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A TEIA, A REDE E A MULTIDÃO
ALÉM DO ESPELHO
Por Clara Prado
“Nos dias certos, nos dias exteriores da minha vida,
Nos meus dias de perfeita lucidez natural,
Sinto sem sentir que sinto,
Vejo sem saber que vejo,
E nunca o Universo é tão real como então,
Nunca o Universo está (não é perto ou longe de mim,
Mas) tão sublimemente não-meu.”
Fernando Pessoa – Alberto Caeiro
Este espaço aqui é um daqueles jardins de inverno, sabe? Daqueles que todos nós já vimos uma vez na vida e ficamos imaginando um dia ter em casa. Daqueles construídos como um perfeito equilíbrio entre a expressão da natureza e a composição estética que mais admiramos. Essa imagem me vem porque #alemdoespelho foi feito pra ser um espaço de encontro e reflexão sobre questões importantes, e só. (Eu estava muito angustiada com a demora em conseguir postar outro texto, mas conforme fui concebendo este que agora escrevo percebi que não havia a menor necessidade de impor o tempo e as exigências da produtividade neste espaço aqui – aqui não!!! – e esta suposta demora talvez tenha se transformado em uma reflexão muito mais interessante.)
No último encontro #alemdoespelho o tema foi o nosso corpo, mas não a nossa aparência: falamos de sentidos e percepções. A singeleza e a potência das obras do Olafur Eliasson nos fizeram experimentar o que parece óbvio: nosso corpo – onde está “instalado” nosso olhar – é um ponto de vista sobre o mundo. E daí, no bate papo entre participantes que sempre segue nossos ‘passeios’, pudemos nos conectar pelos relatos da experiência humana mais profunda, de Fernando Pessoa a Heliópolis, da África à física quântica, da cozinha ao mundo corporativo. Tudo aquilo ali era igualmente importante para cada uma de nós e eu tive a certeza de que este sistema de valores que está posto na nossa sociedade “não nos representa”.
Não nos representa porque já estamos fazendo diferente, sentindo diferente, construindo relações diferentes e criando filhos com valores diferentes. Esse mês passou e os acontecimentos nas ruas de São Paulo me fizeram ver que aquilo que conversamos com toda delicadeza no nosso #alemdoespelho está pulsando e aparecendo de diversas formas. Manifestação – uma ideia, uma aspiração, um desejo que ganha corpo; muito mais do que protesto – alguém ainda acha que a questão são os 20 centavos?
Não se trata aqui de discutir vandalismo e repressão, embora essa questão seja importantíssima. Trata-se de perceber que estamos em uma luta muito maior e que, se estivermos comprometidos com o nosso tempo, estamos todos envolvidos nela ativamente. E se não estivermos comprometidos com nosso tempo, estamos envolvidos no processo de qualquer maneira, mas nos deixando levar, simplesmente.
É uma nova ecologia das ideias, uma mudança de paradigma que começou a ser colocada em livros já no início da década de 90, mas que agora está saindo do campo teórico e ganhando materialidade. Será que estou sendo muito otimista e forçando a barra, sendo ingênua? Pode ser, mas não consigo parar de pensar que nossas angústias e a vontade de fazer diferente, seja na maneira como organizamos o funcionamento de nossas casas, seja na maneira de pensar políticas públicas, não estão convergindo porque estão absolutamente conectadas! O que vocês acham?
“O paradigma que está agora retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante as quais modelou nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o restante do mundo. Esse paradigma consiste em várias ideias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e – por fim, mas não menos importante – a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na atualidade, uma revisão radical dessas suposições.”
Fritjof Capra, A Teia da Vida, 1996
A coluna #alémdoespelho da Clara aqui no site convida a gente a trabalhar a autoestima interagindo criticamente com o mundo em volta da gente (e não só com a gente mesma!) — a idéia virou encontro cultural e agora faz parte da programação bimestral da nossa Escola de Qualidade de Vida pra Mulheres. Clica pra conhecer mais do programa, anima e vem com a gente no próximo! :)
COMO AVALIAR QUALIDADE NA ROUPA
Essencial pra assegurar qualidade nas peças que a gente adquire é escolher bom material/tecido, bom acabamento e bom caimento. Tecido a gente avalia pelo toque (quanto mais gostoso, melhor!) e pela composição — na etiqueta dentro da roupa a gente conhece de que é feita cada roupa e assim avalia custo benefício do que tá sendo oferecido. Essa aula sobre tecidos naturais e não-naturais a gente já deu aqui nesse texto, clica pra relembrar.
Acabamento a gente avalia conhecendo a peça pelo avesso, por dentro. Pensa que se as costuras são retinhas e reforçadas, se os encontros entre elas são cuidadosamente arrematados, se os bolsos e recortes estão protegidos internamente… então houve carinho e preciosismo nessa confecção. Se a peça é bem cuidada assim, escondidinha lá dentro, então a parte de fora (a que aparece com a gente quando se usa) também foi pensada com cuidado.
E aí a gente pode avaliar caimento — e essa avaliação só rola no provador. É vestindo que a gente comprova toque gostoso, que a gente se assegura de que o acabamento é reforçado, e a gente pode observar caimento. Assim, vestindo, a gente pode perceber:
- se a costura dos ombros tá onde deve estar, bem sobre o encontro dos ombros com o braço
- se o entorno da gola tá com a forma bonita, encaixadinho
- e se a abertura do decote tá descendo rente à pele no colo
- como o tecido cai nas costas, como cai na cintura
- altura de barras (de partes de cima e de baixo!)
- possíveis abotoamentos e amarrações; sobrinhas de tecido no bumbum – e como cai no bumbum
- abertura e altura de bolsos
- largura das pernas
- aberturas de saias e vestidos tipo envelope
- se as costuras estnao tortas ou alinhadinhas, se elas enrrugam (não deveriam!)
- se o material pinica, puxa fio fácil, demanda manutenção complicada
- fendas
- transparências
- se há necessidade de lingerie especial (e se a já cliente tem essa lingerie)
E mais! E tem que lembrar de provar de pé, sentada, abraçando e dirigindo de mentirinha, pegando coisas imaginárias no chão, dançando (se a roupa for pasear na pista com a gente!) e mais. Moda pra vida real, viu?
A SACADA É SIMPLIFICAR
A Garance Doré, ilustradora francesa que abastece um blog bem elegante sobre estilo de vida e consumo, publicou um artigo delicioso em que explica quais são seus “novos mandamentos de estilo”. A gente concorda BASTANTE e tem aplicado, tanto na própria vida quanto no trabalho de consultoria com nossas clientes, todas essas direções.
No texto a Garance diz que está cansada de acumular tanta coisa/roupa e que os amigos dela também se sentem assim (amém!) — diz que geral quer comprar menos mas melhor, e que geral tá querendo vestir as mesmas roupas por muuuuuuitas e muitas temporadas. Ela completa assim: “talvez seja essa órgia’ de streetstyle e semanas de moda em que a gente esteja inserida nos últimos anos… em todo caso, mudei várias coisas e já sinto diferença: tenho viajado mais leve, só compro roupas que eu realmente vou usar e estou amando incrementar meu guarda-roupa a cada estação ao invés de refazê-lo por completo.”
É possível, não precisa ser radical, é só querer e aproveitar. Ó!
#1 — MENOS ESCOLHAS = MAIS CRIATIVIDADE
Quanto menos a gente tem, mais a gente pode exercitar versatilidade e fazer tudo render (de jeitos diferentes, inusitados). Quando a gente resolve ter só o melhor-do-melhor, só o que a gente ama (como se o armário fosse uma mala de viagem!), a gente pode experimentar usar cada peça que tem com pelo menos outras três e multiplicar nosso universo visual. Assim nada fica estagnado, perdido, deixado pra trás, a gente usa de verdade tudo que tem. Isso vale também pra quem tem restrição em relação ao próprio tipo físico, sabia? Quem tem menos roupa usa mais roupas.
#2 — PEÇA PERFEITA = DELICIOSIDADE ETERNA
Conhecer o guarda-roupa tão precismente a ponto de sempre ter em mente o que realmente pode fazer a diferença é um privilégio — e uma delícia. Procurar por uma peça específica por um tempããããão não é ruim se a gente encara a busca como parte da diversão, como possibilidade de mais e mais aprendizado sobre a gente mesma. E é tão gostoso idealizar, procurar procurar procurar e então… encontrar!
No texto original a Garancé diz que coisas boas são, agora, cada vez mais raras de se encontrar. A gente concorda. Então esperar e procurar pelo que realmente vale a pena faz sentido — e faz a sensação de leveza e objetividade ser uma delícia duradoura mesmo.
#3 — QUALIDADE = LONGEVIDADE
Gostoso ver uma peça “envelhecer bem” junto com a gente, na medida em que a gente vai usando. Camisas que vão ficando mais molinhas, sapatos que vão se moldando aos pés, casacos que acompanham a gente em fotos de muitas épocas diferentes, tipo isso. Mas né, só envelhece bem o que tem qualidade — e o que não tem qualidade não envelhece, acaba. Não precisa ser caro pra ter qualidade (a Garance diz que tem peças da Zara que tão durando anos — a gente aqui também tem, nos próprios armários!) — mas pra encontrar qualidade a gente precisa procurar, tocar as peças, olhar etiquetas, observar acabamentos. Quem quer ser interessante precisa estar interessada!
#4 — GISELE ≠ A GENTE
Tem roupas/looks/ideias que funcionam 100% bem nas moças da internet ou da revista ou da TV — e tem roupas que nunca vão funcionar pra gente exatamente como funcionam pra elas (ou pra quem quer que seja). Se conhecer, identificar o que é importante pra gente e buscar o que se quer sentir em frente ao espelho — usufruindo de inspiração, mas inspiração PERSONALIZADA, adaptada pro nosso universo particular — é o caminho pra ser feliz com moda.
#5 — COMPRAR MENOS = COMPRAR MELHOR
Quando a gente compra muito a gente perde essa DELÍCIA de sensação de satisfação que se sente com uma compra perfeita, desejada, batalhada. A emoção, sabe? A Garance explica em etapas essa gostosura (muito legal!):
- a gente vê pela primeira vez o objeto de desejo
- vai lá e compra — o que às vezes faz doer um pouquinho, mas a gente esquece rápido
- daí a gente chega em casa e tira nosso pequeno tesouro da sacola, um primeiro momento a sós com o objeto de desejo (EMOÇÃO!)
- a primeira noite que a peça dorme em casa HAHAHHAHAHHAHAHA engraçado mas verdade! isso conta né ter uma coisa muito legal em casa com a gente pela primeira vez!
- a primeira vez que a gente sai “oficialmente juntas” (hahahahhhaahha)
- e depois, claro, a primeira foto pro instagram!
Sabe isso? Se a gente compra loucamente, isso daí se perde. Consumir com consciência não é não comprar — pelo contrário, comprar pode ser essa delícia, e pode ter função NA REAL. Quando a gente compra muito passa a tratar nossas compras como sacos de batata, compra e joga no armário sem excitação ou exercício extra de pensamento.
E se a gente resolve comprar menos, com mais pensamento, com mais dedicação e auto-observação… essa emoção volta super. A gente pode preservar as histórias que vem com cada roupa/peça nova. Substituir consumo por autoestima é muito isso. Ó que delícia.
<3
NASCEU NOSSO PRIMEIRO LIVRO!
Então o nosso primeiro livro, VISTA QUEM VOCÊ É — descubra e aperfeiçoe seu estilo pessoal, foi lançado na semana passada e está à venda nas livrarias mais legais do BR. Nele é possível conhecer a nossa metodologia autoral de consultoria de estilo, com tudo preparado e explicado pra ser auto-aplicado: como se a gente capacitasse todo mundo, com exercícios práticos e propostas de reflexão, a ser personal stylist de si mesma. Pensado pra quem tem interesse em se conhecer (e mapear a vida que vive) pra então se vestir de acordo com isso — e não com influência de quaisquer referências externas. <3
O livro nasceu da apostila escrita especialmente para os nossos workshops de estilo pessoal (grupos de mulheres com quem a gente trabalha a consultoria em grupo aqui em SP, na grade da nossa Escola de Qualidade de Vida pra Mulheres), e antes mesmo de ser editado e publicado já tava sendo testado pelas participantes desse workshop — com resultados deliciosamente eficazes. Uma alegria!
Tem um álbum de fotos cheias de amor pra dividir com todo mundo como foi o dia do lançamento do livro — clica pra ver as nossas caras de realização! E o primeiro capítulo tá publicado aqui, clica pra ler — o livro propõe uma jornada e tanto! Tamos TÃO felizes, tão agradecidas!
Quem não encontrar em livrarias pode pedir online (pra todo o BR e pro mundo!) nesses endereços aqui:
no site da nossa editora, Casa da Palavra
na livraria da Travessa (alô cariocas!)
**INFO PRA IMPRENSA com a Natacha da Possível Gestão de Imagem ó –> natacha@possivel.cc :)
VISTA QUEM VOCÊ É
Pensa numa emoção!!! VAMOS LANÇAR O NOSSO PRIMEIRO LIVRO!!! =)
O nosso ‘Vista quem você é – Descubra e aperfeiçoe seu estilo pessoal’chega às livrarias na quinta-feira dia 06/06 e já no dia seguinte vai poder ser comprado online também. Todo mundo que tem interesse em se conhecer – pra então se vestir de acordo com a vida que vive – vai ter ferramentas eficazes de verdade pra ser personal stylist de si mesma!
O livro é resultado dos nossos 10 anos de experiência atendendo clientes reais e super diferentes entre si, com os mais diversos orçamentos, tipos físicos, gostos pessoais, rotinas, valores e nas lojas mais diferentes de todas. Há dois anos essa experiência fez com que a gente organizasse o nosso método pra entregar empoderamento, confiança e autoestima melhorada pra grupos (e não mais só pra clientes individuais) –> e a apostila que a gente desenvolveu pra esse programa, cheia de reflexões e exercícios práticos, foi revista, reescrita, incrementada… e virou livro! <3
Tamos TÃO agradecidas! <3<3<3
Nosso primeiríssimo capítulo, o que abre o livro, tá reproduzido aqui pra ces sentirem já a nossa vibração nesse trabalho novo que é fazer um livro. Copiado e colado igualzinho ao do livro-de-verdade, pra dar gostinho e animar. Ó:
“CONVITE AO OLHAR COM CARINHO PRA SI MESMA <3
Ô época boa pra ser mulher! A gente vive o tempo mais democrático da história das roupas no mundo, em que todo mundo pode tudo e que tudo – absolutamente tudo! – está disponível o tempo todo pra ser usado como bem se quiser. Não tem grandes tendências que regem décadas inteiras (como no passado), não tem regra nem certo-e-errado: legal é individualizar tanto quanto possível a própria aparência, expressar quem a gente é por meio do que usa, se reconhecer em frente ao espelho.
E se é assim, se a gente pode tudo – e se a gente tem TANTA informação de moda disponível em revistas, na TV, na internet – por que é que tanta gente se veste igual? Ou quer se vestir igual a outras pessoas? Por que a gente passa tanto tempo pendurada nos blogs de “look do dia” pensando em como fazer acontecer, no nosso universo, esse look que já aconteceu no universo da blogueira (alô!). Por que será que a gente ainda não sabe o que fazer com essa informação toda? Por que é tão difícil “individualizar” o look, fazer da moda a expressão de quem a gente é (na prática, todo dia)?
Talvez por que a gente se vista todos os dias no piloto automático. É obrigatório, por lei aqui no Brasil, sair às ruas vestindo roupas – e quem sai pelada pode ser presa (sabia?). Há muito tempo, talvez desde bem criancinha, a gente tem escolhido o que comprar e vestir por necessidade, com pressa, por limite de orçamento e mesmo por uma pressão social (quase sempre imaginária, é ou não é?). E escolher “individualizando” é o contrário disso tudo: significa usar como direção referiencias que vem mais de dentro do que de fora.
Esse livro convida, então, a tirar o vestir do piloto automático, a conscientizar essa atividade tão deliciosa pra nós, mulheres. A maior e mais eficaz ferramenta para individualizar o que a gente escolhe vestir é o AUTOCONHECIMENTO, e ao longo dos próximos capítulos a gente quer facilitar o “olhar pra dentro”. Ter clareza de quem a gente é e da vida que leva, do que é importante de verdade e de que sensações se quer ter em frente ao espelho: isso sim é direção certeira pra escolher o que ter no guarda-roupa e o que usar todo dia! A partir daí, toda escolha é feita como uma tradução, fica fácil identificar quais elementos das roupas representam personalidade e objetivos variados que se possa ter. E é essa escolha que dá satisfação, que gera confiança e que faz até ter uma postura diferente na vida. Mais que tudo, conduz para o que a gente quer que você sinta todos os dias: autoestima higher!
A idéia é embarcar agora numa jornada – gostosíssima! – de autoconhecimento. Por isso mesmo, por querer expandir possibilidades de cada dona-de-livro, esse exemplar será único, diferente de todas as outras cópias dele: há propostas de reflexão e exercícios-do-olhar a cada capítulo, você vai ver. Autoconhecimento é uma viagem que ninguém mais pode fazer por você, e o conteúdo compartilhado aqui passa a fazer bem mais sentido se complementado com o seu conteúdo: cada capítulo vai ser ainda mais eficaz se refletido com consistência, somos – juntas! – co-autoras desse “manual de se vestir de acordo com quem a gente é”. Moda pra vida real de verdade, com aplicação prática como você nunca experimentou antes.
O resultado dessa sequência de conteúdos e reflexões pode vir em forma de segurança nas escolhas, menos tempo para se vestir, guarda-roupa mais coerente e coordenável, aparência mais original e autêntica e, claro, mais sorrisos em frente ao espelho todos os dias de manhã. Respire fundo e arregace manguinhas, o fim do livro não é o fim do processo: é o começo do treino – e construção de estilo pessoal é projeto para a vida toda.
Então, seja bem vinda a essa jornada!”"
REFLEXÃO MARAVILHOSA DO DIA
Lina Bo Bardi nasceu na Itália mas foi mais brasileira que um monte de brasileiros de verdade. Procurou, experimentou e se deliciou com a essência do nosso país, reinvindicou propriedade não só pra si mas pra todo mundo que tava em volta dela (e até hoje faz, com as obras que deixou!), enxergou beleza nas nossas raízes, no nosso jeito de desenvolver coisas e idéias. Sozinha, com essa frase aqui embaixo, ela pode fazer mais pelo nosso senso de brasilidade (e de identiddade!) do que anos de terapia poderiam conseguir — se a gente se permitir, procurar real significado e conseguir aplicar o que essa idéia pode representar nos vários aspectos das nossas vidas. Ó!
CORPO: TERRITÓRIO DOS SENTIDOS
ALÉM DO ESPELHO
por Clara Prado
Você que nos acompanha por aqui sabe que pensamos, falamos e trabalhamos com estilo e não apenas com imagem. Com identidade, com expressividade muito mais do que com algo estático que seja friamente construído em função de impressionar alguém ou quase construir um personagem de nós mesmos – quando estamos falando de estilo e autoestima, estamos falando de autoconhecimento colocado junto com o repertório que criamos a partir das afinidades e oportunidades que temos ao longo da vida. Os encontros estéticos e éticos que temos, por assim dizer.
Se o propósito do programa #alemdoespelho é refletir sobre nossas pontes para o mundo, hoje proponho que pensemos sobre o corpo a partir do olhar de dentro pra fora, e não de fora pra dentro. O que capturamos do mundo e como o fazemos, invertendo a perspectiva de pensar apenas em como nos mostramos para os outros. Claro que aqui na Oficina sempre consideramos o fora um reflexo do dentro, mas que tal pensar o corpo como matéria da subjetividade? Nós nos construímos a partir do nosso corpo, ou melhor, nós nos constituímos no nosso corpo: há o que já vem conosco geneticamente e há o que captamos do mundo por meio de nossos sentidos. Por isso o tema da percepção é tão importante: num mundo que nos estimula intencionalmente ao consumo, tão cheio de modelos a serem seguidos, temos que ver o quanto nossos sentidos estão sendo freneticamente provocados para desejar artificialmente algo. Para cumprir esse objetivo, é necessário manter nossa percepção aguçada e conectada com nosso coração – só assim poderemos fazer escolhas significativas.
Sair do automático e fazer um exercício de prestar atenção ao que nossos sentidos captam é dar-se tempo e espaço. Provar sabores diferentes, ouvir músicas de outros cantos, andar a pé e observar a cidade – esses momentos não apenas enriquecem nosso repertório cultural, mas principalmente ampliam a generosidade do nosso olhar para a diversidade. Ou seja, não é uma questão de acúmulo, de quantidade, mas sim uma questão de atitude e de delicadeza perante a vida. Contribuir para a construção de um mundo melhor passa pela relação que estabelecemos com o mundo como ele é, e isso se dá pelas sensações vivenciadas por um corpo que se move no dia a dia.
Claro que nossos sentidos são estimulados o tempo todo, mas proponho a vocês que façam esse exercício de maneira consciente e que conversem a respeito. Vamos criar situações para isso, buscar novos estímulos e abrir a percepção para detalhes do cotidiano pelos quais geralmente passamos em branco. Se experimentarem e puderem me contar como foi, vou adorar. E quem quiser fazer essa experiência coletivamente, reforço o convite para participar do Encontro Cultural #alemdoespelho com o tema percepção, que acontecerá no próximo sábado (25/5), às 11 horas da manhã, no Galpão da Galeria Fortes Vilaça, no bairro da Barra Funda em São Paulo. Na ocasião poderemos colocar nossos corpos e nossos sentidos em contato com a exposição Your Orbit Perspective, do artista contemporâneo Olafur Eliasson, e conversar sobre nossas impressões. Além de conhecer uma galeria de arte importante em um local central, mas pouco conhecido, da cidade de São Paulo.
Palavras do artista sobre a exposição
“Ao considerar algo que não é bem assimilável, temos que confiar na direção para a qual a nossa intuição nos leva; temos que estar abertos para ser atingidos pelo mundo. Este processo é bem cognitivo: ao imaginar o que você vê, você constitui a realidade. Ao fazer isso, você a toma para si como uma espécie de conhecimento emocional. Você lhe dá seu sentimento sentido. Sua perspectiva orbital [Your orbit perspective] direta e metaforicamente produz simultaneamente esse pensar e esse fazer. Não é que somente existe no mundo, mas “munda” o mundo. É uma máquina de realidade.”
Olafur Eliasson, 2013. Texto escrito especialmente para esta exposição. Disponível em http://www.fortesvilaca.com.br/ct-public/arqs/45167607.pdf.
Sobre o artista
Nascido na Dinamarca, em 1967, Olafur Eliasson atualmente vive e trabalha em Berlim e Copenhagen.
A prática de Olafur Eliasson é caracterizada por uma incessante exploração dos nossos modos de perceber. Uma de suas ideias centrais é equipar o espectador para examinar as condições de nossa percepção através das próprias experiências individuais, assim, reavaliando nossas noções do que é estar e agir no mundo; considerando as consequências de nossos sentimentos e ações, na arte e na sociedade de modo geral. Descrito como “configurações experimentais” pelo próprio artista, sua obra vai da fotografia à instalação, escultura e, mais recentemente, ao filme.
Com informações de http://www.fortesvilaca.com.br/artistas/olafur-eliasson





SUBSTITUA CONSUMO POR AUTOESTIMA!
“No ocidente, ficamos presos nesses ciclos de luta e insatisfação sem fim, tentando nos manter em dia com as formas cada vez mais sofisticadas de exibicionismo consumista que vemos na televisão e na internet. Esse ímpeto para acumular bens e serviços materiais parece ter qualidades viciantes: é um apetite voraz sem nenhum mecanismo embutido para nos alertar sobre a hora de parar; queremos cada vez mais — especialmente, ao que parece, sempre mais em comparação com as outras pessoas [...].
Embora tenhamos relativa abundância material, na verdade não temos abundância emocional. Muitas pessoas não tem o que realmente importa. Sem segurança emocional, elas procuram segurança em artigos materiais. Assim, podemos estar procurando a relaização pessoal nos lugares errados — em ter em vez de ser, em acumular posses em vez de construir relações empáticas e enriquecedoras.”
Trecho do livro The Selfish Society – How we all fortgot to love one another and made money instead, de Sue Gerhardt
COMO UTILIZAR A TECNOLOGIA A NOSSO FAVOR
A nossa Escola de Qualidade de Vida pra Mulheres propõe programas de reflexão e prática em três áreas diferentes: formação/especialização de profissionais de consultoria de estilo com metodologia focada em autoestima; ferramentas úteis e facilitadoras do dia-a-dia feminino; possibilidades de se desenvolver lazer consistente. Já tamos trabalhando super bem com os workshops relacionados à consultoria e os encontros culturais #alémdoespelho já começam a dar um gostinho de como vai ser legal participar de lazer consistente em grupo.
A área da Escola que quer compartilhar conhecimento pra entregar ferramentas úteis pra gente ter mais e melhor qualidade de vida começou a ser trabalhada em março, com o workshop Como Organizar sua Vida Financeira (com a Flavia Padoveze) e agora ganha fôlego: no próximo dia 23 de maio vamos ter COMO UTILIZAR A TECNOLOGIA A NOSSO FAVOR, com Diana Assennato. Nesse programa a gente também é aluna e olha, o programa dexou a gente tão empolgada! Ó como vai funcionar:
“O programa quer introduzir participantes numa forma nova de viver a vida, pra exercitar autoestima e empoderamento gerados por ferramentas coerentes com as nossas próprias vidas. Vamos entender melhor as nossas dificuldades rotineiras e buscar direção e soluções para que a tecnologia — em forma de serviços oferecidos por sites, por aplicativos e funções dos nossos tablets e smartphones — facilite a nossa interação no mundo offline. Vamos juntas, guiadas pela Diana, diminuir com autoconhecimento quaisquer atritos que possam haver no trânsito entre os universos online e offline.
Pensa só: toda vez que a gente precisa de algum tipo de informação, conteúdo, notícia, consulta, pesquisa, aprendizado e até conselho (!!!), não há duvida de que é possível encontrar tudo online — é ou não é? A internet é o nosso oráculo, nossa salvação e nossa ferramenta mais essencial no nosso universo digital, mas esquecemos que esse oráculo é feito por pessoas como nós. E é através da internet que muitos aplicativos, ferramentas e aparelhos (“devices” hahaha!) se propõem a facilitar as nossas vidas, a minimizar tempos, a agilizar tarefas, a mecanizar lembretes, organizar informações e mais.
Não é preciso saber usar todas as novidades constantemente disponibilizadas à nossa volta, mas é legal compreender pra que caminho elas apontam. Nesse workshop vamos ter possibilidade de olhar além da tecnologia, pra tentar entender que tipos de problemas ela pode resolver — e então acessar as maneiras com as quais ela pode nos ajudar na prática, todo dia, na vida real. Sem angústia, só com alegria!”

O programa detalhadão tá disponível aqui, junto com mais info sobre quem é a Diana, nossa professora gatíssima — e as inscrições abertas pra esse programa já tão abertas. AND – fofura das fofuras! – tem um vale-presente bem legal pra mimar quem a gente ama e pode usufruir dessa oportunidade de crescimento pessoal. Ajudem a gente a divulgar, mostrem pras mães tias amigas colegas de trabalho, se anime e venham participar! Temos tido TANTAS experiências legais na Escola!
KIT DE PRIMEIROS SOCORROS DE GUARDA-ROUPA
Não custa ter sempre à mão (especialmente em dias de montar looks) uns apetrechos de ‘primeiros socorros’ de guarda-roupa. Vai que tem linha solta bem na hora de vestir aalguma coisa, ou cai um botão, essas coisas né? Nosso kit de levar pros armários das clientes anda com a gente numa pequena necessaire e contém:
_ tesourinha de ponta e alicates de bijú
_ alfinetes de cabeça e de marcar ajustes
_ cola de tecido
_ colchetes e tic-tacs (paras prendadas que souberem pregar!)
_ produtos para tirar manchas
_ escova de dentes para tirar sujeirinhas de fivelas e reentrâncias de acessórios
_ elásticos tipo de dinheiro — alô mangas puxadinhas que não caem nunca!
_ linha clara e linha escura + botões extra
_ navalhinha específica para tirar etiquetas (fácil de encontrar em armarinhos)
_ pinça ou alfinetão para passar elásticos por costuras
_ e o que mais puder ajudar sem ocupar tanto espaço ;-)

E vocês? Tem algum item-ajudador de manutenção rápida em guarda-roupa pra compartilhhar e abastecer esse nosso kit? <3













