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CULTIVANDO AS TENDÊNCIAS DO NOSSO QUINTAL

Todo dia, São Paulo recebe centenas de compradores do país inteiro que vêm aqui escolher a mercadoria de suas lojas. Esse mercado vai desde as famosas sacoleiras – mulheres incríveis que carregam o bonde da moda para todos os cantos – até as lojas de shopping e as grifes com equipe grande e estrutura organizada.

O destino certo de todo esse pessoal são as confecções do Itaim, Jardins, Polo e, sobretudo, do nosso querido Bom Retiro.

Para nós, pessoas físicas (como não amar esse termo, meu Deus!), nada soa tão mágico e inatingível quanto as confecções do Bom Retiro que vendem peças incríveis a preços lindos, mas só para o atacado.

Se você compartilha dessa tara por confecções, vai amar o blog Na Batalha Sem Descer do Salto, que posta fotos atualizadas de vitrines do Bom Retiro.

O blog pertence à Money Gloss, uma empresa que faz tipo um serviço de personal shopper, só que para as lojas. As irmãs Gi e Ju Keesse analisam o perfil da loja, o poder de compra dela, os prazos e montam um roteiro de compras que caiba no bolso e no estilo das clientes dessas lojas. É um trabalho que tem a ver com consultoria de estilo, embora seja bem diferente lidar com uma pessoa só e com uma multidão imaginária de clientes.

Quem não tem loja, no entanto, pode usar o blog da mesma forma que nós usamos: para observar as vitrines e ver o que é tendência de verdade aqui no Brasil, o que de fato estará nas araras de todo tipo de loja dentro de alguns meses. Em tempos de internet todo mundo tende a passar tanto tempo namorando lookbooks das marcas gringas que acaba esquecendo do próprio quintal, mas é nele que nós vivemos, consumismos e gostamos (ou desgostamos) das tendências da rua. Nem que seja para se preparar para combater a próxima leva de qualquer tendência pavorosa que tenha sido super usada no BR recentemente. É ou não é?

Confira a íntegra da nossa entrevista com Ju Keesse!

1) Conta direitinho o que a Money Gloss faz? Vocês ajudam lojas a escolherem o que vão vender, é isso?

Vou contar primeiro como nasceu o Money Gloss, acho que tem a ver. Sempre fui executiva de marketing financeiro, aí mudei e comecei a trabalhar com minha irmã, Gi, representante de moda há mais de 15 anos.

Depois de dois anos assessorando lojas em suas compras, fui convidada a assumir a gerência de marketing de uma rede de lojas da grande Porto Alegre. Essa experiência me mostrou como é o dia-a-dia dos lojistas.

Fiquei por lá dois anos e meio e, prontinha pra voltar, resolvi unir a experiência em marketing, em assessoria a lojistas, no chão de loja e na compra de coleções criando o Money Gloss, mesmo porque na época o único site dedicado a lojistas era o UseFashion, que tem outro direcionamento.

As lojistas de todo o Brasil fazem suas compras em São Paulo, mesclando seus pedidos com a pronta-entrega. Mas elas não têm oportunidade de vir toda semana e toda semana chegam novidades, às vezes exatamente o que a consumidora final está buscando nas lojas. O Money Gloss tenta mostrar exatamente isso.

Mostramos as novas confecções que chegam a São Paulo e colocamos artigos de apoio e vitrines de exemplo para as lojistas.

No início, o Money Gloss era totalmente vinculado ao trabalho de representação de minha irmã mas, com o tempo, ganhou confiabilidade e passou a ser referência para o trabalho diário das lojistas.

Claro que não dá para comparar com o Oficina de Estilo mas, focado em público hiper específico, o Money Gloss tem média de 4.000 acessos/dia, 1,300 assinantes e 244 seguidores, já tendo atingido mais de 1.250.000 pageloads. Legal, né?.

Hoje o Money Gloss continua gerando clientes para a equipe de assessoria da Gi mas ampliou seus horizontes.

2) Vocês não trabalham com o consumidor final em nenhuma etapa?

Recebemos muitas consultas das consumidoras finais querendo saber onde é possível comprar este ou aquele modelo e de muuuuuuitas querendo comprar no Bonriê [Bom Retiro]. Fornecemos os telefones ou sites das confecções, e só.

3) Para quais lojas trabalham? O que fazem exatamente? Há quanto tempo?

São Paulo tem hoje mais de 1.000 confecções que trabalham com pronta-entrega, sobretudo no Itaim, Jardins, Bom Retiro e Polo. A Gi é credenciada em mais de 700. Quanto às lojistas atendidas são muuuuuuuuuitas, de todo o Brasil (redes de lojas, grandes, médias e pequenas e muitas iniciantes no ramo).

4) A gente não entendeu direito se vocês possuem confecções ou se fazem o intermédio entre as confecções e os lojistas.

Não possuímos confecção e o trabalho vai além da intermediação. Funciona assim: a lojista avisa quando vem (também avisamos quando vão ocorrer lançamentos importantes) e é agendada com uma assessora da equipe que vai buscá-la no aeroporto ou rodoviária e fica o tempo todo disponível, mostrando as coleções mais adequadas ao perfil da loja e cuidando da parte burocrática.

Na verdade, o serviço é uma versão do personal shopper para o atacado. No mais, o escritório de representação da Gi funciona como um escritório da loja em São Paulo, cuidando do relacionamento da loja com as confecções, trocas, enfim, do dia-a-dia que não acaba quando a cliente volta para sua cidade.

5) Qual a sua relação com o Bom Retiro? Para você, quais são as qualidades e os defeitos das lojas do bairro?

Eu a-m-o o Bonriê [Bom Retiro]. Eita povo rápido e profissional. Estão na terceira geração e hoje dão aula de como fazer fast fashion, como montar vitrines, como colocar tendências imediatamente à venda.

Nestes dois anos de Money Gloss muita coisa mudou (no início eu fotografava e saia correndo…rsrsrs). Hoje eles abrem as portas dos showrooms, dão liberdade para mostrar suas novidades e, claro, obtém retorno com essa postura pois o blog direciona muitas vendas.

Como em qualquer outro lugar, o Bonriê, é claro, tem de tudo. Procuramos mostrar o que há de melhor.

Já na parte dos defeitos ficam as cópias mal acabadas, que acabam gerando má impressão para os compradores e, sem ter a ver com as lojas, a falta de infra-estrutura do bairro, que alaga, tem mau cheiro e muito lixo.

6) O que você e a Gil estudaram para fazer o que fazem? Pode dar alguma dica para quem quer fazer o mesmo?

A Gi cursou serviço social e aprendeu a trabalhar com mona na prática. Eu estudei jornalismo e sempre trabalhei em marketing.

Como dica ficam a paixão, o interesse pela pesquisa e muita, muita muita dedicação.

7) As vitrines que vocês postam no site são de lojas que só vendem no atacado?

Sim, todas são exclusivamente para o atacado.

Tags: , , 04.11.2011 - 08:36 | Postado por juliana Categorias: mundo da moda 17 Comentários

LINKS PRO FIM DE SEMANA!

• Ainda na onda dos blogs de moda regional/brasileira, o Look Legal fez post pra mostrar estampas exclusivas de marcas capixabas e comentar como é importante pensar em originalidade pro produto!

• Dois em um: tem no Matei por Menos um texto bem bom refletindo sobre a gente adaptar a roupa que escolhe usar à personalidade, à vida, ao estilo… e também à cidade em que mora – e olha, faz muito sentido, viu! Moda na vida real é isso daí. Também lá toda sexta-feira tem indicação de links legais sobre tudo, com design, imagens lindas, notícias, decoração, moda e mais!

O Bainha de Fita Crepe quer saber porque todo mundo chocha as botas tipo pata-de-bode mas aceita numa boa os tamancos/clogs da moda de agora. Ó lá!

• Túnel do tempo da moda: o SuperZíper postou vídeo-relato de um passeio por uma coleção incrível de máquinas de costura super antiguinhas – no Bom Retiro aqui em SP, fica a dica!

• “Vitrine une moda, decoração e comportamento” e quem diz é um vitrinista super atuante do Mega Polo Moda, no Brás, em entrevistinha objetiva, realista e super inteligente sobre esse trabalho no ótimo Vitrine RG.

• Vale conhecer esse site super lindo – francês! – com fotos de gente estilosa nas ruas, dica do blog Say it Loud!

• Passo-a-passo em fotos da confecção de uma jóia de prata feita sob encomenda – desde o estudo em desenhos até a manipulação do material e tals. Tipo bastidores mesmo e muito muito legal de ver, no Bijoux Bliss!

• Assisti só essa semana o documentário The September Issue e super recomendo – teve post no Fashionismo na época super fazendo jus à “legalzice” do filme! Depois de assistir à confecção de uma edição da Vogue americana é bem difícil não se apaixonar pelo trabalho da Grace Coddington, diretora criativa da revista – no Modismo tem a notícia de que a ruivona tá preparando uma biografia e uma prévia com cinco fatos legais de se saber sobre a vida dela. Beijos, Fê. :)

LINKS PRA UM FIM DE SEMANA ANIMADO!

• Vê só esse manequim com corpinho de gente-como-a-gente, de uma loja de lingeries tão legal quanto a idéia (super vida real!), no Espaço das Moçoilas!

• Como as marcas tem prestado atenção pra explorar pelo menos cinco dos nossos sentidos nas lojas delas – pra que a gente não só compre mas tenha uma experiência legal! O link veio do super ótimo Vitrine RG.

• A Hermés lançou um site só com fotos de meninas estilosas usando seus lenços, de mil maneiras diferentes (e novas!): quem mostrou – e conta mais sobre os “carrés” é o blog C’est Sissi Bon, ó.

• Sobre cópias na moda – e sobre como tem um jeito de fazer (e usar!) sem que seja uma coisa ruim: bom pra gente pensar nas bolsas de moletom e tals! Com um TED muito bom junto, tudo direto do About Fashion.

• Guia muito despretensioso, de coração aberto e bem humorado… sobre como se comportar na Colette, em Paris! Pra sentir o clima e aproveitar ao máximo, mesmo antes do passeio, no Hot Like Mexico! :)

• Super objeto de desejo essas bolsinhas simples, com carinha de antigas e bem elegantes – fica a dica pra investir ou pra garimpar em brechós, com a ajuda do Fashion Melon!

VITRINE DE INTELIGÊNCIA

A função principal das vitrines de lojas deveria ser inspirar a gente a experimentar propostas – e não (só) render desejo por peças específicas. Né? Consumidor bacana não deveria ser o que quer uma peça de vitrine e efetua essa compra, mas sim o que se interessa pelo conceito da loja, se permite passar tempo dentro dela, vai até o provador e se deixa identificar com o estilo proposto. E pra isso, é preciso mais do que só roupa na vitrine – mais do que só manequins montados com looks legais: tem que ter poesia, tem que ter tema, estória, encanto mesmo. A arquiteta Lina Bo Bardi escreveu em 1951 (!!!) sobre isso: “Não há nada pior para o adquirente do que ter em frente demais coisas para escolher.” E ainda chamou vitrines abarrotadas de “pequenas ratoeiras com mercadoria-queijo para o transeunte-rato.”

Mais: lojas de rua deviam contar com a responsabilidade que tem de também construir a aparência da cidade (além de ter que vender!). A Lina (íntima) também registrou seu pensamento nesse sentido: “A cidade é uma sala pública, uma grande sala de exposições, um museu, um livro aberto a todo no qual podem-se ler as mais sutis nuances, e quem tiver uma loja, uma vitrina, um buraco qualquer fechado por um vidro e queria expor naquela vitrina, quem quiser ter um papel “público” na cidade, toma a si uma responsabilidade moral, (…) a idéia de que a “sua” vitrina possa contribuir para a formação do gosto dos moradores, possa contribuir para dar fisionomia à cidade, denunciar sua essência.”

Isso tudo tem a ver com identidade, que tem a ver com estilo. Se a gente presta atenção até nisso, a experiência de comprar passa a ser mais interessante, a consciência do entorno é despertada e a gente fica mais e mais ligada em quem a gente é, no que desperta desejo na gente, em como o que tá em volta pode influenciar o vestir e mais. Bom pra pensar e exercitar no fim de semana, né? Bora atrás de vitrines de inteligência pra que assim o aperfeiçoamento do estilo pessoal tenha mais meios pra rolar!

Tem no Fashionismo um post bem incrível sobre vitrines, com as imagens mais inteligentes e inspirativas em que a gente pode pensar depois de ler esses textos da Lina Bo Bardi!

Tags: , , , , , 06.08.2010 - 18:43 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda 7 Comentários

REFERÊNCIA É SÓ REFERÊNCIA!

Achei essa imagem aqui nos arquivos do passeio com leitoras que a gente fez pro Bom Retiro tempos atrás (foi TÃO legal!). O aviso tava na entrada de uma loja – e não é que faz sentido pra além dos domínios da marca? “Não entrar na vitrine” pode fazer a gente pensar em não se vestir da cabeça aos pés com num lugar só (com peças de uma marca só). Também pra não precisar da orientação dos looks pré-preparados pela equipe que monta a vitrine – ou pelo menos só pra ter essa orientação como base pra quebrar regras e elaborar uma proposta mais pessoal!

aviso

Mais: o aviso pode servir pra desprender a gente da idéia de que a moda tá ali atrás daquele vidro… na verdade, a moda de cada uma tá em frente ao espelho do guarda-roupa, com as ferramentas que se tem ali dentro, angariadas durante uma vida (vivida de verdade!!!) e prontas pra serem misturadas de acordo com referências e vontades próprias! Então gente, não mesmo. ‘Não entrar na vitrine’ vale pra nossa relação com toda a moda, com toda roupa, todo look, todo dia. Néam? ;-)

Tags: , , , 14.03.2010 - 20:33 | Postado por Fernanda Categorias: diário 18 Comentários

a cara nova da loja do alexandre herchcovitch

A gente já tinha surtado aqui quando a loja do Alexandre Herchcovitch amanheceu toda estampada – rendeu post e tudo. A idéia da fachada acompanhar cada coleção veio da loja do Japão (ui!) e se renovou por aqui nessa temporada. A parte mais legal é que a loja, dessa vez, tá toda coberta com a estampa principal da coleção de inverno! A “maior” idéia da passarela, a do caos das cidades grandes e da bagunça das metrópoles, foi traduzida como uma grande colagem de cartazes e de placas e letreiros e luzes e cores – tudo meio com cara de Berlim, de onde vêm outras referências da mesma coleção. A estampa se chama “affiche” por isso mesmo, porque quer dizer poster – e não é que virou poster mesmo, colado em lambe-lambe por toda a fachada e até por dentro da loja?!?? Quem conseguir passar por lá hoje à tarde, pra me dar um oi e pra conhecer as peças todas, vai ficar tão passado quanto eu fiquei quando vi!

cara_nova

Tem aqui e aqui mais dois textos bem bacanas sobre a coleção que a gente vai conhecer hoje, valem a leitura! E sério, conhecendo as estórias não dá mais vontade de ter?!?? Ou só eu tenho essa personalidade fraca? ;-)

Tags: , , , , , 27.03.2009 - 12:30 | Postado por Fernanda Categorias: mais oficina 19 Comentários