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TRICÔ NO VERÃO?
A coleção de verão apresentada por Stella McCartney na semana de moda de Paris canta a bola da vez: tricô no calorzão. Antes de entoar o mantra “isso não vai funcionar no nosso país tropical” vale lembrar que o verão londrino também é quente e que tricô também pode ser frio.
APRENDENDO COM O MESTRE
Quando Lucas Nascimento – o mais importante tricoteiro do Brasil, formado pela University of the Arts London e com um currículo que inclui trabalhos com Sid Bryan, artista conhecido pelas peças inacreditáveis que criava para os desfiles de Alexander McQueen – estreou sua marca própria na Fashion Rio, em 2010, 10 entre 10 jornalistas que o entrevistaram fizeram e mesma pergunta: dá mesmo para usar tricô no verão?
Na ocasião, Lucas explicou que tricô não é apenas lã grossa e acabamento artesanal, tipo vovó. Tricô, assim como algodão, pode se transformar em praticamente qualquer coisa. “Existem tramas de toque leve e frio que são específicas para o verão”, conta o estilista.
Composto de pequenas teias de aranha, o tricô deixa o ar passar, o que ajuda no controle térmico.

MAIS QUENTE OU MAIS FRIO
Como todo tecido, o tricô é composto de tramas de fios que podem ter espessura e espaçamento diferentes. Por isso, ao ler que uma roupa é feita de algodão, por exemplo, você nunca vai conseguir saber se ela é quente ou fria apenas com essa informação: pode ser um casacão ou uma camisetinha de algodão fino. O que dá para depreender sem medo da palavra “algodão” que ela permite o ar passar e a pele respirar, evitando o desconforto térmico e aquele cheiro ruim que as fibras sintéticas acumulam mais facilmente.
As fibras naturais costumam ter tramas mais leves e aereadas, com toque sedoso. De forma geral, tricôs que usam fibras naturais como algodão, seda e fios de linho tendem a ser mais frescos enquanto tricôs de poliester, poliamida e acrílico tendem a ser mais quentes.
COM CARA DE PIJAMA
A gente tem visto bastante referência de looks que trazem um ar de pijama usando materiais como o moletom e o tricô de um jeito interessante. Quando bem aplicada, a ideia não transmite um ar de preguiça, de “oh, meu deus, eu tô aqui no trabalho, olhando para a sua cara, mas queria mesmo é estar na minha cama” (a gente pode até pensar isso do chefe ou do colega, mas esperteza é transmitir o oposto!).
Outra forma de usar tricô no verão é aproveitando as modelagens da estação em peças como shortinho e regata, mas acrescentando essa textura a mais. Só de não ter a superfície lisa, comum, um shortinho de tricô já se torna um elemento mais interessante visualmente. Tricôs em modelagens diminutas, tipo camiseta, regata, coletinho super vazado ou tricôs mais tracionais combinados com peças super leves, tipo mini-vestido, sainha curta, calças leves com a barra dobrada ficam lindos.
Pensa em uma calça saruel de seda com uma blusinha de tricô que fofura. Ou em um short de tricô com blusa de tecido reto. Quem quiser aproveitar as peças do inverno em dias de meia estação pode começar o dia – quando está mais frio – com um cardigã de tricô fino que, conforme a temperatura aumenta, vai enfeitar a bolsa ou o pescoço, como se fosse um lenço.
O ENCANTAMENTO DO ARTESANAL
Esse é o terceiro post do blog sobre o trabalho da Helen Rödel. O primeiro foi de surpresa, de quando a gente conheceu os tricôs inventivos e cheios de história da marca do sul (que chamava, na época, Rödel LA). O segundo foi de encantamento, de deixar o olho brilhar diante de um cuidado com o trabalho que a gente raramente vê: o de ajustar a imagem da marca ao produto, de querer acrescentar conteúdo à roupa, de encher de significado a moda que se faz. Esse terceiro é de supresa e encantamento ao mesmo tempo – mas também de gratidão! A Helen fez um mini-documentário que fez a gente aqui resgatar um amor-extra pela roupa artesanal, pelo carinho que se coloca no que é ‘feito à mão’. Quem quer sentir esse amor-calor (de verdade!) assiste o vídeo pra entender do que a gente tá falando, ó:
Documentário Helen Rödel – Estudos MMXI (english subtitles) from Helen Rödel on Vimeo.
Nas palavras da estilista, o documentário foi feito “para aproximar os olhares de coisas que são realmente valiosas” – pra Helen essas ‘valiosidades’ são as pessoas com quem ela trabalha, as técnicas com que ela desenvolve suas idéias, as próprias idéias, os tempos e espaços. É especialmente legal a parte em que, mostrando quanto tempo – e disposição – uma peça de crochê demanda pra estar pronta, a Helen diz que “gosta de pensar nessa quantidade de pensamento e idéias que habitam cada ponto tecido”. A idéia de estar sendo “abraçada” o dia todo não por roupas, mas por tempo, dedicação, pensamento e idéias é demais – e é de tocar até o coração mais gelado, né? <3
O vídeo tem sete minutos que a gente nem vê passar, e o resultado do trabalho documentado aí tá no site da Helen – cheio de imagens lindas, cuidadas, preparadas com tanto carinho quanto o que tem na roupa. Tem uma provinha aqui embaixo mas ó, vale o clique e o passeio – de encher os olhos e o coração. E de esvaziar a carteira de quem quiser encomendar essas belezuras de crochê (hihi) pelo email e-mail info@rodel-la.com!











