para os compradores e, sem ter a ver com as lojas, a falta de infra-estrutura do bairro, que alaga, tem mau cheiro e muito lixo.

6) O que você e a Gil estudaram para fazer o que fazem? Pode dar alguma dica para quem quer fazer o mesmo?

A Gi cursou serviço social e aprendeu a trabalhar com mona na prática. Eu estudei jornalismo e sempre trabalhei em marketing.

Como dica ficam a paixão, o interesse pela pesquisa e muita, muita muita dedicação.

7) As vitrines que vocês postam no site são de lojas que só vendem no atacado?

Sim, todas são exclusivamente para o atacado.

Tags: , , 04.11.2011 - 08:36 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 17 Comentários

MULHERZINHAS DE PULSO FORTE

Braceletes e pulseiras são acessórios que ajudam a valorizar quadril e cintura, porque chamam atenção pra parte do meio da silhueta. É super bom pra desviar atenção de peitão, ombrão e costas largas. Quem tem quadril grande e mesmo assim ama pulseiras/braceletes, pode escolher os mais fininhos, neutros (em cor!) ou vazados, que não preencham tanto o pulso e não chamem tanta atenção. Sabe o que também funciona? Usar muitas muitas muitas pulseiras fininhas juntas, que fazem um volumão mas ainda transparecem pele quando se movimentam.


vale de metal, vale de pérolas, vale com brilhos, vale de acrílico, vale misturar materiais e formas

Isso de deixar o pulso à mostra também funciona pra quem quer parecer mais magrinha, no geral – extremidades finas são sempre boas da gente deixar aparecendo, tipo pesoço, pulso, tornozelo… sabe? Pedaços mais magrinhos do corpo enganam o olho do outro, fazendo parecer que a gente é inteira magrinha assim. Pra não ocupar todo o espaço magro do pulso, os braceletes/pulseiras podem ser usados mais pra cima, no meio do antebraço (sabe como?), e podem ser médios e mais finos. O truque das muintas pulseiras fininhas também funciona assim (a Cristi adora), no lugar de um bracelete só, muito largo ou pesado demais.

Na teoria a gente sabe que não tem erro coordenar braceletes assim: os mais grossos ficam sozinhos no pulso ou acompanhados de anéis, desde que sem relógios ou pulseiras no outro pulso. Os mais fininhos podem ser usados no mesmo pulso do relógio, com anéis na outra mão. Muitas pulseiras finas vão bem junto com blusas e casaquinhos de mangas curtas ou 3/4. Isso tudo super funciona pra quem não quer ousar ou se arriscar. Mas na prática a gente sabe que dá pra pirar bem mais, dependendo do estilo pessoal de quem tá na frente do espelho e de que pulseiras estão na coordenação!


elementos que equilibram: no look formal as cores e formas descontraem e no informal metais e pérolas são um super upgrade!

Na prática dá pra usar pulseiras/braceletes nos dois pulsos (a gente adora!), e eles podem ser exatamente iguais pra fazer um estilão, ou podem ser diferentes, mas com formas e cores e tamanhos em harmonia. E dá pra usar de manga comprida também, a gente já mostrou aqui braceletes turquesa sobre manga marinho de um jeito chique e descolado (lembra?). A gente só não curte tanto usar muita pulseira, relógio, anel, tudo na mesma mão – mas nem isso impede de todo mundo experimentar como achar melhor e surpreender, né? ;-)

Tags: , , , , 30.05.2011 - 00:02 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 40 Comentários

Fugindo do efeito “fotos da mãe”

Tá bom, moda, você diz que color block é legal, você diz que calça vermelha e sandália com meia é legal e a gente acredita, a gente te ama e sinceramente acredita, mas e amanhã, moda? Você tem essa mania tão chata de cafonizar amanhã o que era legal ontem que a gente fica com os dois – os dois pés sem sandália com meia – atrás quando você surge com essas coisas mais doidas.

A gente entende que o movimento dos filhos rirem das coisas que as mães usavam é bastante natural, mas como lidar com tendências mais extravagantes quando esse movimento virou uma coisa praticamente imediata e somos condenadas a sermos nossas próprias filhas revirando nossas fotos com desprezo a cada seis meses?

No mundo real, a gente acha que esse processo de descarte imediato de tendências tem gerado um conservadorismo cada vez maior. Se o terreno é escorregadio, a maioria das pessoas prefere se manter segura no convencional a derrapar na experimentação.

Quem está nos dois polos da moda – ou no conservadorismo extremo ou na completa experimentação – não tem problemas na vida. Essas pessoas sabem como proceder com suas calças e blusinhas ou com suas mil plumas e paetês.

Já quem está no limbo – super estamos – precisa conciliar interesses antagônicos: o desejo de ser atual e inovadora hoje e o desejo de não ter vergonha do look amanhã. Super fácil, né? NOT.

Por causa desses pensamentos, a gente resolveu fazer um exercício de ponderação das tendências o que, peloamordedeus, não deve ser entendido como desencorajamento.

Color Block

Pra’gente, o que tem feito o color block ser muito mais frequente nas revistas do que nas ruas é que cor é riqueza. E não estamos falando no sentido figurado não. Geralmente, a gente só se dá o luxo de comprar uma jaqueta roxa quando já temos mil outras jaquetas em tons neutros.

Ou seja: comprar colorido é estar satisfeito com a quantidade de roupas que já possui. Quem compra colorido sabe que tem roupa e mulher que sabe que tem roupa é uma espécie em extinção.

O color block é uma tendência difícil de seguir porque a gente intuitivamente desconfia que não vai durar. Não que as cores vão cair, mas que esse modo de usar tudo colorido junto com tanto contraste não vai durar muito tempo, logo, não vale a pena comprar um guarda-roupa todo berrante para ser linda por uma estação.

Se você não quer sair comprando várias peças coloridas por desconfiar que esse jeito de usar tudo junto pode cafonizar rápido, que tal aproveitar a deixa da moda para investir em cores vivas que tenham a ver com a sua coloração pessoal e que podem te deixar atual hoje, mas não vão de deixar datada amanhã?

Quem tem alto contraste entre tons de cabelo, pele e olhos (brancas do cabelo escuro, por exemplo), podem investir em peças chave para fazer coordenações de marinho com bege e marrom; bege com caramelho ou cinza e vermelho. Já quem tem baixo contraste (pensa numa loirinha que tem até o cílio meio empoeirado) pode se jogar numa coordenação de azul e rosa clarinhos, por exemplo.

Como dica geral, a gente pode dizer que o negócio é esquecer o termo color block – que remete à uma tendência bem específica e que dificilmente vai durar muitos anos – e pensar em coordenação de cores vivas, que é uma coisa sensacional que a gente pode usar pra sempre. No fim das contas, color block é apenas um jeito de hoje de usar cores vivas.

Sandália com meia

Primeiro, vamos aceitar que sandália com meia é uma composição extravagante no sentido de que chama atenção e é inusitada. Muitas de nós já vimos nas fotos das nossas mães e achamos isso. Uma forma de não passar vergonha póstuma é camuflar a meia, fazer de um jeito que – vendo de longe ou com alguma boa vontade – a pessoa ache que é tudo uma coisa só: meia, calça e sandália. A Fê, aqui da Oficina, está usando desse jeito!

Para dar essa impressão de conjunto, a manha é fazer essa composição mais extravagante com elementos menos extravagantes. Escolher uma sandália sem mistura de materiais ou com uma mistura mais uniforme ajuda. Caçar uma meia que seja de tom mais ou menos próximo ao da sandália também ajuda.

Tags: , , , , 21.04.2011 - 14:29 | Postado por juliana Categorias: moda e consultoria 24 Comentários

BOQUINHAS COM ALGO A DIZER!

Imagina que na década de 20 um grupo de jovens começou a pensar junto que o mundo não era um lugar tão legal (teve uma super guerra tempos antes né) e que as coisas precisavam mudar. Esses jovens, por acaso, eram artistas talentosos que olharam pra arte do seu tempo com olhar crítico e com vontade de pensar (além de só sentir): a arte como era feita até então não servia mais pra eles – deu vontade de fazer diferente, de fugir da “normalidade”, de ser esquisito de propósito pra assim, chacoalhar a realidade… possivelmente com um olhar novo que rendesse também hábitos e pensamentos novos. Idealistas, né?

Acontece que eles não ficaram no idealismo, foram lá e fizeram do jeito deles. “Eles” eram Marcel Duchamp, Salvador Dali, Joan Miró e até Frida Kahlo, e esse “chacoalhão” que eles quiseram dar na galera através da sua arte ficou conhecido como surrealismo – tá bom pra você? E aí que nessa de ‘fugir da normalidade’, eles curtiam bem mostrar o corpo humano em pedaços e não bonitinho, inteirinho. E misturavam sombras e figuras nada a ver e nuvens e o que mais pudesse remeter a sonho, a fantasia, a não-realidade, ao não-conformismo. Tinha um fotógrafo nesse grupo de jovens artistas, chamado Man Ray, e ele curtia bocas: tinha contraste nas fotografias dele de modo a ressaltar lábios, tinha repetição desse padrão, tinha colagem com lábios gigantes e mais.

A gente não tem notícia do que aconteceu entre os anos 20 e a década de 90 em relação à bocas na moda – mas em 1999 a Prada fez uma coleção com estampa de boquinhas que já tinha uma vibração surrealista: em saias plissadas (quase austeras) as boquinhas inevitavelmente faziam sorrir. Desde então teve boquinhas no YSL, no McQueen, na Lulu Guinness, no Louboutin, no Marc Jacobs e até na H&M! Mais pertinho da gente (e mais ‘agora’) o Reinaldo Lourenço também desfilou sua versão de estampa de lábios – que provavelmente vai render umas camisetinhas fofas (e compráveis!!!) nas araras das lojas. Na sequência essa estilista Holly Fulton também mostrou boquinhas em seu desfile na semana de moda de Londres.

Talvez essa seja uma boa hora pra não se conformar só com listras, xadrezes e florais nos looks que a gente coordenar. Talvez a gente possa extrapolar o “normal” de todo dia e abraçar diferenças nessa idéia – a de que mudar de direção pode render outros caminhos legais, chacoalhar tudo em volta, pro bem!

Tags: , , , , 22.02.2011 - 18:58 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 12 Comentários

MILITAR UTILITÁRIO

Dessas “tendências” que a gente vê um monte em desfiles, editorias, campanhas publicitárias, uma que chamos atenção foi a inspiração militar. Já não é de hoje que a moda olha pros uniformes dos exércitos (lembra do trench?) e desde que um certo veterano de guerra resolveu colocar sua antiga jaqueta com uma calça jeans (láaaaaaa nos anos 70) o uniforme militar virou peça de guarda-roupa.

militar

E como o jeito mais legal de usar uma referência é não ser literal a gente pode pensar em formas bacanas de vestir um look com um “perfume militar”, mas sem parecer que vai pra guerra. Só de misturar elementos desse universo com peças beeeeem femininas já fica mais original, né!?! Imagina a jaqueta de abotoamento duplo, super fechada no pescoço com uma saia bem leve ou um vestido super delicado por baixo! E os tais elementos de uniformes – galões, botões de metal, ombors marcados – podem aparecer em detalhes. Mesmo as cores verde oliva ou cáqui já transmitem a ideia. (Na galeria, aí embaixo, tem detalhes dos looks do último desfile do Reinaldo Lourenço que teve a inpiração militar com uma leitura super feminina)

O militar de agora é de mulherzinha, sempre aparecendo de um jeito mais romântico (casacos com galão E manga bufante, por exemplo) ou através do utilitário, em mil bolsos “gordinhos” aplicados em calças, saias, vestidos, jaquetas… Porque hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás!!!

Tags: , , , 25.03.2010 - 00:03 | Postado por Cristina Categorias: moda e consultoria 10 Comentários

O OLHAR ATENTO ENCONTRA SIGNIFICADO

As semanas de moda tem um sentido extra pra gente aqui na Oficina de Estilo. O que a gente vê em passarelas é inspiração que a gente põe DE VERDADE em prática, o tempo todo com clientes em provadores. Então, pra gente é mais importante pensar em como usar do que pensar no que se vai usar (peças e produtos), já que cada cliente tem um universo particular único e independente de quaisquer modinhas. A gente acha, inclusive, que essa é a parte mais legal da moda do nosso tempo: saber COMO usar é mais importante do que usar a “coisa da hora”.

nossa_moda

Semanas de moda são, por isso, super propícias pra gente exercitar jeitos de usar o que a gente tem (ou vai ter!) e desenvolver pensamento com alguma originalidade em relação à moda. Mesmo quando um desfile é ruim é possível enxergar cores, coordenações delas, formas, caimentos, texturas, acessórios, materiais, comprimentos, proporções e mais. O olhar atento encontra significado e quem “estuda” imagens de moda ganha como recompensa mais destreza na hora de fazer seu próprio styling. Quem quer ser interessante tem que estar interessada. É com esse olhar que a gente faz força pra ver tudo que o SPFW mostra pra gente: a cada desfile a gente procura significado, tenta expandir nosso repertório imagético, tenta absorver novas idéias e deixar tudo estimular nossa vontade de experimentar, de evoluir. Sem pensar em roupa por roupa apenas, mas pensando em idéias.

Tags: , , , , 15.01.2010 - 02:08 | Postado por Fernanda Categorias: diário 12 Comentários

NOSSA BOLA DE CRISTAL

A gente tem dificuldade de enxergar “vontades” claras com os desfiles do Fashion Rio – muito por não acompanhar os desfiles lá, ao vivo (faz muita diferença!). Mas ontem, na demanda de uma entrevista pedida por uma jornalista amiga, a gente espremeu aqui o que tem visto nas passarelas de lá. Pra então imaginar o que pode aparecer também no SPFW e que, por consequeência, vão ser nossas ‘vontades universais’ pra esse inverno. Ou como a gente chamava antigamente, tendências (haha)!!!

antenadas

Então parece que as calças vão continuar sendo confeccionadas com preguinhas na altura do quadril, mesmo que suas pernas variem – mais afuniladas ou mais larguinhas (mais…)

Tags: , , , , 13.01.2010 - 10:31 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 6 Comentários

TENDÊNCIA AGORA É VONTADE

A gente estuda em história da moda a era vitoriana, a era espacial, o flower power, os ‘anos oitenta’ e outros movimentos de moda que marcaram época. Hoje não tem mais isso: os desfiles que a gente vê podem mostrar micro e mini tendências, um bilhão delas, mas não dá pra identificar grandes temas ou tendências unificadas em superblocos. Muito por causa das mudanças de clima no planeta (alô mil outras coleções desfiladas entre semanas de moda), muito também por conta do fast-fashion – Zaras e H&Ms e Renners despertaram o mercado de moda pra urgência em vender, né? Vendas mais rápidas, vontades-relâmpago no lugar de tendências.

salvation

O que importa é que a gente tá no meio do tempo mais “tem pra todo mundo” que já se viu. Não existe uma vontade unânime: é a melhor hora pra escolher como se quer ser, como se quer parecer, todo dia, a cada ocasião. Todo mundo pode tudo (conhecendo seus limites e vontades autênticas e tals) e tá fácil ter estilo. Escolher com (mais…)

Tags: , , , 08.01.2010 - 00:02 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 19 Comentários
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