DRESSCODE DE FESTONA

Antes as regras eram claras e ninguém podia se rebelar: dresscode era lei e pronto. Agora, conhecendo elementos visuais mais formais e mais informais, é bem possível manipular esses elementos, personalizar o look de eventos sociais e adequar mensagens equilibradas pra brilhar em qualquer festona. Se antes os sapatos de festa precisavam ser sempre delicados, com saltos fininhos, hoje a história é diferente – e um supervestidón sofisticado pode carregar, numa boa, uma sandália pesadona.

É bem possível que essa direção esteja se estabelecendo como uma “nova lei”: a de que não tem lei! E da mesma maneira que se considera dresscode profissional ao trabalhar estilo pessoal em consultoria, é possível se considerar códigos festivos de vestir adaptados para cada serzinho humano. Sempre vão existir eventos sociais com dresscodes rígidos (e algumas vezes impossíveis de decifrar!). A chave para a adequação pode estar na coordenação de todos os elementos que compõem o look festivo – com uma coisa compensando/harmonizando outra – para ter glamour e conforto na medida que se quer. :)

o que usar em festas elegantes

TECIDOS
Os mais finos e lustrosos dentro da categoria dos naturais são sempre os mais sofisticados: todo o universo das sedas, os shantungs de seda, brocados, jacquards e musselines. Transparências delicadas e rendas ricas/finas também acrescentam formalidade.

MODELAGENS
Quanto mais convencionais, mais perto do formal – longos são tradicionais, estrutura é tradicional, decotes arredondados e alças retas são mais tradicionais. Quanto mais assimétricos, recortados, com comprimentos intermediários e com alças diferentonas, mais perto do informal.

SAPATOS E BOLSAS
Tiras e alças mais finas, couros lisos e lustrosos, saltos finos e forrados (sapatos e bolsas inteiramente forrados!), frentes alongadas e mais arredondadas, detalhes em metal e pedraria são sempre mais sofisticados e formais. Tamanhos pequeninos e formatos estruturados, pra bolsas, também pertencem ao grupo do glamour (!!!), e materiais alternativos como tartaruga, madeira e verniz podem funcionar em festonas super sociais para essas pequenas carregadoras dos nossos telefones e cartões de crédito.

ACESSÓRIOS
Jóias finas com pedras translúcidas são sempre mais formais que peças com correntes mais espessas, fechos maiores (tamanhos maiores em geral) e pedras opacas.

CABELO E MAQUIAGEM
Cabelo de festona é cabelo com cara de “feito no salão” – quanto mais preso, mais formal. E em maquiagem a regra do “menos é mais” funciona assim: quanto mais natural e ao mesmo tempo brilhosa, mais formal; e quanto mais carregada ou colorida, mais informal.

PRA COMPLEMENTAR!
código maleável de vestir e de calçar
sapatos formais x sapatos informais
roupa de todo dia pra festonas
glamour com cara de informal 

 

30.09.2014 - 13:10 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria Nenhum Comentário

‘COMUM’ É DIFERENTE DE ‘NATURAL’

Pensa com a gente: o que é comum não necessariamente é natural. Certo? Com essa clareza a gente pode então questionar por que é que a gente conversa tão corriqueiramente assim: “olha, Fulana tem 65 anos MAS NÃO PARECE, menina! ninguém diz!”–> Sabe esse jeito de ‘desculpar’ idade?

Tem sido mais e mais comum geral se entregar a médicos e procedimentos pra tentar segurar a passagem do tempo, pra fingir que não tá ficando velha. Mas gente, não tá todo mundo envelhecendo desde agora? Por mais que seja comum a gente encontrar peles superesticadas e rostos mais e mais sem expressão nenhuma, isso não é natural! Só fica jovem pra sempre quem morre jovem — natural é envelhecer, e envelhecer é então uma bênção.

É claro que envelhecer doente é ruim, envelhecer sem mobilidade ou com dor não deve ser nada fácil. E se a gente passar o tempo todo da vida se preocupando com o externo, com aparência e só, é pra esse tipo de velhice que se caminha. Mas né, se a gente entende que esse corpo e essa carinha podem aproveitar a vida por muuuuuito tempo ainda, e se a gente ESCOLHE cuidar das engrenagens e do combustível e do que faz as nossas máquinas funcionarem no seu melhor… então que coisa deliciosa vai ser envelhecer!

Procurar médico pra cuidar desse caminho pode ser incrível. E, ao contrário do que se pretende, ir ao médico pra manipular aparência com procedimentos que só alcançam a casca não faz ninguém parecer mais jovem: faz, sim, parecer não lidar bem com a passagem do tempo. Quem mexe muito demais da conta na cara passa a fazer parte de um “limbo etário”, uma velhice indefinida — não se sabe se com 55, 65 ou 75… mas se sabe que essa alma não tá tranquila.

Ao longo da vida toda a gente, em tudo, tem ônus e bônus. Quando a gente tem 2o e poucos anos o bônus é ter pele linda, ter musculatura durinha, estar com tudo em cima (que delícia!). E quando a gente passa a ter 35, 45… a gente pode perder esse tônus mas ganha super em sabedoria, em confiança, em segurança, a gente liga menos pras pequenas coisas, a gente releva mais, se permite mais, tem mais tolerância e compaixão, fica mais esperta, mais atenciosa. É ou não é?

Quanto mais a gente vive, mais experiência a gente ganha pra entregar o nosso melhor pro mundo. E o que a gente entrega pro mundo vai muito, mas MUITO além da aparência que a gente tem. Isso sim é natural, mesmo que não seja tão comum nos nossos dias.

26.09.2014 - 09:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 9 Comentários

JEITOS LEGAIS DE USAR CAMISA JEANS

Tempos atrás, numa onda antiga de camisas jeans, o look tinha uma coisa meio country, né? Pois isso passou e – tudo a ver com o nosso tempo de praticidade, inteligência e versatilização do que se tem! – pode ser muito muito atual exercitar a idéia dessas camisas como parte de looks femininos, menos informais ou como terceira peça leve.

Camisa jeans compõe look feminino quando coordenada com peças em tecidos finos/leves, com modelagens de mulherzinhas (alô sainhas de todo tipo!), com meias-calças fofuchas, com transparência, com sandálias delicadas, com babados e rendas e vestidinhos diáfanos – sem esquecer de acessórios em cores-de-menina tipo rosas liláses vermelhos laranjas e todas essas cores de decorar quartos românticos. Porque né, jeans é tecido que foi criado pros trabalhadores, pra ser tecido rústico que aguenta o tranco do dia-a-dia pesado… então contrapor essa idéia com leveza e feminilidade pode render um visual com informação bem inteligente de moda!

A mesma camisa pode também deixar de lado a informalidade do jeans se faz parte de um look cheio de peças mais arrumadinhas, tipo calça alfaiataria, paletózinho, tecidos refinados e lustrosos (oi, seda!), meias finas e sapatos com saltão, bem look-de-rica, sabe? Imagina a camisa jeans como extremo informal e constrói o resto do look crescendo em formalidade, com uma peça mais elegante que a outra – visual assim nunca fica demais nem “demenos” (haha) porque uma idéia compensa a outra – e o jeans vai ficando mais versátil na forma da camisa, veja só.

E aí, camisa jeans também pode servir de terceira peça leve, complementando looks de dias calorentos. As mais justinhas e curtas vão ficar sensacionais usadas abertas sobre sainhas e shorts, sobre combinações de calça branca + blusas coloridas (quanta possibilidade!) ou sobre bermudas sequinhas. Os modelos mais amplos e longuinhos são par perfeito pra usar assim abertinhas, caindo ao longo do corpo, sobre vestidos e macaquinhos – uma graça quando os comprimentos se complementam e se aproximam.

Esse post foi escrito originalmente em agosto de 2010 — pra atualizar a gente não só deu um tapa no texto mas também montou um painel no Pinterest pra juntar inspiração e idéias extra. Clica pra ver lá que ficou demais! :)

22.09.2014 - 09:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 40 Comentários

SINAL DOS TEMPOS

A T Magazine, revista de moda e comportamento do New York Times, fez um artigo sobre como roupas simples e comerciais costumavam ser a antítese da alta moda, mas agora são o ponto de referência para os estilistas. A crítica de moda Cathy Horyn diz que há uma tendência das grifes que antes traziam drama, teatro e inovação em trazer roupas mais usáveis, menos criativas, porém mais pé no chão.

Para ela, isso se dá por conta de uma adaptação aos valores atuais: as pessoas estão ligando menos para inovação e criatividade e mais para tradição e adequação. A falta de grana (alô crise financeira na Europa) também faz com que mesmo o público de elite prefira investir seu dinheiro em roupas que vão render mais uso do que em peças originais para usar de vez em nunca.

O artigo explica ainda como a moda passou de um período de sofisticação técnica e tradição no início do século 20 para um perído de semiótica e desfiles cheios de significados ocultos na década de 1980. Para ela, a tendência agora é a simplificação geral.

A Juliana Cunha traduziu pra gente os trechos mais interessantes:

(…) A ascensão da alta costura no início do século 20 se relaciona com os avanços da comunicação e com a possibilidade de viajar mais, assim como com o interesse incomum do público neste mundo tão rarefeito. Há relatos famosos sobre policiais e taxistas parisienses que eram capazes de reconhecer a procedência de uma roupa de alta costura. Fala-se, por exemplo, de um policial que, na década de 1930, se recusou a prender uma agitadora feminista alegando que ela vestia um Molyneux. Na década de 1960, todos sabiam a última moda, senão por Mary Quant, através dos Beatles.

Mas, em algum momento no final dos anos 1980, a moda descobriu a semiótica. Roupas de repente adquiriram significado (pense nos esforços para ‘decodificar’ os desfiles de Helmut Lang e Martin Margiela). Você realmente precisa ser um especialista no assunto para entender  por que a jaqueta é vestida do avesso ou por que um vestido que te faz parecer uma mendiga é legal. Susan Sontag descreveu uma mudança similar no mundo das artes, em meados dos anos 1960, observando que ‘a arte mais interessante e criativa de nosso tempo não é aberta para amadores; exige um esforço especial; fala uma linguagem especializada’. Hoje, com a aproximação entra a alta moda e a comunicação de massa — com canais do YouTube mantidos por marcas, filmes, grandes espetáculos — há uma pressão para simplificar as coisas. Talvez o surgimento de marcas novas, com desfiles por vezes repletos de um design estranho e banal, também tenha feito com que os designers de elite repensassem as coisas, priorizando uma roupa mais simples.

(…) Vimos nossos horizontes se encurtarem. A desigualdade de renda é o principal motivo; as pessoas simplesmente não podem se dar ao luxo de arriscar novas experiências. Também é verdade que coisas com as quais nunca tivemos que nos preocupar como smartphones e novos tipos de entretenimento tomaram nossas mãos, inspirando-nos em muitos aspectos, mas também estreitando nossa visão com todo o tipo de grades de proteção, de modo que o que antes era nobre hoje é somente uma via rápida e universal para a fabulosidade”.

19.09.2014 - 09:00 | Postado por Fernanda Categorias: mundo da moda Nenhum Comentário

SALTO ALTO É BOM PRA QUADRIL!

Pensa só: colarzão, lenço, gola colorida e maquiagem bacana são alongadores de silhueta super eficazes por chamar atenção pro rosto, pra cima, e assim fazer com que as pessoas olhem a gente nesse movimento pro alto… certo? Então o contrário pode ter o efeito equivalente – se o que mais chama atenção na gente está pra baixo, puxando o olhar dos outros num sentido “achatador”, a percepção que se tem da gente é uma percepção baixinha, pesada pra baixo. Dá pra entender?

Por isso a gente começou a pensar que quem sente que tem quadril grande, quem tem o peso visual na parte inferior da silhueta, pode ser mais feliz se usar mais salto alto, mesmo no dia-a-dia. Claro, sempre tem esses truques que a gente pode usar pra harmonizar o tipo físico e fazer com que (a partir do que a gente veste) o quadril pareça ter tamanho/formato equilibrado em relação ao resto da gente mesma: coordenação monocromática de cores, partes de cima mais soltinhas, partes de baixo em caimento reto, cores mais escuras e opacas cobrindo o quadril e tals. Não custa, então, arrematar essa ‘manipulação’ toda com centímetros extras – na prática e na vida real – pra não se deixar roubar “centímetros visuais” por quadril ou peso visual nenhum!

Se o peso visual puxa pra baixo, negócio é levantar de antemão pra garantir que nada ponha a gente pra baixo – nem visualmente nem de verdade! Para o alto e avante, né!

15.09.2014 - 09:00 | Postado por Fernanda Categorias: moda e consultoria 14 Comentários

CALÇA-COM-VESTIDO

Duas mulheres em uma pequena reunião de trabalho. Eu interrompo com objetivo de dar um recado rápido para uma delas. Assim que abro a porta, uma delas pergunta:

“Escuta, isso é um vestido ou uma blusa?”

“Isto é um vestido.”

“E por que você está usando vestido com calça?”

Eu hesito um pouco: “Porque eu… quis”

Ela mantém uma expressão incógnita: “Eu nunca consigo fazer este tipo de combinação, já tentei várias vezes, mas acho que fica tão estranho. Já percebi que você faz muito isso. Interessante. Como você consegue?”

Me sinto um pouco desconfortável com a pergunta. Parece que sou uma estranha no ninho. A outra diz: “Eu também já percebi que você se veste diferente. Eu gosto de algumas combinações que você faz.”

Tenho um ataque de risos e digo bem humorada: “Só de algumas? Não de todas?”

Ela fica sem graça e tenta explicar: “Sim, quero dizer, de algumas somente porque tem coisas que eu acho que ficam bem só em você, mas não ficariam bem em mim, eu acho. Nunca experimentei, mas acho que não combina comigo e…”

O assunto esquenta. E a reunião era sobre o quê mesmo? As duas conversam animadamente sobre calça com vestido: qual calça? Qual vestido? Por que parece impossível de ser feito? De que forma se faz isso? Quando, onde, como e por quê?  Calça com vestido virou um assunto e tanto.

Finalmente uma delas me inclui de novo na conversa, investigando cuidadosamente: “Mas é curioso porque às vezes acho que fica bom e às vezes acho que não fica tão bom.”

E sem pensar muito, respondo:

“Olha, muitas vezes faço combinações e quando chego no meio do dia, me olho no espelho e penso: “hum, isso ficou péssimo, não funcionou” e toco o barco! Porque eu prefiro a experiência, sempre. Acho que vale mais a pena a gente experimentar as coisas do que ficar pensando muito sobre elas. Só depois que usei uma roupa é que sou capaz de dizer se gosto dela ou não, se deu certo ou não. E se deu errado, consigo pensar no que farei de diferente da próxima vez. E aí fica interessante. A experiência passa a ser mais importante do que o resultado final.”

E no dia seguinte, uma delas veste uma versão própria de calça com vestido.

Acho divertido! E já não me sinto mais uma estranha no ninho.  :)

((carol eva, autora desse texto, é nossa colega de profissão e tem uma percepção muito linda e especial da nossa relação com o corpo, com a roupa e com a moda. uma sorte e um super privilégio ter colaboração dela aqui na Oficina!))

12.09.2014 - 09:00 | Postado por carol eva Categorias: na vida real Nenhum Comentário
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